Eu gosto tanto, tanto, tanto desse capítulo! ♥ Na verdade, esses últimos são todos muito especiais para mim, pois eu estava muito focada em terminar a história, focada nos personagens, em seus sentimentos, em como poderíamos terminar. Aqui tem um pouco de drama, a questão da separação. Eu espero que vocês gostem. Eu amo ler e reler esses capítulos. Espero que gostem!

Fiquei deitada de lado na cama, com os olhos inchados, uma bagunça total. Edward não estava mais ali e era bem cedo, eu não via nem sinais do sol. Ele não estava fazendo barulho, mas eu conseguia ouvi-lo na varanda, falando aos sussurros, mas não me importei muito de ir verificar o que ele estava fazendo.

Eu simplesmente não conseguia ver como sair da situação.

Embrulhada em cobertor, me levantei da cama e segui para onde eu acreditava que ele estava. Lá, Edward estava apenas com uma bermuda, o celular jogado no sofá ao lado, olhando para a o horizonte. Quando me ouviu, abriu o meu sorriso lindo e os braços, me chamando para o meu novo lugar preferido no mundo.

Um beijo era o que eu precisava.

- Não conseguiu dormir? – perguntei a ele, já sabendo a resposta.

- Não.  – ele respondeu simplesmente, sem complementar.

- Eu estou atrapalhando seu sono? – perguntei me movendo de modo que pudesse olhar para seu lindo rosto.

- Claro que não, minha estrela. Tem muita coisa atrapalhando o meu sono, mas não é você.

- Mas é algo relacionado comigo? – insisto.

- Eu tenho o direito de me preocupar com você. – ele diz com o sorriso cansado. – Mas você não precisa se preocupar com isso.

Ficamos em silêncio, cada um envolto em seus pensamentos.

- Eu estava pensando que eu já fui tão feliz e agora não sei mais o que fazer da minha vida.

- Mas a vida é assim mesmo, Bells. Passamos por algumas situações na quais pensamos que não vamos conseguir sair e nessas horas de angústia e tristeza nosso cérebro começa a pensar várias alternativas para contornar os efeitos e nos trazer soluções. É uma balança: você não pode pensar que será sempre feliz ou sempre triste. Temos que equilibrar para alcançar nossos objetivos e perceber que nada é tão fácil.

- Eu... eu apenas não consigo ver como vou sair disso, Edward. – solucei. – Meus pais teriam tanta vergonha de mim nesse momento.
- Não pensa assim! Eles estariam orgulhosos de você, da filha que criaram, da mulher guerreira que se tornou e da bailarina exímia que é. Nós vamos dar um jeito em tudo, você vai ver.

Eu me aconcheguei ainda mais em seu abraço e levantei meu rosto para dar-lhe um beijo. Quando ele aceitou meus lábios, eu percebi que fazia dias que não o tocava, sequer o beijava, de tão envolvida que eu estava em sentir pena de mim mesma. Com delicadeza, minhas mãos subiram pelo meu caminho conhecido, iniciando por seu abdômen, acariciando seu pescoço até meus dedos tocarem sua barba que já tinha mais de um dedo despontando. Eu estava inebriada, seu cheiro me atingiu como se fizesse muitos anos que eu não sentia e, de alguma forma, era como se isso realmente tivesse acontecido e minha memória olfativa fez seu trabalho, trazendo de volta todas as boas memórias.



Eu escalei seu corpo, posicionando minhas pernas ao redor do seu quadril, enfiando as mãos nos seus cabelos e trazendo o rosto para mais perto. Ele se arrumou no sofá, ficando confortável e deixado com que o meu corpo se encaixasse no seu. Eu o beijei, beijei, beijei, beijei. Suas mãos jogaram de lado o cobertor que eu estava envolvida e espalmou as mesmas abertas nas minhas costelas, me puxando para mais perto, me incentivando a seguir com a minha iniciativa, me deixando excitada.

Nossas bocas trabalharam uma na outra durante um bom tempo, nossos lábios ficando dormentes. Se eu avançasse, com certeza ele não iria reclamar, mas eu apenas me mantive beijando-o, saboreando-o, compensando todos os dias que eu apenas passei por ele sem sequer tocá-lo, e ele apenas retribuiu sem reclamar. Eu o beijava vorazmente para depois apenas sugar seus lábios e então apenas encostar nossos lábios, ouvindo o som das nossas respirações, para recomeçar tudo de novo. Eu o abracei enquanto o beijava, sussurrei seu nome entre muitos dos vários beijos, o apertei e desejei que ele nunca mais saísse de perto de mim. Ele gemeu, me incentivando, demonstrando o quanto estava gostando, me abraçando tão fortemente que eu precisei me afastar conseguir respirar e recomeçar de novo.

Não sei quanto tempo passamos assim, mas quando eu finalmente me dei por satisfeita e o olhei, querendo demonstrar o tanto de amor que eu sentia por ele, o que eu recebi foi um sorriso, o meu sorriso de lábios inchados, seus olhos vasculhando meu rosto como se fizesse muito tempo que não me via.

- Eu te amo. Amo seus beijos e estava com saudade de você. Por favor, não me deixa de fora da sua tristeza, da sua angústia, da sua infelicidade, indecisão, raiva, o que quer que esteja sentindo. Eu estou me sentindo perdido. Tento me afastar para te dar espaço, mas não sei se essa é a melhor maneira, pois você está se afastando de mim. Não quero estar ao seu lado apenas nas suas conquistas ou sorrisos ou beijos e abraços e momentos felizes. Eu quero estar ao seu lado sempre que você precisar. – e a intensidade com que ele diz essas palavras traz lágrimas aos meus olhos. Não tinha percebido que eu mesma estava isso até ele dizer. – Me promete? – ele insiste. – Se tiver com raiva, pode me esmurrar. Se estiver angustiada, me deixa ajuda-la a sanar. Se tiver com vontade de chorar, eu estou aqui para você me cobrir de lágrimas. Mas não me deixa assombrado, pensando que não posso cuidar de você ou que sou um inútil a ponto de não conseguir ajuda-la.

- Não, não, não. – eu o beijo. – Você é maravilhoso, meu amor. E está sendo tão paciente e amável e generoso. Eu não quero perturbá-lo com os meus problemas...

- Você precisa entender que estamos juntos nisso: as suas conquistas são as minhas, as suas derrotas são as minhas. Você acredita mesmo que eu estou bem com a situação? Que não estou aqui pensando em todas as possibilidades viáveis para resolver tudo isso? Pois eu estou, minha estrela. Eu estou.

- Eu te amo. Muito. – e me jogo nele.

Enquanto eu estava enfiada no meu poço de auto depreciação ele estava tentando buscar uma solução.

Enquanto eu estava como um zumbi em casa, ele não desistiu.

Enquanto eu apenas o deixei de lado, ele nunca me abandonou.

Tudo ia ser resolver. Eu só precisava descobrir quando.

***

- O que faremos agora? – Alice pergunta. Nós três estamos sentadas no chão do que já tinha sido meu escritório. Estou com uma pasta nas mãos olhando para todos os meus problemas.

Eu não sei. A minha resposta é interna, pois eu não esqueço que minhas melhores amigas também trabalhavam ali. E elas estão comigo agora.

- Eu tenho que verificar o que fazer com esse espaço, se posso alugar ou qualquer coisa do tipo. E tenho que buscar um emprego, algo... algo para fazer. Vocês... vocês precisam também.

E começo a chorar.

- Eu fiz tudo errado! Eu não deveria ter saído daqui para participar daquele concurso! Eu deveria ter ficado aqui, cuidado para que prosperasse, para que tudo ficasse certo! Mas... mas eu fui, eu fui para aquele concurso e quando chegou lá eu ain...da fiquei distraída com o... o Edward, fiquei por lá apenas por isso e demorei a voltar e tudo está dando errado e a culpa é toda minha!

- Ei, ei! Calma, Bella! – Rosalie segura minhas mãos e tenta me acalmar, uma vez que meu corpo começa a sacudir.  – Não é nada disso, meu Deus! Você está uma crise de nervos!

Elas ficam falando frases que me parecem desconexas e tentam me acalmar. Quando eu consigo respirar melhor, Edward está parado encostado no batente da porta, observando a cena se desenrolar. Não sabia até que ponto ele tinha ouvido, mas meu coração para por um momento, pois eu, mesmo tentando enxergar de fora, consegui ver o que estava parecendo.

- Você está bem? – ele pergunta, mas não faz questão de se aproximar.


- Edward...


- Se sim, eu vou te esperar em casa.


E sai.


Eu estou estragando tudo.


*** Quando eu chego a casa, horas mais tarde, ele não estava ali, eu busquei por todos os cômodos. Vou até a cozinha e faço um chá para tentar me acalmar: meu coração está pesado, eu sinto um aperto no peito, com um pressentimento ruim. Eu espero. A noite adentra e o início da madrugada chega. Eu vou ficando cada vez mais angustiada e ele não atende o celular. Eu senti, eu sabia, que ele tinha ouvido tudo e que, pelo modo como eu havia falado, achava que eu o culpava. O que não era verdade; os meus sentimentos confusos falaram mais alto do que eu. No meio da madrugada ele chega. Estou deitada no sofá, os olhos vermelhos, preocupada, minha cabeça latejando, uma dor incômoda que não passara com o uso das aspirinas nem com o chá, apenas piorou com a minha preocupação. Passa por mim em direção à cozinha, mas não fala nada. Eu sinto cheiro de cigarro. Eu nunca vi o Edward fumando. - Onde você estava? – pergunto quando ele volta, levantando e encarando-o. Ele tem uma garrafa de cerveja na mão; apenas me olha, passa por mim novamente e vai se sentar no nosso sofá na varanda. - Edward? Onde você estava? – repito a pergunta. Silêncio. E eu começo a me sentir tonta e nauseada. - Por favor, me desculpa. O que eu falei mais cedo, no estúdio, sei como deve ter parecido para você que estava ouvindo de fora e não em um contexto... - Eu estou voltando para Nova York. - O quê? – sussurro. – Como assim você está voltando? Você... Você... Não ia ficar? Comigo? Ele bebe um gole da cerveja e ainda está olhando através da janela. Quando abaixa a garrafa, me encara firmemente como se eu soubesse a resposta. - Você não pode ir, Edward. Temos que ficar juntos, temos que ficar aqui. Eu preciso de você. - Não, Bella. Não temos que ficar aqui. Eu estou aqui por você, mas no momento, acho que talvez seja melhor me afastar. Eu estarei em Nova York enquanto você põe a sua cabeça no lugar e decide o que quer fazer. Irei apoia-la, mas no momento acho melhor voltar e tentar ajudar como puder de lá. - Você acha que pode me ajudar de longe, me deixando aqui, sozinha, sem ninguém? Isso é sério? Silêncio. E então eu explodo, meu corpo inteiro tremendo. - Eu te odeio por isso! – grito, mas ele apenas continua olhando para o horizonte, sem demonstrar nenhum tipo de reação ou sentimento. - Te odeio por me deixar agora! Te odeio por pensar que eu posso ficar sem você e ainda mais por se afastar de mim! E odeio que você me abraça, seja compreensível e amável e fique repetindo que tudo ficará bem quando ambos sabemos que não ficará! E eu odeio ainda mais amar você, Edward, porque você fode com a minha vida, você me puxa do fundo e me traz de volta e me ama incondicionalmente até mesmo quando eu não mereço! - E eu te amo, Bells. Mas não posso suportar você acreditar que estar comigo de alguma forma contribuiu para a sua queda. Eu não posso ficar aqui tentando convencê-la que tudo ficará bem quando você mesma não se esforça para que isso aconteça. – ele levanta e me encara, proferindo palavras dolorosas - Eu te amo, porra! Eu te amo tanto que chega a doer, mas eu simplesmente não consigo mais. – ele grita: o que me assusta e me destroça por dentro. Eu me agarro no batente da porta, tentando me afastar. Ele fica de costas para mim, frustrado, uma mão enterrada no cabelo, tentando se controlar. É isso: eu tenho que me afastar como ele faz. Tenho que me afastar e ficar sozinha, vamos os dois esfriar a cabeça e depois conversaremos. Ele não pode ir embora. Vou cambaleando, tentando agarrar as paredes e chegar até o quarto. Percebo que tudo ao redor começa a ficar embaçado, escuro; minha cabeça doendo e pesada. Eu sinto como se estivesse caindo. - Edward! – eu falei alto. – Edward... Não vá... Embora. Ouço-o correndo até mim, desesperado, antes de sentir o corpo pender para o chão e apagar de vez. *** Minha cabeça dói. Muito. Tento abrir os meus olhos, mas até isso dói. Respiro fundo e tento de novo. Sinto o meu corpo tenso, os músculos retesados, pontos doloridos. - Olá. – a voz de Edward chamou minha atenção. Giro a cabeça em busca da voz. Seus olhos estão ainda mais cansados do que me lembro, suas roupas amarrotadas, o cabelo bagunçado. Minha boca está seca e eu não conseguia falar. Ele se aproximou com um copo d’água nas mãos, inclinou minha cabeça e bebo. Ele pousa minha cabeça delicadamente, puxa uma cadeira e senta-se ao meu lado. Nos encaramos por alguns minutos até uma enfermeira entrar e fazer o seu trabalho. Edward se afasta, acompanhando tudo do seu canto, e eu observo todo o procedimento, tentando identificar o que estavam fazendo comigo. Falou alguma coisa para mim que não entendo e depois vai embora. Meu olhar voltou para ele. - Como se sente? – perguntou, sentando-se próximo a mim de novo, pegando minha mão que tinha uma agulha presa por esparadrapo. - Tudo dói. – reclamei. – O que aconteceu? – perguntei, curiosa, a respeito da minha atual situação. - Aparentemente sua tristeza, nervosismo e estresse dos últimos dias levaram a melhor contra o seu corpo. Você acabou desmaiando e caiu. Eu a trouxe para cá. Suspirei. Eu estou enlouquecendo. - Me desculpa. – pedi. Ele me encarou demoradamente, estudando meu rosto. Por fim, deu um beijo no meu rosto. - Você vai ficar bem. Está aqui apenas para descansar e se hidratar. Aparentemente você também não estava se alimentando corretamente. E o silêncio cai sobre nós. Nenhum puxa assunto. E eu ainda estou muito cansada. Apenas deixo meus olhos se fecharem e volto a dormir. *** Um dia depois eu saio do hospital. Eu estou bem, mas com uma vontade gigante de chorar pela situação. Edward me alimentou e eu estou descansando e colocando minhas ideias no lugar, tentando verificar a melhor maneira de puxar assunto. Por vezes no enfiamos em cada situação, que até mesmo com a pessoa que você mais ama na sua vida é complicado falar. - Precisamos conversar. – falei, quando ele tinha a intenção de sair da sala em direção a cozinha. Girando o corpo, ele voltou e se sentou ao meu lado, porém, sem tocar em mim. - Claro. - Quando você vai embora? - Não sei. - Mas você ia? - Sim. - Verdadeiramente? - Sim. - Você acredita mesmo que devemos nos separar? - Isso não iria acontecer mais cedo ou mais tarde? – ele revidou. – Não é o melhor momento para dizer tudo isso, mas eu deixei uma vida em Nova York. Um trabalho. Tudo que eu conquistei. Minha estadia aqui não era permanente, pelo menos não foi isso que combinamos inicialmente. Era para nós dois, juntos, sentar e conversar sobre o que seria melhor a partir deste momento, mas nada disso aconteceu. Eu sei que você está sofrendo e que tudo está complicado por aqui, mas não sei mais como poderia lhe ajudar. Estou me sentindo inútil e culpado e não vejo como poderemos resolver essas questões. Uma vez que não está me deixando ajuda-la, e está bem claro na sua atual situação, acho que prefere resolver sozinha. E já sabe: eu sempre faço tudo que você quer. Eu começo a chorar porque é verdade. E eu me jogo no corpo dele, esperando que não me abrace, mas ele é o Edward. E o meu Edward nunca faria isso. Eu desabo. Eu choro e soluço. Eu quero gritar de dor e sofrimento. Mas eu apenas o abraço e tento deixar a minha dor ir embora.

***

Ele me acorda na madrugada para me oferecer chá e o meu remédio, que eu aceito. Quando eu termino, volto a deitar de lado e vou empurrando meu corpo para trás até minhas costas estarem apoiadas em seu peito nu. Ele passa o braço por minha cintura, me puxando para mais perto e respira no meu pescoço. - Eu te amo, Edward. Muito. - Eu sou totalmente bobo por você. Sempre fui e sempre serei. *** Quatro dias depois e eu ainda estou tomando medicação. Edward não está mais tão distante, contudo, fica cada vez mais tempo preso ao telefone. Às vezes eu ouço os nomes de Emmett e Jasper nos seus diálogos e quando perguntei sobre eles, me respondeu falando apenas que estavam bem e não se adentrou no assunto. Ele estava certo, não, de não se abrir comigo e tentar resolver os seus problemas quando eu mesma estava fazendo isso? Eu odiava essa situação. E comecei a pensar em maneiras de contorna-las. *** Edward estava dormindo. Seu peito subia e descia, a respiração tranquila como se estivesse em um sono profundo, mas eu sabia que assim que ao primeiro toque do despertador para o meu remédio, ele acordaria. Lentamente, levantei da cama, fui até o meu closet e peguei um lingerie, a vesti e voltei nas pontas dos pés para o seu lado. Quando o despertador soasse, ele teria uma surpresa. E soou. Ele acordou, me cutucou levemente para que eu tomasse o remédio. Em busca de sua mão para não deixar o comprimido cair, tateei seu peito, passando as pontas das unhas levemente e tomando cuidado para não ficar descoberta. Eu fingi estar adormecida, mas percebi que ele me olhou de relance, perguntando-se se tinha sido real ou imaginação. Volto a deitar e espero seu corpo pousar na cama e, então, empurro meu traseiro contra seu quadril, fortemente. Ele geme. Eu rio. Pego sua mão e pouso no topo do meu quadril, seus dedos encaixados e pousados entre o elástico fino da calcinha e minha pele. Seu braço eu passo por baixo de mim e espalmo em meu seio. - Bella? – ele sussurrou. - Hum? – voz sonolenta ativa. - O que você está fazendo? – ele fala em minha orelha. - Huuuuuum. - Durma.
Certo.

Espero três minutos. Me retorço na cama e fico de frente para ele. Beijo seu pescoço, um beijo molhado, e sigo com a minha língua saboreando a pele, chegando até a barba. Minha mão se arrasta por seu corpo e eu aperto seu traseiro junto ao meu corpo. Mordo o queixo, arrastando os dentes ali. - Eu vou repetir: - ele diz, sua mão rapidamente segurando meu rosto de maneira sensual. - O que diabos você está fazendo? – a voz grogue de desejo, rouca. - Eu estou fazendo algo? – pergunto inocentemente, me desvencilhando e mordendo sua orelha. Subo minha mão por sua coxa, alisando seu pênis por cima da cueca. Ele me gira, me trancando sob seu corpo. Eu me arqueio sobre ele, beijando-o e mordendo seu lábio até que se solte dos meus dentes. Ele retribui me beijando tão forte que chega a machucar. E eu gosto. É isso que eu quero. Puxa a pele do meu colo, indo em direção aos meus seios, prendendo minhas mãos em cada lado do meu rosto, ondulando o quadril contra o meu. - Se você me provoca no meio da madrugada, depois de tomar o seu medicamento, se insinuando e me beijando dessa maneira, sim, você está fazendo alguma coisa. O que você quer? - Eu quero você. – falo, desprendendo minhas mãos e puxando seus cabelos e levantando meu corpo. Não adianta muito: ele está no comando agora e me prende novamente. - Isso não é a definição de repouso que foi dado em sua receita. – ele empurra minhas pernas para abri-las e se posiciona entre elas, beijando meu corpo. Estou delirando. Meus dedos tamborilam suas costas, prendo-o contra mim, quero-o dentro de mim. E esse é o meu Edward: aquele que beija todo o meu corpo, me faz ir ao topo do êxtase para me puxar de volta à realidade e me deixar frustrada e dolorida de desejo. - Eu amo você. – digo em seu ouvido quando me insinuo nele. O estremecimento do seu corpo chega até mim. Ele aperta minha carne, assopra minha pele arrepiada, morde os pontos que me deixam enlouquecida. E desce. Sua língua alcança o ponto que eu necessito e que faz eu me arrepiar e gemer o seu nome. Isso, Edward. É isso que eu quero... Sinto ele trabalhando sua língua no meu corpo, enquanto eu puxo seu cabelo e levanto o quadril em busca de contato. Mais contato. Mais. Mais. Jogo a cabeça para trás, enlouquecida e com o meu corpo necessitado. Edward lambe, dá leves mordidas, que faz mini convulsões me atravessar, e por um momento eu me perco, sem ter noção de onde estou, concentrada demais no fato de que esse homem maravilhoso está fazendo sexo oral em mim espetacular. Eu levanto sua cabeça com dificuldades pelo cabelo, pois ele insiste em me lamber e lamber e lamber e lamber. Estou em convulsão. - Quero você dentro de mim e agora. Seu trabalho aí já foi bem feito. E ele arrasta seu corpo até se encaixar no meu, beijando minha boca e fazendo movimentos com a língua como se ainda estivesse lá embaixo. Céus. Como eu pude me afastar por tanto tempo? Espera. Como eu fiquei sem sexo com Edward por tantos dias? Estou muito envolvida em meus pensamentos insanos e nas sensações do meu corpo e, quando percebo, estou deitada de bruços e Edward está esfregando seu pau na minha bunda, prendendo meus braços ao lado da cabeça, afastando com o rosto meus cabelos para um lado. - Eu vou entrar em você agora. Mas vai ser do jeito que eu quero. Eu quero ter você assim, quero quer você se retorcendo, pedindo por mais e eu abrindo caminho, decidindo se você merece ou não mais. E depois você vai sentar em mim e eu quero sentir sua bunda esmagando meu pau e você rebolando. E ele faz o movimento contra mim. Eu gemo. Edward falando putaria. Sussurradas. No meu ouvido. E é isso que ele faz. Ele mete em mim e continua jogado sob o meu corpo, sua respiração no meu ouvido, sua boca mordiscando cada parte de mim que encontra e eu gemendo. Suspiros sopram dos nossos lábios: aquele momento de ligação, a tênue linha onde se inicia o prazer, a sensação dos corpos trabalhando juntos, a sintonia do amor sendo irradiado em cada poro. Senti tanto a falta dele: da sintonia, desse amor irradiando, de sentir seu corpo grudado no meu, de provocá-lo com pequenas ações. Ele mexe seu quadril de maneira lenta contra mim e depois rápido e depois lento, enfiando tudo e me deixando enlouquecida quando tento tomar conta do ritmo e ele proíbe. Eu sinto meu corpo tencionar, o ouço gemer ainda mais alto e morder o meu ombro. Solto minhas mãos das suas enquanto ele posiciona-as ao redor do meu tronco, me puxando para mais perto e ainda metendo em mim com mais rapidez, e cravo minhas unhas no seu traseiro para que ele me dê aquilo que eu quero. Ele goza e eu o acompanho, meu corpo se satisfazendo daquilo que ele me proporciona, relaxando aos poucos enquanto a onda de prazer chega, se mantém e depois vai lentamente, enquanto Edward deposita beijos na linha da minha coluna, me deixando ainda mais satisfeita e amada. Me viro na cama e ele se deita ao meu lado e eu me aconchego. - Eu te amo. – falo, enquanto entrelaço seus dedos nos meus, enfiando meu rosto no seu pescoço e sentindo o seu cheiro. - Eu também amo você. – ele responde com um suspiro. - Me desculpa. – sei que devo pedir. – Por tudo. - Não há o que desculpar. – ele responde de volta para mim. - Fica comigo. - Fico. *** Quando amanhece, ficamos na cama, deitados de lado, um olhando para o outro. Edward, com aquela barba por fazer, a pele amassada pelos travesseiros, seu cheiro me atingindo, me fazendo ficar inebriada. Dele. - O que vou fazer? – pergunto, quebrando o silêncio. - O que nós vamos fazer? – ele responde. Aproximo-me ainda mais, passando as pontas dos dedos por suas costas, como se estivesse contando todas as pintas que tem ali e em que momentos mais oportunos, eu realmente contei. - Eu realmente preciso voltar. Não é questão mais de estar pressionando você pode uma decisão. Emmett e Jasper estão precisando de mim. - Você jura? - Eu não tenho motivos para mentir, ainda mais sobre algo tão sério. Eu não te abandonaria, nem mesmo quando você se esforça para que isso aconteça. – responde com um sorriso e pousa um beijo na ponta do meu nariz. - Mas... o que eu faço sem você? – pergunto, despenteando seu cabelo que está ligeiramente maior. - Casa comigo, para de ser teimosa. Me aceita para todo o sempre. - É a única solução para me apresentar? - É a mais correta. Eu rio. - Ou podemos fazer um pequeno teste com você. – ele completa. – Quer tentar? Curiosa, assinto. - Vamos lá. – ele diz se recostando na cabeceira da cama e me puxando para sentar entre suas pernas. – Vou fazer algumas perguntas e você me responde o mais sinceramente possível, tudo bem? Sim ou não, apenas. Sem explicações. Sem justificativas. - Okay. - Você se vê morando em Havana pelo resto da sua vida? - Eu não sei. - Sim ou não? - Edward, eu não sei... - Sim ou não? – ele insiste mais firmemente. Suspirando resignada, respondo: - Não. - Tudo bem, vamos para a próxima. Você acredita que existe alguma maneira de retomar com o ateliê, sim ou não? - Eu... eu... – soluço, com os olhos enchendo de lágrimas. - Sim ou não? – ele insiste mais uma vez. - Não. – respondo baixinho. Eu realmente não consigo ver como poderia voltar com o ateliê. Meus dias de glória com ele acabaram. - Você me ama? - Que raio de pergunta é essa? – exclamo, virando o corpo para olhá-lo. - Sim ou não? – ele pergunta, revirando os olhos. - É óbvio, Edward! Claro que eu amo você! – exclamo indignada com a pergunta. – Aonde você quer chegar? - Acalme-se, ainda não terminamos. – e dá um beijo na ponta do meu nariz. – Eu amo você também. Você se imagina morando em Nova York, sim ou não? - Sim. – decido responder suas perguntas o mais breve possível para descobrir logo o resultado do teste. - Você se imagina morando sozinha, em um primeiro momento? - Isso nunca passou pela minha cabeça. – digo franzindo o cenho. – Sempre que eu penso em Nova York é com você. - Sim ou não? - Não. – digo, levemente irritada. - Se eu te pedisse em casamento, você aceitaria? - Sim. - Você quer casar comigo? – ele pergunta rapidamente, com os olhos brilhando. - Não. – respondo rindo. - Ei, por que isso? – ele se inclina para ver meus olhos. – Por que você recusa tanto essa proposta de amor eterno? - Porque sei que isso é o que você mais quer. – respondo dando um beijo na sua bochecha. – Mais alguma pergunta? Ele está levemente aborrecido. - Você acredita que poderia ser feliz em Nova York, sim ou não? - Sim. - Se eu falasse para você arrumar as malas agora e ir embora comigo para Nova York, você iria sim ou não? - Sim. - Bella, deixa tudo para trás e vem morar comigo em Nova York? Sim ou não? – ele emenda rapidamente. - Sim. – respondo com um sorriso bobo no rosto. - O QUÊ? – ele berra. - Ei, ei, ei. Eu quero saber o resultado do teste! - Você está falando sério? – ele diz me virando totalmente em seu colo, me agarrando pelos ombros e escrutinando meu rosto em busca de sinais de brincadeira. - Sim, estou falando sério. - Você quer voltar comigo? – ele pergunta esperançoso. – Você vai casar comigo? - Sim e não. - O QUÊ? – ele berra de novo. - Eu não vou casar com você, Edward. Não ainda. – respondo, passando a mão pela pele do seu peito e abaixando a cabeça. - Mas por que raios, mulher? - Eu.., eu tenho medo. – confesso. - Medo de quê, pelo amor de Deus? – ele diz estarrecido. - Eu posso tentar me explicar e você vai ouvir sem reclamar, sim ou não? - Não venha com ess... - Sim ou não? – insisto. - Sim, sim, sim. Fale logo. – ele responde furioso. - Eu pensei bastante nos últimos dias, verifiquei as alternativas que eu tenho para o espaço que era do ateliê e a melhor seria alugar. Eu ainda não estou pronta para me desfazer e eu sei que é bobagem ficar ligada a algo tão material... mas meus pais construíram aquele lugar, eu não sei apenas virar as costas e fingir que não me importo. Dou uma pausa. Respiro fundo e continuo. - Eu estou em negação a respeito do casamento pelos seguintes motivos: estamos tentando dar um passo muito longo em direção a algo concreto e que, em tese, é para sempre. Já sabemos pelo que passamos e como nossas personalidades são fortes. Tem pouco mais de um ano que nos conhecemos e já vivemos muita coisa juntos. Mas a questão é: passamos mais tempo separados que juntos e isso você não pode negar. Eu olho em seus olhos para que ele saiba que o que eu digo é verdade, mas que não estou falando para ser malvada. É uma constatação de fatos. - Para você parece muito lógico que já saiamos de Havana casados, porém, tenta por um minuto pensar em como eu me sinto, está bem? – peço, passando a mão em seus cabelos e acariciando o seu rosto. – Eu estou saindo do lugar onde eu sempre morei, meu porto seguro, meu lar, meu... tudo. E eu não estou indo para Nova York muito bem psicologicamente, você sabe. O tombo que eu tomei aqui vai continuar comigo por algum tempo e eu não sei estimar quanto. Então, pensa comigo: eu estou saindo daqui e indo para Nova York, sem nada. - Mas você terá tudo lá! – ele contesta rapidamente. – Tudo que eu tenho é seu, mi estrella. Absolutamente tudo! - Mas aí que está o problema: eu não quero as suas coisas. Eu quero conquistar as minhas próprias! Tudo que eu tenho está situado aqui em Havana, Edward. Eu estou abandonando tudo que eu tenho, indo para um país de uma maneira que eu nem sei qual é ainda, não tenho absolutamente nada e você ainda quer que eu me case com você assim. - Se você casar, tudo facilita, Bella. Você está sendo irracional. – ele contrapõe.
- Então eu devo me casar com você por facilidade e não por amor? – questiono, arqueando a minha sobrancelha o máximo que consigo. - Eu não disse isso... - Não, foi exatamente o que você falou. E é esse um dos pontos. Se por algum motivo divino nos separamos? O que eu faço? Você já tem a sua vida construída em Nova York e eu serei e farei o quê? Eu volto para Havana, sem nada, já que estou deixando tudo aqui? - Eu nunca iria deixar você. – ele diz segurando meu rosto com as duas mãos, uma expressão preocupada e desesperada ao mesmo tempo no seu rosto. Sinto-me comovida. - Eu sei que sim, meu amor. Mas se eu não colocar essa opção, estarei sendo irracional. Eu não posso acreditar que terei você para sempre comigo, me ajudando, me mantendo, sustentando enquanto eu faço... o que eu faço, na verdade? Eu não cresci assim. Como eu me manteria em Nova York? - Eu sei que eu te amo e não vou te deixar, isso é algo que devemos deixar claro. – ele responde rabugento. – Depois, eu nunca imaginei que você fosse dizer que aceitava voltar comigo. Essa parte do plano nunca existiu e então eu partiria para a segunda parte do teste. - Que consistia em...? – não quero demonstrar, mas adoro o jeito presunçoso dele. - Em convencê-la de todas as maneiras possíveis – suborno, sexo, discursos realistas, sexo, amor, sexo, beijo, sexo, o quanto eu te amo, sexo... - Entendi. – digo rindo. – Basicamente é só... sexo nessa segunda parte? - E você aceitando depois de algumas insistências. - De qualquer forma, não é que eu não queira casar com você, só acredito que esse não seja o momento certo. É muita mudança, para mim e para você, nunca estivemos perto um do outro por tanto tempo como estaremos a partir de agora e não sabemos como é viver com outra pessoa. Eu estou acostumada a trabalhar, ter a minha liberdade, não dar satisfação a respeito de nada, fazer o que eu quero. Você também está acostumado com isso e muito mais, além do luxo. Havana é totalmente o contrário de Nova York, Edward. É muito para me adaptar, é muito para nós dois passar de ‘estou sozinho e me viro bem’ para ‘tenho outra pessoa que está comigo’. Eu tenho que pensar em mim, você tem que pensar em você e nós dois pensamos juntos em como resolver a situação. - Ok, ok. Não estou convencido, mas entendo a sua preocupação. Como vamos resolver isso? Sem querer te apressar, mas eu realmente preciso voltar à Nova York o quanto antes. – ele fala. – Minhas audiências foram distribuídas, mas alguns clientes fazem questão que seja eu a defendê-los, não dá mais para adiar. - Tudo bem. – respondo. – Eu tenho uma sugestão a fazer e quero que você mantenha a mente aberta. A ideia surgiu diante do teste que ele estava fazendo. Não quero ficar sozinha, estrangeira, em Nova York, perdida sem saber o que fazer... Mas, talvez, apenas talvez, seja uma boa ideia o que ele perguntou que acabou se transformando em uma sugestão... - Eu vou odiar! – ele responde rapidamente, vendo o brilho no meu olhar, enquanto eu pensava. – Você é fria e calculista se acredita que eu vou cair nesse seu papinho. Eu vejo esse brilho daqui. - Pois então eu não irei! – reclamo, fazendo birra e cruzando os braços. - Como – é – que – é, mulher? – ele diz e joga o corpo contra o meu, me derrubando na cama e fazendo cócegas em todo o meu corpo. Eu rio e imploro e tendo afastá-lo até quase perder o ar. - Você irá. Vamos discutir os pormenores e você vem comigo, entendeu? – e dá um tapa na minha bunda enquanto ainda se mantém em cima de mim. - Irei se você for razoável. – retruco teimosa. Respirando fundo, ele me solta. - Diz. - Eu quero morar sozinha em Nova York. – declaro. - O QUÊ? VOCÊ ESTÁ LOUCA? – Edward pula da cama e começa a caminhar de um lado para o outro, enlouquecido. – VOCÊ ACHA MESMO QUE EU IREI DEIXÁ-LA SOZINHA NA CIDADE? MORANDO SOZINHA? VOCÊ ACABOU DE DIZER QUE NÃO SE VÊ SOZINHA NA CIDADE E AGORA ISSO? Você está muito enganada! Não! - A decisão é minha! – reclamo, mal humorada. – Seria uma ótima experiência! - Isso é inconcebível, Isabella! Eu tenho um apartamento, podemos os dois ficarmos lá sem sequer esbarrar um no outro! É inadmissível você querer morar sozinha e gastar um dinheiro que fará falta. Não, absolutamente não! - Acredito que você não tenha ouvido direito. – digo mais alto que o seu tom de voz. – A decisão é minha e se eu digo que vou morar sozinha, é porque eu vou morar sozinha. - Se eu digo que não, é não. – ele diz, parando na minha frente e me desafiando. - E você está demonstrando com incrível clareza mais um motivo para não nos casarmos. – eu digo, pegando uma camiseta e largando-o no quarto. - Você não está sendo justa – ele diz me seguindo até a cozinha.

- Vamos apenas deixar algo bem claro por aqui, okay? – respondo, virando para ele e batendo o copo na mesa. – Você não manda em mim. Eu não obedeço as suas ordens e nunca obedecerei, principalmente se você quiser força-las garganta abaixo em mim! Portanto, é bom deixarmos algo bem claro, Edward. Bem claro mesmo: eu só faço o que eu quero, entendeu? – digo aproximando meu rosto do dele. – Eu não sou sua, você não é meu, ninguém aqui dá ordem em ninguém! Nós estamos em um relacionamento, porra! Não fale comigo nesse tom, como se eu fosse obedecer cegamente o que você fala. Quanto mais você utilizá-lo comigo, menor serão as suas chances que eu faça algo que deseja. Ele me encara. Seu olhar tenso diante das minhas palavras. - Tudo bem, você tem razão. – ele cede. – Me desculpa. Respiro fundo três vezes antes de respondê-lo. - Eu quero morar sozinha. Quero conseguir saber que vou me virar sozinha na cidade independente de qualquer coisa que aconteça. Eu quero ter um espaço para mim, eu quero saber como é recomeçar a vida, procurar um emprego, conhecer pessoas, descobrir novos lugares. Mas também quero saber que terei você ao meu lado. – eu completo, para aliviar um pouco da tensão. - Eu estarei sempre com você. – ele diz me abraçando e me puxando para si. - Eu sei disso. – e deixo que ele me beije. *** - Já solicitei que me enviem alguns apartamentos que estão para alugar em Manhattan para que você veja qual mais te agrada. - Haaam... eu não quero morar por lá. – mordo a tampa da caneta, enquanto faço o checklist no meu caderninho de tarefas a fazer urgentemente. - E por que não quereria? – questiona, sentado ao meu lado, com o laptop no colo. - Porque eu sei que é caro. Vou buscar algo mais dentro do meu orçamento. - Mas eu estarei pagando por isso e digo que você vai ficar em Manhattan. Preciso ter acesso rápido a você sempre que eu quiser. – ele diz, suavizando suas palavras com um beijo. Mas eu não sou idiota. - Eu sei o que você está fazendo e não está funcionando. Não irei ficar em Manhattan. Posso procurar algo que eu queira e goste quando chegar por lá? - Sem querer ser grosseiro, mas se eu irei pagar o aluguel, eu escolho o lugar. - Você é um idiota babaca se pensa que irá pagar alguma coisa para mim. – digo dando uma grande gargalhada. – Eu poderia pagar um aluguel em Manhattan se eu quisesse, o que não é o caso, é claro. Mas aqui em Havana eu nunca exacerbei e não irei fazer por lá também. - O QUÊ? Como acha mesmo que vou deixar você pagar qualquer coisa? – ele diz incrédulo. – Não. Eu pago por tudo isso. - Ai, ai, Edward. Não me venha com esse papinho de macho alfa sobre ‘eu pagarei tudo para você, mulher’. Sabe muito bem que não funciona comigo. – digo com uma risadinha. – Você precisa saber tanto sobre mim ainda... Não sou exatamente milionária, mas eu consigo me virar bem. - Como, em nome de Deus? – ele questiona intrigado. - Bem, vamos começar pelo prêmio do concurso. Foi uma grana boa que eu recebi por ter ganhado, além de alguns contratos de publicidade. – digo cutucando as unhas, e abaixando a cabeça. Não gosto de ficar falando aos quatro cantos que eu sou mais do que aparento. Sempre me saí bem e fico um pouco constrangida com o olhar dele sobre mim. – Além do ateliê, meus pais me deixaram uma quantidade boa de dinheiro, em dólar, guardado em uma conta na qual eu nunca mexi. Esse dinheiro eles foram guardando dos seus próprios eventos, eu te falei que eles viajaram o mundo dançando. Isso se juntou a uma quantidade ainda maior de dinheiro que os meus avós paternos deixaram para o meu pai. Eles eram políticos e meu pai filho único então daí você tira as suas próprias conclusões. Levanto o rosto para encará-lo. - Você está me dizendo que é milionária? – ele pergunta. - Não... não exatamente. – concluo, com um sorriso. – Eu apenas tenho uma reserva. - Você nunca se cansa de me surpreender. - Você nunca perguntou. - Nunca tive motivos. Até hoje. - Tá, tá. Eu preciso então buscar um lugar para morar, deixar o ateliê em uma imobiliária para aluguel... Estive pensando em deixar o dinheiro com a minha tia. Ela já fez tanto por mim e sei que sente uma parcela de culpa pelo ateliê ter fechado. Acredita que não fez um bom trabalho. - Se isso te faz ficar mais feliz, por que não? – ele diz me abraçando. - É verdade. Por que não? *** Edward precisa voltar para casa antes que eu possa sequer ter resolvido metade do que é necessário para ir junto com ele. Com lágrimas nos olhos, eu o deixo no aeroporto, com um clima de tristeza pela separação iminente, mas com uma sensação de alivio por estar deixando pelo menos tudo encaminhado e resolvido comigo. Estou agarrada em seu abraço apertado. - Você irá, não é mesmo? – ele pergunta pela centésima vez. - Sim, eu irei. Já falei para você. – respondo com um sorriso lacrimoso. - Me promete. – ele pede. – Se você não for, eu voltarei aqui e te levo nem que seja dopada. Promete que não está me enganando, Bella, por favor. - Eu prometo que não estou te enganando e que, se tudo der certo, estarei com você em um mês. - Se der errado também. Não ficarei longe de você mais do que esse período de jeito nenhum. – ele responde enfaticamente e do jeito que eu tanto amo. - Uhum. – concordo, apenas para não contrariá-lo. – Estão chamando o seu voo. Eu te amo. Muito. E já, já estarei por lá também. - Por favor, não me abandona. – ele diz segurando um rosto com as duas mãos e olhando no fundo dos meus olhos. Ali eu vejo amor irradiando, mas também preocupação e uma pontada de desespero. - Eu não irei fazer isso. Eu prometo a você. – digo, dando-lhe a tranquilidade que precisa. – Quando desembarcar, me liga avisando que está bem. E quando você acordar e antes de dormir, no horário de almoço, entre as reuniões, antes de sair para caminhar no final do dia, quando tomar um café quente, depois do banho ou durante ele. – e dou sapeco um beijo em sua boca. – Vai com cuidado e não esquece que eu te amo. - Eu também te amo. E me sinto um homem apaixonado e desesperado. Eu rio, com lágrimas nos olhos. - Não chore, meu amor. – ele pede, limpando uma lágrima, enquanto anunciam que é a última chamada para o voo. – Ou então fica comigo em Cancún, enquanto eu espero meu voo para Nova York sair. – ele completa com uma risada. - Não, seu tonto. Vai logo. Eu te amo. Não esquece. Te vejo em algumas semanas. – e o empurro para que ele possa finalmente ir.

Deixe um comentário