Olá, leitores. Como estão?

Mais uma vez, eu e a Gabi gostaríamos de pedir desculpa pela demora em postar o capítulo, mas estamos com o tempo limitado e também tiveram algumas mudanças significativas na história, fazendo com que tomássemos algumas decisões. Nada drástico ou brusco, tá bom?

Eu já tinha comentado com vocês que a fic acabaria no capítulo 30. No entanto, escrevendo e antecipando o que ainda tem para acontecer, eu e a Gabi percebemos que não tem mais muito o que escrever até completar 30 capítulos. Com isso, gostaríamos de dizer que o próximo capitulo será o último. Já sentamos e sabemos como tudo vai terminar, fizemos um roteiro e agora só falta escrever. Claro, ele deve demorar mais ou menos o mesmo tempo que demoramos para postar aqui ou até um pouquinho mais, pois escreveremos com cuidado redobrado e revisaremos para tentar não deixar pontas soltas e dar o final que devemos para todos os personagens.

Esse capítulo está enorme e já está no caminho para ser finalizado, mas com certeza você podem esperar um capítulo um pouco maior que o normal para o próximo. Eu ainda não sei bem o que sinto em relação a (finalmente) terminar SRLT porque se formos colocar no papel, já faz mais de 4 anos que escrevemos essa história e mais de 1 ano que postamos que ela aqui. É a minha preferida, porque eu consigo perceber o meu crescimento na forma de escrever e porque me forçou a pensar cenários diferentes. Nunca tinha escrito nada assim nem nessa quantidade.

Esperamos que vocês gostem desse capítulo que ficou muito fofo (auuuuuuuuuuun! *-*) e mostra muito do amor e romance entre Edward e Bella que vocês tanto queria e que até eu e a Gabi sentíamos falta.  Aproveitem bastante e nos encontramos no próximo (e último capítulo).

Com carinho,

Gabi & Rapha

POV EDWARD

Olhei para a bagunça em minha volta e concluí que definitivamente eu ainda não sabia por onde começar. Passei uma mão pelo rosto. Eu nunca conseguiria fazer aquilo. Nunca. Mesmo se eu tivesse um dia inteiro a mais.

Eu tateei o chão cegamente atrás da minha garrafa de cerveja e suspirei em alívio quando a campainha tocou. Corri até lá como se minha vida dependesse da pressa e assim que abri, puxei Emmet para dentro depressa.

- Por Deus, Edward, o que foi que aconteceu? Eu estava no banheiro quando me ligou!

- É, seu zíper ainda está aberto! Preciso de ajuda.

- Nota-se. – ele estreitou os olhos enquanto olhava ao redor e ajeitava suas calças. – Vai se mudar?

- Tenho que fazer uma decoração de natal. Algo decente. Eu passei três horas na fila hoje e comprei... – voltei meus olhos à bagunça no chão. – Algumas coisas.

- Algumas? Algumas? A Times Square inteira está espalhada pelo chão! Por que isso agora? Você nunca quis decorar seu apartamento antes.

- Mas esse ano é diferente. – respondi simplesmente e balancei uma mão. – Estamos esperando o quê? Temos que começar!

Ele checou o relógio. – Ok, Edward, ok. Mas não vou poder ficar muito. Por acaso eu também não decorei o meu e a Rose vai passar o natal comigo. – ele deu um sorrisinho e então franziu o cenho para mim. – É isso! Alguém vai vir para cá, não é? Está querendo causar uma boa impressão, hein? Seu mentiroso do cacete! Nem para me contar que tinha superado e estava saindo com alguém diferente!

- Não estou saindo com ninguém diferente.

- Mas então por que... – ele arregalou os olhos. – Não!

Eu sabia que estava começando a sorrir como um palhaço. – Sim.

- Seu filho de uma puta! – e então me deu um soco no ombro. - Eu sabia que tinha alguma coisa na sua felicidade! Como você não me contou?

- Olha, Emmet...

- Eu estive aqui meses e meses preocupado com você, secando suas lágrimas, dividindo chocolates, carregando seu traseiro bêbado, e agora que está de novo com a Bella... Não tem a decência de me contar! 

- Foi algo rápido e eu não sabia se ela ia querer... – eu pigarreei, sentindo-me estranhamente culpado. – Olha, Emmet...

- Seu filho da mãe mal-agradecido! – ele me interrompeu apontando um dedo e eu pensei por um momento que ele ia me socar de novo. – Eu devia deixar você se ferrar aí. Eu não acredito nisso!

- Também não há necessidade de ficar assim. – insisti. – Eu ia conversar com ela primeiro, saber se estava tudo bem... Não posso estragar as coisas dessa vez. Você sabe disso.

Ele continuou com a expressão carrancuda por um tempo, aparentemente tentando se fazer de difícil, mas acabou cedendo.

- Você ainda é mal-agradecido, mas eu entendo.

E como se ele não tivesse quase quebrado minha cara há cinco segundos, ele estalou meus ossos com um abraço.

- Não estrague, Edward. Muito menos pela cabeça de idiotas como eu. Não estrague dessa vez. – ele deu um último tapa nas minhas costas. – Certo. Agora vai pegar uma cerveja para mim, vai. Temos muito trabalho a fazer.


***

- Como você conseguiu fugir? – perguntei a Bella assim que ela apareceu pela porta dos fundos do hotel onde estava hospedada.

Ela tinha dito que ficaria na ceia que o hotel estava oferecendo e depois escaparia e sairia para me encontrar. Eu tinha dito a ela que não tinha problema se ela quisesse passar o natal com seus amigos. Eu tinha dito aquilo, mesmo sabendo que na verdade tinha problema. Não me agradava nem um pouco que ela passasse aquela noite com Jacob enquanto eu estava longe.

Ela apenas rira da minha cara, provavelmente sacando muito facilmente a mentira ridiculamente camuflada, e dissera que a decisão era dela e apenas dela.

- Tenho meus talentos de adolescente fugitiva ainda. – ela respondeu com uma piscadela.

Estava bastante frio em Nova Iorque, algo comum para a época, mas felizmente não estava nevando. Eu mal conseguia enxerga-la debaixo do longo sobretudo bege que usava junto a luvas da mesma cor e um cachecol vermelho. Eu quase não podia enxerga-la, mas ela continuava linda.

Quando me aproximei para beija-la, percebi pela diferença de altura que devia estar usando saltos.

- Nós vamos andar um bocado ainda, Bells. Tem certeza de que quer ir calçada assim?

Bella olhou distraidamente para os pés cobertos por scarpins vermelhos altíssimos. Definitivamente ela estava no espírito de natal. Com o sorriso que ela deu quando levantou os olhos, eu honestamente pensei em sugerir que cancelássemos o programa da noite e seguíssemos direto para meu apartamento. 

- Tenho. – ela assentiu lambendo os lábios. Eu quis beija-la mais três vezes. Ela roçou levemente uma de suas unhas pintadas de vermelho-sangue contra meu pescoço. – Faz parte do seu presente... Mais tarde.

***

- Oh meu Deus, Edward! Olhe essas luzes! – ela apontava para todos os lugares que passávamos com um sorriso maior que o rosto. - Está decidido... Não volto mais para Cuba!

A ideia me agradava. Mais do que deveria sabendo que ela tinha uma vida em outro país e mais do que ela gostaria de saber. Mas era Natal, estávamos cercados de ínfimas e monumentais decorações e luzes natalinas, eu podia me permitir sonhar um pouco.

- Talvez queira se lembrar, Bells, Nova Iorque não é essa maravilha sempre. Tem muito trânsito, barulho, correria e as pessoas nem sempre são gentis.

- Dane-se. – ela sussurrou suavemente ainda sorrindo. Contive minha vontade rir: parecia que ela havia falando sobre o amor ou algo do gênero. – É lindo aqui. Não quero mais ir embora.

- Não vá.

Ela se virou para mim ainda com o olhar sonhador e então pareceu perceber o assunto no qual tínhamos entrado. Eu disse a mim mesmo que não iria falar naquilo, mas já tinha saído. Era para frente que se andava.
- Eu não ia dizer assim, mas... Quer dizer, ainda não conversamos sobre isso.

- É, ainda não. – ela concordou com a cabeça e enfiou as mãos nos bolsos do sobretudo como se de repente tivesse começado a sentir mais frio. – Você... Quer falar nisso agora?

Ela tinha ficado desconfortável. Eu não sabia se aquilo era um sinal ruim. Poderia ser apenas que ela não gostasse de recordar do nosso pequeno problema de distância, mas de qualquer modo aquela realmente não era a hora.

Às vezes a boca expressava o que o coração queria dizer antes que o cérebro fosse consultado.

- Não, Bells. Só estava pensando. – eu esfreguei seus braços por cima do tecido buscando aquece-la mais um pouco. – Impossível de conversar nesse frio, além de tudo. Vamos correr antes que viremos bonecos de neve.

***

- Clichê, eu sei. A atração turística mais procurada no Natal, mas você queria ver as luzes. Achei que aqui seria o melhor lugar. – anunciei quando chegamos.

O Rockefeller Center tinha uma atmosfera ainda mais mágica por ser noite, ocasionando que as luzes ficassem todas acesas. A árvore de natal gigantesca se expandia pelo local de maneira imponente, a iluminação era tamanha por sua extensão que podia facilmente cegar alguém.

Era muita luz para mim, um nova-iorquino nato já um tanto farto de toda a movimentação, mas não havia luz que brilhasse mais do que a luz nos olhos de Bella. Era a única luz que importava.

- É perfeito... É simplesmente perfeito...

Ela se inclinou sobre o muro para poder enxergar melhor o rinque de patinação abaixo. Havia algumas pessoas li, ainda que fosse véspera de natal, mas o notável mesmo era que o rinque também estava iluminado.

- Mesmo com toda essa gente em volta? – perguntei um tanto incerto quando novamente algumas crianças esbarravam em mim.

- Eu não me importo com nada disso. Apenas lamento que não tenhamos mais tempo.

- Podemos voltar, se quiser. Eu me surpreendo que não tenha vindo aqui antes. – eu segurei sua mão na minha, incomodado porque não podia sentir sua pele devido à luva.

- Esses últimos dias foram muito corridos. – ela comentou com um suspiro cansado. – Incrível considerar quanto tempo eu já estou aqui e quão pouco eu conheço da cidade.

- Bom, - eu dei um sorriso e acariciei seu rosto. – eu posso mudar isso, sabe. É só largar um pouco seu primo e arranjar um tempinho para mim, meu amor.

Ela parou e me encarou por um longo tempo. Pensei que tivesse ficado incomodada por eu ter enfatizado Jacob daquela maneira, mas ela não parecia exatamente chateada.

Seus olhos estavam levemente úmidos. – Acho... Que é a primeira vez que me chama de ‘meu amor’.

Franzi o cenho. – Não, não é.

Ela assentiu firmemente, mordendo o lábio. – Sim, é.

- Bom, - eu repeti. – então não será a última. Meu amor.

Eu pensei que ela fosse responder com algum atrevimento como seria característico, mas pelo contrário, Bella me abraçou com uma força assustadora.

- Eu te amo, Edward.

- Você diz isso apenas porque eu consegui lugares no Radio City Music Hall para o Espetáculo de Natal. Gosta dos meus contatos. – eu brinquei, mas minha voz saiu ridiculamente rouca.

- Não. – ela negou com uma veemência que beirava a repreensão e segurou meu rosto entre suas mãos. - Eu realmente amo você.
***

O espetáculo foi maravilhoso, mas não tão surpreendente porque eu já tinha ido assistir em um ano que deixei o Emmet me convencer a ir fazer programa de turista. As Rokettes apresentaram uma bela performance como era tão falado, mas eu estava mais preocupado em observar as reações de Bella.

Ela não pulou na cadeira ou fez escândalo mesmo que eu tenha conseguido bons lugares após mexer uns palitinhos, mas o silencioso deslumbre em sua expressão era muito mais tocante. Ela lançava uns sorrisos em minha direção de vez em quando como se para dizer ‘Você está assistindo? É perfeito, não é?’.

Naquele momento, mesmo que eu já tivesse vociferado meses atrás e houvesse acontecido um mundo de coisas nesse intervalo, eu percebi que definitivamente eu a seguiria para onde ela quisesse que eu fosse. Eu abriria mão de tudo por ela. Não via como perda de minha vida, mais do que ninguém eu sabia que não havia o que perder se eu não estivesse com ela e eu ganhava o mundo com aquele sorriso.

Eu tinha conseguido uma modesta refeição em um restaurante, que na hora estava fechando, também devido a contatos e o resultado foi que Bella estava mais do que um pouco alterada enquanto íamos para meu apartamento.

O relógio soou meia noite assim que colocamos o pé na portaria do meu prédio e eu podia ouvir o coro de ‘Feliz Natal’ vindo da comemoração que estava acontecendo no salão térreo. O porteiro que deveria estar de serviço naquele dia não estava onde devia estar, mas decidi que relevaria. No pior dos casos, o prédio tinha câmeras de segurança em praticamente todos os lugares.

- Já é Natal? – Bella murmurou piscando em confusão.

Ela mal acabava de falar, seu celular começou a tocar. Houve um momento tenso de silêncio e então, ignorando o aparelho por um minuto, ela segurou minha nuca e me beijou. Apenas em seguida ela sorriu e atendeu o celular.

- Feliz natal, Rose!

O gesto em si poderia não parecer muito para quem estava de fora, mas significava bastante. Ela tinha escolhido me desejar felicitações antes de qualquer outra pessoa.

***

- Eu tentei... Hum... Fazer algo diferente esse ano. – expliquei enquanto abria a porta. De repente tudo aquilo começou a me parecer uma péssima ideia. – Emmet me ajudou... Bem, ele tentou, mas eu acabei descobrindo que ele não sabia tanto quanto dizia de...

- Você não precisava ter decorado seu apartamento porque eu vinha aqui. Mas não vou mentir que isso infla meu ego. – Bella começou a desabotoar o sobretudo.

- A impressão que eu tenho é que você está sempre me dizendo isso.

Ela começou a gargalhar, mas durou pouco quando eu acendi a luz. Os olhos dela percorreram o cômodo de um lado para o outro e eu temi que tivesse exagerado. Sabia que minha sala estava um tanto colorida demais, mas só agora eu pensei que talvez isso fosse algo ruim.

Havia uma pequena árvore de natal decorada no canto abaixo da janela mais afastada da porta, velas – aromatizadas – espalhadas sobre alguns móveis. E para o meu total horror, funguei o ar e senti que o cheiro dos biscoitos que eu tinha queimado mais cedo ainda estava presente.

- Droga. Finja que também não está sentindo o cheiro. – eu pedi e fui atrás de fósforos para poder acender as velas e assim amenizar o odor.

- Você é inacreditável.

Eu a encarei por um minuto, balancei a cabeça e comecei a acender as velas. – Só um segundo. Está frio demais para abrir as janelas, então teremos que tapear com isso. Nem Emmet conseguiu comer os projetos de biscoito e isso é dizer algo.

- O importante é a intenção. – ela disse com a voz suave.

- Uhum. – murmurei revirando os olhos sem me virar. – Certo. Isso não muda o resultado, no entanto. Eu vou ligar o aquecedor e então vamos fazer o tour oficial e... Cristo!

Eu pisquei uma, duas, três vezes e apenas percebi que o fósforo estava acesso quando queimei meu dedo. Praguejando, apaguei depressa o palito, mas o resto do meu corpo continuou a queimar.

Bella arqueou a sobrancelha como se não houvesse nada demais ela ter tirado toda a roupa e estar usando uma lingerie vermelha mais sexy ali em meio a sala.

- Vamos começar o tour por aqui mesmo. – Bella caminhou até mim e eu senti a caixa de fósforos caindo de minha mão. Ela colocou as mãos em meus ombros. – Você ficou pálido de repente, Edward. 

- Engoli minha língua.

Sua risada foi tão sexy quanto a lingerie. – Deite. Tire a camisa.

- O que... Aqui?

- Virou um puritano agora? – ela sorriu travessa. – Deite no tapete e tire a camisa, Edward. Eu vou ligar o aquecedor.

Não era como se eu tivesse muitas opções. Não era como se quisesse ter opções. Eu fiz como ela disse. A situação era estranha e ficou mais ainda quando ela não voltou ao meu campo de visão por algum tempo. No mínimo querendo me deixar ansioso.

- Confortável?

Eu inclinei a cabeça para frente e vi que ela estava com as mãos na cintura, sorrindo descaradamente.

- O que está aprontando, Bella?

- Nada. – ela deu de ombros com uma expressão ofendida.

Ela colocou uma perna de cada lado do meu corpo e continuou sorrindo, encarando-me por debaixo dos cílios. Eu grunhi.

- Gosta da sensação de poder?

- Você ainda não viu nada, Edward. – ela respondeu em tom de alerta e para meu total delírio, ela levantou o pé e esfregou o salto do scarpin do meu peito até o meu... – Nada mesmo.

POV ISABELLA

OK... Foi um belo Natal. Eu estava ansiando estar com Edward de uma forma tão intensa que não medi a consequência dos meus atos quando praticamente o ataquei na noite de Natal. Foi especial, foi intimo, foi delicioso. Quando nossos corpos não conseguiam mais fazer qualquer movimento brusco depois de tanto esforço e já muito tarde, simplesmente nos deitamos enrolados no tapete em que tudo começou. Quando eu fui abrindo meus olhos, a casa estava aquecida e Edward estava abraçado a mim, sua mão apoiada ao redor da minha cintura, sua cabeça enterrada em meus cabelos. Lentamente, eu fui me mexendo...

- Ei, Feliz Natal. De novo.  – ele falou me agarrando novamente.

- Achei que estivesse cochilando e pensei em dar uma fugidinha. – respondi me afundando naqueles braços. Estiquei meu pescoço e deixei que ele me beijasse. – A propósito, feliz Natal. – e passei a mão por seus cabelos. – Posso considerar que foi um dos melhores, tirando aqueles em que estive com meus pais. Foi especial, não apenas por você estar totalmente comigo, – falei com uma risadinha, fato que ele concordou ao retribuir com um sorriso presunçoso. - mas porque depois de tanto tempo, é mais do que maravilhoso saber que passei uma data especial com alguém que eu amo que não fosse da família.

- Eu posso ser da família se você quiser. – Edward falou, brincando com uma mecha do meu cabelo. – Posso ser seu amante, seu marido, namorado, amigo, companheiro, advogado...

- Eu quero você. Só você. – mordi o lóbulo da sua orelha. – Te quero em todos os lugares comigo, Edward.

- Huuuum... – ele gemeu com um sorriso e ofereceu o rosto para que eu pudesse morder seu queixo. – Eu gosto quando você diz isso. Sinto-me o cara mais sortudo do universo. Sou lindo, beijo bem, sou bom de cama e ainda tenho uma bela dançarina que faz questão de dizer que eu realmente sou tudo isso. Não sou realmente sortudo?

- Onde foi que você esqueceu o ciúme e presunção nessa descrição, querido Edward?

Ele apenas riu.

- A propósito: bela performance, Senhorita Martinez. Você esteve espetacular durante toda a madrugada. – ele falou enquanto me puxava de lado, encaixando seu corpo no meu.

- Convencido. – eu rebati, forçando o cotovelo entre suas costelas e rindo enquanto ele beijava meu pescoço de maneira que eu definiria como pecaminosa.

- Isso foi um elogio! – ele exclamou e se encolheu quando eu finalmente consegui acertar.

- Para mim ou para você? – falei, empurrando-o contra o chão e enfiado minhas mãos em seu peito, me jogando por cima do seu corpo.

- Para nós dois. – ele respondeu a minha pergunta, virando seu corpo sobre o meu e me beijando.

***

- Edward? – chamei da porta do quarto.

Estava vestida com a sua camisa que estava amassada. E apenas isso. Já tinha passeado pela cozinha e experimentado um dos biscoitos queimados e bem que Edward avisou que nem Emmet quis: estava em um estado não comestível.

- Oi, amor. Pode entrar. – ele falou da porta do banheiro, em que estava apenas com uma toalha amarrada ao redor da sua cintura. Andei devagarinho até lá e encostei no batente da porta e fiquei observando a sua bela imagem. Involuntariamente passei a língua pelos lábios.

- Hum... – falei maliciosamente.

Ele virou o rosto que estava barbeado pela metade em minha direção, seu olhar divertido e muito verde.

- Por favor, nunca pensei que fosse ficar excitado me barbeando, mas você faz coisas inacreditáveis comigo. – ele falou enquanto passava um dedo pela espessa camada branca que estava em seu rosto.

- Desculpa, querido. – falei irônica. – Porém, a única coisa que eu fiz foi aparecer aqui e encostar. Se você está excitado é por ser um pervertido safado. – e olhei para o meio de suas pernas, para frisar meu ponto de vista. – A propósito, eu gosto mais quando você não faz a barba.

Ele segurou a lâmina de modo desajustado.

- E porque você me diz isso apenas agora, quando estou terminando? – questionou. – Obvio que se você tivesse me falado isso antes, eu não teria tirado.

Caminhei para dentro do banheiro e deixei que ele me abraçasse, enquanto fixava o olhar em mim pelo o espelho alto e longo. Ele puxou a toalha e deixou que caísse.

- Pensei que depois da noite que tivemos, isso seria perceptível, uma vez que ela me causou sensações... – não consegui terminar de falar, pois ele espalmou as mãos em meus seios por cima da camiseta.

- Pode deixar que me lembrarei  de agora em diante que você gosta. – respondeu e me virou rapidamente, me pressionando contra a pia. Minha língua encontrou a sua e nos beijamos vorazmente e depois docemente e então voltava tudo de novo e era como se nunca tivéssemos experimentado um do outro. Ele conhecia meu corpo tão bem quanto eu agora e levantando minha perna insinuou que eu impulsionasse e enrolasse as duas em torno de sua cintura. Arfando, eu me afastei do seu rosto.

- Eu estou com o rosto coberto de espuma de barbear. – e apoiei minha testa contra seu ombro. – Raios, por que faz isso comigo?

Com uma risada muito gostosa, ele me impulsionou e me fez sentar sobre a pia.

- OK, vou apenas terminar meu trabalho aqui e então sairemos. Temos compromisso hoje. – e espalhou mais espuma de barbear pelo rosto.

- Hum? – ainda estava trêmula. Meu corpo ansiando pelo dele, mas a vontade de deixar chegar a extremos e depois me deleitar era melhor.

 - Esme. Ela pediu que eu levasse você até lá hoje. Não vi problema nisso. – ele falou de um jeito como se não se importasse, mas eu vi quando ele relanceou um olhar em minha direção. Deu de ombros.

- Ah... – comecei. Ele parou e virou o corpo totalmente para mim.

- Se você não quiser ir, sério mi estrella, tudo bem. Podemos apenas pedir algo ou ir a algum lugar, sei lá...
- Ei, ei, ei. Quem disse que eu não quero? – falei passando a mão pelos seus cabelos do jeito que eu tanto gostava. – Acho que finalmente está na hora de conhecer seus pais. E se você já tinha combinado com ela, não tem motivos para cancelar agora.

Ele me olhou suspeito, em busca de algo que eu não consegui perceber o que era. Quando se deu por satisfeito, respirou fundo.

- Ok, tudo bem. Mas já sabe, não precisamos...

- Edward, larga de ser insuportável! Eu já falei que iremos e está tudo bem! – disparei com um tom mais alto que o normal, mas que ele percebeu ser brincadeira. A nossa sintonia estava ótima. Eu gostava disso.
- OK, OK! – ele falou, rendido.

- Estava mais preocupada com outras coisas. – falei, enquanto me espreguiçava. Meu corpo estava dolorido nas partes certas e isso me fez rir. – Eu gostaria de aparecer bonita para conhecer seus pais. Não tenho nada aqui. Você se importa se eu passar no hotel antes?

- Ah, isso nos podemos resolver, Bella. Pensei que fosse algo mais sério. – ele respirou aliviado. – Me deixe terminar aqui.

- Deixa que eu faço. – falei, segurando seu pulso. Abri as pernas e deixei que ele se encaixasse entre elas. Tomei o suporte com a lâmina dele e suas mãos pousaram em minha cintura. Esfreguei seu rosto com carinho e comecei a passar a lamina, retirando os pelos. Quando terminava eu passava água para tirar o excesso. Eu inclinei seu rosto e quando não tinha mais espuma, eu distribuí beijos pelo seu maxilar, bochecha e pescoço. E toda vez que eu repetia o processo de tirar espuma, eu repetia o mesmo carinho.

- Terminei. – falei. Passei a toalha por seu rosto.

- Obrigada. – ele disse. – Eu só tenho motivos para te amar, Bella. Quando eu menos espero, você me surpreende com gestos simples. Pode deixar que quando eu estiver com metros de barba, pedirei que você repita o trabalho.

Rindo enrosquei as pernas na sua cintura enquanto ele me levava para fora do quarto.

- Seu palhaço, isso foi um caso a parte! Não espere que repita!

Ele me jogou na cama e as minhas risadas foram substituídas pelo som dos nossos beijos.

POV EDWARD
- Você vai me amar mais do que nunca, mi estrella. – eu comentei com um sorriso quando saímos do táxi.
Ela olhou em volta e arqueou a sobrancelha. – O que estamos fazendo na Times Square, Edward? Seus pais moram no Empire State por acaso?

- Estamos por aqui porque eu vou realizar o desejo de toda mulher, meu amor. Eu vou fechar os olhos e te dar meu cartão de crédito. Você disse que quer ficar bonita para conhecer meus pais, pois bem, você vai ficar ainda mais maravilhosa.

Ela abriu a boca em choque. – Você está brincando.

- Nope.

- Olha, se você espera que eu recuse dizendo que não pode fazer isso ou qualquer bobagem que as mocinhas dizem nos filmes, vai se estrepar. Sou consumista demais para esse tipo de coisa. – ela cruzou os braços ainda em suspeita.

Eu gargalhei. – Eu sou seu, Bella, e isso significa que meus cartões também são seus.

- Bem, neste caso... – um sorriso radiante lentamente nascia em seu rosto. – Eu te amo mais do que nunca agora com certeza! Vamos às compras!

***

- Olha isso. Edward. Oh meu Deus. Eu tenho que experimentar. Preciso experimentar. Anda, segure essas bolsas... Olha esse tecido...

- Bom dia, posso ajuda-los? – uma funcionária da loja que estivera com um semblante emburradíssimo, provavelmente por estar trabalhando na manhã de natal, se aproximou evidentemente percebendo as notinhas de dólares que bailavam sobre a cabeça de minha estrela.

- Pode. Com certeza pode. – Bella respondeu quase cantando de alegria.

- Amor? – eu a cutuquei antes que ela sumisse atrás de mais um provador.

Ela se virou para mim com um sorriso grande que dizia que eu era a sua pessoa preferida no mundo inteiro. – Oi?

- Eu tenho que ir fazer uma ligação. Você vai ficar bem?

- Com tanto que deixe o cartão, ficarei ótima. – ela deu uma piscadela.

- Ela gosta mais do cartão de crédito do que de mim. – comentei com um falso suspiro, que fez a funcionária assentir imediatamente.

Claro, afinal ela devia ganhar comissão.

- Não me faça escolher. – ela deu outra piscadela, deu-me um beijo rápido e sumiu por trás das cortinas.
- Guarde isso para mim, sim? – eu coloquei as sacolas nas mãos da mulher ao meu lado.

Não era como se eu fosse ficar andando pelo shopping como se estivesse no filme Branquelas. E ela devia mesmo estar ganhando comissão.

***

- Você está linda.

Bella estivera observando seu reflexo no espelho do carro ao invés de entrar e se virou ao ouvir minha voz atrás dela. Ela sorriu.

- Obrigada. Mas você está querendo me distrair do fato de que nos atrasamos por causa do meu surto capitalista. Nova Iorque está fazendo coisas estranhas com minha cabeça. Cubanos não têm esse tipo de pensamento.

- Não nos atrasamos. – eu menti, sabendo que Esme detestava qualquer tipo de atraso. Eu abri a porta do carro para que entrasse com minha expressão mais sincera possível. Não havia nenhuma razão para que ela soubesse daquilo, afinal. – Relaxe, minha Bella. Eles não vão se lembrar de nenhum relógio depois que olharem para você.

Ela suspirou. – Você está começando a me deixar constrangida com esses constantes elogios.

Eu sorri porque sabia que uma confissão daquela não era comum a ela e fechei a porta. Dei a volta no carro e entrei pelo outro lado. Não fiz menção de sair, no entanto.

- O que houve?

- Está faltando algo em você, minha estrela. Acabo de reparar.

- Não, não está. – ela franziu o cenho e olhou para si mesma. – Não esqueci nada lá em cima.

Eu tirei a caixa que tinha adquirido mais cedo de dentro do bolso do casaco. – Acho que pode estar aqui.
Ela olhou silenciosamente para a caixa vermelha e ergueu os olhos para mim. – Edward...

- Olhe primeiro.

Eu abri a caixa que revelou o bracelete de ouro branco. Eu podia ver pelo sua rápida lufada de ar, pelo modo como seus olhos brilharam e que suas mãos se fecharam nervosamente sobre seu colo que ela havia gostado. E aquilo bastava.

- Foi isso que foi comprar na hora que me deixou sozinha, não foi? – ela murmurou baixinho e eu sorri como quem tinha sido pego com a mão na caixa de biscoitos. Ela balançou a cabeça. – Seu tratante... Edward, eu já gastei demais do seu dinheiro hoje.

- Considere isso... Um presente de natal. – eu retirei o bracelete da caixa e cuidadosamente prendi em seu pulso. – E além do mais, meu amor, você foi extremamente generosa para uma mulher com um cartão de crédito na mão, comprando apenas uma coisa de cada.

Ela passou um tempo observando o objeto em seu pulso, então se inclinou sobre mim e me beijou. – Obrigada Edward, mas os presentes não vão te safar dos comentários machistas. Isso não tem a ver com ser mulher e sim com ser consumista, coisa que eu não era até vir pra cá.

- Eu digo as coisas com a melhor das intenções. – defendi-me acariciando sua bochecha.

- Eu sei. – ela assentiu. – E eu gosto dos presentes, Edward, mas realmente o presente que me deixa mais feliz é estarmos juntos de novo.

Sua frase causou um aperto no meu peito, mas algo bom, algo que eu esperei muito tempo para sentir de novo. – Você gosta de mim, não gosta, professora?

Ela riu e revirou os olhos. – Eu odiava quando me chamava assim.

- Eu adorava a sua reação quando eu te chamava assim.

- Eu queria arrancar os dentes de seu sorriso lindo e te enfia-los pela goela. Como podia gostar disso?

- Porque te fazia reparar no meu sorriso lindo. – respondi imediatamente.

- Você é impossível, Edward. – ela balançou a cabeça e então passou uns bons dois minutos gargalhando. – Impossível.

***

Eu estava nervoso, embora soubesse que era besteira. Isabella percebeu reparar, mas ao invés de fazer alguma piada a respeito, ela segurou minha forte e me lançou um sorriso. Eu a amava. A cada minuto mais.

Esme atendeu a porta literalmente cinco segundos depois que toquei a campainha, como se estivesse esperando atrás da mesma em expectativa. Ela abriu um enorme para mim, sorriso que eu estava me acostumando a ver em seu rosto, e então sorriu igualmente para minha estrela.

- Bella! É tão bom conhecer você!

Esme a puxou para um abraço apertado e Bella correspondeu evidentemente surpresa com a calorosa recepção. Talvez eu devesse tê-la avisado que Esme estava um tanto diferente da Esme que eu conhecia e descrevi para ela.

- É um prazer, Sra. Masen.

- Esme, ora! Menina, me chame de Esme. Entrem, entrem. Feliz natal, meu amor!

Depois de que foi minha vez de ser apalpado, beijado e abraçado enquanto Bella assistia a cena com um sorriso e com um olhar que, eu podia jurar, era um tanto emocionado, finalmente entramos.

A casa estava mais decorada do que da última vez que eu tinha ido até lá para jantar, e havia presentes sob a grande árvore da natal da sala mesmo que não houvesse crianças morando na casa.

- Carlisle, Justine, eles chegaram! – Esme gritou e se virou para encarar Bella com um sorriso orgulhoso. – Vocês são tão lindos juntos.

- Esme, menos. – eu pedi.

- Ora, o que eu fiz? – ela franziu o cenho, inocente como de costume.

Enquanto Bella colocava a mão na frente da boca para esconder um sorriso, Carlisle apareceu vindo da sala de jantar.

Ele deu um sorriso aberto, pouco característico dele, mas talvez fosse o espírito natalino. – Eu estava checando para ver se a mesa estava posta adequadamente. Olá, Bella. Eu sou pai do Edward. É um prazer.

- O prazer é meu. – ela respondeu educadamente. – Vocês têm uma casa muito linda. Eu adorei a decoração.

- Esme exagerou dessa vez porque sabia que vocês vinham. – ele comentou com humor e então se virou para mim. – Como vai, filho?

Eu não me lembrava de ter ouvido Carlisle me chamar de ‘filho’ alguma vez na vida. Ele estendeu uma mão para mim e eu demorei a corresponder porque o calor no peito tinha feito uma aparição novamente.

Eu pigarreei. - Bem. Como vocês foram de natal?

- Muito bem, tivemos a visita de alguns amigos. – Esme respondeu animadamente e enlaçou um braço no de Bella, ignorando outro olhar que eu dei para que maneirassem. – E como vocês passaram? Suponho que estavam juntos? Eu tentei ligar para você, filho, mas ninguém atendeu.

Bella ficou extremamente vermelha e para meu total horror, Carlisle me encarou pelo canto do olho como se soubesse exatamente a forma como estivéramos ocupados. O meu constrangimento pareceu diverti-lo.

- Eu não ouvi, desculpe. Estávamos num lugar barulhento. – menti facilmente e tratei logo de mudar o assunto. – Nós compramos algumas coisas no caminho.

- Edward tentou fazer biscoitos, mas eu insisti que ele não deveria pregar tamanha peça em vocês forçando-os a comê-los. – Bella comentou com um sorriso inocente.

Esme explodiu numa gargalhada. Carlisle balançou a cabeça, mas se privou do benefício da risada.

- Muito engraçado. – eu murmurei.

- Sim, foi. Eu já gosto de você, Bella. – Esme fez questão de dizer como se aquilo já não fosse claro. – Ah, Justine, aí está você! Podemos ir almoçar?

Antes de seguirmos para a sala, Bella segurou meu braço e fez com que ficássemos um pouco para trás.
Ela me encarou cuidadosamente. – Você está bem?

Eu sorri e encostei os lábios nos dela. – Estou, amor.

Ela me observou por mais um tempo, então assentiu. – Acho que é seguro dizer então que, apesar de tudo, eu gostei deles.

- Eu também. – eu confirmei antes de perceber o que dizia. – Isso soou estranho.

- Não, não soou. – ela contradisse firmemente. – Eles estão tentando ser seus pais agora, é mais do que normal que comece a enxerga-los assim.

- Obrigado, Bella. Obrigado por estar aqui.

Ela revirou os olhos como se o agradecimento fosse uma bobagem, de um jeito que me fez sorrir outra vez, então me beijou mais uma vez e me puxou pela mão. – Temos uma ceia de natal para apreciar. E algo que me diz que Esme ainda vai te envergonhar muito hoje. – ela deu um sorrisinho ansioso. - Mal posso esperar.

POV ISABELLA

O dia foi divertido. Edward foi amassado, adulado e paparicado pela mãe. Ele estava bastante constrangido, mas eu ri com prazer enquanto ele tentava escapar de seus comentários. Também teve meus momentos de ficar vermelha, em que Esme fez questão de frisar como estava feliz por eu estar com Edward, como eu era bonita, perguntou a respeito dos meus pais e como era viver em Havana e que tinha adorado me ver dançando. Ele, ao contrário de mim, não desgrudou de mim. Ele manteve sempre sua mão na minha, fez círculos no meu pulso e tentou me deixar tranquila. A impressão que eu tive foi que muitas vezes o gesto estava acalmando mais à ele do que a mim.

Quando Esme citou Cida eu percebi que ele ficou tenso, então, levantou e saiu da sala onde estávamos reunidos sem falar ou olhar para ninguém. Eu pedi licença e o segui seu rastro, já que seus passos foram rápidos e eu não conhecia a enorme casa.

Quando o alcancei, ele estava na sacada, com as mãos no bolso. Eu o abracei por trás e encostei meu rosto em suas costas. Senti seus músculos retesarem e ele me girou para que pudesse me abraçar, enterrando o rosto em meus cabelos. Eu retribui e tentei transmitir todo o meu amor por ele. Nós dois tínhamos nossos problemas pessoais e escuridão que assombrava nossos corações nos momentos mais fracos, mas eu apenas quis dizer que estava ali com ele.

- Você quer ir embora? – perguntei afastando apenas meu rosto. Me estiquei na ponta dos pés e beijei – o na boca.

- Não há mais necessidade de ficarmos por aqui. Eu suportarei apenas se for o seu desejo.

- Não, não. Iremos. Eu não gosto quando você fica assim.

Voltamos apenas em tempo de nos despedir dos pais dele. O clima estava tão estranho e a expressão brusca de Edward não contribuía. Na volta, eu mantive minha mão posicionada em sua coxa e a cabeça encostada em seu ombro enquanto ele dirigia. Sabia que ele não estava chateado comigo, mas por não ter puxado assunto, eu me mantive quieta.

- Obrigada pelo dia de natal, pelos presentes, por me amar tanto e por ter escolhido passar comigo. – falei segurando seu rosto.

Ele deu um suspiro pesaroso.

- Não posso ficar aqui, com você? – falou acariciando meu rosto. Silêncio. – Desculpa pela cena de ainda agora. Eu ainda... tenho dificuldade... em lidar com tudo isso. Esme faz tudo parecer como se nada tivesse acontecido.

- Você não precisa se desculpar, meu amor. – falei com um sorriso. – Acho que agora é a primeira vez que eu o chamo assim. Eu ficarei tranquila.

Ele me beijou uma vez mais.

- Eu te amo. Eu te amo muito. Eu te amo tanto. – ele disparou. – Não esquece. Eu amo você.

Com um sorriso no rosto, eu desci do carro e subi as escadas da entrada do hotel. A primeira pessoa que eu vejo: Jacob.

- Oi, Jake! – falei, abraçando-o forte e sabendo que ele tinha visto com quem eu estava no carro. – Feliz natal.

- Olá. Feliz natal para você também.

Silêncio. Longo e pesado.

- Você... se importaria... Onde passou o natal?

Olhei para meus pés como se tivesse feito algo errado.

- Podemos conversar no quarto? – pedi, já agarrando a chave do quarto.

***

- Então, eu estou com o Edward. – disparei de vez.

Ele estava sentado na cama com os cotovelos apoiados nas coxas, as mãos no rosto.

- Por quê? – e levantou a cabeça, me olhando com os olhos cheios de lágrimas. – Por que você me fez chegar até aqui para isso, Bella? Por quê?

Meu coração caiu aos pés.

- Jake, eu... Eu... – gaguejei. – Desculpa.

- Você se lembra exatamente como ficou quando esse imbecil te deixou?

- Bem, sim...

- E lembra como foi a sua vida depois da partida desse babaca?

- Sim, eu lemb...

- E lembra também que ele é um idiota mentiroso que aposta as pessoas?

- EU ME LEMBRO DE TUDO! – explodi. – Jacob! Eu sei! Eu não planejei nada, eu não queria reencontrá-lo, mas aconteceu! Eu gosto dele, caramba! Eu sei que ele fez tudo isso comigo, mas está tudo bem. Nós conversamos e nos entendemos! Se eu não esquecer esse fato, não vou conseguir seguir em frente! Passou, acabou!

- Você esquece e perdoa muito fácil.

- Se for por isso, eu também te perdoei. – falei entre lágrimas. – Eu sofri, chorei e me senti sozinha. E mesmo assim eu passei por cima de tudo porque eu amo você.

- Isso não tem nada a ver... – ele começou.

- Tem todo o sentido para mim, Jake. Eu não posso fugir do meu destino e muito menos do meu coração. Se pudesse, não teria acabado em um concurso de música exatamente onde ele mora.

- Bella...

- Por favor, estamos em um momento de sintonia perfeita, você está me ajudando a realizar um sonho que talvez seja compartilhado por você também. Mantenha. Mantenha isso comigo, não me abandone aqui, não me julgue pelas minhas ações, não me olhe como se eu fosse louca e não aponte o dedo dizendo que o que eu estou fazendo é certo ou errado. Jake, é a minha decisão. Eu o amo. Eu sei que isso magoa você, mas o amo.

- Você é idiota.

- Eu não posso te convencer do contrário. – falei cansada. – Mas está na hora de eu ser idiota seguindo o meu instinto.

Ele se manteve calado. E eu também. Quando se passou muito tempo, eu quebrei o silêncio.

- Você irá embora?

- Não. – falou finalmente. – Eu vim até aqui para ajuda-la a ganhar esse concurso. E por mais que eu odeie as suas escolhas, eu manterei a minha palavra. Não sou como outros por aí.

Esse é o meu Jacob, sem nunca perder a oportunidade.

- Eu amo você. – falei, sentando-me ao seu lado e abraçando-o de lado.

- Eu sei que sim, mas isso não ameniza a dor que eu sinto agora.

Eu sabia que não, mas nessa história alguém ia sair machucado. Eu não poderia decidir por mais ninguém além de mim. Tinha chegado um momento da minha vida que eu estava decidida a viver. Eu não machucaria ninguém por vontade própria para seguir esse meu desejo, porém, Jacob estava além. O seu sentimento, carinho e amor nunca foram correspondidos da mesma maneira por mim. Ele iria sofrer.

Felizmente, isso não afetou o nosso relacionamento a ponto de complicar o nosso trabalho.

Infelizmente, eu sabia que ele estava realmente sofrendo.

***

Eu e Jacob estávamos treinando com disciplina e precisão. Nossa rotina estava tão apertada e nossa dedicação tão acima do que esperávamos, que quando percebi, já estávamos em cima do palco fazendo três apresentações.

Quanto às danças, eu e Jake passamos por momentos estressantes, extenuantes e prazerosos e gratificantes, indo da escala 1000 à 10000 em um piscar de olhos. Dentro de duas semanas nós fizemos três apresentações: Bolero na primeira vez. Por ser um ritmo tipicamente cubano, eu e Jake tínhamos a obrigação de fazer bem e fizemos. (Que raios de tanto olho no olho eram aqueles, Bella?!, perguntou Edward quando me encontrou) Passamos tranquilamente por essa fase e começamos a repassar nossa coreografia do que seria nosso maior desafio, isso eu falando por mim, claro: forró. Passamos três dias ensaiando todos os passos sem parar, à beira da exaustão. Jake foi tão paciente comigo que mesmo quando eu me joguei no chão e desabei em lágrimas depois de errar a sequência mais uma vez, ele trouxe um copo de água com um rosa que pegou do buquê que enfeitava o corredor e falou na nossa língua materna:

- No se desanime, mi bailarina. Venceremos todos los obstáculos juntos. Yo estoy aquí para ti.

Aquilo me emocionou mais do que tudo, principalmente depois das várias semanas em que só ouvia pessoas falando em inglês e outros idiomas e me sentia tão fora de casa. Treinamos mais por mais algumas horas, mas voltei para o hotel com a sensação de que no outro dia fracassaria no meu objetivo. Àquela noite eu atendi o celular quando Edward me ligou, o que foi um alívio. Ele percebeu que tinha algo estranho e se prontificou a ir me ver. Eu aceitei.

Avisei na recepção que ele chegaria e quando ele bateu a porta do meu quarto, abri e o abracei, puxando-o para dentro. Ele esfregou o topo da minha cabeça, me manteve próxima ao seu corpo e começou a falar bem baixinho, me acalentando. Eu não o queria no sentido sexual naquela noite, eu só precisava me sentir reconfortada quando pensava que ia desabar. Meu emocional estava abalado e ele me puxou para cama, onde se encostou à cabeceira e me enlaçou para o seu peito e conversamos.

Ele brincou com os meus dedos, entrelaçou nossas pernas, perguntou o que me afligia e constantemente beijava qualquer parte de mim que tinha acesso. Sentiu-se culpado porque justo no dia que eu estava mais desanimada ele não estava vigiando meu ensaio, o que me fez rir. Eu me senti amada e era daquilo que eu precisava. Ele não ficou muito, porém, e antes de ir embora ele puxou meu corpo e antes que eu me desse conta, ele posicionou suas mãos em meus quadris, e começou a movimentá-los, me obrigando a acompanha-lo.

Meu braço direito subiu automaticamente para seu pescoço, enquanto a sua mão apanhava a minha. Nós dançamos uma musica imaginária, entrando em sintonia. Quando ele terminou sua performance, eu estava sem fôlego e sabia estar corada pela ousadia. Ele segurou meu rosto, encaixando-o em suas mãos, e me beijou. Você consegue, foi apenas o que ele disse antes de ir.

No dia da apresentação eu estava tão nervosa, repassando mentalmente tudo, agarrando Jake enquanto esperava nossa vez. Quando finalmente chegou, eu olhei no fundo dos olhos de Jake e o que eu li foi que ele estaria comigo em qualquer momento e aquilo foi o suficiente para que eu seguisse em frente. Quando as notas foram divulgadas, eu já estava com o meu pensamento em Havana, sabendo que eu fiz o meu melhor. Com certeza eu seria a ruina da nossa volta para casa, mas, surpreendentemente, obtivemos uma nota mais baixa do que a que estávamos recebendo, mas foi mais do que suficiente para passarmos para a próxima fase. Eu gritei e me joguei nos braços de Jacob, o abraçando com força e sussurrando entre lágrimas ‘conseguimos, conseguimos’. (Deus, Bella! Não – precisava – de – todo – aquele – espetáculo!, Edward me disse por telefone naquela noite, fazendo referência creio eu, ao fato das minhas pernas terem enlaçado a cintura do Jake.)

E mesmo assim não tivemos folga ou descanso. O espaço de tempo era maior para a próxima apresentação e nessa eu sentia que estava totalmente preparada. Gostava de dizer para Jake que seria o nosso show... e foi. Rumba era um ritmo que há muito tempo foi banido por que as pessoas achavam que seu modo de interpretação era impróprio. Claro, isso não prevaleceu. Aqui, a mulher seduz o homem; os passos são lentos e estabelecem uma espécie de jogo no salão. Os movimentos são um pouco agressivos – porque por vezes simulam uma discussão ou briga entre os casais -, mas também são insistentes e por fim, românticos, já que tudo gira em torno de luxúria e conquista. A mulher tem papel fundamental, porque além de dançar tem que ter a interpretação. E eu fiz bem o meu papel.

A luz no palco estava no ponto. Jake estava vestido com uma calça preta que realçava muito bem a sua bem definida bunda, com uma camisa de punhos dobrados creme e um colete preto por cima. Eu estava com um vestido vermelho, uma maquiagem carregada sem ser vulgar e... Arrasamos. A minha sintonia com Jake era perfeita, não tinha como negar. Então, eu me insinuei, esfreguei, procurei e insisti. Muitos dos movimentos que fizemos foram ousados, até mesmo para a Rumba, mas durante nossas pesquisas decidimos por manter a mesma como é mais conhecida, sem ficar restringindo movimentos por puritanismo ou qualquer coisa assim. Quando Edward apareceu tarde no meu quarto aquela noite, ele estava á beira da exasperação.

- MINHAS BOLAS INCHADAS, BELLA! O seu pé estava batendo no rosto dele! No rosto! Os braços dele passaram pelas suas coxas e viajaram e viajaram!! Você tem noção de como eu estava na plateia, sentado e observando tudo aquilo? Meu cabelo está em pé! Os seus quadris estavam... Estavam... Remexendo sob os dele! – ele falou passando a mão pelo já bagunçado fios. – E que raios de vestido era aquele?! Eu conseguia ver cada centímetro da sua pele! E eu não aguento mais as suas pernas! Elas estão mais envolta da cintura dele do que encostadas em mim!

- Foi um belo espetáculo, hum? – perguntei manhosamente, envolvendo seu corpo maliciosamente, enquanto agarrava suas mãos e as transferia para minha cintura, tentando acalma-lo. Ele estava realmente perturbado.
- Claro que sim! Quando eu consegui sair do meu transe e olhei para os lados ainda tinham pessoas enfiadas nos seus próprios! – ele disse, olhando em meus olhos em busca de algo.

Querendo deixa-lo mais tranquilo, encostei meus quadris nos dele e passei minha língua por seus lábios, tão lentamente que o senti tremer.

- Obrigada por me dizer tudo isso. Reflete bem a minha nota. Depois do desastre que foi com o forró, é estimulante saber que fiz algo... Bom. – brinquei com seus lábios, enfiei a mão nos seus cabelos e fui descendo por seus ombros largos. – Estou tão feliz. – falei de olhos fechados enquanto desviava meu rosto de sua boca faminta. – E mais ainda por você estar aqui. Obrigada. – e dessa vez beijei de verdade. Ele retribuiu: com ansiedade, vontade e um pouco de desespero. Seu desejo era tirar minha roupa ali mesmo enquanto brincávamos um com o outro, mas o meu cansaço falou mais alto.

- Não podemos. – falei, enquanto sua cabeça abaixava e nossas testas encostaram. Sua respiração estava entrecortada. Comigo e com ele era assim: em um momento ele estava discutindo e no outro estávamos tão famintos um do outro que era impossível negar. – Eu preciso ficar e você precisar ir embora. Está tarde, tenho que descansar.

- Me deixe ficar. – ele pediu. – Por favor, eu gosto mais quando posso tocar seu corpo.

- Edwa...

- Não, não precisamos fazer nada, apesar de eu estar ansiando pelo seu corpo. – sinceridade era tudo, pensei com um sorriso. – Só me deixa ficar e dormir com você em meus braços. Faz dias que não te tenho assim tão perto. Por favor, mi estrella. – e começou a me movimentar pelo quarto longo que eu estava hospedada havia tanto dias. - Eu só ficarei e dormirei também, bem abraçado com você. O que você diz, hum? Não te parece tentador?

Minha mente já estava em outro lugar, imaginando o seu corpo desnudo, eu abraçada àquela pele, sua respiração quente em meu pescoço...

- Fique. – pedi. – Tire a roupa e fique.

Ele tirou apenas os sapatos, desafivelou o cinto e arrancou o paletó e desabotoou a camisa azul que usava por baixo enquanto eu mesma tirava minhas várias camadas de roupa e descalçava as botas, depois de ter trocado meu vestido. Eu vesti uma roupa de dormir, porque apesar do aquecedor no quarto, eu não estava acostumada com as baixar temperaturas do país.

Ele se deitou e abriu os braços, onde eu me aconcheguei, puxando as camadas de edredom por cima de nós. Seu cheiro era tão... Delicioso!

- Você não se incomoda de dormir assim? – perguntei, afinal de contas, ele estava quase vestido ainda.
- Não, estou confortável. – ele falou beijando meus cabelos. – Descanse, mi estrella. Você teve um dia cheio hoje.

Eu me inclinei e beijei sua boca, feliz por ele estar ali comigo.

- E alguns daqueles passos foram realmente inacreditáveis. E seu corpo fez curvas e voltas e ficou parado de maneira que nem a minha mente mais suja conseguiria imaginar. Porém, isso é reversível. – ele falou de modo lento, predador. - Vou querer experimentar também.

Dando uma risadinha, adormeci em seus braços.

*Os eventos de Natal que os personagens desfrutam não acontecem especificamente na véspera de natal e sim no período natalino como um todo, dependendo do ano. A conveniência de ser na véspera de natal foi apenas utilizada na história.

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