Em comparação a todos os outros capítulos que foram postados antes e os que estão por vir, esse é beeeeeeeeeeeeeeeem menor. ♥ O que vocês acharam? Gostaram das soluções que encontramos para o casal? Deixem nos comentários. Agora falta apenas UM CAPÍTULO para finalizar a fanfic! Meu Deus, eu nem imaginava que pudesse chegar a este exato momento, que loucura! Ele vai ser o maior, pois vamos passar mês a mês a vida desse casal que mexeu tanto comigo e a minha vida. Foi um prazer ficar com Sin Resistir la Tentación por mais de 5 anos!

Voltar para casa deu aquela sensação de dever cumprido e vamos resolver o que falta. Eu preciso colocar o ateliê em uma imobiliária (ou vender, em último caso), vender as coisas do meu apartamento que eu não poderia levar como os móveis e guardar o que eu poderia despachar na mala, sem trazer desconfiança para a imigração. Não estava fazendo nada ilegal, mas também não queria que me expulsassem antes mesmo que eu tivesse a oportunidade de entrar no país. Tinha que verificar possíveis locais para alugar em Nova York (estava no final da lista, mas mesma assim que ainda ficava espiando na internet).

Enquanto dirigia, percebi que Rose e Alice não tinham me falado o que iriam fazer da própria vida e decidida a dar a atenção merecida para minhas amigas, fui encontrá-las.

***

- O lance é o seguinte: eu nunca quis ficar nessa terra mesmo e já falei isso para os quatro cantos do mundo. Agora você tem a oportunidade de ir, eu não tenho emprego, não tenho nenhuma esperança de encontrar um e não sei o que fazer. Eu estou tipo na merda mesmo. – resmunga Rose.

- Rose... me desculpa por isso. – eu falo, me sentindo extremamente culpada.

- Bella, eu sei que estou falando como se a culpa fosse sua e não é,  soando bem egoísta também. Estou sem rumo, é só isso. – ela completa.

- Eu nunca tive a intenção de sair daqui porque eu gosto da tranquilidade e segurança. Mas eu não tenho nada disso aqui e estou perdida. – emenda Alice.

Nós três estávamos esparramadas no sofá, cada uma envolvida no seu dilema e buscando alternativas para a nova fase das nossas vidas que estavam começando bem ali na nossa cara.

- Meu Deus! – exclamo. – E se... Gente!

- O que foi? – Alice pergunta.

Eu fico parada, encarando a parede na minha frente.

- Por que... não vamos todas? – eu pergunto, como se não estivesse falando com elas.

- O QUÊ? – berra Alice. – Para onde, Bella?

- Nova York! Se o Edward vai conseguir legalmente com que eu possa viver no país, ele consegue para vocês também!

E no meio de uma cacofonia de risadas, gritos, desespero eu abraço as minhas amigas. Era uma solução, eu sabia. Seria muito mais fácil com elas por lá.

***

- Eu arrumei a solução perfeita para você ficar por aqui. – ele responde orgulhoso. Estamos conversando pelo computador tem apenas 10 minutos e sua imagem às vezes chega borrada até mim por causa da minha internet.

- Ah, é. E qual seria?

- Estou dando entrada no seu visto como se você trabalhasse para mim. Não tem mão de obra aqui que consiga substituir tudo que você faz, então, é imprescindível a sua vinda o mais rápido possível.

Eu dou risada.

- O que eu faço que seja insubstituível?

- Sexo, é claro. – ele diz rindo. Que saudade. Tem apenas uma semana e eu estou delirando de saudade.

- Eu pensei em te cadastrar no sorteio de green card que eles fazem para estrangeiros, mas você só terá isso depois que se casar comigo. Então, por enquanto, o visto de trabalho resolve os nossos problemas.

- Não vou adentrar esse assunto e agradeço imensamente. Se essa for uma maneira legal de entrar no país para começar minha nova vida, será bem-vinda. – digo sorrindo. – E eu tenho algo muito importante para compartilhar com você!

- Mesmo? – ele diz. – Está vindo para cá amanhã mesmo? Eu te encontro no aeroporto de Cancún, se for necessário. Sinto tanto a sua falta que te buscaria na metade do caminho.

- Para de ficar falando essas coisas fofas para tentar me conquistar, Edward, até porque não seria a metade do caminho, Cancún está logo ali. Eu já sou sua. – eu o repreendo com um sorriso, mas por dentro me sinto muito animada e amada. – Me deixa falar. Esses últimos dias eu tenho estado com os meus sentimentos bem confusos a respeito de toda essa mudança.

- Não! Você está desistindo? – ele diz de um pulo e começo a ver as paredes do seu apartamento passando por trás da sua imagem, ele correndo e entrando no quarto enquanto ainda fala comigo. – Eu estou indo te buscar agora. Vou arrumar uma mochila, você não vai me deixar.

- Ei, ei, ei. Calma! Não é nada disso! – eu respondo rápido.

- Você prometeu e se não vai cumprir, te trarei a força!




- ME OUVE! – Eu falo alto. – Não é nada disso, não me deixa mais nervosa! Para o que você está fazendo, senta e se acalma!

Ele faz o que eu peço, a respiração pesada, passando uma mão pelo cabelo enquanto com a outra segura o tablet.

- Primeiro. – eu digo quando meu próprio coração se acalmou. Vê-lo tão desesperado me deixo atônita aqui. – Eu preciso repetir quantas vezes? Não estou te deixando, caramba! Eu só queria dizer que meus sentimentos estão confusos, tem muita coisa acontecendo e eu preciso de um favor já que a Alice e a Rose vão comigo para Nova York!

- O quê?

- Sim! Não é maravilhoso? Elas estão aqui tão perdidas quanto eu, sem trabalho ou expectativa de encontrar um e, claro, longe de quem elas gostam. A solução mais plausível, aceitável, incrível, maravilhosa e genial é elas irem comigo! E é aí que eu preciso de você.

- Meu Deus, Emmett e Jasper vão surtar quando souberem disso. Eles não sabem, não é mesmo? – ele diz com um riso nervoso.

- Não. Fiz com que elas me prometessem me deixar falar primeiro com você, pois eu preciso da sua ajuda. Você pode, hum, empregá-las na sua empresa também para que possam ficar legalmente no país? Eu sei que estou pedindo demais e isso gera um custo, mas pelo menos em um primeiro momento seria tão importante e...

- Claro que sim, minha Bella. – ele responde rindo.

- Isso é sério? – eu pergunto, para confirmar.

- Óbvio. Vamos precisar da documentação necessária para dar entrada no visto de trabalho e talvez você venha primeiro que elas, mas sim. Eu farei o que for necessário!

- Eu te amo tanto e queria tanto estar ao seu lado para te apertar! Vou avisá-las! Isso sim vai ser incrível!

- A sua passagem está marcada para quando? – ele pergunta, todas as vezes, para tentar verificar se eu estou enganando-o.

- Já te falei. – respondo mais uma vez, com sorrisão. – Em uma semana. Faço escala em Cancún e depois eu chego aí em três horas e meia.

- Mal posso esperar.

- Nem eu.

***

Porém, o destino tem um jeito maluco de mostrar que as coisas nem sempre são como desejamos, principalmente quando estamos à beira do desespero: meu visto não ficou pronto no período da viagem.

E o Edward enlouqueceu.

Claro, estávamos vivendo um conto de fadas se pensamos que tudo sairia muito simples em um mês.

Não.

Mesmo com a ajuda dele, a Embaixada questionou vários pontos nas quais ele não conseguiu defender, como por exemplo, os motivos para eu ser indispensável se ele trabalhava em um escritório de advocacia e eu era uma bailarina.

O currículo não batia com as atividades exercidas.

E aí a coisa complicou.

Ele me ligou desesperado, com a voz embargada. Ele sabia que eu não iria ilegalmente e se eu não tinha como entrar no país, estávamos separados.

- Por favor, case comigo. – ele pediu mais uma vez, com a expressão triste. Eu estava tentando ser forte por nós dois, apesar de chorar em quase todos os momentos. Há alguns dias, Alice e Rose estavam morando comigo para reduzir as despesas. As minhas malas estavam prontas e as duas esperavam ansiosamente por respostas.

Um balde de água fria em todas nós.

- Não peça isso em um momento desses. Eu aceitarei quando for o momento certo, para nós dois. – eu choramingo, com uma baita vontade de berrar SIIIIIIIIIIIIIIM! – O que eu posso fazer para ajudar?

- Eu não vou ficar longe de você e não vai ser uma merda de uma Embaixada que vai decidir isso. – ele esbraveja e eu quase sorrio. Tão Edward. – Você vai tirar o passaporte de turista mesmo enquanto resolvemos o que fazer. Seu visto vai valer por uns 5 anos, no mínimo. É mais do que suficiente.

- Isso vai demorar algumas semanas...

- Não importa. Melhor demorar algumas semanas do que não ter você nunca. Porra, estou quase comprando uma passagem agora mesmo e indo buscar você! – ele responde furioso. – Alice e Rose devem fazer o mesmo, não vou permitir que vocês fiquem longe de nós mas do que já ficaram. Isso é inadmissível.

- Tudo bem. Eu irei a Embaixada amanhã mesmo. Vai dar tudo certo, Edward. Acalme-se.

Não adiantou muito. Eu estava frustrada e triste e com vontade de chorar também, mas quando eu colocava tudo em perspectiva com o Edward... eu estava muito bem. Ele estava à beira de um colapso.

***

4 semanas depois...

- Eu me pergunto como ainda estou de pé. Estou doente, com saudade e morrendo. De amor. Literalmente. – ele resmunga, enquanto a tela embaça levemente por causa do vapor que sai de uma xícara enorme.

7 semanas depois...

O apartamento era muito pequeno para continuar a me exercitar e tentar me manter no ritmo, ainda mais com duas pessoas. Acabei criando uma rotina para mim mesma, que acabou sendo também o momento em que eu poderia organizar meus pensamentos com tranquilidade.

Caminhando pela praia, era comum alguns pedestres me verem arriscando alguns movimentos na areia ou uma sequência de passos. Eu sentia tanta falta de dançar, mas se Edward pelo menos sonhasse que eu tinha saído para dançar, eu nem sei como reagiria. E procurando evitar encrencas e perturbar o nosso já saudoso relacionamento à distância, me mantive distante de qualquer pessoa que poderia ser um potencial parceiro.

Eu já tinha conseguido evitar que ele voltasse pelo menos dez vezes e a minha cota de justificativas estava na reserva e eu estava ficando impaciente. Tinha mais de dois meses que eu estava apenas naquele apartamento, remoendo o quanto a minha vida estava dando errado e falando com o Edward em todos os momentos possíveis.

Queria evitá-lo também. E não queria preocupa-lo.

Estava cansada de fingir que tudo iria ficar bem quando não tinha nem ideia de quando isso aconteceria e eu não suportava mais esperar. Quando ele ligava, eu estava ficando distante e minha mente estava passeando por lugares escuros e sombrios. Dormi diversas noites chorando e tentando abafar os soluços para minhas amigas não ouvirem, quando eu mesma sabia que elas estavam fazendo a mesma coisa.

É o seguinte: a vida não é esse conto de fadas lindo e fácil. E agora que estávamos percebendo isso, foi como receber uma enxurrada de socos e pontapés. Começamos a nos organizar em busca de emprego, afinal, ninguém sabia como a vida seguiria. Rose que era formada em Administração, apesar de dançar muito melhor do que exercer essa profissão (palavras dela própria), conseguiu depois da distribuição de alguns currículos trabalho em uma imobiliária. Não comentou com o Emmett.

Continuo caminhando pela areia, próxima ao mar, apenas o suficiente para molhar meus pés. Quando o telefone toca, eu verifico pela foto que é Edward.

Eu desligo.

***

8 semanas...

Uma empresa de publicidade entrou em contato comigo com uma proposta ousada: ser o rosto de um novo perfume, na qual o comercial seria todo voltado para o mundo artístico. Eu nunca tinha tentado nada do tipo e fiquei bem animada. Sem contar que o valor era exorbitantemente incrível.

Eu atendia as ligações do Edward, mas estava cada dia mais respondendo suas falas com palavras monossilábicas, como se ainda estivéssemos brincando de sim ou não. Não era a melhor opção, mas eu queria afastá-lo aos poucos. Isso me destruía, mas o pior seria quando ficasse claro que nenhum de nós dois poderíamos ficar juntos. Nossos vistos estavam demorando mais do que o costume, não havia resposta a respeito e eu não queria iludi-lo. Então, eu não tinha comentado a respeito das fotos, da gravação, do comercial. De nada.

8 semanas e três dias...

Eu estava com um vestido vermelho esvoaçante e em camadas, em cima de sapatos de 15 centímetros e bem finos, meu cabelo estava brilhoso e em um penteado jogado por cima do meu ombro em longos e volumosos cachos, todo de um lado. A maquiagem era mais forte que eu já havia experimentado até então, destacando muito os meus olhos e com batom vermelho sangue nos lábios.

Estávamos em um prédio histórico, mais afastado do centro da cidade. Eu deveria descer as escadas correndo (em cima desses sapatos), dar uma paradinha no último degrau, olhar para um lado e para o outro em busca de algo ou alguma coisa ou alguém e atravessar o saguão ainda correndo.

Isso tudo sendo sensual. Eu estava achando bem difícil que isso acontecesse.

Depois de algumas tentativas falhas pela escada, ficou decidido que era melhor eu descer a escada o mais graciosamente possível e depois então correr. As tomadas foram feitas e refeitas, com momentos para que eu pudesse descansar um pouco, retocando cabelo e maquiagem. Finalmente o algo ou alguma coisa ou alguém apareceu e eu me controlei para ser bem profissional. O cara era charme e beleza no sentido mais puro da palavra. Extremamente lindo e gracioso e mesmo que eu esteja com o Edward, não sou cega.

Começamos a gravar com o algo ou alguma coisa ou alguém me esperando no meio do salão e então uma das câmeras girava em 360º, pegando meu olhar sedutor e um meio sorriso junto com aquele homem deslumbrante.

A próxima cena seria comigo dançando com o algo ou alguma coisa ou alguém no meio do salão. Algo bem simples, pois as cenas de dança mesmo eu faria sozinha. Retocando o batom, comecei a sentir um formigamento daquele tipo que você só sente quando tem alguém te encarando intensamente.  Em busca, eu encontrei. Ali na entrada do prédio, perto de onde a equipe tinha deixado um emaranhado de material e mochilas e equipamento, estava ele.

Edward.

Com uma expressão de poucos amigos, as mãos dentro do terno negro, o cabelo bagunçado, mas tão lindo como a minha mente queria me enganar e quando isso acontecia, eu ficava repassando as fotos dele no meu celular, as fotos que eu o fazia enviar todos os dias.

- Meu Deus. – eu quase não acredito e apenas saio correndo, atravessando o saguão, a equipe, tudo que estava na minha frente e me joguei em cima dele, as pernas se enrolando ao redor da sua cintura, o seu perfume me inebriando, sua boca na minha.

- Mi estrella. – ele sussurra de olhos fechados quando me afasto, como se ainda estivesse provando o beijo. Quando abre os olhos, eu estou em brasas e com saudades. Ele tinha voltado.

Se a equipe estivesse preparada e tivesse gravado esse momento, aí sim teriam a corrida perfeita para o comercial.

***

- O que você está fazendo aqui? – pergunto ainda pendurada nele. Suas mãos estão posicionadas no meu traseiro sem nenhum pudor ou vergonha.

- Estou querendo ouvir da sua boca os motivos para estar se afastando de mim. – ele responde com os olhos faiscando na minha direção. Me sinto culpada, mas estou tão feliz que apenas o beijo de novo.

- Eu estava morrendo de saudades. – e salto do seu colo para o chão. A equipe toda que estava nos encarando volta rapidamente aos seus afazeres.

- Isso não é desculpa ainda. – ele diz seriamente, passando a mão pelos cabelos e tirando a gravata e guardando no bolso. – E eu chego, você não está em casa, tenho que praticamente esfolar vivas as suas amigas para me dizerem onde te encontrar. Quando chego aqui, vejo você vestida desse jeito – diz olhando meu corpo inteiro – e correndo como uma louca para um cara que não sou eu. Eu preciso de explicações antes de surtar.

- É um trabalho, acho que não tem problema você acompanhar. – e saio puxando ele pela mão. – Equipe, esse é o meu namorado, Edward. Ele mora em Nova York e acabou de me fazer uma surpresa, como vocês acabaram de perceber. Desculpa a cena. – concluo com uma risadinha, me aconchegando nele.

- Posso falar com você antes de voltar a gravar? – ele sussurra no meu ouvido.

- Claro. – e ele sai me puxando para longe do pessoal. Eu toco o ombro da diretora e falo: - Cinco minutos e eu volto.

Ela assente enquanto verifica o que já foi gravado.

Edward me leva até um corredor que fica perto da porta dupla e alta de entrada, para e me encara ferozmente. Ele está chateado, aborrecido e muito mais. Lá vamos nós.

- Preciso de algumas explicações. – ele diz andando de um lado para o outro, tirando o terno e ficando apenas com uma camiseta branca de botões. – Eu estou me esforçando para não brigar, faz tempo que eu não a vejo, mas sinceramente, está sendo difícil.

- Não posso falar tudo que eu quero agora. – ele continua de um lado para o outro. - Vou ao mais rápido: fui convidada para estrelar um comercial de perfume e é isso que estou fazendo hoje. Amanhã terei uma sessão de fotos para o material impresso e para internet, essas coisas. Por isso estou vestida assim, por isso não estou em casa.

- E por que eu nunca fiquei sabendo disso? – ele questiona, parando na minha frente.

Eu gaguejo e não dou uma resposta plausível.

Ele continua a me encarar e eu vejo mágoa dentro dos seus olhos.

- Vou esperar você em casa. Não quero atrapalhar o seu trabalho, uma vez que eu nem sabia que você estava trabalhando. – ele diz, se afastando pelo corredor.

- Ei, ei. Não, não. Fica. Por favor. – peço. – Vai ser mais fácil com você aqui.

- Acho melhor não. – ele responde firmemente. E olhando por cima do ombro, completa: – Com certeza não será mais fácil se eu estiver por aqui. Te vejo depois. – e me dá um beijo, me deixando transtornada e desorientada ali.

***

Eu chego em casa tarde da noite, apreensiva, pensando em como vou encontrar Edward. Ele estava chateado, com razão, mas eu não quero brigar. Quero me jogar nos seus braços, ficar bem juntinha, dormir com o nariz enterrado no seu pescoço, as nossas pernas tão enroscadas uma na outra como uma trança.

Emmett e Jasper estão ali também, abraçados e agarrados e rindo com Rose e Alice! Edward está afastado, o rosto sombrio, uma garrafa de cerveja nas mãos. Quando eu entro, ele se afasta e vai até o quarto, onde eu o encontro depois de cumprimentar todos.

- Olá. – eu digo jogando a minha bolsa no canto. Não quis retirar a maquiagem no estúdio para chegar antes e estou ainda com o batom vermelho nos lábios e os olhos pintados.

Ele está sentado na ponta da cama, as pernas soltas, olhando para o nada e eu percebo ai que nada está bem.

- Eu me pergunto o que eu fiz para te amar tanto e não ser correspondido da mesma forma.

E meu coração desaba.

- Não é nada disso. – falo me aproximando.

- Eu sou tão infeliz que não consigo estar perto de você, sinto-a se afastando de mim cada dia mais e quando tento entender o porquê, descubro você trabalhando como modelo e gravando comerciais por aí. E eu não sabia de nada disso. Por que, Bella? – ele pede angustiado.

- Edward, não é nada disso, acalme-se. – eu começo a ficar preocupada com o seu tom de voz. – Eu posso te explicar.

Ele continua calado e eu me aproveito dessa oportunidade.

- Eu fui convidada para participar desse comercial e como... como eu não sabia como as coisas iriam ficar daqui para frente entre nós dois e eu estava precisando trabalhar eu aceitei e acabei lá. E é uma oportunidade incrível e não vi motivos para não aceitar e...

- Como as coisas iriam ficar daqui para frente entre nós dois? – ele repete incrédulo. – O que você quer dizer com isso, porra? Eu estou a milhões de quilômetros de distância de você, achando que está tudo bem apesar da nossa separação abrupta por algumas semanas e é isso que tem a me dizer? Você vem me respondendo friamente nas últimas duas semanas, não atende as minhas ligações, quando consigo falar com você é por três minutos!

- Eu sei... eu sei que estou errada, mas eu estou perdida aqui sem você, tudo tem dado errado e eu não sabia o que fazer! – tento rebater.

- Não! – ele se levanta e me deixa na cama, onde eu quero me encolher diante da discussão. Eu odeio isso. Odeio. – Não vem falar de sentimentos e que está perdida e toda essa merda para cima de mim, pois sou eu que tenho andado no escuro! Eu que saí como um maluco, tentando resolver tudo que eu podia para vir até aqui ver você! Eu não consigo sequer falar com você, Bella!

Não adianta eu falar nada. Ele está irredutível, chateado, certo e querendo confusão. Eu aceito quando sei que estou errada e perdi uma discussão.

- Me desculpa. – eu peço novamente.

- Eu não quero as suas malditas desculpas.

Calada, eu pego tudo que eu preciso e vou para o banheiro. Ali, fecho a porta, retiro a maquiagem e tomo um banho para acalmar meu coração que está batendo freneticamente.

***

Quando eu saio, o quarto está vazio. Visto uma roupa confortável e vou em busca do meu raivoso.

- Onde estão os outros? – pergunto, parando na porta da varanda.

- Preferiram ir para o hotel. – ele responde depois de um tempo calado.

- Eu estou cansada, mas gostaria de conversar com você ainda. Vem para a cama comigo? – convido – o apreensiva.

- Eu não estou a fim de conversar.

Sento-me ao seu lado, as mãos no colo, esperando que fale tudo que eu sei que ainda está por vir. Mas ele apenas fica calado.

Eu fico calada.

Olhando para os meus dedos dos pés, descalça. Sem saber mais o que fazer, digo:

- Não seja irracional, por favor. Fale comigo.

- Não vamos falar de irracionalidade agora, Bella. Acho que você não teria argumentos para debater a respeito.

- Tudo bem. Quando quiser falar comigo, eu estarei no quarto.

- Isso. Vá dormir, afinal de contas, ninguém quer que amanhã você amanheça com a cara toda ferrada por não ter conseguido dormir.

***

Eu fico me revirando na cama, obviamente. Ele não aparece por ali, apesar de eu ouvir seus passos pela sala e depois silêncio. E lá se vai...

Uma, duas, três horas.

Levanto-me da cama e vou atrás dele, me recuso a ficar nessa distância depois de tanto tempo e estando no mesmo lugar. Quando eu o encontro, ele está jogado no sofá, ainda com a roupa que eu o encontrei mais cedo, os olhos fechados, mas eu sei que não está dormindo.

- Eu estou feliz por você estar aqui. – eu começo, sentando-me ao seu lado, mas ainda dando o espaço que eu sei ser necessário. – Foi burrice minha em vários aspectos tentar te afastar, não contar sobre o comercial e tudo isso. Eu sinto muito. – cruzo as pernas e viro para ele, que continua na mesma posição. – Eles me entraram em contato e...

Eu falo tudo: desde o momento da ligação até saber sobre o produto, o que queria de mim, a assinatura do contrato e como fiquei com receio não saber o que fazer ou eles se arrependerem e cancelarem o contrato. Como meu rosto, corpo, silhueta – o que a equipe julgasse melhor – apareceria na embalagem que tinha um toque clássico, os comerciais que estavam sendo gravados para serem distribuídos durante a programação e que passaria também em outros países da América Central. Contudo, pedi para verificar todo o material antes deles serem concluídos, pois não queria que me desajustassem nos programas de edição de imagem. Falo da criação de uma coreografia, na qual eles me deram carta branca para alterar e deram o aval final e o quanto estava ansiosa pelas fotos mais do que o comercial, pois era apenas fazer cara de sexy e ficar parada, sem correr o risco de cair. A equipe era muito legal e técnica, me direcionando realmente para aquilo que queriam e sem nunca se irritarem quando refizemos várias vezes os takes.

- O ambiente é bem agradável, realmente, extremamente profissional e eles me ajudam a não fazer muita besteira. – concluo, com um sorriso no rosto.

- Eu teria ficado realmente tão feliz e animado se eu soubesse de tudo isso antes de acontecer e não agora que já está acontecendo. – ele me responde, apertando a ponte do nariz, cansado. Abrindo os olhos, tomba a cabeça para o lado e me olha. – Não acredito que eu vim até aqui por sua causa.

Meus olhos lacrimejam de saudade. Estou tão perto e tão distante e quero tocá-lo e abraçá-lo, mas não sei se devo.

- Eu posso te abraçar? – peço baixinho, olhando para aqueles olhos que ainda me encaram profundamente.

Quando ele abre os braços, eu me aconchego beijando seu pescoço e depois a sua boca e é como se eu estivesse no paraíso.

***

Depois de uma conversa, deixamos claros vários pontos e eu prometi nunca mais esconder nada dele, deixando-o mais aliviado e mais divertido. Apesar das poucas horas de sono e muito sexo, eu estava com uma aparência normal pela manhã e talvez até mais corada.

Efeitos do amor.

As fotos foi algo incrível de serem feitas: eu ri, me diverti, me senti bastante feminina e sensual, segurando aquele perfume entre os dedos, jogando o cabelo, girando... e também cansativo. Eu olhava para os bastidores e Edward estava ali, mais suave do que no dia anterior e me amando incondicionalmente.

Três dias depois ele voltou para Nova York.

Três semanas depois o comercial estava no ar.

Um dia depois eu recebi um e-mail avisando sobre a retirada do meu visto de turista.

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