Depois de três anos sem postar, não existe nenhuma desculpa que soe suave ou aceitável para quem acompanhava a história. Duvido muito que alguém vá ler - e não existe nenhum problema nisso. O mais importante foi finalizar algo que tinha se iniciado, encerrar o ciclo e saber o quanto mudei enquanto escrevia essa história. Foram dois anos bem complicados para escrever, confesso que muitas vezes quis desistir e apenas deixar para lá, assim como sei que a Gabi também deve ter se sentido assim. Não foram poucas as vezes que conversamos pelos mais diversos meios com o intuito de escrever o roteiro de como a história iria finalizar. Demoramos por não estar no momento para escrever. Por não estar no momento para finalizar. Por não saber como seria o final ideal para essa história. Por não saber o que fazer depois de mais de 6 anos focadas em uma história. 

Não sou escritora, mas hoje consigo entender o que autores querem dizer quando falam que ficam anos imersos em seus personagens e suas criações. É totalmente compreensível. 

O que importa: os capítulos estão prontos e durante esta semana irei postá-los para vocês. 

Sim. Acabamos.

Sim. Vocês vão saber como terminou.

Sim. Nós terminamos por aqui.

POV EDWARD

As coisas estavam muito corridas e embora minha rotina não tivesse mudado muito, eu sentia como se tivesse sido puxado para dentro do redemoinho junto com Bella. Faltavam dias para a final do Concurso e com razão, ela estava uma pilha de nervos. Ensaiando até que o corpo pedisse arrego e utilizando o resto do tempo para descansar.

Era uma quinta-feira e eu encontraria com ela mais tarde naquele dia. Na verdade, eu tinha tido que implorar para ela arranjar um tempinho para mim. Para evitar que se esforçasse demais, eu me ofereci para ir até o hotel onde estava hospedada. Ela aceitou de imediato, até pelo telefone dava para perceber que ela estava cansada e ansiosa para voltar para o ensaio que eu tinha interrompido ao ligar, e se despediu depressa com a promessa de que nos veríamos mais tarde.

A minha insistência em vê-la não havia sido somente por eu estar com saudade dela, embora estivesse, mas eu sentia que – ou talvez fosse apenas paranoia – ela estava usando a desculpa dos ensaios para adiar a conversa que teríamos que ter em algum momento. Não tinha certeza se aquilo era um bom sinal, mas o que eu sabia era que precisávamos mesmo conversar.

O que eu tinha dito a ela Havana tantos meses antes ainda estava de pé: eu realmente estava disposto a largar tudo e me mudar para ficar com ela. Era uma mudança drástica, depois que eu havia voltado para NYC tinha começado a considerar o que na época tinha me parecido facilmente descartável. Tudo estava mais complicado agora depois que havia voltado a falar com Esme e Carlisle.

Nada daquilo ia honestamente me impedir de fazer o que eu achava melhor, mas era mais difícil do que imaginei. Na teoria era lindo imaginar que eu não precisaria mais me preocupar com a distância. Na prática, eu teria que enfrentar a realidade de começar do zero o meu trabalho em um país totalmente diferente e onde eu conhecia poucas pessoas.


Eu faria, sem dúvida alguma. Sentia a necessidade de cristalizar aquilo até em minha própria mente, era o que eu deixaria claro para ela. Mas de repente a insegurança também me encontrou: poderia não dar certo. Não o meu relacionamento com a Bella, mas eu poderia não me adaptar. Eu poderia não conseguir começar do zero, mas estacar no zero de vez. E então, o que eu faria?

Era por essa e por outras dúvidas que precisávamos tanto nos resolver. Eu estava tentando manter minha mente aberta – afinal, Bella poderia simplesmente dizer que não queria que eu me mudasse, que queria levar as coisas realmente devagar – e eu entenderia, é claro. Isso não necessariamente implicava que eu gostava da ideia, mas eu entenderia.

Eu mal trabalhei naquele dia, resolvi dar uma folga ao meu cérebro. Havia marcado com Bella às oito, então ainda tive tempo de passar em casa e tomar um banho. Por obra do destino – ou não -, encontrei com Jacob enquanto esperava a recepcionista telefonar para o quarto de minha estrela. Ele estava entrando no saguão e embora evidentemente tenha me visto, não moveu nem a sobrancelha em cumprimento. O que para mim estava ótimo.

Estava meio que esperando que ele tivesse ido se enfurnar no quarto dela só para causar discórdia, mas não aconteceu. Quando eu desci do elevador no 9° andar, apenas Bella me esperava na porta. Ela era mais do que suficiente.

- Você não podia esperar mais alguns dias, não é? – ela reclamou, mas sorriu.

Eu sorri de volta e roubei um beijo. – Você também estava doidinha para me ver.

- Calúnia. Mas já que está aqui, que tal me cumprimentar decentemente?

Antes de terminar, ela já tinha passado os braços pelo meu pescoço e me puxado para perto dela. Mais do que prontamente atendi seu pedido, capturando seus lábios com entusiasmo e passeando as mãos pelo seu corpo.

- OK, OK, nada de show no corredor. Não estou querendo ser expulsa do hotel. Vem, entra.

Assim eu o fiz e a porta se fechou com um clique da tranca automática atrás de nós.

- Vamos pedir alguma coisa para comer? – ela disse enquanto me puxava pela mão. – Como adoro serviço de quarto!

- Que ideia perfeita. Eu não lembro quando fui a última vez que comi. Ah, lembro sim. No almoço.

- Você não devia negligenciar seu estômago assim. – ela ralhou balançando a cabeça e pegou o telefone para discar. – Do que você gosta?

Eu deitei muito à vontade na cama dela, apoiei o cotovelo sobre o colchão e sorri lentamente. – De você.

Revirada de olhos. Outro sorriso. – Não seja besta. Além de mim, é claro.

- Segura de si, hã.

- Ah, você não decide. Vou pedir a meu gosto.

Ela pediu peixe (preciso me desintoxicar de todo esse fast food) e sucos (refrigerante está me dando muita celulite). Mas ela podia ter pedido areia e eu teria devorado a refeição de bom grado.

- Então... – eu comecei assim terminamos de comer.

- Então... – ela repetiu com um suspiro satisfeito enquanto esticava os braços acima da cabeça. – Já disse que adoro serviço de quarto? Imagine nunca mais ter que cozinhar, lavar roupa, passar roupa, lavar louça... Oh, lavar louça, sim, eu não sentiria falta.

- Você poderia ter uma empregada e dá no mesmo.

- Não, não dá. Eu não teria tanta variedade no cardápio. – ela discordou com um sorriso maroto, e se virou para deitar de lado, fechando os olhos com outro suspiro.

Eu estava certo de que ela ia dormir. – Minha estrela, você sabe que temos que conversar.

- Hum?

- Sim. Conversar.

- Temos?

- Bella.

Com um muxoxo audível, ela tornou a abrir os olhos. – Não posso pular esta parte?

- Por que você está evitando tanto isso? Você ainda vai embora, Bella, daqui a pouco mais de uma semana. Isso não vai mudar.

- Eu sei. Eu não esqueci.

- Então qual o problema?

Ela suspirou mais uma vez – ela estava fazendo muito aquilo naquela noite – e então enfiou o rosto no meu pescoço. – Não quero ir.

- Eu também não quero que você vá, amor, sabe disso...

- Não. Edward. Eu realmente não quero ir. – ela me abraçou e sem levantar o rosto, continuou a falar, fazendo sua voz sair abafada. – Eu sinto saudade de Havana, da Escola, dos meus amigos, mas eu realmente não quero voltar. Sou uma péssima pessoa.

- Claro que não é. Bella. Olha para mim. Olha. – eu a empurrei gentilmente quando ela balançou a cabeça que não e segurei seu rosto. – Você está tendo uma crise apenas. É o risco quando está com uma personalidade cativante como eu.

Desta vez ela não sorriu. – Não é uma crise.

- Sim, é. Você não vai chorar não, né? Não precisamos falar disso agora, apenas se acalme. Eu só queria que soubesse que eu ainda estou disposto a fazer o que tinha dito, minha estrela, eu falei sério antes e falo sério agora. Eu vou atrás de você, se deixar.

- Como você pode dizer isso? Principalmente agora, com seus pais de novo...

- Você é a pessoa mais importante para mim. – eu sequei com o dedo uma lágrima que escapou de seu olho. – Não chore, Bella.

Ela não me ouviu, é claro, e me abraçou de novo. Eu deixei o assunto morrer. Não era a hora. E eu realmente queria que ela parasse de chorar. Pensei que a notícia iria deixa-la aliviada, se ela estivesse pronta para assumir um relacionamento sério comigo – o que ela parecia estar -, mas parecia ter tido o efeito contrário.

Não falamos mais. Eu fiquei murmurando besteiras em seu ouvido e acariciando seu cabelo. Ela relaxou aos poucos até que eu percebi que devia estar dormindo. Lentamente me separei dela, levantando-me para acender a luz. Cuidadosamente eu a despi e em um sono pesado ela não se mexeu muito.

Então fiz o mesmo com minhas roupas. Ela não havia dito que estava tudo bem eu passar a noite lá, mas eu não queria deixa-la. Se desse algum problema, eu resolveria de manhã. Eu me deitei de novo e como se pudesse sentir, Bella moveu um braço para cima de mim. Eu beijei sua testa, voltando a fazer cafuné em seu cabelo e demorou muito tempo até que peguei no sono.


POV ISABELLA

Aquele corpo firme me abraçando era tão acolhedor que por pouco eu quis fechar os olhos de novo e tentar voltar a dormir, mas sabia que seria impossível. Ali, na penumbra do quarto, era como se tivesse alguém me cutucando ou me observando, impedindo o sono de voltar e me fazendo ficar de olhos esbugalhados enfiada em pensamentos contraditórios, confusos e cheios de tristeza.

Edward estava com o seu corpo todo abraçado as minhas costas, com o rosto enterrado no topo da minha cabeça, ressonando tranquilamente. Sua perna estava entre as minhas coxas e entrelaçadas de uma maneira um pouco possessiva, como se dissesse mesmo em sono ‘você é minha, não saia daqui’. Mexendo-me aos poucos, como se estivesse apenas me remexendo no sono, fui encontrando outra posição na cama. Fiquei olhando para o teto do quarto quando finalmente consegui me colocar em outra posição, com um braço do Edward circundando por cima do meu estômago. Com cuidado passei meu braço por trás da sua cabeça e encostei minha mão em seus cabelos.

Deus, o que faríamos agora? O que eu faria agora?

Eu seria tão egoísta a ponto de pedir que ele abandonasse tudo no país onde nasceu para me seguir para Havana? Eu teria coragem?

Eu seria tão compassiva a ponto de abandonar tudo no meu país para segui – lo? Para viver em uma cidade totalmente diferente, onde eu não sei se teria espaço para trabalhar com a única coisa que eu sei fazer de melhor, dançar? Edward nunca me deixaria faltar nada, óbvio, mas o ponto não é esse. Qual de nós dois está pronto para ceder esse tanto para a felicidade de ambos? Ou estou sendo injusta com esse pensamento?

Até conhece – lo eu não tinha vontade nenhum de sair de Havana e esse propósito nunca tinha passado pela minha cabeça. Ali foi onde eu nasci e cresci, onde tem as lembranças dos meus pais. Onde eu tenho tudo, meu porto seguro. Morar em Nova York seria começar do zero, em um país onde eu não falo muito bem o idioma mãe e de onde conheço muito pouco sobre suas culturas e políticas. Eu estou preparada? Eu quero isso?

Edward é realmente a pessoa por quem eu passaria tudo isso para viver o resto da minha vida?

Girando a cabeça lentamente, eu consegui distinguir os seus traços no escuro. Tão lindo, tão belo, tão sereno.

Eu o amava.

E uma lágrima escorreu pelo canto de cada olho meu e desceu pela lateral do meu rosto.

A percepção disso era gigantesca e apenas com a possibilidade de deixa-lo fez o meu coração se espremer de dor dentro do peito. Eu precisava de mais tempo. De mais tempo com ele. De mais tempo para aproveitar. De mais tempo para beija-lo e abraça-lo e dizer: eu amo você. Porque não seria para sempre. A nossa separação estava próxima e seria brusca. Iria doer.

Ele se mexeu, mas não acordou e eu aproveitei para deitar de frente para ele. Acariciei seu rosto, penteei seu cabelo no topo para trás e esperei os fios voltarem como sempre acontecia e como eu sempre gostava de fazer, pousei a mão no seu peito e senti as batidas do seu coração enquanto o meu se juntava a confusão de emoções que foram refletidas em lágrimas silenciosas.

Eu tinha a impressão que toda vez que eu estava prestes a conquistar algo que eu queria muito, as forças da natureza se revoltavam e levavam de mim o que eu mais desejo. Edward era o meu desejo. E ‘por favor, por favor, por favor’, pedi mentalmente para qualquer ser que quisesse ouvir e me ajudar, ‘não me deixa ficar sem ele.’

- Por que está chorando, mi estrella? – fui surpreendida com essa pregunta sussurrada contra meus lábios.

- Só me deixa ficar aqui, assim tão pertinho de você, Edward. Eu preciso tanto, tanto... – completei com mais lágrimas e me aproximando mais.

Seus braços me rodearam e me apertaram contra o seu próprio corpo e pela primeira vez eu senti esse mesmo corpo tremer. Ele estava chorando também. A minha dor era a sua dor e não ter respostas para as nossas perguntas era o que nos fazia sofrer. Eu não tinha condições de reconforta-lo, então apenas o apertei e dessa vez o meu choro foi mais alto.

- Eu não quero deixa – lo. Não, não, não...

- Nós vamos resolver isso. Eu prometo isso a você, minha Isabella. Eu não vou abandona-la. Eu irei para Havana. Eu ficarei com você. E eu vou te amar sempre.

E nos mantivemos dessa forma até que as lágrimas de ambos se extinguiram e restou apenas os rostos marcados junto com a respiração hesitante e os pensamentos voando em todas as direções.

***

Pela manhã quando eu levantei, Edward já estava me esperando na mesa de canto com alguns pratos cheios de comida, frutas, cereais e sucos para o café da manhã. Eu lhe dei um sorriso fraco e o beijei na boca e ele me apertou.

- Mi estrella, está tão próximo de você ganhar esse concurso que eu já estou excitado por você. – ele disse.

Arqueei a sobrancelha.

- Você está excitado por um concurso é a novidade da manhã. – falei enquanto puxava um pãozinho da cesta e me sentava ao seu lado.

- Você entendeu o que eu quis dizer. – foi apenas o que ele completou, com um sorriso travesso no rosto.

Nós comemos juntos, brincando e provocando um ao outro. Meu horário de treino estava próximo e eu precisava me aprontar. Voltei para o quarto depois de alimentada e vesti minha roupa e as sapatilhas do treino. Peguei a bolsa que eu carregava com alguns itens que eu poderia precisar e retornei.

- Te amo tanto. – ele falou, me puxando para seus braços, antes de irmos. Eu encontraria com Jake na nossa sala de treinamento.

- Eu também amo você. – falei abraçando – o e encostando o rosto em seu ombro. Seu corpo firme se encaixava tão bem ao meu.

- Você não vai pedir para que eu vá com você? – Quando o olhei, confusa, ele completou: - Para Havana? – ele questionou, segurando meu rosto com as duas mãos, buscando em meus olhos algum sentimento. O que seria? Incerteza? Dúvida?

- Eu não posso pedir para você fazer isso, Edward. – sussurrei.

- Eu faria por você. – ele completou. – Basta dizer, Bella.

- Eu... eu não posso.

- Mas eu irei. Mantenha isso em mente, ok? – Ele reafirmou me beijando com vontade.

Com esse sentimento e avisada, me despedi dele e parti para o treino.

***

Com apenas alguns dias antes da final, Jake e eu estávamos treinando três coreografias: tango argentino, zouk e uma coreografia criada por mim e por Jake onde deveriam ter uma mistura de músicas latinas. Nessa última nos escolhemos começar com a lambada, passando pela salsa, samba de gafieira e o cha-cha-cha. O remix da música já estava pronto e com o figurino certo, sabia que eu e o Jake teríamos tudo para ganhar uma nota alta. Nossos passos estavam sincronizados, a sequência de passos variando de nível e o nosso corpo e alma exalava boas energias. Eu sentia que ele estava nervoso juntamente comigo, mas enquanto durava o treino, mantivemos a mente focada e pensamentos positivos.

Eu estava revezando os últimos dias entre treinar, descansar e treinar. Pouco tempo tive para o Edward, afinal, faltam apenas 4 dias. Eu estava nervosa que tinha que tomar cuidado com o que fazia, pois era mais do que natural eu bater nos móveis agitada. Tirei medida para os vestidos que seriam feitos sob medida para mim havia mais ou menos 5 dias e estava fazendo a prova final dos mesmos.

Alguns alimentos começaram a me fazer mal quando faltavam 3 dias para a final e a única resposta que obtive do médico quando fui examinada foi para me manter em repouso e tomar bastante liquido, já que não sabia os motivos para o meu mal estar. Fato que eu não cumpri. Quando Edward chegou como um foguete ao quarto querendo saber o que aconteceu, Jake calmamente deu um beijo na minha testa e sussurrou um: ‘encontro você mais tarde’ enquanto se retirava do quarto.

Com 2 dias para a final nós repassamos a coreografia uma atrás da outra, em cada estilo de dança. O espaço entre uma e outra antes de nos apresentarmos era cerca de 20 minutos. Era apenas o tempo para trocar de roupa e se preparar novamente. Restaram apenas 5 casais e a dinâmica ia funcionar da seguinte forma: cada dupla teria 2’30 para se apresentar. Alguns critérios e níveis de dificuldade foram exigidos. Depois da apresentação, receberiam notas de 5 à 10 em vários quesitos de 5 jurados. Essas notas seriam somadas e divididas no final por 5, sendo que a mistura de ritmos musicais teria peso 2.

Faltando apenas 1 dia nós ensaiamos por 4 horas seguidas, então, pegamos o dia para descansar. Eu almocei com Jake e as meninas e foi feliz. Eu estava apreensiva, mas ao mesmo tempo sabia que eu estava dando tudo de mim. Meu corpo todo estava sob o efeito do treinamento e vez ou outra eu repassava a coreografia na mente. Nós gravamos a apresentação para termos uma noção de como os jurados e o público estariam nos vendo e com uma roupa muito próxima ao que usaríamos no dia da apresentação final, apenas sem o glamour e o luxo.

No turno da tarde, Edward chegou e me pediu que eu fosse ao seu apartamento, o que eu aceitei. Assim que nós adentramos pela porta, ele me puxou e me beijou tão carinhosamente que eu fui derretendo em seus braços.

- Já falei o quanto eu gosto quando você faz isso? Me beija de surpresa e de maneira tão carinhosa. – falei com um sorriso bobo nos lábios.

- Eu tenho um presente para você. – ele falou me puxando pelo apartamento e indo pelo corredor em direção ao seu quarto. Eu gostava do ambiente, pois ele gritava masculinidade, mas ainda tinha um toque especial e acolhedor que era o que Edward me transmitia.

- Primeiro eu quero que você deite e relaxe. – ele disse me puxando até a enorme cama, onde fez questão que eu me posicionasse bem no meio sob os travesseiros rechonchudos. – Relaxe e feche os olhos. – ele pediu, enquanto retirava minhas botas e as meias. - O que você vai fazer? – perguntei, enquanto deitava de forma mais confortável, atendendo seu pedido.

Eu o ouvia abrindo e fechando gavetas, andando pelo quarto e senti quando sentou aos pés da cama, bem ao meu lado.

- Cuidar de você. – e começou a massagear o meu pé direito, tornozelo, panturrilha desfazendo todos os nós de tensão que estavam por ali. Gemi de prazer e involuntariamente joguei meu corpo para mais perto dele. Ele riu. – Eu sabia que você estava necessitando de algo desse tipo. Seus pés vêm sendo maltratados com a sua obsessão por treinos há varias semanas e você não fez absolutamente nada para cuidar de si mesma.

- Eu cuido do meu corpo inteiro, Edward, ou já estaria toda ferrada. – retruquei com um suspiro. – Os últimos dias estão sendo bastante incomuns para mim, mas eu não me desliguei do que é importante.

- Sei. Mas para prevenir, vou manter os meus planos em ação. – ele falou quando passou para o meu outro pé e eu dei outro gemido de satisfação.

Ele passou pelas coxas, massageou meu quadril, me fez tirar a roupa e virar de costas e apertou e desfez todos os pontos de tensão nas minhas costas e ombros, fazendo com que eu gemesse nas pequenas dores em locais que eu nem imaginava que estavam doloridos. Sua mão quente pelo óleo foi gentil e perscrutou cada centímetro da minha pele. Eu fiquei em letargia, cambaleando entre me manter firme acordada ou tirar um cochilo enquanto ele apalpava a minha pele. Ele cantarolou enquanto esfregava meus músculos, sempre muito carinhosamente. Quando acabou, ele se deitou ao meu lado e deu um beijo na ponta do meu nariz, com um sorriso satisfeito no rosto.

- Melhor? – ele perguntou.

- Uhum. – foi o que eu consegui responder. – Muito, muito bom.

- Quando eu digo que você tem sorte de estar com alguém como eu, acredite. Várias mulheres dariam coisas inimagináveis para estar no seu lugar agora. – ele falou, presunçoso de si mesmo.

- Ah é? – Respondi, arqueando uma sobrancelha e me apoiando em um cotovelo, enquanto olhava em seu rosto que estava com aquele sorriso malandro no rosto. – Com quem eu devo me preocupar, verdadeiramente?

- Ah, com algumas mulheres aqui e ali que não se acostumaram comigo fora do mercado ainda. – ele falou como se fosse algo sem importância, mas eu conseguia perceber seu olhar travesso. Ele queria me testar e eu fui deixando com que ele brincasse. – Por exemplo...

- Sim. Nomes por favor. No-mes é do que eu preciso. Cite – os. – falei me jogando por cima do seu corpo, as pernas na lateral do seu quadril, as mãos espalmadas em seus ombros, prendendo – o. – Fale. Agora.

- Hum... – ele falou posicionando as suas mãos nos meus quadris, subindo e descendo por minhas costelas até abaixo dos seios, me provocando.

- Não tente me distrair, Edward. Fale agora mesmo. – disse empurrando um dedo no seu peito.

- OK... algo como a minha... secretária. Vamos dizer que eu nunca alimentei as esperanças dela, mas também não disse que não...

- Você está sendo evasivo, Edward. Explique essa história direito. – falei cerrando os olhos em pequenas fendas e me inclinando para perto dele.

- Ahh, Bella. Coisas que acontecem. Antes ela dava em cima de mim e eu deixava porque fazia bem ao meu ego. Depois eu deixei que ela continuasse porque ainda assim fazia bem ao meu ego. – ele falou daquela forma charmosa e natural dele. - E hoje em dia eu gosto porque além de fazer bem ao meu ego, eu gosto de saber que mesmo comprometido as mulheres ainda me acham irresistível. – concluiu com o sorriso mais lindo no rosto.

O que não me impediu de seguir.

- Seu ordinário! – falei dando um murro em seu ombro que fez com que ele encolhesse com uma gargalhada que reverberou pelo quarto. – Você é um idiota, Edward!

- Que nada, mi estrella. É só para massagear o meu ego, assim como eu fiz para o seu corpo. Faz bem para um homem sentir que as mulheres se jogam aos seus pés.

- Nenhuma mulher se jogará mais aos seus pés, pois eu vou quebra – los! – falei dando uma de mulher ciumenta, beliscando – o em todas as partes que eu conseguia ter acesso da sua pele. Ele ria, ria, ria. E eu também ri enquanto o fazia rir. Nós mantivemos a nossa luta, enquanto eu tentava ter acesso ao seu corpo para puni – lo e ele apenas agarrava os meus pulsos e não deixava.

- Até que ponto eu preciso me preocupar com a concorrência? – perguntei, cansada e arfando, ainda em cima dele e tentando fazer cara de séria, os cabelos desordenados ao redor do meu rosto.

- Você nunca precisará se preocupar com essas coisas, mi estrella. – ele falou enquanto erguia o tronco e me beijava docemente nos lábios, puxando os fios que caiam no eu rosto para trás. – Você é a única para mim e nenhuma mulher consegue me chamar atenção a ponto de deseja – la. Eu posso até olha – las por estarem bonitas, claro. Nenhum homem resiste a uma mulher em cima de um salto e um bonito vestido. Principalmente os vermelhos. Mas é apenas para admirar. – ele falou me abraçando fortemente pela cintura. – Você é a única que tem a capacidade de desordenar meu mundo, Bella.

- Devo fazer uma visita ao seu escritório e demarcar território? – falei, abraçando – o pelo pescoço, enquanto sentava em seu colo.

- Você sempre será bem – vinda em qualquer lugar que eu estiver. – e me beijou.

Ele sugou meu lábio e então o mundo parou e ele ainda estava ali com meu lábio sendo docemente chupado. Ele então aprofundou o beijo, inclinando sua cabeça contra a minha para ter um acesso mais profundo a minha boca. E ali ele fez o seu trabalho. Ele tirou o ar de mim, me beijando de uma maneira tão firme que eu estava me segurando fortemente contra seu corpo para não tombar. Mas eu também fiz a minha parte: afastei um pouco a boca e com um sorriso maroto comecei a beija – lo do meu jeito, comigo no comando. Eu enterrei minha língua dentro da sua boca, eu mordi seu lábio inferior do jeito que eu tanto gostava. Depois passei para sua bochecha, onde sua barba despontando me fez esfregar o rosto ali para sentir os arrepios percorrer a minha pele, fui dando beijos e pequenas mordidas por seu maxilar e quando cheguei ao seu queixo, inclinei sua cabeça para trás, pois queria acesso total. Ali eu dei um beijo suave antes de morder e chupar. Eu vi seus olhos se fecharem de prazer e fiquei satisfeita por isso.

- Você vai me enlouquecer antes que eu consiga entregar o restante do seu presente, mulher. – ele estava inebriado de prazer e isso me dava prazer. – Eu quero fazer amor com você, Bella. Agora. Aqui. Você me deixará venerar e amar o seu corpo? Me deixará demonstrar o quanto eu te amo, sem palavras, apenas por gestos? – ele subiu suas mãos pela lateral do meu corpo, passando por meus seios, pescoço e segurando meu rosto em suas mãos. Seus lábios estavam rosados, seus olhos enevoados e verdes escuros. Do jeito que eu bem conhecia.

- Eu não posso estar dolorida amanhã. Quando eu estou com você esqueço... esqueço de mim, de quem eu sou. Mesmo que seja um dolorido prazeroso, eu não posso me distrair agora. – sussurrei.

- Eu não te machucarei. – ele falou, olhando em meus olhos de uma maneira intensa. – Eu vou ser carinhoso e cuidadoso. Eu deixarei que você comande. Só esteja comigo agora, mi estrella. Já estamos aqui, nossa sintonia está aqui. Pra quê desperdiçar o momento?

- Você promete cuidar de mim? – falei, cedendo.

- Da maneira mais doce que você puder imaginar. – ele me prometeu.


***

Finalmente tinha chegado o dia. O motivo para eu ter viajado estava ali, na minha cara. E eu estava apavorada.

- Eu estou indo embora. – sussurrei para o Edward, logo que acordei às 6hs. A noite tinha sido maravilhosa. Meu corpo estava relaxado e uma pontinha de apreensão estava começando a se formar dentro do meu estômago. Dei um beijo em seu rosto. Ele se mexeu e me agarrou.

- Nada disso. Eu irei com você. – Ele me puxou de novo. Deixei que ele me deitasse novamente ao seu lado. – Você está preparada?

- Estou nervosa. Apreensiva. Com medo.

- Isso é normal.

- Então não me deixa ficar mais agitada. Pode levantar seu traseiro lindo ou me deixar ir sem ele? – falei, me desvencilhando e começando a catar minhas coisas que estavam espalhadas por ali.

- Um banho. – ele disse saindo rapidamente da cama. – Rápido e iremos. - E me puxou também. Eu cedi. Banhamos juntos, mas rapidamente. Ele saiu do box, se vestiu e como prometeu, e prontamente estava arrumado e vestido. E eu o segui.

Entrei no seu carro e com os pensamentos voando, comecei a batucar os dedos nervosamente na coxa. Edward percebeu e segurou minha mão, me dando um sorriso tranquilizador. E nem isso foi capaz de me relaxar totalmente.

No hotel, eu tinha deixado uma bolsa arrumada com os principais itens que eu precisava: kit de primeiros socorros para qualquer eventualidade, um collant preto de mangas longas para tentar me proteger um pouco do frio, uma calça e minhas sapatilhas. Tinha alguns acessórios para cabelo também, assim como brincos e colares. Acariciei a foto dos meus pais e fiquei olhando – os. Edward, que ainda estava ali muito quieto enquanto eu me movimentava pelo quarto, chegou por trás de mim e pousou seus lábios no meu ombro.

- Eles estão orgulhosos de você, mi estrella. – e deu um beijo em meu pescoço.

- Eu espero que sim. – foi a minha resposta enquanto terminava de checar tudo.

As apresentações começariam no final da tarde em um evento glamoroso, onde a impressa americana tinha sido convidada em peso para a cobertura. Sem contar nos vários correspondentes dos países que estavam competindo que também estariam por ali.

Alice e Rose rapidamente chegaram até o quarto, reclamando que estavam atrás de mim havia horas e que eu não respondia. E rapidamente começaram a celebrar, me acalmar e a rir, dizendo que eu já tinha chegado até ali e que eu deveria apenas aguardar até o final do evento, onde seria reconhecida internacionalmente. Eu não sabia como me sentir em relação a isso. Eu procurei por Edward que se manteve as margens enquanto elas tagarelavam e ele apenas acenou a cabeça com u sorriso deslumbrante.

- Você está pronta? – Jake adentrou o quarto, me abraçando fortemente. Ele estava com uma blusa de frio de gola e calças, sapatos confortáveis de dança. Eu pousei minha cabeça em seu ombro, abraçando seus ombros fortemente. Espiei Edward por entre os olhos. Ele estava um pouco mais rígido que há pouco tempo atrás, mas não vi sinais de raiva. Talvez uma pontadinha de ciúme.

Querendo transmitir mais confiança do que eu estava realmente sentindo, respondi:

- Eu estou pronta!

***

Eu e Jake tínhamos um carro a nossa disposição que nos levaria para um hotel nas proximidades do Lynn Auditorium, onde ocorreria a última apresentação. Antes de sair, Edward me beijou, me abraçou, disse palavras inspiradoras em meu ouvido juntamente com um eu te amo que me fez estremecer. Ele não poderia ficar comigo a partir dali, primeiro porque não tinha autorização e segundo porque sabia que me distrairia, então, ficou combinado que eu o encontraria rapidamente antes que começasse o grande show.

O dia começou com uma breve conversa com Rômula. Ela agradeceu e parabenizou todos os cinco pares. Incentivou daquela maneira rígida dela, elogiou como se o trabalho dos dançarinos fosse obra dela e disse que esperava o nosso melhor na apresentação final. Depois disso, nos foi cedido um período de duas horas onde faríamos treinos separados, com o tempo cronometrado como se fosse a nossa atuação final. Ali também foram sorteados a ordem de apresentação de cada dupla. Jake puxou um número 3 da caixa.

Como a coreografia era segredo para todos, nos foi reservado salas medianas para repassar a coreografia. Para isso nos foi deixado uma hora e meia. Depois fomos levados para um almoço onde tinha uma quantidade exorbitante de comida. E aí eu tomei um banho e fiquei limpinha enquanto meu cabelo era escovado, puxado e modelado. Pedi que fizessem um penteado elaborado, pois o tango argentino é sensual e eu queria transmitir isso. Eu não teria muito tempo para mudar o penteado, então, tinha que ser pensado em algo para o zouk que fosse rápido de fazer. O resultado final foi que eu começaria com um coque bem modelado e cheio preso a nuca, com um arranjo de flores que cobria toda a parte direita da minha cabeça. Para o zouk, eu tiraria esse arranjo e soltaria metade do meu cabelo, deixando a parte superior presa. No nosso remix, eu estaria com o cabelo totalmente solto e com uma headband dourada e incrustada de pedras. Eu pedi que refizessem o teste para ter certeza que isso funcionaria três vezes.

Depois disso eu consegui ter acesso aos vestidos que eu iria usar e meus olhos brilharam. Para o tango argentino me foi feito vestido preto com detalhes em vermelho. Ele era frente única e tinha um decote até um pouco acima do umbigo, com tecido cor de pele que dava suporte. O do zouk era um belo modelo azul de alças e rodado com um decote até a base da minha cintura e com um corte no meio das coxas, levemente solto. O do nosso remix latino eu pedi um tomara que caia decotado e bem modelado ao meu tronco, com uma saia totalmente solta e com corte na metade das minhas pernas, colorido, mas não de uma maneira brega. Se é pra representar a música latina, iria fazer isso da maneira correta.

Eu trocaria se sapatos também, todos eles com o salto médio e especifico para dança de salão para que não me machucasse. A maquiagem destacaria bastante os meus olhos, que foi algo que eu pedi muito e o charme estaria na troca de batons.

Jake também recebeu esse tratamento, mas sem a parte chata de se maquiar e arrumar o cabelo. Porém, as suas roupas eram tão belas quanto as minhas e, o dia passou rápido e, quando estávamos prontos para a primeira apresentação, percebi que belo par estávamos formando, vestidos daquela forma. Ele transpirava confiança e tinha um sorriso largo e belo no rosto.

- Obrigada. Eu nunca vou poder agradece – lo por tudo que tem feito por mim. – falei, abraçando – o com carinho.

- Estamos quase lá. Só mais um pouco e então você poderá me agradecer. Quando, juntos, conseguirmos ganhar isso aqui.

Alice e Rose abriram a porta do nosso camarim e me abraçaram, emocionadas, dizendo o quanto estávamos lindos e desejando boa sorte. Elas ainda estavam por ali quando Edward apareceu vestido em um terno e esbanjando elegância.

- Você está... deslumbrante. - ele falou, estendendo a mão e me fazendo girar ao redor de mim mesma.

Ao mesmo tempo, percebi que Jake enfiou a mão nos bolsos de sua calça e se manteve inexpressivo. Me afastei de Edward.

- Eu passei para desejar boa sorte e uma apresentação maravilhosa, como sei que vocês dois – ele deu ênfase nessa parte – irão fazer.

Ele se afastou de mim e parou na frente de Jacob. Meu corpo ficou tenso: a última coisa que eu precisava era uma discussão ou (pior) uma briga agora mesmo. Eu caminhei e fiquei entre os dois.

- Ajude – a conquistar o mundo, Jacob. Você é bom no que faz e sabe o quanto ela é maravilhosa. Eu estarei torcendo por você, mesmo com nossas desavenças. E principalmente por ela. – e estendeu a mão.

Jake olhou para aquela mão estendida, depois para o rosto de Edward, procurando por algo. Talvez... sinceridade em suas palavras? Então, ele olhou para mim. E foi como ser acertada por um raio, pois ali havia um brilho de determinação. Eu conseguiria conquistar o mundo com o Jake, era o que ele estava me dizendo.

- Eu vou fazer isso por ela. – e apertou a mão de Edward.

Então, Edward me puxou e encostou levemente seus lábios nos meus e sussurrou:

- Você vai me ver assim que entrar. Eu e todas as pessoas importantes para você. Arrase. Seja maravilhosa. Dê o seu melhor. Eu já sei que você consegue ser tudo isso, agora mostre para eles. Quando você estiver comemorando, vitoriosa, eu estarei lá também.

Meus olhos começaram a lacrimejar.

- Não me faça chorar agora. – pedi.

- E mesmo que você não fique com o primeiro lugar – ele sussurrou agora apenas para mim -, ainda assim eu serei o homem mais feliz desse mundo porque eu não posso esquecer que foi a dança que nos uniu. E que fez você chegar até mim.

***

A primeira e a segunda dupla se apresentaram e aquela demora estava quase me mantando. Primeiro porque eu estava acompanhando através de várias televisões que estavam posicionadas na sala de espera, então, conseguia acompanhar a coreografia de cada dupla. Quando finalmente deu o intervalo para que eu pudesse entrar com Jake, fomos para a antessala do palco principal. Jake segurou minhas mãos firmemente e eu apertei – as, fechando os olhos e pensando em coisas boas, repassando a coreografia na mente e pedindo para que os meus pais intercedessem ao meu favor e não me deixasse fazer nada equivocado. Jacob estava nervoso também, pois suas mãos estavam suadas.

- Está na hora, Bella.

Dois seguranças nos acompanharam até a entrada do palco principal. Ouvi o apresentador que tinha sido contratado para fazer o espetáculo anunciando meu nome e o de Jake e, então, fomos autorizados a entrar. Eu com o coração na garganta, agarrando a mão direita dele e colocando um sorriso no rosto.

E a visão dali era incrível. Jacob, ainda segurando minha mão, me fez dar uma pirueta apresentando – me diante do público presente. E antes que a iluminação abaixasse para que o nosso show começasse, eu vi Edward, Alice, Rose, Jasper e Emmet sentados em uma mesa em frente ao palco, não muito perto e não muito longe, de modo que eles estavam apenas com os melhores lugares da noite. Com um sorriso satisfeito, eu fiquei imaginando quanto teria custado a mais aqueles assentos. Na primeira fileira de poltronas, sentados em luxuosas mesas e cadeiras, estavam quem realmente importava para o concurso: o júri. Quando a orquestra marcou a música, chamando para o nosso início, eu apenas tinha olhos para Jacob, que me olhava com intensidade. Aquela intensidade que ele compartilhava comigo não apenas quando estávamos juntos dançando.

E foi incrível. Meu corpo se entregou a melodia. Eu acertei todos os passos, eu juntei meu corpo e afastei. Eu olhei sedutoramente para o meu parceiro e o desprezei, como era característico do tango. Jake, que havia pedido que o seu primeiro traje fosse composto por um chapéu preto que combinava perfeitamente com ele e comigo, como sua parceira, arrasou quando trouxe para a dança mais um elemento, principalmente quando ele o aproximou de nossos rostos, como se fosse me dar um beijo escondido e então, eu me virava balançando o vestido na direção contrária. Todos os passos obrigatórios foram cumpridos, eu encarava o público quando tinha oportunidade e me deleitava com o que eu via: eles me assistiam com um magnetismo quase palpável. Estavam todos parados, olhando fixamente cada detalhe.

Quando nosso tempo estava próximo de acabar, me preparei para o nosso gran finale: Jacob me arrastava pelo chão e no final, quando eu tentava me afastar novamente, ele esfregava o meu batom vermelho no rosto como uma maneira de demonstrar possessão e me dava um puxão me fazendo girar por cima da sua cabeça e terminávamos quando ele me pousava no chão a sua frente, com uma das pernas esticadas enquanto a outra era mantida no ângulo de 60º, nos encarando e arfando como dois amantes que passaram a noite fazendo amor violentamente.

Rindo um para o outro, agradecemos em três cantos do palco para atender a todos e eu exultei por dentro quando nossas palmas se estenderam a mais tempo que o educadamente permitido. Quando eu parei na frente da mesa com as pessoas que eu mais amava na vida, Edward estava me aplaudindo de pé. Rose e Alice estavam radiantes. Eu tomei isso como um sinal positivo. Com o sangue fervendo de adrenalina nas veias, eu e meu parceiro de dança deixamos o palco.

- MEU DEUS, JACOB! MEU DEUS, MEU DEUS, MEU DEUS! O QUE ACABOU DE ACONTECER?! – falei enquanto o abraçava e deixava a risada nervosa abandonar o meu corpo! – Foi incrível, oh Deus! Foi maravilhoso! O efeito de luzes deixou tudo mais bonito, sensual! Nós conseguimos contar uma história dançando! Ah, Jake! Foi perfeito!

- Sim! A nossa sintonia foi perfeita! A combinação de todos os elementos foram tão perfeitos, Bella! Nenhuns dos casais foram tão ousados quanto nós até agora, o que me surpreende, pois o tango exige que você faça isso.

E assim continuou! Nós voltamos para outra sala, onde as duplas que já tinham sido apresentadas ficavam esperando até começar a nova rodada. Todos nos cumprimentaram e parabenizaram quando entramos e eu e Jake fizemos o mesmo com todos os outros que chegaram depois de nós. Nos preparamos para o zouk. Mudei de figurino, e voltamos para a mesma salinha, enquanto o processo recomeçava mais uma vez.

Para o zouk eu estava nervosa. Era aonde eu e Jake mais precisávamos tomar cuidados, pois os movimentos eram cuidadosamente feitos de maneira que o corpo do homem seguissem as curvas do corpo da mulher, enquanto estivessem juntos. Era uma dança cheia de insinuações, com movimentos graciosos por parte da mulher e gentis por parte do cavalheiro. Jake estava mais do que apto para o papel que teria que representar daqui a pouco, disso eu não tinha dúvidas. Mas eu estava nervosa e ansiosa. Queria logo mostrar o show que tínhamos preparado com a música latina. E esse foi o meu erro.

Voltamos ao palco central novamente e ali começamos a contar a nossa história através da dança. Estava tudo indo bem até que pousei no chão, depois que Jake me levantava pelo quadril e quando descia eu o fazia deslizando pelo seu corpo. Ele fez tudo certo, mas os meus pés, por algum motivo, não conseguiu sustentar o meu peso. Isso fez com que por poucos décimos de segundos atrasasse a nossa coreografia. Jake me agarrou fortemente pela cintura quando meu corpo despencou mais do que o necessário. Ele me olhou um pouquinho alarmado, mas mantivemos o nosso foco depois que tudo tinha dado errado. Felizmente, o restante da apresentação ocorreu tudo bem.

Quando voltamos a nossa sala, eu falei com as duplas e bebi água no cantinho da sala, com o peito subindo e descendo, principalmente de nervosismo, pois aquele pequeno erro que poderia ser imperceptível para a maioria das pessoas, tinha acontecido. E ele não deveria ter ocorrido!

- Bella, Bella... calma, você está tremendo! – Jacob falou enquanto pousava suas mãos nos meus ombros.

- Eu coloquei tudo a perder, Jake... – sussurrei com os olhos lacrimejando. – Aquele erro pode custar tudo. Como isso pode acontecer? Depois de tanto treino, eu estou mais do que acostumada a fazer essa sequência. Eu simplesmente pousei de mau jeito!

- Mas não é motivo para se desesperar, pois conseguimos ainda contornar o tempinho de atraso e terminamos nossa apresentação dentro do prazo! Por favor, não se apavore agora. – ele disse acariciando o meu rosto. – Tudo dará certo, você vai ver! Nós fomos maravilhosos... – e quando eu comecei energeticamente a querer desmenti – lo e dizer que apenas ele tinha sido maravilhoso, rapidamente me abraçou. – Para com isso. Não vou aceitar que neste momento você fique se julgando e martirizando. Foi um erro que aconteceu e agora vamos lidar os dois juntos, entendeu? Fomos incríveis e a nossa apresentação demonstra isso. Não entramos no palco apenas querendo mostrar que sabemos dançar. É um convite para que quem está assistindo se sinta convidado a dançar também. Isso conta junto com a nossa técnica. Por favor, vamos nos preparar para a próxima. E vamos arrasar.

Uma lágrima escorreu pelo meu rosto e eu confirmei com a cabeça enquanto deixava com que ele me abraçasse.

E até que chegasse a última apresentação parecia que se tinha passado horas e horas. Eu já estava pronta, Jake também e o momento entre esperar e se apresentar nunca chegava. Não estava mais tão confiante. Uma pedra havia se instalado no fundo do meu estômago.

Mas quando entrei novamente no palco, meu olhar voou para Edward e eu consegui fazer a leitura de seus lábios quando ele disse ‘eu te amo’. Com um sorriso enorme no rosto, me posicionei. E quando o remix com as nossas músicas começou, eu sabia que Jake e eu tínhamos feito a escolha certa. A salsa já fez com as que as pessoas começassem a se mexer em seus lugares e muitos nos ovacionaram, pois estávamos sendo ousados. A salsa exigia que tudo fosse parecendo uma brincadeira entre dois casais, onde cada um conhecia o corpo do parceiro. Não era sexual. Era sensual. O auge foi quando mudou de um ritmo para o outro, em que Jake mantinha nossos quadris juntos e jogava meu tronco para trás passando a mão entre o vão entre os meus seios, descendo pela barriga enquanto sua cabeça inclinava a minha e aí então eu o empurrava e começava o samba, com ele fingindo que meu traseiro era um belo instrumento musical. Ali nós também cumprimos com o pedido de passos obrigatórios e o ritmo era contagiante. Eu me esqueci que existia pessoas me assistindo. Minha sintonia estava totalmente em Jake que fazia caras e bocas e me convidava para o mesmo. E foi no cha-cha-cha que conquistamos todo mundo.

Começava com nós dois abaixados, comigo entre as pernas de Jacob. E então levantávamos rebolando bastante, com a parte da frente dele toda grudada em minhas costas, meu cabelo grudando no meu rosto, as mãos dele subindo do meu quadril pela lateral do meu corpo até agarrar minhas mãos.

Nós fomos de um lado ao outro do palco, nós dançamos sozinhos e, a maior parte, grudados. E no final, eu terminei com a minha perna enlaçada em seu quadril, o tronco jogado para trás fazendo uma cortina invertida, eu vendo o mundo de cabeça para baixo e sentindo a respiração quente de Jake em minha barriga.

Ele me levantou e ali mesmo eu o abracei.

Foi perfeito. Foi no ritmo, foi no tempo determinado, foi divertido. Foi mais do que eu poderia querer. O público estava ovacionando enquanto eu e Jake agradecíamos. Edward, as meninas e seus respectivos pares estavam batendo palmas e ovacionando como se a vida deles dependessem daquilo e meu desejo foi que eles estivessem fazendo aquilo porque o show tinha sido realmente muito bom e não por serem, bem... meus amigos.

Dessa vez, quando eu chorei agarrada a Jake foi de felicidade. Foi impossível não deixar a emoção tomar conta do meu corpo, pois ali, naquele momento eu tive a certeza que se pelo menos não ganhasse, eu tinha passado a emoção do que era dançar, de como as pessoas poderiam se divertir e amar através da música e da dança.

- Obrigada, Jake. Obrigada, obrigada, obrigada! Eu não posso agradece – lo nunca de forma apropriada por aceitar isso comigo.

- Eu faria mil vezes por você. – ele respondeu correspondendo o meu abraço. – Eu estou emocionado também. Obrigada por me convidar, pois nunca sentirei algo desse tipo novamente.

E aí a angústia estava em ter que esperar mais dois casais se apresentarem, computarem os votos e então, saber realmente quem ganhava.

POV Edward

Eu sabia que Bella já tinha ganhado. Eu sentia aquilo tão forte dentro de mim que tinha certeza que só poderia ser um pressentimento real. Mesmo com o deslize na segunda apresentação, tinha certeza que seu talento falaria mais alto.

Ou então os jurados eram simplesmente incapazes de decidir coerentemente.

Eu não acreditava que aquele seria o caso, então aguardava ansiosamente. A mulher com aparência dura - Bella tinha dito que ela se chamava Rômula – decretou um intervalo de quinze minutos para que os jurados pudessem discutir os votos e tomar uma decisão. Quinze minutos para uma situação cotidiana poderia ser jogo rápido, mas percebi que todos os casais se entreolharam em apreensão por terem que esperar ainda mais.

Bella estava sentada com Jacob há uma distância considerável junto aos outros participantes e eu fiz o possível para encontrar o olhar dela e transmitir mentalmente toda a calma e segurança que conseguia. Eu não sabia ao certo se estava funcionando, mas ela tinha sorrido várias vezes em agradecimento, mesmo que de longe.

- Meu Deus, eu não aguento mais isso! Será que eles não voltam? – ralhou Alice com impaciência. – Não é possível que demore tanto assim. Todos sabem que a Bella foi a melhor!

O casal da mesa ao lado da nossa lançou olhares hostis à Alice quando ela terminou de falar, ao que ela respondeu com um sorriso irônico e um rápido ‘Vocês sabem que estou certa’. O casal já tinha desviado a atenção dela em irritação, mas Jasper ainda sentiu a necessidade de reafirmar que ela devia ficar quieta porque ele não queria ser escoltado para fora.

Rose bufou como se a ideia fosse um insulto. – Que exército que iria nos tirar daqui?

- Shh! Eles estão voltando. – eu anunciei a todos para que encerrassem a discussão.

O momento tinha chegado.

Rômula caminhou até eles em um passo tão meticuloso que aos meus olhos parecia câmera lenta, e o jurado que estava sentado na ponta direita da mesa estendeu a ela um envelope. Ela assentiu para todos os jurados e se encaminhou até o pequeno palco que tinha ali, onde ajustou o microfone para que ficasse à sua altura.

- Atenção, por favor. – ela disse com uma voz neutra e esperou até que o burburinho cessasse. – Os finalistas, podem se aproximar?

Segurando um no outro como apoio, os três casais se dispuseram um ao lado do outro no meio do salão. Rômula deixou a mão que segurava o envelope pender ao lado do corpo e encarou cada um deles.

- Primeiramente, eu gostaria de dizer que este concurso foi incrível. Mais do que eu esperava quando comecei a elabora-lo junto aos outros organizadores porque os participantes se mostraram ser mais do que eu esperava. Conhecia o talento de cada casal, é claro, foi com base no talento de vocês que foram escolhidos, mas o grande potencial que vimos hoje, que vejo desde o início desde concurso, e a paixão com que se entregam a dança é muito mais do que qualquer resultado. – ela pausou e esperou até que os aplausos cessassem. – Em nome de toda a organização do concurso, eu queria dizer obrigada. E parabeniza-los; vocês são vencedores, todos vocês, independente do resultado. Pois bem, mas precisamos do resultado, não é mesmo? Sempre disse que isso aqui – ela balançou um envelope. – é puramente uma questão de ego. – o público riu e, surpreendendo até a si mesma, arrisco dizer, ela sorriu junto. - Sem mais delongas.

Ela começou a abrir o envelope e retirou lá de dentro um cartão branco. Eu olhei para Bella, para a apreensão em seu rosto, para a forma como segurava a mão de Jacob... Desejei ser eu ao lado dela, é claro, mas entendia que o momento era deles. Eu estaria com ela depois para comemorar. Porque eu tinha certeza que haveria uma comemoração.

- Vamos aos resultados. – ela repetiu porque o burburinho tinha se alastrado novamente. Parecia que cada um no público estava esperando pela sua própria consagração, ou, derrota. – Em terceiro lugar, de São Francisco - Estados Unidos, Carolinne Lane e Michael Ellis.

Com uma tromba tão grande nos rostos que chegava onde eu estava sentado e me cutucava no ombro, os dois assentiram e murmuram um seco ‘obrigada’ quando receberam suas medalhas e o troféu de terceiro lugar.

Quando me concentrei em Bella novamente, ela estava olhando em direção a nossa mesa. Eu sorri para ela e murmurei ‘A próxima não é você’. Ela deu um sorriso pequeno e concordou com a cabeça ‘Claro que não’.

Rômula deu um toquinho no microfone para chamar a atenção. – Em segundo lugar, de Bremen - Alemanha, Heike e Klein Belshoff.

- Ah meu Deus! – Rose exclamou, roubando toda a atenção.

- Ela ganhou! – Emmet confirmou o óbvio.

O mundo pareceu parar por uns instantes. Então o casal estava recebendo suas medalhas, Bella estava gargalhando e chorando ao mesmo tempo, e eu estava de pé aplaudindo sem nem me dar conta de que tinha o feito.

- Em primeiro lugar, - Rômula continuou, embora ninguém tivesse mais prestando atenção. – Claramente, de Havana – Cuba, Isabella Martinéz e Jacob Lopez!

Alice literalmente saiu correndo para abraçar Bella, e todos estavam aplaudindo, Rose estava chorando, arrisco dizer que Emmet também estava – embora ele tenha dito mais tarde que foi apenas um cisco. Eles receberam suas medalhas, o troféu; foram flashes para todo lado, com os organizadores, com outros participantes, sozinhos, juntos, um borrão de cor e movimento.

Tudo só fez sentido quando Bella finalmente conseguiu se desvencilhar de tudo. Eu corri até ela ao mesmo tempo que ela corria em minha direção. Estava provavelmente igual a uma daquelas cenas clichês de filmes, mas os clichês são fundamentados em situações reais, afinal.

Ela me abraçou com tanta força que eu pensei que fosse ter uma fratura exposta, mas não havia o menor problema, nem aquilo conseguiria estragar aquele momento.

- Você disse que isso ia acontecer. Você tinha certeza. Eu acreditei em você e você não me decepcionou, Edward. – ela segurou meu rosto e me encarou até conseguir ver minha alma. – Você não me decepcionou.

Até aquele instante, aquela tinha sido a melhor coisa que ela já havia me dito.

***

A comemoração foi até altas horas da noite; todo mundo parecia querer um pouquinho de Bella. Era engraçado vê-la constrangida porque quando saímos, tinha tanta gente esperando para parabeniza-la e até pedir algumas fotos. Eu disse a ela que os nova-iorquinos podiam ser hospitaleiros e gentis quando assim desejavam.

No final da noite, já de manhã na verdade, quando estavam todos já muito bêbados e muito descontrolados, Bella me lembrou de minha frase.

- Já que os nova-iorquinos são tão hospitaleiros e tudo isso, porque você não me explica isso melhor no seu apartamento?

Eu nunca tinha visto o sorriso de Bella tão aberto como naquele momento, e nem seus olhos tão brilhantes – mas a bebida devia estar influenciando também.

- Quem seria eu se negasse tal pedido?

Não nos demoramos muito nos despedindo, até porque de repente tínhamos ficado com muita pressa.

Na manhã seguinte, Bella acordou com uma baita dor de cabeça. Apesar disso, ela disse que tudo valido à pena. Enquanto ela tomava algumas aspirinas, eu saí rapidamente para comprar nosso café da manhã, embora já estivesse na hora do almoço, e fiz questão de levar os favoritos dela – o que incluía waffles, é claro – e aproveitando que tinha passado por uma floricultura, um ramalhete porque a comemoração não terminaria tão cedo.

- Elas são lindas, Edward, obrigada!

Eu não me lembrava se já tinha dado flores a ela antes, mas os longos minutos que ela me beijou me fizeram decidir que eu a presentearia com um buquê por dia.

- Eu ainda não estou acreditando, de verdade. – ela se sentou e apoiou o queixo em uma mão enquanto me observava tirar tudo de dentro das sacolas. – Parece que eu entrei em um universo paralelo.

- Por quê? Você era a melhor.

Ela deu um sorriso convencido. – Eu era, não era? – então ela balançou a cabeça. – Não, sério. É engraçado algo que você está esperando há tanto tempo e quando acontece, parece inacreditável. Isso é bobo?

- Claro que não. – eu me inclinei e a beijei nos lábios. – Você nunca seria boba nem com muita tentativa. Daqui a pouco a ficha cai e você estará rodopiando por aí de alegria.

- Só não me deixe mais beber. – ela se levantou para pegar pratos e talheres e eu me surpreendi por ela lembrar onde era. – Eu fico tanto tempo sem ter ressaca, que me esqueço de como é horrível.

- Anotado.

Por um momento havia só o silêncio enquanto comíamos, mas havia uma questão que ficava mais urgente a cada minuto e eu precisava falar.

- Bells?

- Hum?

- Nós ainda não conversamos.

Ela murchou instantaneamente. – Mas agora que estamos comendo? É capaz até de termos indigestão.

- A situação não vai se resolver sozinha.

- Eu sei disso.

Quando ela não disse mais nada, eu segurei a mão dela. – Você sabe que é só dizer que sim e eu estou fazendo as malas.

Ela assentiu e eu fiquei esperando que ela dissesse, mas ela continuou quieta. Eu tentei encontrar o máximo da paciência que tinha dentro de mim, no entanto, o tique-taque do relógio soava dentro de meu cérebro.

- Eu estive pensando em algo, Edward.

Por Deus, que ela não dissesse que iria embora mesmo e seria aquilo.

- No que?

- Em ficar aqui. – ela respondeu imediatamente me observando.

Ceeerto. Eu não estava esperando mesmo por aquela resposta. Pensei que talvez ela tivesse brincando – era bem a cara dela me pregar peças em momentos inapropriados -, mas logo notei que não. Era sério.

- Ah. Nossa. Mas e o ateliê?

- Eu não sei. Não disse que resolvi, disse que estava pensando. Eu realmente gostei daqui, mais do que esperava gostar. Talvez seja porque eu só tive a perspectiva das coisas pelo olhar de turista, e não de residente, mas...

- Você precisaria do visto.

- Sim.

- Que é super chato de conseguir.

- Principalmente eu sendo cubana.

- Você poderia ficar ilegalmente aqui. – eu sugeri, e esperava que ela me encarasse como se eu fosse estúpido. Ela o fez. Então eu continuei. – Ou tem uma solução legal e rápida. A única.

- Do que você está falando?

- Casar comigo.

- Edward, você mesmo disse que o assunto era sério e agora fica...

- Eu não estou brincando. – garanti e não desviei o olhar de sua direção até que ela percebeu que eu estava dizendo a verdade. Eu sorri, totalmente desconcertado. – Acho que nunca falei tão sério antes.

- Edward... – ela continuava me encarando com olhos assustados, sua mão que ainda estava entre as minhas começou a tremer.

- Eu sinto que vem um não aí... Em algum lugar.

- Não. – e como se percebendo o que tinha acabado de dizer, ela balançou a cabeça. Pigarreou. Piscou três vezes. – Isso não... Isso não se resolve assim sem pensar.

- Quem disse que esta foi a primeira vez que pensei nisso? Posso simplesmente ter usado como desculpa pelo momento conveniente.

- Edward. – ela sussurrou exasperada, então se levantou depressa. – Você não rouba só as palavras da minha boca, como também os pensamentos da minha mente.

- Eu farei um pedido mais formal, é claro. É só que... – eu levantei também e me aproximei dela. – Circunstâncias complicadas pedem por soluções mais práticas.

- Edward. – Bella murmurou quase como um gemido de agonia. – Por que você é assim?

- Eu não posso evitar.

Ela abaixou a cabeça em derrota e eu levantei seu queixo para ela me encarar de novo. Eu abracei, beijei sua testa e tirei um minuto apenas para respirar um pouco.

- Eu quero me casar com você. Eu te amo. E é por isso que eu quero. Você precisava saber disso. Mas é claro que você tem que pensar, ponderar, questionar. De repente me vem à cabeça como você é jovem, Bells. Talvez jovem demais para tomar esse tipo de decisão agora. Independente do que decidir, saiba que eu vou te seguir, se você me quiser. Mesmo que não queira casar agora, ou nunca. Eu espero que queira um dia ao menos, mas o mais importante para mim é estar ao seu lado. Pense no que é melhor para você, porque vai ser melhor para mim também. Só não desista da gente porque é difícil, eu não vou desistir. Já passamos por coisas muito piores. Não desista. Ok?

Ela assentiu sem me soltar, seus lábios tocavam meu pescoço. Eu tinha certeza que tinha que viver com aquela exata distância entre nós: nenhuma.

- Ok. Eu não vou desistir.

- Ótimo. – eu acariciei sua bochecha e sorri; aquele problema parecia tão ridiculamente insignificante ao considerar a felicidade da realidade. – Por hoje, essa resposta é perfeita.

POV ISABELLA

Depois do final do concurso, tudo passou extremamente rápido. Participei de uma cerimônia para comemorar a finalização do concurso e o resultado, fui praticamente o centro das atenções e apareci ao lado de Jacob em vários jornais que falaram a respeito do mesmo. Houve algumas confusões também entre nomes e pessoas relacionados à Jacob e Edward que não deixou o último nada feliz, mas acredito ter sido inevitável já que eu acabei pousando ao lado dos dois em todos os lugares.

Eu estava meio que ficando no apartamento do Edward. Fazia alguma refeição para nós dois, levava algumas roupas em uma bolsa e deixava o Ipod ligado enquanto me movimentava pela casa. Foi algo tão natural que eu não consegui perceber em que momento eu já estava circulando e me sentindo tão bem no seu lar. No entanto, evitei levar de vez as minhas coisas para lá. Não queria levantar novas esperanças sobre me mudar de vez para Nova York com toda a confusão e problemas que acarretariam nem que o Edward sentisse que eu estava ocupando o espaço dele. Como eu prezo pelo meu, não queria acabar incomodando.

Em uma manhã, eu acabei levantando antes que ele. Preparei um chocolate quente e me sentei na poltrona gigantesca que ele deixava na varanda do apartamento, apenas com uma blusa de frio grossa e o cabelo enrolado de qualquer jeito, olhando para a paisagem bucólica de Nova York e as pessoas que passavam correndo em direção ao Central Park. Como seria se eu mesma tivesse a oportunidade de sair para correr todas as manhãs naquele cenário? Ou ver as folhas todas em tons de amarelo e marrom no outono? Meus pensamentos flutuaram até que eu senti um beijo no topo da minha cabeça.

- Tudo bem aí? – ele perguntou me puxando pela mão enquanto se sentava no meu lugar e me pousava entre suas pernas, me abraçando por trás e pousando um beijo no meu pescoço enquanto aquecia as mãos junto as minhas que segurava a caneca.

- Está tudo bem, sim. – falei girando a cabeça e dando um beijo nele.

- Onde você estava?

- Pensando que eu poderia me acostumar a viver aqui.

Silêncio.

Eu sabia que ele não queria me pressionar.

- Sim, você poderia se acostumar.

- Mas vou decidir isso depois.

- Claro. – ele apenas assentiu e pousou o rosto no meu ombro, sua respiração quente contrastando com o frio que chegava até nós.

- Eu não serei pressionada.

- Não será. Mas não quer dizer que eu irei desistir. – ele falou virando meu rosto e me beijando.

***

Eu fui preparar o café da manhã enquanto o Edward se preparava para ir trabalhar. Ele estava voltando aos poucos a sua rotina e disse que naquele dia ele precisaria mesmo ir até o escritório. Eu resolvi que talvez eu conseguisse fazer um bolo antes que ele saísse e como esse pensamento já tinha passado pela minha cabeça, comprei os ingredientes e os estoquei em uma parte do seu armário que eu tinha certeza absoluta que ele nunca tinha tocado e aproveitei a oportunidade.

Enquanto a massa estava sendo preparada, o telefone tocou na sala e a linha que estava interligada ao telefone na cozinha fez piscar. Estanquei. Atendo ou não?

- Edward, o telefone está tocando! – gritei da porta da cozinha em direção ao corredor que dava para o quarto que estava com a porta aberta enquanto ele banhava.

- Então atenda, mulher! – foi a resposta que eu ouvi enquanto ele ligava o chuveiro.

- Seu arrogante! – respondi de volta enquanto corria até a bancada e atendia ao telefone. – Alô?

- Bella, querida! Que maravilha ouvir uma voz feminina atendendo ao telefone da casa do meu filho.

- Olá, Esme. Como está? – perguntei enquanto me recostava na bancada ao lado da pia e conversava com a mãe do Edward trivialidades. Depois de 5 minutos em que ela enchia de elogios a respeito do concurso e blá blá, Edward apareceu à porta da cozinha com uma toalha presa na cintura enquanto com outra secava o peito nu.

- Quem é? – perguntou apenas movendo os lábios.

- Sua mãe. – respondi enquanto pousava a mão no bocal do telefone. – Ah sim, Esme. O Edward já está bem aqui doidinho para falar com você! – ele começou a gesticular que não, não enquanto eu andava em sua direção. – Sim! Ele comentou ontem comigo que está morrendo de saudade de você, foi ótimo ter ligado, já vou passar para ele. – falei entregando o telefone que ele pegou com um suspiro, enquanto ele sussurrava no meu ouvido:

- Vai ter volta... Olá, Esme. Como você está?

Eu pousei as mãos no seu peito, empurrei-o na parede enquanto ele ainda ouvia a mãe. Peguei a toalha que ele tinha deixado pendurada no ombro e a joguei no chão e com um olhar bem malicioso comecei a lhe dar beijos no pescoço, enquanto sugava a água que escorria por ali que vinha do seu cabelo. Ele me encarou, meio que perguntando se eu teria mesmo coragem de fazer o que imaginava, enquanto apontava para o telefone, mas eu apenas dei uma risada sacana e continuei, passando a mão por suas costas e cravando as unhas na sua carne, esfregando meu corpo...

- Oh, okay Esme. Eu posso passar por aí amanhã para almoçar. Ahãm... – mordida no ombro e seu quadril empurrou em direção ao meu. – Claro, acredito que ela também possa ir. – suguei perto do seu mamilo e ele levou a mão em direção ao meu cabelo, levantando minha cabeça e me encarando com olhos famintos. Desafio. – Eu perguntarei de qualquer forma. Sim, sim... ela está fic... – eu voltei lambendo e suguei seu lóbulo, fazendo com que ele reagisse imediatamente: me virou e me empurrou contra parede, onde segundos antes ele próprio estava, a respiração descompassada. – Ela está ficando algum tempo por aqui, sim. Preciso desligar. Tchau. – O que você pensa que está fazendo, me provocando assim?

Meu peito subia e descia. Me excitava quando o Edward ficava assim, meio que descontrolado de tesão por causa das minhas ações. Eu não consegui dar nenhuma das minhas respostas engraçadinhas porque rapidamente ele me beijou e foi abrindo a minha roupa com violência enquanto a sua toalha caía no chão. Nhum... sexo na cozinha. Não, não... aqui não! Consegui empurra-lo em direção a sala, mas não fomos muito longe, pois logo ele me empurrou novamente contra uma parede qualquer. O homem gostava de paredes...

- Hey, hey... – tentei empurra-lo para perguntar qualquer coisa...

- Você não pode apenas me provocar e pensar que apenas com algumas palavras irá me parar. – e desceu por minha calça de lycra que eu usava com uma sandália baixinha, pousando a mão entre as minhas pernas e me excitando. Por um momento eu perdi a linha de pensamento.

- Você... você tem quanto tempo até ir ao escritório? – consegue pronunciar antes que ele tomasse minha boca.

Não obtive resposta, obviamente. Ele abaixou minha calça e me faz sair de dentro delas enquanto estavam amontoadas aos meus pés, tirou com violência a blusa de alça média e fina que eu estava usando. Em um minuto eu estava apenas de calcinha e no outro eu estava nua, sentindo seu corpo pressionar contra o meu, sua ereção sendo pressionada no eu baixo ventre, suas mãos furiosamente agarradas a minha cabeça enquanto me beijava como queria e eu retribuía.

Ele me virou de costa, meu rosto virado contra a parede, meus mamilos sensíveis ao toque frio... suas mãos pousadas na minha barriga enquanto ele entrava em mim e os nossos corpos viajavam um no outro enquanto ele se balançava contra o meu corpo e os meus gemidos enchiam a sala do som do prazer que ele estava me proporcionando, do som do prazer que eu estava lhe proporcionado, do amor de duas pessoas que não conseguiam se desgrudar ou não se provocar até mesmo diante de uma simples ligação. Quando Edward gozou, eu o segui. Nossos corpos amoleceram, ele mordiscou levemente minha pele na região do pescoço, empurrando meus cabelos suados para o lado.

- Respondendo sua pergunta: eu tenho meia hora para chegar ao escritório. Você irá tomar banho comigo e não irá ser espertinha. Me deixará trabalhar e pensar que quando eu voltar você estará aqui, me esperando. Se você não estiver, eu irei atrás de você naquele hotel, mi estrella. E te trarei até aqui, pois eu passarei a noite fazendo amor com você.

Com um sorriso bobo no rosto e a sensação de ser amada, o segui para o banheiro onde tomamos banho novamente e sem muita enrolação dessa vez.

***

Eu vesti outra roupa rapidamente e voltei à cozinha com o intuito de terminar o bolo.

- Eu já estou indo. – Edward falou me abraçando pela cintura, seu cheiro impregnando todo o ar. – Se precisar de mim, telefona diretamente no meu celular.

- Pode deixar, Sr. Advogado. Eu devo sair hoje e depois passar no hotel para buscar algumas coisas. Tentarei estar aqui antes de você chegar, mas não garanto nada, pois não sei quanto tempo vou demorar.

- Você não deveria ficar andando por aí sozinha... – ele começou, mas eu o cortei logo.

- Edward, nem vem com essa. Eu sei me virar muito bem! – reclamei. – Não sou nenhuma idiota estrangeira!

- Eu não falei isso! – ele rebateu. – Apenas me preocupo com você.

- Eu não vou ficar aqui trancada apenas para satisfazê-lo. Se eu não puder fazer o que eu quero, é melhor eu voltar para o hotel. – falei jogando as luvas que eu usei para colocar a forma com o bolo no forno que parecia nunca ter sido usado e já saindo da cozinha, enquanto ele me acompanhava.

- Não, não, não! – ele falou segurando meu braço. – Por favor, eu já estou me acostumando com você aqui, com a música tocando pela manhã, com o seu cheiro quando eu acordo. Não... não precisa retornar para o hotel. Você pode ficar por aqui e... e ir aonde desejar. Eu não poderia proibi-la nem se quisesse. Só estou preocupado.

- É melhor não se acostumar com algo que não pode ter. – rebati enquanto puxava meu braço de sua mão e seguia para o quarto.

- Ei, qual o problema? – ele perguntou da porta, enquanto eu já pegava as roupas que estavam em cima da cadeira e enfiava dentro da bolsa.

- Não existe problema nenhum.

- Obviamente que existe quando apenas com uma frase você age assim. – ele respondeu enquanto mostrava o quarto com a mão.

- Eu não vou ficar aqui, ok? A idiota que não sabe o idioma vai tentar transmitir para o motorista de táxi o endereço do hotel, para onde eu vou voltar.

Ele ficou parado, me seguindo com o olhar enquanto eu apenas socava as minhas coisas dentro da bolsa sem nenhuma cerimônia, tentando fecha-la enquanto um pedaço da sapatilha estava metade para fora e não me deixava fechar o zíper.

- Isso não vai funcionar se em um momento você acha plausível e me dá esperanças de ficar aqui e em outro você esfrega na minha cara que está indo embora. Se eu não posso ter um, por favor, pelo menos não jogue que dentro de poucos dias não a terei mais perto de mim. – E se foi. Eu o ouvi fechar a porta e me sentei no chão, com a bolsa pousada no colo pensando no quanto eu sou idiota.

***

Eu pousei o bolo em uma travessa de vidro e o recheei com uma mistura de brigadeiro branco com morango. Quando terminei, pousei a tampa do recipiente e telefonei para o Emmet pedindo algumas informações. Fechei o apartamento com a travessa dentro de uma caixa nos braços, a bolsa pendurada na lateral e chamei um táxi. Fui até o hotel onde me arrumei com cuidado, colocando um vestido vermelho e tendo o cuidado de vestir um sobretudo quente que não deixasse aparecer o que eu estava por baixo. Penteei os cabelos e os deixei volumosos com a ajuda da chapinha, fiz uma maquiagem estonteante e me pus em cima de uma bota de salto alto. Quando estava pronta peguei novamente a caixa, chame um táxi e parti em direção ao prédio que ficava o escritório do Edward.

Quando eu cheguei ao prédio espelhado, fiz o cadastro e perguntei em qual andar ficava o escritório, me equilibrando e equilibrando a caixa. Quando o elevador parou no andar e eu saí, dei de cara com uma porta de vidro e um ambiente bastante formal com peças de decoração claras e uma mulher bastante bonita esperando os clientes para serem atendidos. Aquela ali era Tânia, a secretária, provavelmente. Com um sorriso nos lábios, empurrei a porta.

- Boa tarde. – falei cortês. Ela me olhou dos pés a cabeça e voltou a fixar o olhar em meu rosto. – Eu gostaria de falar o Edward Masen.

- A senhora está com hora marcada? – ela perguntou enquanto dava uns cliques na tela do computador, provavelmente se perguntando quem eu seria e em que momento eu apareci para ocupar um horário na agenda do chefe.

- Ah, não. Não estou com hora marcada. – respondi com um sorriso deslumbrante, já aguardando.

- Então, sinto muito. A agenda do Edward está toda comprometida. – ela respondeu para finalizar o assunto.

- Ah querida. – respondi enquanto pousava a minha caixa em cima da sua mesa. O seu olhar acompanhou todos os meus movimentos. – Eu tenho certeza que ele não vai gostar de saber que a sua secretária não autorizou a entrada da sua namorada. Eu sou Isabella Mártinez.

- Ele... ele não avisou que alguém viria. – ela gaguejou.

- Claro, porque eu falei diretamente com ele. – respondi com uma piscadinha. – Acho melhor eu entrar e não me atrasar em meu compromisso. – falei enquanto pegava a caixa e pousava a mão na maçaneta que levava a sala do Edward. – A propósito, você é a secretária. Não se refira a ele como Edward e sim como Sr. Masen.

Com uma cara de tacho disfarçada de ódio, ela balbuciou um ‘claro’ enquanto eu abria a porta.

Edward estava com a cabeça baixa lendo uns papéis que estavam espalhados em cima da mesa. Ele levantou a cabeça quando eu adentrei e não conseguiu disfarçar a surpresa.

- Olá. – falei com um sorriso tímido.

- Bella. Tudo bem? – ele perguntou enquanto se levantava e vinha ao meu encontro, dando um beijo no meu rosto. – Aconteceu alguma coisa séria?

- Não. Eu só queria me desculpar pelo que aconteceu antes de você sair de casa. – falei baixinho, enquanto ele procurava em meu rosto algum sinal de problema. Quando terminei de falar, ele respirou em alívio e enfiou a mão dentro do bolso da calça escura.

- Não precisava ter vindo aqui para isso.

- E também para trazer o bolo que eu fiz para você e que não consegui terminar antes que saísse. – falei estendendo a caixa.

Ele olhou para a caixa, olhou para o meu rosto arrependido.

- Você também não precisava ter se preocupado com isso. – foi o que ele apenas disse. Eu odiava tê-lo magoado.

- Mas eu já estava preparando. – confirmei. – Me desculpa por ter sido estúpida? Eu ainda tenho que aprender a não pensar que tudo é uma ofensa pessoal. Juro que já estou trabalhando isso em mim.

Ele segurou meu rosto e então me beijou na boca.

- Sem problemas. – enquanto eu me esticava para prolongar o beijo.

- Estou te atrapalhando? Vi que você estava concentrado.

- Não estava esperando a sua visita, mas também não me incomodo. Venha, coloque o bolo em cima da mesa.

- Me ajuda a tirar esse sobretudo? Com o aquecedor ficou abafado. – pedi com um sorrisinho angelical.

Ele assentiu, e já puxou o cordão do sobretudo e foi abrindo os botões, enquanto eu tirava um e depois e o outro braço das mangas e fazia uma carinha de inocente enquanto ele me olhava boquiaberto. O vestido era vermelho, com um decote um pouco maior do que eu estava acostumada a usar e justo ao corpo. O contraste com as botas negras fazia com que parecesse ainda mais ousado do que era.

- Eu lembrei que você disse que gosta de mulheres que usa vestido vermelho. – falei enquanto o olhava de maneira sensual. – Eu queria ser a única que você gostasse vestida assim, mas como sei que é impossível, estou tentando fazer o meu melhor. O que você acha?

- Mi estrella, estou com a boca seca.

- Então, estou desculpada? – perguntei enquanto pousava a caixa em cima da mesa e retirava a travessa com o bolo de dentro.

- Você já estava. – ele disse me beijando como eu estava acostumada, dessa vez. Sim, agora sim eu estava.

Pousei minha testa na dele, enquanto puxava o colarinho da sua camisa.

- Eu não queria te magoar. A situação é tão difícil para você quanto é para mim e ficar fazendo birra não vai nos ajudar em nada.

- Não, não vai. – ele respondeu encostado em mim.

Ficamos assim por alguns minutos, que me pareceu segundos, que me pareceu horas.

- Eu já estava preparando antes de você sair, não pense que fiz isso para me redimir. – falei enquanto apontava para o bolo que não estava exatamente lindo, mas um pouco torto depois da viagem. – Espero que você goste.

Cortei um pedaço e o servi em um guardanapo que foi o máximo que eu consegui achar dentro da sua sala. Ele se sentou no sofá e me puxou para o lado dele, enquanto eu mordiscava também um pedaço. Ele comeu e eu me demorei apenas um pouco, não querendo atrapalha-lo.

- Como você chegou até aqui? – ele perguntou, antes de perceber que isso poderia levantar uma nova discussão como tinha acontecido mais cedo. – Desculpa, eu não duvid...

- Ei, esquece isso. – falei pousando as mãos nos seus lábios. – Eu pedi para o Emmet me dizer o endereço e o restante foi fácil. – falei com um sorriso. – Estarei te esperando no seu apartamento, mais tarde.

- Com esse vestido? – foi o que ele perguntou.

- É o que você quer? – perguntei com uma sobrancelha erguida. Ele confirmou. – Pensarei no seu caso. A propósito, eu falei com a sua secretária sobre quem eu sou. Acredito que ela não vá mais dar em cima de você, depois do que eu falei. - Deus, o que você falou?

- Nada para se preocupar... – falei com um sorrisinho, enquanto me aproximava e passava a mão nos seus cabelos. – Apenas deixei claro que eu sou a sua namorada. E que estou na área.

E rindo, sai da sala dele. E desejei uma boa tarde para Tânia.

***

Acabei estendendo o meu visto durante mais um mês como turista. Fui até a Embaixada Cubana e solicitei já que o meu estava válido até duas semanas depois da data final do concurso. Jake, porém, não conseguiu disfarçar a sua frustração e decepção quando eu o avisei que não iria junto. Com a sua taça embaixo do braço eu o acompanhei até o aeroporto e o vi partir com os lacrimejando e um abraço apertado. Pedi para que me avisasse quando chegasse e também me desse retorno, se não fosse muito incômodo, de como estaria o ateliê e tudo mais por lá. Alice e Rose também pediram mais dias em Nova York, mas conseguiram apenas mais dez.

Quando eu mostrei para o Edward o meu novo visto carimbado com mais um mês, ele quase entrou em êxtase e não se continha no corpo de tanta alegria. E aí foi inevitável a minha breve mudança para o seu apartamento: fiz minhas malas e no último dia disponível no hotel ele me buscou. Ali, eu coloquei minhas coisas em um quarto de hóspedes apesar de estar dormindo todos os dias com ele. Apesar do discurso, eu falei que não queria entrar na vida dele como um furacão, o que ele disse já ter acontecido. E eu sou um pouco metódica, com receio de incomodar: mesmo com um quarto para mim, acabei não usufruindo. Usava uma roupa e já a aguardava em uma bolsa para levar para lavar, não colocava no cesto disposto ao lado do guarda-roupas que eu me recusei a usar. Meus produtos de cabelo e maquiagens eu abria na pia diante do espelho apenas quando precisava usar, ou seja, todos os dias. Minha escova de dentes eu apenas colocava enfiada dentro do bolso lateral da bolsa.

Em uma semana eu consegui observar sua rotina e fui tentando me adaptar. Ele era preguiçoso pela manhã, mas queria correr ou ir à academia. Eu também era preguiçosa e prezava pelo meu sono. Uma ou duas vezes eu o acompanhei na corrida matinal, mas como não estava adaptada com o clima e ele corria muito mais do que eu, apenas sentei em um banco embaixo de uma árvore e aguardei ele voltar para então retornamos para casa.

Antes de tudo isso, ele me disse que não voltava para casa no almoço, mas que se eu estivesse preparando algo ele com certeza faria questão. Eu logo avisei que não serviria de empregada ou cozinheira. Eu era sua namorada, não empregada doméstica. Ele? Apenas riu. Ele gostava de se barbear depois que estava vestido com a calça e nu da cintura para cima. Usava as toalhas apenas uma vez. Jogava as chaves do carro em cima da mesa ao lado da porta. Não sabia onde estava nada na cozinha. E eu apenas observei como somos tão diferentes.

Fora isso, os dias que passaram me fizeram analisar como seria viver com aquele homem. E foram dias singelos e maravilhosos. Edward fez questão de me deixar à vontade como se eu já fizesse parte do seu mundo: muitas vezes eu o vi estressado ou preocupado com alguma coisa relacionado ao trabalho e sentei ao seu lado e deixei que ele explicasse o que estava acontecendo, apesar de não entender boa parte do que dizia. Fez questão de dividir o trabalho com Emmet para poder aproveitar casa momento comigo. Levou-me para dançar todos às vezes que pedi, inclusive na semana. Surpreendeu-me com flores que comprou e colocou dentro de uma garrafinha de cerveja sem rótulo que ele orgulhosamente disse ter feito sozinho.

E nos amamos. Todos os dias. De manhã, de tarde, de noite, de madrugada. Eu não estava mais sonhando com os meus pais, a não ser os sonhos bons, aqueles que eles apareciam com um sorriso como se fossem as pessoas mais felizes do universo e diziam o quanto me amava. Em um desses sonhos eu acordei chorando e Edward logo se preocupou, acendendo a luz do abajur e me sacudindo levemente achando que eu ainda dormia. Eu sacudi a cabeça, garanti que estava bem e me abracei fortemente a ele.

Nenhum dos dias foi tristes ou com brigas. Eu me esforcei ao máximo e percebi que ele também se esforçava para que tudo transcorresse da melhor maneira possível. Quando algo me aborrecia que ele via que eu respirava fundo para não xinga-lo – afinal, estamos falando de Edward! -, ele apenas dizia: - não adianta você tentar brigar comigo porque eu não vou brigar com você.

Um dia, enquanto ele arrumava a mesa para pequeno jantar, estava zapeando pelo seu escritório olhando alguns dos títulos dos livros que ele mantinha quando encontrei alguns papéis em espanhol separados em cima da mesa que falavam sobre como obter a nacionalidade americana, sendo cubano. Meu coração se apertou. Ele não estava desistindo. Eu retornei para onde ele estava no balcão da cozinha picando alguns petiscos e o abracei por trás.

- Eu te amo tanto. – sussurrei contra sua pele.

Ele se virou, largando a faca e tocando meu rosto e me beijou.

- Eu também amo você.

- Obrigada por tentar. Eu vi alguns papeis. Você está realmente se esforçando enquanto eu nem sei ao menos o que irei fazer.

Ele ficou em silêncio durante um momento.

- É claro que eu estou tentando. Se você não ficar por aqui, eu irei atrás de você. Já pesquisei como conseguir a nacionalidade cubana também... Apesar de ser muito mais complicada.

- Por quê? – perguntei curiosa.

- O seu país passa por problemas políticos sérios que acabam atrasando determinados pedidos, inclusive esses, sem contar que não se tem um histórico muito grande sobre pessoas querendo a dupla nacionalidade cubana.

- E para cá?

- Não é exatamente mais fácil, mas sabemos que o processo corre de qualquer forma. Na melhor das opções você precisa ficar residente aqui durante três anos e na pior das hipóteses você precisa se casar comigo. Mas há sempre a opção de ficar ilegal. Eu a protegeria. Você poderia ficar mesmo assim.

- Não ficarei aqui ilegalmente, Edward. – falei abertamente sobre o assunto. - Não há discussões quanto a isso. Eu nunca fui ilegal em nada na minha vida, não posso de uma hora para outra apenas ficar em um país que não me aceita. De qualquer forma, eu preciso retornar a Havana e decidir a minha vida por lá. Eu não posso esquecer isso.

- Isso quer dizer separação, mi estrella. – ele falou, me abraçando e pousando a sua testa na minha. Enganchei meus dedos no cós da sua calça e fiquei ali, com sua respiração em cima de mim, mas sem vontade de me mexer. - Você não pode fazer isso comigo. Eu não posso ficar aqui enquanto você vai embora. Não posso ficar sem você de novo. Não consegue entender? Eu – não – posso – ficar – sem – você! Não chegamos a ponto nenhum, não é mesmo?

Eu não saberia o que responder.

- Por que as questões mais difíceis de serem respondidas você me faz? – perguntei em um sussurro, olhando – o com um sorriso nos lábios, que não refletiam a tristeza em meu olhar.

- Porque eu tenho esperanças que você decida ficar, Bella. Porque um homem pode ter esperanças. Porque eu amo você.

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