Oie, gente!!!

Como vocês estão?! Quase um mês sem atualização, desculpa. Voltar a essa rotina de faculdade - trabalho demora um pouco e a Gabi estava entupida de coisas da própria faculdade para fazer. E aí que o capítulo ainda não estava concluído. Mas, finalmente, conseguimos terminar ontem a tarde e hoje só precisava de alguns ajestes. Resultado: 17 páginas de Sin Resistir la Tentación para vocês  *-*

Apesar da reviravolta, creio que será um capítulo gostoso de ler pelos fatos narrados e pelo que acontece. Espero de coração que vocês gostem. ;) Aproveitem muito e comentem!

Beijos,

Capítulo 25

POV EDWARD

Eu acordei cedo no dia seguinte. Primeiro, porque eu mal tinha conseguido pregar o olho sabendo que Bella dormia no quarto ao lado. Segundo, porque eu queria passar na padaria para comprar os waffles que sabia que ela adorava.

Quando voltei, Bella já estava de pé, assistindo televisão na sala.

Ela sorriu. – Bom dia.

- Bom dia. Dormiu bem?

- Surpreendentemente sim. Pensei que fosse estranhar. – ela esticou os braços por cima da cabeça e então encarou a sacola em minhas mãos. – O que tem aí?

Eu pisquei. – Vem ver.

Segui para a cozinha e ela veio caminhando atrás, logo remexendo a sacola quando fui abrir a geladeira para pegar ovos, queijos e frutas.

- Yummy. – ela murmurou com os olhos brilhando ao ver os waffles. Eu me apaixonei por ela outra vez naquele momento. – Fiz café. Sei que vocês americanos a-do-ram mais do que a própria vida. 

- Bom. Estou te adorando muito por isso.

Rapidamente me apressei em encher uma caneca. Quando eu me virei, Bella estava me encarando com uma expressão indecifrável. Ela baixou os olhos antes que eu pudesse questionar.

Decidi que devia ter sido impressão. – Então? O que vai querer? Ovos, bacon, panquecas?

- Isso aqui está ótimo. – ela foi até o armário para procurar talheres. - Hum, e vinho.

- Ah, claro. Vocês cubanos e essa obsessão por álcool. – provoquei.

- Tradição, não obsessão. – ela corrigiu com um sorriso e se sentou. – Café faz mal. Vinho não.

- Diga isso para um alcoólatra e fará um amigo para a vida toda.

Ela balançou a cabeça e murmurou algo sobre ‘eu não ter mesmo jeito’, então começou a comer. Eu fritei alguns ovos e bacon para mim, enchi novamente minha caneca com café e me sentei ao seu lado.


- Sabe... – ela começou enquanto devorava os waffles. – Eu realmente devia estar fazendo uma dieta. Não adiantará de muita coisa se eu não conseguir me mover porque estou muito pesada. Mas acho que mereço uma trégua, afinal, vim para os Estados Unidos, o país da junk food? Acho que eu mereço um desconto, não é?

Ela obviamente estava esperando algum apoio e eu concordei prontamente. – Claro que sim. E cá entre nós, Bella, você já está aqui há um tempo considerável. Se todas as besteiras que comeu até agora não a afetaram, acho que está segura. Suas coreografias não estão sendo afetadas em nada.

- Você só me viu dançando uma vez. – ela apontou.

- Bem... – dei um sorriso amarelo. – Não exatamente.

Ela arqueou a sobrancelha. – O que quer dizer?

- Por acaso eu, hum, encontrei um modo de assistir seus ensaios.

- Você o quê?

- Ei. Você disse que estava tudo bem em eu assisti-la. – defendi-me. – Só estou cumprindo minha parte.

- Você sabe que eu estava falando das apresentações. E como você conseguiu isso? Os ensaios são particulares e o prédio é vigiado. Não é como se qualquer um pudesse entrar.

- Não sou qualquer um. – corrigi calmamente.

Ela me encarou por um longo tempo e então balançou a cabeça. – Você subornou alguém. É claro. Edward Masen exercendo seu poder. Você é advogado, tem certeza que é ético fazer esse tipo de coisa?

- Você ficaria surpresa ao saber o que alguns advogados fazem, Bella. – eu comentei e ela continuou me encarando em reprovação. – Não é nada demais. Eu só queria... Ver como estavam indo as coisas. Na época eu não sabia o quanto e quando eu conseguiria ver mesmo você. Mas se te incomoda... Eu vou parar de ir. 

- Eu não acho que seja certo você ficar me espiando. Ainda mais sem eu saber.

- Mas agora você teria consciência. – tentei brincar, mas ela não sorriu. Suspirei. – Você tem minha palavra. Não vou mais espia-la, tudo bem?

Ela assentiu. Eu percebi, no entanto, que ela ainda estava contente. De fato, ela tinha a expressão indecifrável de mais cedo. Parece que não tinha sido mesmo impressão, no fim das contas.

- Bella, eu sinto muito.

- Está tudo bem. Estou pensando... Em outra coisa.

- Ok.

Eu não insisti. Se ela quisesse que eu soubesse o que era, teria me dito. Ela voltou a comer, e estranhamente não olhou mais para mim.

***

Passamos o dia andando pela cidade. Fomos ao cinema depois de almoçar e bancamos as crianças indo a um parque que tinha ali perto.

- Quer um algodão doce? – perguntei com um sorriso.

Ela me lançou um olhar de lado. – Já não basta você ter insistido em andar nas xícaras gigantes, Edward?

- É um brinquedo que testa nosso equilíbrio.

- E quanto tempo a comida permanecerá em nosso estômago.

- Ah, não seja tão rabugenta. Foi divertido.

- Divertido? Meus braços estão doloridos, meu estômago revirado e minha cabeça parece que se desprendeu do corpo e está rodopiando por um salão. Desculpe, mas onde está a parte divertida?

Sacudi os ombros. – Você está determinada a tornar isso uma experiência ruim. E a ideia foi sua para início de conversa.

- Eu sugeri que fôssemos ao parque, não que eu fosse torturada lentamente.

- Isabella, você precisa reviver seus tempos de infância.

- Claro. Falou em imaturidade, você logo se identifica. Por que não estou surpresa? Será porque já aconteceu antes?

Se a intenção tinha sido matar o meu humor, a missão foi bem sucedida. – Mente tão literal.

- No sentido metafórico também funciona.

- Tudo bem, Bella, você venceu.

- Não era uma disputa. – ela parou de andar e me encarou. – Ok, eu quero um algodão doce.

Definitivamente eu nunca entenderia as mulheres.

***

Ela comera dois algodões doces e eu, sabiamente, e depois que ela me encarou fulminantemente, não comentei sobre aquilo. Pelo contrário, perguntei se ela não queria mais um.

- Cuidado, Edward.

- O que eu fiz?

- Fazer insinuações sobre o apetite de uma mulher geralmente resulta em trágicas consequências.

- Eu só estava sendo gentil.

- E eu conheço bem onde está direcionada toda a sua gentileza. Já me queimei uma vez.

- Que eu bem me lembre, na época você não reclamou. – disse antes de poder segurar a língua.

Ela cerrou os olhos. – E olhe onde fui parar.

- Quer discutir isso agora?

Ela manteve o silêncio por um tempo até desviar o olhar. – Não. Temos que decidir o que será o jantar. E, - ela cutucou meu peito com um dedo. – nenhuma palavra sobre meu apetite.

- Eu não ia fazer isso.

- Sim, você ia. – ela revirou os olhos como se aquilo fosse óbvio. – Quem não te conhece, que te compre.

Antes que ela pudesse fazer outro comentário sutil sobre o passado, respondi. – Porque não uma pizza? Nenhum trabalho, grande satisfação.

- Já estou farta de só comer fast food. Como vocês aguentam? Já engordei três quilos. E eu deveria estar de dieta. Mas como ficar de dieta aqui? É paradoxal. – ela colocou uma mão na testa como se o pensamento acionasse uma automática dor de cabeça.

- É cultural, Bella.

- Suponho que cultura podre ainda seja cultura. Paciência.

- E além do mais, - eu continuei com uma expressão inocente. – os três quilos apenas lhe fizeram bem.

Seus lábios se moveram entre um sorriso e uma careta. – Não pode perder uma.

Então fomos ao mercado, desnecessariamente em minha humilde opinião, mas Bella insistiu que não queria comer besteiras no jantar. E aquilo implicitamente já decidia qual seria nosso cardápio. Ela quer, ela consegue. Sempre fui fraco em relação a minha estrela, aquilo era improvável de mudar.

Sendo algo mais prático, sugeri que comprássemos alguns filés. Eu não iria deixa-la cozinhar tudo sozinha, e duvidava que ela me deixasse não fazer nada, então tinha que pensar em algo que garantisse ao máximo um sucesso fácil.

Ao chegar à cabana, já estava escurecendo. Isabella fez um som engasgado com a boca assim que saímos do carro e eu a observei alarmado.

- O que aconteceu?

- A neve. Está caindo bem mais forte agora. – ela ergueu a cabeça e sorriu. – É maravilhoso. O Natal aqui deve ser perfeito.

Acalmando-me com a ideia de que ela não estava sendo atacada por monstros invisíveis, comecei a retiras as bolsas do carro. – Não fique aí parada recebendo flocos de gelo no rosto, Bella. E quanto ao Natal, eu não saberia dizer.

- Por que não?

Percebi desconfortavelmente que tinha cavado minha própria cova. – Eu sempre passo o natal sozinho. – quando tive como resposta o silêncio, continuei. – Não é nada demais, na verdade.

- Isso é horrível.

Assim como era a pena em sua voz. Tranquei o carro e recolhi as bolsas de papel do chão. Quando dei a volta no carro, ela voltou aqueles olhos cheios de compaixão em direção a mim.

- Bella...

- Por que você não fica... Com Emmet? Ou algum outro amigo?

- Emmet fica com a família dele. E eu não tenho outros amigos. Anda, vamos entrar. De qualquer modo, você vai ver por si mesma. É daqui a alguns dias apenas.

- Mas você não vai ficar sozinho esse ano. – ela murmurou enquanto abria a porta de madeira. – Não é? Você voltou a falar com seus pais.

- Duvido que Esme me deixe sossegado. Provavelmente vou sentir falta da privacidade.
   
- Era ela que estava com você, no dia da apresentação, não era? Vocês foram embora logo em seguida, não pude conhecê-la.

Resolvi não comentar que aquela tinha sido a intenção. – Sim, era ela. Ela gosta de dança.

Eu estendi as chaves a Bella para que abrisse a porta. Então trombei com ela quando não vi que ela continuava na frente.

- O que houve?

- Acabou a luz.

- Perfeito. – murmurei entre dentes. – Deve ter sido a neve. Eu não acho que temos velas. Deixe-me passar e colocar isso na cozinha. Aí vou procurar.

- Eu vou acender a lareira. Já vai fornecer alguma luz. – ela murmurou enquanto batia a porta.

- Cuidado para não se queimar.

Ela grunhiu em resposta e eu dei as costas rindo. Fazendo o possível para não tropeçar, caminhei em meio ao escuro até a cozinha. Então me lembrei de que Esme, após descobrir meus planos para o fim de semana, havia me “presenteado” com velas aromatizadas.

“Nenhuma mulher resiste a um homem que pensa em velas aromatizadas.”

Na época, havia revirado os olhos para aquilo. Como se velas fossem ajudar a minha situação. Mas felizmente por aquilo. Fui até o quarto para ver se por acaso eu não tinha retirado as velas de dentro da bolsa e fiquei satisfeito por eu ter esquecido.

Havia apenas três. Acendi uma na cozinha para que pudéssemos fazer comida e deixei as outras em reserva. Não sabia exatamente quando a eletricidade retornaria. Era provável que só quando a neve parasse.

- Vejo que encontrou. – Isabella disse ao entrar no cômodo. Então fungou o ar. – Que cheiro é esse?

- É da vela.

Houve um momento de silêncio. – Você comprou velas aromatizadas.

A recriminação em sua voz era tão clara que ela poderia muito bem estar gritando a acusação. – Não fui eu, foi Esme.

Ela não tinha acreditado e eu não insisti. – Se quer comer, é melhor começarmos.

Bella abriu a boca como se fosse continuar o assunto e então pareceu desistir. – Não queime os filés.

- Não queime as batatas. – retruquei.

Ela ergueu o queixo. – Eu cozinho muito bem, caso não lembre.

Arqueei a sobrancelha. – É?

- Humpf. Dê-me algum espaço. – ela me empurrou para o lado sem cerimônia e começou a retirar as coisas das sacolas. – Você vai engolir o que disse.

- Literalmente, não é?

Ela disse outro ‘humpf’, mas seus lábios se curvaram. Meu objetivo de quebrar o clima tenso tinha sido alcançado, ao menos por enquanto. Eu não gostava das insinuações que ela estava fazendo o dia inteiro e gostava menos ainda de que ela realmente parecia se lembrar bastante daquilo para comentar independente do nosso acordo.

***

Enquanto Isabella começava as coisas na cozinha, eu fui esquentar a água para que pudéssemos tomar banho. Eu ainda tive que caminhar até a cabana mais próxima para pedir baldes emprestados. Definitivamente a luz tinha escolhido uma hora péssima para acabar.

Eu fui tomar banho primeiro e quando saí, Bella já tinha terminado. Eu provoquei dizendo que até que estava cheirando bem e levei um tapa em resposta. Comecei a grelhar os filés enquanto ela tomava banho e por pouco não deixei queimar um.

- A janta já está pronta, mulher?

Eu virei o rosto para a entrada da cozinha; Bella sorria cinicamente. – Há, há.

Ela entrou, sentou-se à mesa e começou a tamborilar os dedos sobre a mesa em impaciência. – Sempre essa demora. Espero que não queime os bifes como da última vez. Nem trabalho de mulher sabe fazer direito.

- Com quem você aprendeu esses dizeres machistas, Bella?

- Nessas estradas da vida, aqui e ali. – ela respondeu misteriosamente e sorriu. – Está conseguindo se virar aí?

- Está quase pronto. – eu disse entre dentes.

Até que eu estava muito bem para quem nunca tinha fritado um ovo. Um pouco de reconhecimento cairia bem.

Ela abriu a geladeira para pegar a garrafa de vinho e serviu em duas taças. Então começou a pôr a mesa. Dez minutos depois estávamos comendo. Eu esperei que ela provasse o filé primeiro e observei enquanto ela mastigava.

Isabella tomou seu tempo. Bebericou do vinho, cortou e colocou outro pedaço na boca. Comeu uma batata. Bebeu mais do vinho.

- E então? – questionei.

- Bem... – ela mastigou por mais um minuto. – Até que não é a pior coisa que eu já comi na vida. Mas fui eu quem temperou os filés, na verdade. Fritar qualquer um frita.

- Muito obrigado, Bella. Tenho medo ficar vermelho com seus constantes elogios.

Ela deu um sorriso. – Está bom, Edward. Pode comer sossegado agora.

Eu coloquei mais vinho na taça e dei um grande gole. Ela pareceu achar ainda mais graça disso. Quando comecei a comer, decidi que estava muito melhor do que bom. Mas deveria ser apenas meu ego falando.

- Você me deixou comer primeiro porque se tivesse resultado em algo letal, eu cairia e você se salvaria. Muito esperto.

Pisquei. – Preciso ser. Meu ramo é difícil.

Ela franziu o cenho. – Sabe de uma coisa? Você nunca me falou do seu trabalho. Porque escolheu ser advogado?

Eu parei para pensar em sua pergunta. – Fará algum sentido se eu disser que não sei?

- Na verdade não. Mas... Acho que posso entender.

- Eu nunca te parei para pensar isso. Mesmo. Estou tentando pensar no que me fez decidir por essa carreira, mas parece que eu pulei da fase que não trabalhava para a fase que já estava na faculdade. Eu acho que foi uma escolha no susto. Eu queria sair de casa e eu precisava encontrar uma ocupação. A verdade é que eu nunca nem pensei em fazer outra coisa. As coisas sempre foram fáceis, de um modo ou de outro. Eu montei o escritório com a ajuda de um advogado antigo da área há apenas dois anos, por mais que tenha me parecido estranho na época ele ofereceu o “patrocínio” dizendo que tinha sido um amigo da minha mãe, Cida, e eu não parei muito para questionar. “Cavalo dado não se olha os dentes”. Apenas depois descobri que ele era um amigo de Carlisle e esta era a real razão da ajuda. Acho que Carlisle pensa até hoje que não sei disso.

- Ele queria garantir que você conseguiria ser bem-sucedido. Se ele tivesse se oferecido diretamente para ajudar, você não teria aceitado.

- Foi dinheiro de culpa. – eu disse simplesmente. – Não estou julgando nem criticando, eu já passei dessa fase. Mas a verdade continua sendo a verdade. De qualquer modo, sempre foi tudo muito fácil para mim. O trabalho é difícil, mas eu não posso dizer que trabalhei duro para chegar onde cheguei. Não conheço ninguém que tenha conseguido isso em um curto período de tempo. Bem, mas eu não consegui nada. Carlisle sim.

- Ele pode ter te dado o escritório de mão beijada, Edward. Mas manter um negócio é muito mais complicado. E trabalhoso. Você pode não ter sido a pessoa que mais batalhou na vida, mas não se subestime. Você fez o que tinha que fazer. – ela murmurou firmemente e então pigarreou, recolheu seu prato e levou até a pia. – Você disse que é um trabalho difícil. Por quê? Ao menos nos filmes, parece ser muito claro. O advogado de acusação é o vilão, o de defesa é o mocinho. E suas falas são ridículas.

- Não existe vilão ou mocinho. Advogado é advogado. Existem pessoas ruins e pessoas boas, e algumas delas trabalham como advogados. Essa é a diferença. E nossas falas as vezes são ridículas. Principalmente em casos mais estúpidos. Você se surpreenderia ao saber os absurdos pelos quais querem levantar processos hoje em dia. – balancei a cabeça. – Poderia te contar alguns que fariam você rolar no chão, mas isso é discussão de outra hora. Não foi isso que perguntou. A verdade, Bella, é que qualquer um pode ser um advogado. Você precisa passar pela faculdade e por alguns exames. Mas poucos podem ser bons advogados.

- Você se considera um bom advogado?

- Não. Bons advogados, para mim, têm anos de experiência. Em comparação a eles, ainda estou nas fraldas e cheirando a leite. Para ser bom, você precisa ter uma capacidade grande de simular a verdade quando está mentindo e simular uma mentira quando diz a verdade. É saber jogar o jogo do jeito que favoreça o seu cliente, não necessariamente para ganhar. Claro que alguns têm mais escrúpulos do que outros; isso pode se determinar facilmente pela escolha de clientes, escolha de táticas, declarações... Mas um bom advogado deve ser um psicólogo, um teórico, um cientista, um pai, um irmão, um amante, o que o caso requerer que seja. É um teatro do começo ao fim e o único objetivo é agradar a plateia: o júri. Então essa é a fórmula: para ser um ótimo advogado, você precisa ser um ótimo ator.

- E você tem certeza que não é um bom advogado? Eu discordo.

Por alguma razão, eu não senti aquilo como um elogio. Ela voltou a se sentar, começou a brincar com a haste da taça de vinho e me encarou. Seu olhar não era agradável.

- Eu devo entender isso como?

- Qual é, Edward. Sejamos realistas. Melhor ator do que você? Acho que finalmente entendo de onde veio todo aquele seu talento.

- Você quer alcançar um objetivo com todas essas indiretas que está dizendo desde cedo? Ou é só um humor temporário?

- Não estou lançando indiretas. Estou apontando fatos. Na verdade, apenas estou fazendo uma observação. Devemos ignorar tudo o que aconteceu?

- Não foi isso que eu disse. – eu levantei para levar meu prato até a pia. – Só não vejo o propósito de ficar falando nisso o tempo todo.

- Ora, Edward. Você pode até considerar um elogio de certa forma. Se sabe mentir tão bem, é sinal de que está na profissão certa. Eu serei a primeira a votar que está.

Eu apoiei as mãos sobre a pia, de costas para ela. – O que mais você quer que eu faça?

- Não precisa ficar assim também. Eu só estou dizendo que não tem como esquecer o que aconteceu. Não adianta se irritar quando eu fizer um comentário.

- Não me irritar? Não me irritar, foi isso que disse?

Achava que já tinha sentido todas as dores possíveis quando se relacionava a ela, mas parecia que eu estava errado. Por Deus, se eu continuasse perto dela, não sabia o que faria... Eu queria quebrar alguma coisa.

Não havia nada por perto. Nenhum vidro ou objeto pequeno para que eu pudesse arremessar em algum lugar. Então toda aquela revolta continuou presa dentro de mim quase berrando por liberdade.

- Escuta, Edward...

- Não. Você escute. E de verdade dessa vez. – com raiva, eu joguei a taça de vinho dentro da pia e me virei. O vidro quebrou e o líquido escorreu pelo ralo como sangue. – Mas que merda, Bella! Eu não sei mais o que fazer! Eu sei que eu errei, porra... Pelo amor de Deus, eu nunca vou poder te pedir desculpas o suficiente, mas qual é o propósito de continuar com isso, caramba? Qual o propósito disso aqui se você continua me vendo como antes?

Ela me encarou por um minuto e então olhou para os cacos da taça. – Será que você pode se acalmar e então...

- Não, eu não vou me acalmar! Eu acho que mesmo depois de tudo, ainda tenho o direito humano de chegar ao meu limite! Eu estou aqui me arrastando... Eu estou aqui quase te implorando como um cachorro para que eu possa passar um tempo com você... Qualquer coisa, Bella. Mas você precisa diminuir isso com suas insinuações maldosas, você precisa nos levar de volta... Eu não sei o que estava esperando. Pensou que vindo aqui tudo se encaixaria perfeitamente e o passado seria apagado? Era isso que esperava? Eu sinto muito te desapontar. Eu sinto muito se não é o bastante, mas sou só eu aqui. Eu não posso ser mais do que eu sou, nem por você.

- Eu não estou pedindo nada! E eu também não estava pedindo por uma briga! É para isso que estamos aqui? Já não tínhamos discutido isso antes?

- Se tivesse ficado realmente claro, qual seria a necessidade desses comentários? Qual seria a necessidade desse comportamento? Eu não posso pensar ou sentir por você. A única coisa que posso fazer é ser totalmente sincero agora para compensar todo o tempo em que fui desleal. Desde a noite em que te contei sobre a aposta... Não disse mais nada além da verdade. Eu não disse tudo, porque eu quis respeitar sua vontade. Não disse como me senti ao te ver de novo, não disse quantas vezes agendei voos para ir atrás de você, não disse que cada vez que te escrevia uma carta queria cobrir a folha inteira com o pedido de que voltasse para mim. Você disse que podíamos ser amigos e eu precisava estar perto de você do jeito que fosse.

- Eu não estou pedindo por mais nada, Edward. Eu não pedi por essa situação. Não era aqui que eu queria chegar.

- Não? Então me responde, Bella, por que os comentários? Tem certeza que não era isso que queria? Uma desculpa para dizer que tentou ter uma boa relação comigo e não deu certo? Você não queria nada disso, se eu bem me lembro. Naquele jantar... Eu insisti, eu tentei ao máximo te convencer. Talvez devêssemos mesmo ter deixado como estava. Mas se não era nada disso que queria, então me diga: por que?

Ela permaneceu me encarando com os olhos um pouco arregalados, a taça de vinho esquecida entre suas mãos. Eu esfreguei os olhos, mas com certeza aquilo só fez com que eles ficassem mais vermelhos. Ela não tinha resposta, como eu esperava. Ou talvez ela tivesse... Apenas não queria admitir que eu estivesse certo.

- Está tudo bem, Bella. Você tentou. – eu me inclinei sobre a vela em cima da mesa e assoprei. A chama se apagou. Eu adicionei antes de sair da cozinha: – Não se esqueça de apagar a lareira na sala quando for dormir.


POV ISABELLA


Como chegamos a essa situação?

Foi a primeira pergunta que eu fiz depois que o Edward saiu. Fiquei ali sentada à mesa, observando as firulas da vela recém-apagada, e meio área. Deus, aquilo realmente tinha sido uma explosão. Eu nunca o tinha visto daquele jeito. Ele nunca havia falado comigo daquela maneira; o tom de voz quase beirando o grito. E sim, tinha sido uma surpresa vê-lo jogar tudo aquilo em cima de mim, como se eu tivesse sido a culpada.

OK. Eu tinha sido a culpada. Em parte.

Ele estava realmente dando o melhor de si para que o final de semana fosse especial e eu não me referia ao lado romântico da coisa toda. Mas ele tentou me distrair, me levou para passear e, por a cabana se localizar em uma cidade pequena, fizemos coisas bobas que há muito tempo eu não tinha a oportunidade de apreciar. Mas claro, eu sabia que tinha sido desagradável. Ele não ficou para trás em rebater as provocações, mas nós nos comportávamos desta forma desde sempre. Eu nunca esperei que fôssemos chegar àquilo.

Então eu me perguntava novamente: como chegamos a essa situação?

Deus, no que eu estava pensando quando fiquei alfinetando o Edward daquela maneira? Agora, depois que tudo aconteceu, percebia que não tinha nenhum motivo para tudo que aconteceu! Por que nos arrependemos só depois que agimos? Era exatamente aquilo que eu sentia. Nas últimas horas eu vinha sendo tão insuportável que não conseguia entender como eu mesma me aturei, jogando piadinha, julgando, azucrinando e isso depois de tanto tempo. E agora, depois de ele ter saído e batido a porta do quarto com força, eu estava ali parada com aquela cara de tola, questionando-me se aquele realmente seria o fim de nós dois.

Com uma precisão quase mecânica, recolhi tudo da mesa e levei até a pia. Ali lavei tudo com cuidado, enquanto a neve caia muito forte através da grande porta de vidro na entrada principal. A lareira crepitava enquanto a madeira queimava e quando terminei, busquei um grosso edredom no meu quarto, passando pelo corredor nas pontas dos pés e me enrosquei no sofá. Ali, fiquei olhando para o vazio, observando detalhes de coisas bobas que estava pelo lugar. De repente, dei-me conta realmente do que havia acontecido e o meu coração se apertou. Aconchegando-me ainda mais no canto do sofá, chorei. Chorei por ainda gostar desesperadamente desse homem e de ter sido idiota a ponto de estragar tudo. Chorei porque eu percebi o quão bom ele vinha sendo para mim. Chorei pelas coisas que indiretamente ele estava me ajudando a superar e que eu nunca tive coragens de lhe falar, como o fato de que eu estava treinando tanto forró por influência dele e pelo meu medo de ter que dançar no concurso.

Chorei pensando nos meus pais e no que eles pensariam vendo a filha tão destruída, julgando, esquecendo-se do que é... amar. Claro, o amor de meus pais era diferente do que eu sentia por Edward, mas o principio não era o mesmo? Quantas vezes, quando pequena, eu quebrei alguma coisa por engano, menti para esconder alguma besteira feita e depois fui descoberta? O amor dos meus pais diminuiu por isso? Eu me lembro das broncas, mas eles nunca ficaram me lembrando de cada passo errado que eu dei pelo simples fato que eu aprenderia com eles. E mesmo mais velha, alguns anos depois em que eu já estava morando com tia Doroth e, na minha época rebelde ela nunca deixou de me amar mesmo quando eu estava errada. Então, por que eu continuava a julgar o Edward pelo seu erro? E como eu gostaria que ele me perdoasse pelo que acabara de acontecer quando eu custava tanto a fazer o mesmo? Como resolver essa situação? Queria desesperadamente falar com ele, pedir desculpas e dizer o quanto fui estúpida, mas o meu receio da sua reação era maior que eu. A cabana estava mais fria, então levantei e abasteci a lareira com mais lenha. Ao contrário do que Edward tinha dito, duvidada muito que eu conseguiria dormir tranquilamente, então, por enquanto essa seria a minha companheira.

De súbito, resolvi ir até seu quarto. Ele precisava me ouvir. Caminhando muito devagar, cheguei aonde realmente me interessava.

Parada em frente ao quarto, escrutinei em busca de algum barulho. Mas... Não havia nada.

- Edward... – chamei baixinho. – Edward, por favor. Podemos conversar?

Silêncio.

Com a mão na maçaneta, rodei lentamente.

- Não. – veio a ordem com uma voz firme. Mesmo assim eu empurrei e entrei.

Ele estava sentado do outro lado da cama, com os cotovelos apoiados nos joelhos, os cabelos arrepiados, os músculos das costas tensos.

- Edward... – tentei de novo. – Eu... Eu preciso falar...

- Eu já disse não. – e se levantou, virando em minha direção.

Quando seus olhos cravaram nos meus apenas refletiam dor. Eu tremi.

- Mas, ei, eu preciso mesmo falar com você. – sussurrei. – Eu queria me...

- Saia. Não insiste. Preciso ficar sozinho agora. Se... Se eu fico assim, tão perto de você como eu estou agora, posso não conseguir me controlar. Por favor, Bella. Eu imploro, deixe-me sozinho.

No silêncio que se seguiu, eu me sentia tão destruída que abaixei meu olhar, com as lágrimas escorrendo pelo meu rosto. O pior era a tensão no ar, a aflição, o conflito, a vontade de gritar: ‘eu quero implorar desculpas!’. Sabendo que o melhor a fazer era sair e tentar conversar com ele em outra hora, me dirigi para a porta. Antes de sair totalmente do quarto, porém, disse:

- Como você continua quando o pior está acontecendo? – eu perguntei em um soluço estrangulado.

- Agora você sabe pelo menos um pouco do que eu estou sentindo e de tudo que passei. – ele responde e essa foi a minha deixa para abandonar seu quarto.

Eventualmente voltei para o meu lugar no sofá. E ali eu passei a noite refletindo a respeito de tudo que aconteceu. Em algum momento o sono me venceu e eu encostei minha cabeça no batente do sofá, assim conseguiria ouvir qualquer barulho que viesse do corredor. Meus olhos se selaram e eu adormeci.

Não sei quanto tempo passou, não sei quanto tempo dormi. Mas a lareira ainda estava acesa com alguns pedaços pequenos de lenha que já estavam em sua parte final do processo de aquecer e trazer luz para o ambiente quando eu acordei com o vento frio soprando para dentro da cabana. Coçando os olhos e me endireitando, vi Edward sair para o vento frio carregando alguma coisa em ambas as mãos. Lentamente eu fui me levantando. O que estava acontecendo?

Quando cheguei o final da sala que eu o vi passar novamente carregando minha bolsa, com outro conjunto de roupa, mas manteve os cabelos bagunçados. Ele parecia um furacão dentro daquele sobretudo preto, as botas pesadas fazendo barulho enquanto ele caminhava pela neve do lado de fora.

- Aconteceu alguma coisa? – perguntei quando ele passou novamente por mim enquanto estremecia com o vento gelado. Ainda estava escuro.

- Vista algo mais quente e vamos. A neve parou de cair.

- Mas... Vamos para onde? Não parece perigoso sair assim, às escuras quando a neve não parece ser... Segura? – perguntei me sentindo totalmente insegura a respeito de pegar a estrada quando eu via claramente que ainda caiam alguns flocos de neve.

- Estamos indo embora, Isabella. Já coloquei as coisas que você trouxe no carro e está tudo bem. Vou apenas apagar a lareira e então poderemos ir. – ele respondeu não me olhando nos olhos e passando como um foguete pela cabana e indo em direção ao seu alvo.

- Edward, espera. Está escuro! Está nevando! Céus, nem amanheceu ainda, não podemos sair por aí assim!

- Eu tenho certeza que conseguiremos atravessar, não será um problema. Eu cresci com essas épocas de nevascas por aqui e vi meu pai dirigir através de muitas delas. Saindo agora conseguiremos chegar antes do meio - dia.

- Eu não quero ir. – falei quase para mim mesma, olhando perdida para o que estava acontecendo. – Eu não quero ir. – Falei mais alto para que ele ouvisse.

Quando ele continuou agachado cutucando a lenha, eu fui até ele e repeti. Seus olhos, perdidos em tristeza me fitaram. E a dor dele foi a minha. Sua tristeza atravessou a minha pele. Era quase palpável a angústia em seu semblante. Lentamente, ele se levantou e me encarou.

- Estamos indo embora. Eu falei que não te forçaria a ficar aqui e que iria embora assim que você quisesse. Depois de ontem, eu tenho certeza que o que mais deseja não é estar aqui comigo, no mesmo ambiente, no mesmo espaço, em qualquer fodido lugar. Portanto, estamos partindo exatamente agora para você não ter a oportunidade de dizer futuramente que além de mentiroso, canalha, ator sem escrúpulos, engenhoso e safado eu fui um carcereiro com você, prendendo-a contra o seu desejo e sendo acusado de coisas que eu sei que não faria. A minha cota de elogios foi extrapolado e eu não estou aceitando mais nenhum. Então, se vista e entre no carro. Estamos de partida.

- Não. – falei firmemente.

- Não o quê?

- Eu não irei. E você também não. Você me prometeu um final de semana no qual só iríamos embora quando eu pedisse. Até onde eu me lembre, não fiz esse pedido ainda. Portanto, ficamos.

- Desculpa, querida. – ele falou irônico - Mas chegou o momento em que não está mais em suas mãos a decisão. Se eu digo que estamos partindo neste exato momento é porque estamos fazendo isso.

- Não estamos, não! – gritei! – PORRA, Edward! Porra, porra, porra! Eu quero conversar com você! Eu preciso pedir desculpas pelas minhas atitudes egoístas, infantis e nada amáveis! Eu não partirei daqui até que você tenha ouvido tudo que o tenho a falar, caralho! Estou destruída e você obviamente também está! Sei que errei com você e não posso mais pedir nada, só que fodido seja! Você precisa me ouvir!

Um silêncio sepulcral caiu sobre a cabana enquanto eu começava a andar para lá e para cá. Ele teria que me derrubar se quisesse atravessar essa porta. E teria muito trabalho se quisesse que eu entrasse na porra daquele carro. Em desespero, eu comecei a balbuciar coisas sem sentido, passando a mão pelo cabelo e tremendo de frio.

- Puta que pariu! Eu venho sofrendo com tudo o que aconteceu, você também. Estamos destruídos, cansados, desolados e não tem mais motivo para ficar lutando! E chegamos finalmente em um momento em que não sei mais se tem volta, se podemos recomeçar, fazer de novo, tentar... Deus... – esfreguei novamente os cabelos para trás. – Como paramos nessa situação? Por que eu fui tão cabeça dura? Idiota? Por que eu não esqueci tudo que aconteceu? Por que eu não te amei como eu desejo? Por que eu não deixei você me amar? Como barrei tudo isso?

Jogando-me no tapete que tinha em frente à lareira, eu dobrei meu corpo e gritei alto. A dor. Aquela dor estava se tornando insuportável. Eu não queria mais. Por favor, tire-a de mim.

- Como... Como eu pude destruir tudo isso? Como pude dizer tudo aquilo a você?

Sim, doía muito. Mais ainda do que em Cuba. Mais ainda quando tudo aconteceu. Por que como um flash tudo apareceu em minha mente: como nos conhecemos, as aulas de dança e provocações, as risadas, os cuidados, as descobertas um do outro. Mas ele não se mexeu. Ele ficou exatamente onde estava.

- Você não vai dizer nada? – perguntei, olhando para ele de lado.

- Você está xingando. – ele observou.

- Claro que eu estou, Edward! ÓBVIO! – e marchei até ele, que se manteve parado em seu lugar. - Só assim eu consigo sua atenção e se for preciso eu repetirei mais um milhão deles, apenas me ouça! Eu quero você, caramba! - e empurrei o dedo em seu peito, para afirmar a minha convicção - Quando, onde, eu não sei! Só sei que eu preciso de você, preciso que você me perdoe! Preciso que você me encare novamente com aquele olhar de amor, carinho e admiração e não com esse olhar perdido que eu não consigo reconhecer! Pelo amor de Deus, não me diga que é tarde!

Lentamente ele pousou suas mãos em meus ombros.

- Onde tudo teve que chegar para você perceber, Bella. – ele falou com uma voz que emanava tristeza. – Eu fiz de tudo. Mais uma vez: eu sei que eu errei. Eu me arrependo disso, não sei quantas mil vezes terei que repetir isso para você.

- Eu sei... – comecei.

- Me deixe continuar. – ele interrompeu pousando um dedo sob meus lábios. – Eu não sei se conseguiremos superar isso, já passamos por tanto, mas hoje foi...

Eu comecei a chorar de verdade. Porque eu simplesmente sabia onde essa conversa ia parar e eu não queria. Agarrei-me a ele, puxando para um abraço onde os meus braços abraçaram todo o seu tronco, trancando-o junto ao meu corpo. Ele retribuiu o abraço, pousando minha cabeça em seu ombro, enquanto alisava meus cabelos.

- Foi demais, mi estrella. Estamos destruídos. – ele completou.

Comecei a falar: não, não, não, não. Cega de tristeza, meus pés se moveram, empurrando-o para a parede ao lado da porta que ainda estava aberta. Ele me abraçou, enquanto fomos banhados por aquele vento gelado que se juntava a neve do meu coração.

- Eu amo você, Edward. Eu o amo de verdade. Por favor, só me deixe ficar aqui, perto de você, por mais um minuto antes de se afastar de mim.

E ele atendeu meu desejo, puxando-me ainda mais para perto dele. E eu aproveitei. Chorei agarrada a ele, querendo com todas as minhas forças que ele estivesse com menos camadas de roupas para que eu pudesse sentir melhor o seu corpo contra o meu. Não sei quanto tempo ficamos assim, mas eu já sabia que não poderia ficar...

Afastando-me, olhei a última vez para o homem que tinha virado a minha vida. E por quem eu sabia que sempre nutriria uma paixão.

- Eu vou apenas trocar de roupa. – falei baixinho. Ele segurava as minhas mãos. – Obrigada... Por tudo. Por cuidar de mim quando precisei, por me amar sem escrúpulos e por tentar ser o melhor. Eu posso ter enxergado tarde demais, mas queria que soubesse que você é o melhor.

Comecei a me afastar, mas ele segurou minhas mãos.

- Bella? – ele chamou e eu voltei meu olhar para ele, sua mão apertando a minha. – Eu precisava de provas que você superou tudo que aconteceu antes de tentar novamente seguir em frente. Eu nunca deixaria você ir. Nunca me afastaria, nunca a abandonaria. Eu amo você. Só que... Eu precisava saber. Minha chateação poderia durar algum tempo, mas em algum momento eu iria atrás de você. E iria falar o quão desesperado eu estava sem você na minha vida.

- O quê?

- Fica comigo. Aqui agora. Vamos recomeçar, esquecer tudo. Na verdade, eu deixo você me lembrar em determinados períodos o quão imbecil eu fui, mas, por favor, agora só me deixa beijá-la, demonstrar um pouco do meu amor para você, do quanto sinto a sua falta.

Como os meus olhos esbugalharam com a declaração, eu não sei, uma vez que estavam inchados de tanto chorar. Mas antes que percebesse eu estava novamente perto do seu corpo, ansiando para que suas mãos cumprissem as palavras proferidas por sua boca.

- Eu te quero tanto. – sussurrei.

- Não mais do que eu, pode acreditar. – ele respondeu.

E então colou seus lábios no meu. E foi algo tão inexplicável! Nós estávamos matando a saudade de sentir os lábios um do outro, mas o meu corpo já estava desejando que sua boca estivesse por toda parte. Um de seus braços abraçou meu torso, fixando-se ao redor de minha coluna e a sua mão se enterrou em minha nuca quando finalmente ele aprofundou o beijo. Um suspiro ronronou de dentro do meu peito e eu só queria... Mais. Língua, desejo, saudade tudo se misturou e eu não queria apenas saborear o momento. Eu queria vivenciar da forma mais literal possível. Eu o queria. Quando ele se afastou centímetros da minha boca, meu coração estava descompassado em suas batidas.

- Finalmente. Você não sabe por quanto tempo eu esperei por isso. – ele disse com a testa encostada na minha, não afastando nada mais que isso de mim.

- Eu imagino, pois foi a mesma quantidade que eu. – e voltei a selar nossos lábios, não querendo me afastar nunca daquela sensação de plenitude. Eu estava no lugar certo. Finalmente eu estava no lugar certo.

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