É engraçado como depois de tanto tempo sem postar aqui e correndo o risco que poucas pessoas voltem para ver como realmente terminou a história, eu ainda tenha esse sentimento de alívio, de depois de um ano reclamando e prometendo a mim mesma que terminaria a história, EIS QUE FINALMENTE ela está aqui, sendo postada, tendo seu caminho final completo. 

Eu sou uma romântica declarada, apesar de não ficar berrando isso aos 4 cantos do mundo HAHAHA E uma das coisas que eu gosto muito neste capítulo e que terá nos próximos também, é o equilíbrio entre tomar decisões ou se manter na segurança. É um capítulo um pouquinho dramático, mas cheio de amor à la Bella e Edward, do jeito que eu gosto. ♥

Tudo, porém, aconteceu mais rápido do que eu queria e antes que estivéssemos preparados. Na semana que eu iria embora, Edward apenas não desgrudou de mim. Eu evitei até sair porque estávamos curtindo juntos todos os momentos, sentindo a separação inevitável se aproximando.

Edward inclusive adoeceu.

Ficou febril e eu logo me preocupei que estivesse com uma alguma coisa mais séria. Essa febre avançou pela tarde e seguiu noite adentro. Ele estava sentado, encostado na cama, apenas com uma calça sexy de pijama quando eu cheguei e me aconcheguei ao seu lado.

- Você está melhor? – perguntei, erguendo os olhos para o seu rosto, enquanto ele passava os braços ao meu redor.

- Não. Mas você ainda está aqui e tudo está perfeito.

Não eram necessárias palavras para dizer o que se passava em nossas mentes. Em dois dias eu estaria indo embora. Eu passei a ponta dos meus dedos pelo seu peito, fazendo desenhos invisíveis em sua pele. Tinha ficado decidido que eu iria voltar mesmo para Havana. Apesar de todas as pesquisas e do pedido de casamento inusitado, era necessário. E eu ainda não tinha decidido o que fazer da vida.

Ele também foi o homem mais gentil e amável do mundo. Todos os dias, enquanto me movimentava pelo apartamento, encontrava bilhetes dele.
Em qualquer idioma, saiba que eu a amo todos os dias e cada vez mais.
Quando eu descobri o que ele estava fazendo, acabei não saindo pela casa em busca, como era o meu desejo. Eu me deixei ser surpreendida.
Toda vez que eu acordo e sinto o seu cheiro, lembro do quão sortudo eu sou. Não apenas por tê-la em meus braços, mas por saber que sou capaz de amar alguém tão lindo quanto você.
Em um, me fez chorar e rir ao mesmo tempo e eu tive que ligar para ele imediatamente:

Eu descobri sete (realmente importantes!!) coisas:
Que eu sou muito melhor quando estou com você. Esse é realmente um ponto muito, muito importante, mas que você provavelmente vai dizer ‘eu já sabia’ pois acha que tudo que há de melhor em mim foi revelado ou enaltecido depois que apareceu em minha vida. O que não deixa de ser verdade.
Que barbear quando a sua namorada está olhando da porta dá um novo estímulo à imaginação para o ato de tirar pelos do rosto. Pena que os pelos demorem um período para crescer. Isso é realmente um péssimo empecilho diante da brincadeira que se pode criar.
Que a palavra dançar nunca mais terá o mesmo sentindo.
Que eu posso rir da cara da minha secretária através de você, fazendo comentários como: ‘A Bella realmente vai ficar furiosa quando descobrir que eu estou atrasado para o almoço. Acho melhor eu correr antes que ela tenha tacado fogo nas roupas. Ela é realmente controladora e odeia atrasos.’ ou ‘Você acha que a Bella, sabe, a minha namorada, realmente se importaria se você desse o nó na minha gravata? Eu acabei desfazendo o nó que ela deu mais cedo.’ Dispensarei comentários, pois todas as vezes que falei algo desse tipo tive que me controlar imensamente para não gargalhar.
Que quando você está bêbada, pega o balde de gelo da bebida, despeja no chão e joga os cubos de gelo para cima e grita: NEEEEEEEEEEEEEEVE! Nunca deixarei você esquecer isso!
Que a VISION OF LOVE que eu tenho é ver você cantarolando no chuveiro, enquanto esfrega o cabelo e depois que está pronta, fica me seguindo pelo apartamento fazendo caras e bocas, cantando de forma engraçada e me estimulando a segui-la nessa alegria de fazer coisas bestas.
Que está além de mim te amar dessa forma.

A saudade era algo engraçado e de extremos opostos. Ao mesmo tempo em que ela poderia ser algo extremamente gostoso de sentir, poderia também ser dolorida e amarga. E mesmos esses bilhetes não conseguira afastar a tristeza iminente. E nem agora a saudade conseguiu ser engraçada.

No último dia que tivemos juntos, eu acordei chorando. Era um choro sofrido, agarrado a Edward, que tentava se manter forte mas que por fim acabou chorando também. Quando conseguimos nos acalmar, beijamo-nos com os lábios sensíveis e com sabor de lágrimas.

No almoço ele me levou para um restaurante que era íntimo e aconchegante. Nos divertimos e rimos, segurando as mãos um do outro. Mas não foi o bastante.

- O que você quer fazer agora? – ele me perguntou, enquanto caminhávamos em direção ao carro, comigo embaixo do seu braço.

- Podemos apenas ir para o seu apartamento e ficar por lá? – perguntei.

- Seria maravilhoso.

E foi o que fizemos.


Fomos para o seu quarto. Para o lugar onde tinha sido nosso refúgio durante as últimas semanas. Nos abraçamos e ficamos calados boa parte do tempo, apenas sentindo a presença um do outro. Em alguns momentos eu o senti sua respiração profunda e adivinhei que era choro. E escorreram lágrimas em meus olhos.

- Podemos apenas fingir que dormimos demais e que você perdeu o voo? – ele sussurrou quando eu já devia estar a caminho do aeroporto.

- Eu não poderia. – respondi.

Então levantei, o peguei pela mão e levei até a sala. Ali as minhas coisas já estavam amontoadas.

- Meu nobre homem, poderia me ajudar a levar essas malas até o seu carro e me deixar no aeroporto? – perguntei, com um sorriso lacrimoso, tentando ser engraçada.

- Não posso dizer que será um prazer, mas o farei por você.

E então fomos para o aeroporto. Eu peguei um carrinho e coloquei minhas malas e Edward me abraçou quando eu o empurrava. Na área do check-in ele estava ao meu lado e eu imaginei se intimamente ele não estava querendo que algo desse errado e eu tivesse que ficar.

Eu mesma estava pensando isso.

Quando estava com o cartão de embarque em mãos, fomos para a área de embarque e eu o encarei. Seus olhos estavam úmidos e com uma tristeza infinita misturada com um amor inexplicável.

- Eu amo você. – ele sussurrou agarrando meu rosto e me beijando. – Por favor, não vá. Case comigo. Fique, mi estrella. Fique. Eu farei isso dar certo por você. Por nós. Por favor.

- Eu... não posso. – falei abraçando-o. – Eu não posso fazer isso, não agora.

- Não me deixa. – ele disse sofrendo.

A intensidade do seu pedido quase me fez ceder. Parecia que eu estava em um universo paralelo, vendo eu mesma e o Edward se agarrando um ao outro na área de embarque enquanto o voo era anunciado.

- Quando você acordar a partir de hoje, lembra o quanto me fez feliz. Do quanto eu amo você. Que tudo aqui foi perfeito porque nós dois fizemos isso acontecer. Lembra que a sua estrela sempre brilhará quando lembrar o quanto é amada. Pensa que isso é temporário e que quando tudo realmente se resolver, terá que ser capaz de aguentar todo o amor do mundo que eu direcionarei para você. E eu vou reler as suas cartas, porque sim, eu tenho todas guardadas comigo. Eu vou reler os seus bilhetes, lembrar dos seus olhos, das pintas nas suas costas e rir de tudo que passamos juntos, desejando poder repetir. Eu ainda vou ama-lo Edward. E prometo. Prometo que tentarei resolver tudo entre nós o mais rápido possível. Não serei capaz de aguentar a distância de você.

Ele apenas encostou seus lábios nos meus, esmagando-os.

- Eu devo ir. – falei quando ouvi anunciarem mais uma vez meu voo. – Eu devo ir.

- Por favor... – ele implorou.

- Ei, não torne isso mais difícil. – falei com carinho.

E em nosso último beijo desesperado, ele me agarrou e me apertou fortemente contra si enquanto deixava toda a dor sair. As pessoas que estavam ao redor foram obrigadas a olhar, mesmo achando que não era o momento.

- Eu amo você. – ele diz ferozmente. – Mais do que eu acreditei ser capaz de amar alguém na minha vida.

- Eu sei.

- Vá. Resolva a sua vida e volte para mim. Rápido, Bella. Eu não sou de esperar, você sabe disso. Eu te amo.

E me dando um último beijo me deixou ir.

Enquanto eu estava na fila já dentro da sala de embarque, parecia que outra pessoa estava vivendo a minha vida por mim. Eu estava em lágrimas e as pessoas me olhavam solidárias, mas eu não queria isso. Eu queria poder voltar, me jogar nos braços dele e dizer: eu não tenho condições, eu vou ficar!

Eu estava adentrando o avião, soluçando. Encontrei minha poltrona e me preparei para o voo de dez horas até que eu pudesse desembarcar em Cuba.

Em um mundo perfeito eu sairia correndo e voltaria para os braços de Edward.

E foi isso que eu fiz.

- Eu preciso descer! – berrei, enquanto pedia desculpas aos passageiros que estavam sentados ao meu lado e corria para entrada do avião. - Eu preciso descer. – falei, rapidamente em espanhol. Percebi que as aeromoças estavam tentando entender o que estava acontecendo e se comunicar comigo. Por que as pessoas insistem em ficar calmas em situações de emergência?

Respirando fundo, repeti com meu inglês capenga o que eu precisava. Apareceu alguém que falava em espanhol e consegui dizer tudo que era necessário. Fui acompanhada por funcionários da empresa, enquanto alguém empurrava a minha mala em minhas mãos e os muxoxos dos outros passageiros reclamando da demora me seguia. Caminhando rápido e desejando por tudo que era mais importante que Edward não tivesse partido em alta velocidade de volta ao apartamento e fosse se jogar na sofreguidão da solidão, passei pela área de embarque e corri para fora dali, arrastando a mala atrás de mim.

Falar que estava tudo cheio enquanto esbarrava nas pessoas era eufemismo. Eu estava buscando a saída próxima de onde o carro estava estacionado. Eu olhava por cima da cabeça das pessoas, procurando desesperada por aqueles cabelos dourados. Eu girei para todos os lados, quando de repente, como se as pessoas tivessem aberto um caminho de mim até ele, eu o vi: parado, com as mãos nos bolsos da calça, de perfil. Ele estava na área pública, onde todos conseguiam ver os aviões decolando e pousando, vindo e indo de seus destinos. O que era para eu estar, provavelmente deveria estar indo para a pista de decolagem, se preparando para voar.

- EDWARD! – berrei.

Eu corri, empurrando todas as pessoas e tendo a plena noção pela primeira vez da decisão que tinha tomado na minha vida. Deus, eu estava correndo o risco de ser deportada! Edward, porém, parecia não estar se importando. Ele sequer se virou! Portanto, berrei de novo:

- EDWARD! EI, EDWARD! AQUI!

E então ele se virou, lentamente, quase acreditando que a sua mente estava lhe pregando uma peça. Quando ele me viu, ao longe, correndo, ele se jogou em minha direção. Nossos corpos se chocaram quando receberam o impacto um do outro. Eu o abracei com as pernas ao redor da cintura, enquanto ele esmagava meu tronco e eu buscava ar para respirar e lutava contra as lágrimas e queria rir ao mesmo tempo.

Ele agarrou minha cabeça, me beijando e beijando e beijando.

- Sua maluca, o que você fez?

Mais beijos.

- Você me faz sofrer, diz que vai embora e agora aparece aqui!

Mais beijos.

Beijos.

- Eu pensei que fosse uma alucinação, que eu estava realmente enlouquecendo.

Mais beijos.

- E de repente você apar...

- Ei. – falei agarrando sua cabeça e enfiando os dedos em seu cabelo, ainda pendurada. – Eu estou aqui. Eu não posso apenas largá-lo aqui depois de tudo. Eu sofrerei e você ficará aqui tentando fingir que está bem enquanto eu sei que não está. Vamos resolver isso, decidir nossas vidas e começar outra juntos. Aqui ou em Havana: eu não sei. Mas não vamos nos separar.

Ele me beijou, enquanto as pessoas passavam ao nosso redor. Quando estava sem fôlego, me separei dele e o abracei fortemente, ficando nas pontas dos pés, sussurrando em seu ouvido:

- Dentro de algumas horas eu estarei ilegalmente neste país por sua causa. É melhor sairmos daqui.

E foi o que fizemos.

Corremos para o carro, com Edward agarrando a minha mãe como se eu fosse o seu bote salva-vidas, rindo e me beijando e correndo. Em meios às gargalhadas, nos jogamos dentro do carro e ele rapidamente saiu a toda velocidade, indo de volta para o apartamento.

Tudo aconteceu muito rápido, o que era irônico, uma vez que eu não estava mais indo embora e tudo poderia esperar. Mas era como se estivéssemos vivendo uma vida paralela e que a qualquer momento alguém ia adentrar e me arrastar para longe de Edward.

As primeiras peças de roupas ele conseguiu abrir sem danificar muito o tecido. Nossas mãos estavam dançando no corpo um do outro, enquanto nossas risadas e respiração ofegantes eram o único som que se conseguia ouvir. Quando encontramos o quarto, o mesmo que eu fiquei durante tantas noites, ele encostou a minha cabeça em seu ombro e ali eu fiquei, aquecida por seu corpo firme, enquanto ele passava as mãos da base da minha coluna até a minha nuca, me pressionando e me dando um abraço tão diferente de todos que ele já havia me dado que uma única lágrima escorreu pelo meu rosto.

- Eu te amo. – Ele disse, puxando meu rosto em sua direção. – Não consigo entender o que aconteceu no mundo para que eu pudesse te ganhar, quais são os deuses que eu tenho que agradecer por você não ter me deixado. Eu só quero que saiba que eu nunca vou conseguir ser totalmente grato à você por isso. E eu juro: vou me esforçar para ser a pessoa que você sonhou para a vida, isso mesmo se você não quiser casar comigo. – e beijou a ponta do meu nariz, enquanto eu ria. – Eu vou honrá-la e o que puder fazer para deixá-la feliz, eu farei. Estarei sempre ao seu lado, vou retrucar enquanto diz o quão errado sou, irei acordá-la com beijos, farei vê-la a insanidade que é não me ter ao seu lado – e riu, quando eu mesma dei um pequeno soco em seu ombro. – E eu prometo, mi estrella: não sei quem serão as pessoas que eu terei que enfrentar a partir de agora para ficar ao seu lado, mas enquanto você quiser ficar comigo, é isso que terá.

***

Nos dias seguintes, apesar da felicidade de estar ao lado de Edward, eu me sentia errada de estar em um lugar que eu sabia que não deveria estar. Essa confusão deixou Edward divertido, em primeiro momento, mas depois ele foi vendo com isso me afetava e acabou me consolando, dizendo que tudo isso era para eu tê-lo ao meu lado. E não ao contrário.

- Como se você fosse uma grande recompensa. – falei, enquanto caminhávamos rumo ao Central Park.

- Ei, eu não sou apenas uma recompensa. – resmungou enquanto me abraçava por trás.

- Você acha realmente que eu fiquei aqui apenas por sua causa? – perguntei, arqueando a sobrancelha e fitando-o. – Você é mesmo muito arrogante. – e saí caminhando.

- E se não foi por isso, - me agarrando e me abraçando de modo que meus pés ficaram balançando e meu corpo ficou grudado ao seu. – quero que você me dê dez motivos para ter ficado ilegalmente aqui.

– Bem, - comecei, tentando recompor meu rosto, diante do ataque recebido e de como seus olhos me fitaram: desejo puro, amor e divertimento. – As lojas aqui realmente são um primeiro motivo. – ergui um dedo. – Caminhar pelo Central Park, o segundo. – outro dedo e contabilizando. – Neve! Neve com certeza é um terc... – fui interrompida bruscamente com um beijo.

- Para de ficar arrumando motivos esdrúxulos. Admitir que me ama mais de uma vez por dia faz de nós dois mais felizes.

***

Eu sabia que cedo ou tarde voltaria a Havana. Um mês depois esse dia chegou e Edward me acompanhou sem que eu nem precisasse dizer qualquer coisa. Foi uma viagem diferente, onde embarcamos no avião na companhia um do outro e fizemos todo o percurso abraçados e jogados, com a esperança de que tudo se resolvesse a partir desse momento. Eu tinha a sensação que não será tão fácil, mas Edward estava otimista e eu não quis acabar com essa felicidade. Para ele, tudo se encaixaria nos eixos do mundo e conspiraria ao nosso favor, sem levar em consideração que várias outras decisões independiam das nossas próprias.

Quando desembarcamos em Havana, a brisa bagunçou meus cabelos e eu senti a nostalgia de verdadeiramente voltar para casa. Um sorriso alegre se espalhou pelo rosto enquanto eu agarrava a mão do meu amado e seguíamos rumo ao meu apartamento. Era tão irônico puxá-lo rumo a minha vida se parar para pensar que eu já quis que ele seguisse em direção oposta.

O combinado era que ele ficaria ali até que eu resolvesse tudo na minha vida - então tinha uma quantidade considerável de malas - e pudesse me levar de volta para Nova York. Dentro do táxi, meu coração já estava martelando de ansiedade: o ateliê, meu lar, o clima, minhas amigas, Tia Doroth, Jake...

Quando eu finalmente consegui colocar os pés em casa, lágrimas de saudações escorreram pelo meu rosto. Claro, estava abafado e com cheiro de espaço fechado, mas tudo ali era meu. Fui abrindo as janelas de cada canto e quando cheguei ao meu quarto, me joguei de pernas e braços abertos. Edward se jogou ao meu lado.

- Aqui sempre foi o meu lar.

Silêncio.

- As lembranças mais importantes da minha vida estão aqui. Eu... – gaguejei. – Eu não sei se estou preparada para me separar de tudo isso.

Sua mão agarrou a minha, me confortando.

- Eu posso criar novas lembranças com você. – ele sussurrou. – Não quero e nem é para esquecer o que tem aqui. Tudo faz parte de quem você se tornou e o que conseguiu. Eu estou apenas oferecendo uma oportunidade de viver novas lembranças comigo.

- Eu sei. – suspirei. – Mas agora que eu estou aqui, sinto como se nunca devesse sair. É aqui que eu me firmei, Edward. Se eu volto com você para Nova York, o que irei fazer? Eu não nasci para ficar em casa não fazendo nada, sendo sustentando por um marido rico e lindo, que trabalha o dia inteiro e que irá me exibir quando lhe for conveniente e, o mais importante: absolutamente não nasci para ficar sozinha. Isso me apavora. Imagina passar o dia todo trancafiada?

- Bells, temos que pensar um passo de cada vez. Eu não consigo te dar resposta de tudo agora, neste exato momento e garantir que vai sair exatamente como planejado. O que eu posso garantir é que eu necessito que você esteja comigo. Se é aqui ou em Nova York, nós vamos ver ainda.

***

Rose e Alice estavam me esperando no ateliê. Ali eu sabia que realmente tinham vários problemas para serem resolvidos depois de sanar a saudade. Fui recebida com muito carinho, claro, mas os deveres vinham primeiro e a minha cabeça já começou a trabalhar em ritmo frenético.

Quando eu fui para Nova York, o movimento no ateliê caiu e aos poucos foi retornando, principalmente com os destaques que tia Doroth fez questão de dar. Eu já sabia que tinham épocas em que tinha essas baixas, mas 3 professoras ausentes durante um período longo é de se esperar que se tenha perda.

Tia Doroth fez de tudo para conseguir manter como pode: instalou televisões no saguão para que os visitantes pudessem acompanhar o campeonato e distribuiu panfletos pelas ruas, falando sobre o ateliê e a professora que estava concorrendo ao prêmio. Quando eu ganhei, ela voltou a atacar, colocando vários balões na entrada formando um corredor, que a noite ganhava luzes onde meu rosto aparecia com o do Jake, na nossa foto oficial com o prêmio em mãos.

Eu tinha que colocar a mão na massa: o que estava entrando era apenas para pagar professores e as despesas básicas, sem lucro.

- Eu preciso agir rápido. – murmurei enquanto passava a mão pelos cabelos.

- Você precisa descansar. – Edward replicou, enquanto massageava meus ombros. – Não vai conseguir resolver os problemas por aqui com o corpo cansado, não faz nem 6 horas que chegamos e você já está correndo Havana.

- Eu sei. – falei suspirando. – Detesto saber que as coisas ficaram assim por minha causa. O ateliê é tudo que eu tenho.

- Bella, você foi atrás de um sonho e isso gera consequências. Vamos verificar tudo amanhã.

Eu me deixei ser arrastada, com o cansaço do mundo no corpo.

***

As semanas foram passando, enquanto Edward me ajudava a colocar tudo em ordem. Apesar de tentarmos entrar em uma rotina, foi quase impossível, uma vez que todos os dias apareciam novos problemas e desafios. O que mais me preocupava era o fato de o ateliê ainda não está dando lucros.

- Será que estou fazendo a coisa certa? – perguntei um dia, para mim mesma, com os cotovelos apoiados na mesa, as mãos enfiadas no cabelo, enquanto terminava de observar planilhas e planilhas. – Se eu não ficar por aqui, vai ser tempo desperdiçado.

Edward entrou na sala, me observando.

- Seu esforço nunca será desperdiçado, mi estrella. Está complicado agora, mas logo tudo irá voltar ao normal.

E assim aconteceu.

Alice e Rose tiveram a ideia que eu falasse sobre o campeonato em eventos que faríamos, cobrando entrada. Edward falou que pagaria todas as despesas relacionadas a comidas, bebidas e decoração. Obviamente que eu recusei veementemente, mas ele foi persuasivo quando eu caí na cama cansada e me convenceu beijando meu corpo. Ele deixou que escolhêssemos tudo, fechando a noite com a reprise da minha apresentação com o Jake no concurso.

E aí encontrei outro problema: Jake.

Desde que eu voltei, não tive coragem de procurá-lo, apesar de ouvir a tia Doroth falar sobre ele diariamente, o que me deixou intrigada perguntando se ela sabia a respeito de tudo que tinha acontecido entre mim e ele. O que me fez ficar com a consciência pesada quando apareci na porta do seu apartamento, depois de uma discussão acalorada com o Edward que, mais uma vez, estava morrendo de ciúmes.

- Edward, eu não vou lidar com você agora. Desculpa. – e simplesmente peguei a bolsa e saí. Confesso, estava cansada de ficar voltando a esse assunto todas às vezes.

Quanto ao Jake, foi como se nossa relação chegasse ao fim. Ele me recebeu bem, mas não era mais como antes. Nossas conversas soavam forçadas e um por várias vezes um silêncio se instaurou, e não foi daquele tipo em que parece que está tudo certo. Por fim, eu me levantei decidida a ir embora e não pedi nada.

- Eu estou indo embora. – ele falou de cabeça baixa, enquanto eu abria a porta. Aquilo me pegou de surpresa.

- Como? Para onde você vai?

Ele ficou calado por um momento, batendo o pé rapidamente no chão, enquanto pensava na resposta. Eu voltei até onde ele estava e o abracei. Quando o soltei, ele falou:

- Para o Canadá. Está mais do que na hora de deixar você para trás junto com essa paixão que está me destruindo todos os dias um pouco. Eu tentei Bella, mas simplesmente não posso lutar por algo que você já escolheu. Não tenho ainda nenhuma oportunidade por lá, mas é o que farei.

- Quando você vai? – perguntei, com o coração aflito.

- Na semana que vem, provavelmente.

Silêncio.

- Boa sorte, Jake. Me mande notícias. Que você consiga resolver a sua vida e encontrar uma pessoa que te faça feliz. Obrigada. Por ser meu primo, meu amigo, companheiro. Por me ajudar até mesmo quando não mereci. Que a felicidade esteja caminhando ao seu lado.

E com um abraço apertado e fungando, deixei-o para trás.

***

- Eu não tive coragem de pedir nada, Alice. – falei, assim que voltei ao ateliê. – Ele está sofrendo, é bem visível, e eu já abusei muito dele. Eu tenho que o respeitar, acima de tudo.

- Isso é verdade. – ela respondeu.

Rose, que estava calada me ouvindo, se manifestou:

- O problema agora é que não temos um par para você dançar, o que dá no mesmo de não fazer nada aqui para arrecadas lucros. Você não dança sozinha.

Edward entrou na sala naquele momento, carrancudo e com cara de poucos amigos.

- Preciso falar com você.

Ergui apenas uma sobrancelha, respondendo assim o seu tom rude.

- Oi, Edward. – Alice falou alegremente. – Conseguiu falar com Jasper hoje? Ele precisava falar com você.

Ele ainda me encarava, claramente aborrecido. Respondeu Alice, sem olhá-la.

- Não, ligarei para ele quando resolver algumas coisas com a Bella.

- Okay, estou saindo. – Rose falou, levantando-se. – Falo com você sobre os novos problemas quando vocês terminarem de brincar de cão e gato.

Alice saiu, jogando um beijo para mim.

- Qual é o problema? – perguntei, usando o meu tom profissional e frio.

- Eu não gosto quando você pega a bolsa e saí atrás do seu primo.

- Eu não gosto quando você repete o seu ataque de ciúmes, que está sempre direcionado para a mesma pessoa.

Ele me encara, analisando. Eu conheço muito bem aquele olhar, ele está a fim de briga. E eu estou pronta para a batalha.

- Eu sinto que estou sempre em segundo plano na sua vida. Principalmente quando se trata desse seu primo mimado! – ele explode. – Eu nem ousaria largar você falando em algum momento, porque você ficaria tão nervosa que seria capaz de quebrar o meu pescoço, mas principalmente por respeito! Eu tinha algo importante a lhe dizer, quando você simplesmente vira as costas, como se eu não tivesse saído de Nova York para ficar com você!

- Sabe por que eu faço isso? – falei com a minha voz baixa, que foi aumentando gradativamente as notas enquanto eu dizia tudo que queria. - Porque não é a primeira vez que temos essa discussão, você compete com o Jake como se a qualquer momento eu fosse te largar, como se não fosse ele a pessoa que está saindo mais machucado disso tudo, como se eu não tivesse escolhido ficar com você!

Estou furiosa e acima de tudo cansada, depois de tudo ter essa mesma discussão é apenas para azedar o meu fim de dia que já não estava nada bom.

- E se você acha – continuo, já que o que ele quer é briga. – que vir para Havana e abandonar a sua vida em Nova York é muito para você e eu não estou contribuindo a altura, você pode pegar o próximo avião e voltar para lá! Até porque foi você quem ficou ilegalmente em um país, correndo o risco de ser deportado por causa de alguém que ama!

Levanto, decidida a largá-lo ali mais uma vez, falando sozinho, meu coração já afundado e meus olhos marejados. Quando eu vou passar, no entanto, ele agarra meu braço.

- Você pretende me deixar aqui, novamente? – ele pergunta, por entre dentes.

- Pretendo, e se você achar que tudo que eu estou dando não é o suficiente, é melhor voltar para o seu país, onde você consegue tudo das pessoas que trabalham para você. Eu não sou sua funcionária!

- É melhor você me ouvir, mulher! – e me puxou para o seu corpo e eu tentei escapar do seu aperto.

- EU ESTOU CANSADA! Entendeu? - falei, esmurrando seu peito. - Cansada dos seus jogos de palavras, cansada de tudo que está acontecendo, cansada de ter que sempre ficar falando para você que o amo. Eu não posso dar mais nada porque estou esgotada. E se você não consegue compreender isso, é melhor não ficar por perto de mim.

- Ok, ok! Se acalma. – ele falou, segurando minhas mãos e empurrando minha cabeça para o seu peito. – Eu fui idiota, eu sei. Eu também estou como você. Frustrado.

- Não, não está! – digo, empurrando-o. - Você está procurando formas de mostrar que está aqui e que quer a minha total atenção, como se eu já não tivesse percebido isso, Edward! Como se eu não estivesse me esforçando nisso! Eu não consigo lidar com você querendo mandar em mim, dizendo onde eu devo ou não ir.

- Tudo bem, me desculpa. – ele fala sincero.

- Não, acho melhor você me deixar um pouco sozinha. – falei, me afastando ainda mais dele. – Eu não sou a melhor companhia para você agora, Edward.

Eu fiquei andando de um lado para o outro, passando as mãos nos cabelos, evitando olhá-lo. Eu estava tão chateada com a situação que não sei até onde o meu vocabulário iria, caso eu realmente começasse a extravasar minha decepção.

- Você tem que aprender a parar uma briga.

- Você tem que aprender a não começar uma.

***

Um mês e meio após o um retorno, o evento para arrecadar lucros finalmente tomou forma. E foi um desastre. O desespero me atacou de forma violenta e rápida, sem que eu conseguisse ver onde poderia me salvar.

Pela primeira vez eu me via fracassando e foi terrível.

O lugar estava lindo, tinha comida e bebida à vontade, porém, as pessoas não pareciam se importam tanto assim com uma mera dançarina que ganhou um prêmio em Nova York. Jacob já tinha ido embora e a nossa apresentação final acabou não acontecendo. E não foi como se nós dois fôssemos celebridades do mundo fazendo uma ligeira pausa para descanso em Havana.

Eu voltei para o apartamento aos prantos, me sentindo inútil, sem valor, triste, desanimada, cansada, confusa e, principalmente, fracassada. Edward tentou me acalmar, claro, mas nada do que ele falou conseguia amenizar o meu tormento, então, ele decidiu apenas ficar sentado à mesa enquanto eu estava no sofá chorando, com as mãos enfiadas dentro do cabelo, me balançando para frente e para trás, depois de afastá-lo de mim. Ele se manteve perto, mas me deixou sofrer, como eu queria. Depois que o meu surto inicial passou, ele se aproximou e me abraçou e outra onda de nervosismo trespassou meu corpo.

E assim seguiram-se os dias.

Eu com a minha depressão e fracasso.

Edward tentando me ajudar da melhor maneira possível.

O Ateliê fechado.

Minha vida num caos total.

Alguns dias se passaram e eu saía de casa e ia para o estúdio, verificava todas as finanças e o que poderia fazer para salvar. Nisso, as aulas foram diminuindo cada vez mais, os professores se demitindo, ficando apenas eu, Edward, Alice e Rose.

Eu cheguei ao fundo do poço.

Eu era a decepção viva para os meus pais mortos.

- O que eu irei fazer, meu Deus? – murmurei para mim mesma, desesperada. Eu não tinha mais nada, tudo que eu tinha construído desmoronou na minha frente e eu não percebi. Minhas decisões foram tomadas e afetou meu futuro de uma maneira inimaginável.

- O que você quer fazer, Bells? – Edward me perguntou.

Eu chorei. E ele me abraçou. Esse processo estava se tornando tão natural nos últimos dias. Mais choro e menos beijos.

- Eu não sei. – respondi em seu peito. – Não há mais volta por aqui, o mercado não está respondendo como é o esperado, não há dinheiro em caixa para ser investido, não há como manter o espaço, pois é caro, é necessário sanar uma quantidade absurda de dívidas. Eu perdi tudo, Edward.

- Não fala isso! – ele me repreendeu. – Você não tem perdeu tudo, você ainda tem a mim. E eu vou te ajudar. Mas eu preciso saber: o que você quer fazer agora, minha estrela? Quais são os seus planos?

Eu fiquei calada. Pois eu sabia qual seria a resposta perfeita para ele. Porém, eu não sabia se seria a resposta perfeita para mim.

Em casa, eu não conseguia dormir direito. Não por causa dos pesadelos, mas por preocupação. Eu revirava na cama e atrapalhava o sono do Edward, que também não estava tendo os melhores sonos. Ele estava sendo tão paciente comigo que às vezes a minha vontade de chorar era mais relacionada à sua generosidade. Estávamos os dois cansados, quando eu estava no auge da minha irritação ele apenas me deixava ficar sozinha para não brigarmos. Nos momentos que eu conseguia me acalmar, ele tentava conversar comigo para verificar o que estava me afligindo naquele momento, pois todos os dias pareciam que algo novo acontecia.

O fundo do poço foi quando eu realmente fechei as postas do ateliê.

Simplesmente não havia mais o que fazer e eu esvaziei o prédio. Alice e Rose me ajudaram e o clima, para mim pelo menos, era de velório. Eu nunca imaginei que um dia pudesse fechar o meu estúdio, o estúdio que foi dos meus pais, onde eu cresci, ensinei tantas pessoas, dancei, conheci o Edward.

Eu não sei mais o que fazer da minha vida.

Deixe um comentário