Oi, gente *envergonha* Deus, quanto tempo que eu não venho por aqui atualizar a fic. ME DESCULPEM, MIL PERDÕES. Eu sei que não tem desculpas, mas em novembro (quando teve a última atualização esconde o rosto) já era final de semestre, eu estava na correria, aconteceram tantas coisas na minha vida e etc. Enfim, peço muitas, muitas, muitas desculpas. Principalmente a vocês que sentiram falta, as que cobraram a Gabi. Prometo, daqui a 15 dias tem capítulo novo *marcando no celular*

A fic está mesmo na fase final, ela só irá até o capítulo 30 e já estamos concluindo. Então, aproveitem esse capítulo e espero que gostem do rumo que a história está tomando. 

Obrigada.

Capítulo 22

POV EDWARD 

Eu não ia estragar tudo uma segunda vez. 

Tinha consciência de que as chances de erro eram maiores e mais possíveis dessa vez, mas eu não ia errar. Sabia que havia perdido Bella definitivamente como parceira, como companheira, e por mais que aquilo fosse uma constante dor e difícil de aceitar, a possibilidade de não tê-la de nenhuma forma era pior. 

- Edward? Eu estou saindo para almoçar... Tem certeza de que não quer vir comigo? – Tânia abriu a porta de minha sala sem bater, ignorando meus inúmeros lembretes. Eu a encarei por cima do notebook aberto à minha frente.

 – Sim, eu tenho. Obrigado. 

Ela hesitou e pendeu a cabeça para um lado com um suspiro. – Eu sinceramente não sei o que há com você, Edward. Desde que você voltou daquela viagem... – ela pausou quando percebeu que sua ladainha não estava prendendo minha atenção.

 – Está certo, então. Eu vou pedir para trazerem algo para você aqui. Sei do que você gosta. – e àquilo acrescentou um sorrisinho desnecessário. – Vê se para de trabalhar um pouco para comer.  

Para minha felicidade, ela enfim saiu bateu a porta novamente e logo ouvi sua voz ao telefone, confirmando que ela estava pedindo meu almoço. Era verdade que se ela não passasse metade do tempo querendo subir no meu colo, poderíamos ser amigos. Claro que aquilo poderia ter sido evitado se eu não tivesse dormido com ela, para início de conversa.


Mas era só mais um erro com o qual eu teria que conviver.

Finalmente em paz, dei início à minha pesquisa, buscando descobrir onde aconteceriam os ensaios do Mundial de Dança. Graças a Deus pela internet. Foi um pouco complicado de achar já que, era notório que eles não queriam ninguém fuçando e descobrindo as coreografias antes das apresentações. Mas obviamente eu não me contentei até encontrar. Quem procura acha, afinal de contas.

Seria no mesmo prédio onde aconteceriam as apresentações, há algumas quadras do salão onde a festa de abertura ocorreu.

E eu pretendia ir até lá naquele mesmo dia.

Quando bateram na porta, usei todo o meu controle para não xingar. – Estou ocupado!

- Sou eu, querido, sua mãe.

Eu deixei a cabeça pender sobre as duas mãos, não acreditando naquilo. A porta abriu e fechou e logo o perfume de Esme preencheu o ambiente.

- Oi, meu amor. Você já foi almoçar?

- Não, Esme. Eu pedi por telefone. O que você veio fazer aqui?

- Ora, ver você. Até por que, você ficou de me ligar ontem e estou esperando por isso até agora. – ela deu a volta na mesa e me deu um beijo na testa. – Você parece tão cansado, querido.

- Esme, eu já disse que você não pode aparecer assim aqui. Eu estou trabalhando.

Ela deu de ombros e foi se sentar do outro lado. – Mas o escritório é seu e eu vim aqui para ver se você queria almoçar comigo.

Ela nunca iria aprender, por mais que eu explicasse. Tinha que começar a me conformar com meu destino. – Tudo bem. Olha, mas eu já disse que vou comer aqui e depois tenho que sair para resolver uma coisa.

Esme não estava mais me dando atenção, e sim fuxicando os papéis em cima de minha mesa até que se deparou com o panfleto do Concurso. Que eu tinha me esquecido de tirar dali. Oh, Deus, não.

- Oh! Você também soube do Mundial? Eu fiquei tão animada quando fiquei sabendo. Você sabe como eu adoro dança... Lembra quando eu te obriguei a fazer dança de salão? Mas... Espera, você não gosta de dança. Por que isso está aqui?

Eu balancei a cabeça e fechei o notebook com mais força do que o necessário. – As coisas mudaram um bocado.

- Hum. – ela começou a passar o olho pelo folheto curiosamente e quando eu ia sugerir de novo que ela tinha que ir embora, inesperadamente ela arregalou os olhos. – Esse nome... É para esse nome que suas cartas estavam endereçadas! Isabella Martinéz. – Esme ergueu a cabeça depressa e me encarou. - É isso, por isso está aqui? Ah meu Deus! Ela está aqui? Eu lembrava pelas cartas que ela dançava... Mas sério que ela é tão boa para participar de um Mundial? É ela? É ela, eu sei, estou vendo no seu rosto!

- Esme...

- Ah meu Deus! Eu disse que ia acontecer, não disse? Eu sabia! É o destino. Ela está aqui. Em NY. Sua estrela! Ah meu filho, eu estou tão feliz! Vocês já se encontraram? Eu quero saber tudo! Não saio daqui enquanto não me contar.

Durante toda a sua manifestação alegre, a única coisa que eu tinha na cabeça era: por que diabos eu me esqueci de tirar o papel dali?

*** 

Esme cumpriu sua palavra e não só insistiu em ter conhecimento do que eu sabia da história até ali, mas também não arredou o pé enquanto eu não disse o que estava planejando. Com isso almoçamos e eu tive que relembrá-la horas depois de que tinha que trabalhar. Com relutância, ela cedeu e assentiu.

- Está certo, querido. Vou agora. Mas venha jantar conosco em breve. Seu pai sente sua falta, embora ele seja tão orgulhoso como você para dizer.

Para a primeira frase eu assenti e para a segunda não comentei. Ela era teimosa quanto à mania incessante de tentar me aproximar de Carlisle. Quando, e se, acontecesse seria no nosso tempo. Mesmo que fosse lento.

Eu esperei dez minutos até que ela tivesse saído e então também deixei o escritório. Avisei Tânia que não voltaria mais naquele dia, ao que ela arqueou uma sobrancelha. Era no mínimo suspeito uma vez que eu tinha procurado trabalho como urubu procurava carne pelos últimos tempos, mas obviamente não dei explicações.

Encontrei com Emmet pelo caminho e ele também insistiu em me atazanar para saber onde eu estava indo. Eu o ignorei. Ele ainda tinha um sorrisinho irônico no rosto quando eu desci pelo elevador.

***
Não havia exatamente seguranças cercando o local, mas um enorme brutamonte estava postado em frente à porta do prédio. Colocando um sorriso amigável no rosto, eu me aproximei.

- Boa tarde.

O cara era alto, sua cabeça careca brilhava mais do que uma moeda nova e ele meramente lançou um olhar em minha direção. – Onde está o seu crachá? Sem crachá, ninguém entra.

- Eu não tenho um crachá. Na verdade eu...

- Você não é um dos concorrentes?

- Não, eu...

- É um dos organizadores?

- Bem, não...

- Então rala. – ele disse gelidamente. – Sem crachá, ninguém entra.

- Escuta. – eu forcei meu sorriso a permanecer no lugar. Ele mudou um peso de uma perna para a outra e cruzou os braços. – Eu sou amigo de uma das concorrentes. E eu achava que poderia assistir aos ensaios para as apresentações. Eu não iria atrapalhar...

- Eu pareço ligar para isso?

- Não, na verdade. – balancei a cabeça. – Eu sei que você deve ser um cidadão consciente e obediente às regras. – comecei e ele torceu a boca como se achasse que eu fosse um retardado inconveniente. – Mas eu acho que poderíamos chegar a um acordo mutuamente benéfico.

Ele pausou como se estivesse tentando decifrar o que era ‘mutuamente’. Provavelmente deveria estar. – 
Você é da imprensa?

- Não.

- Então qual diabos é o seu interesse em assistir os ensaios?

- Bem, isto é da minha conta. – eu disse da forma mais educada possível. – Mas nós podemos entrar em um acordo ou não?

Ele pendeu a cabeça para um lado. – Qual é a oferta?

- Quanto você quer?

Ele sorriu e eu reprimi a vontade de fechar os olhos ao perceber seus dentes tão maravilhosamente cuidados. – Que tal trezentos?

Assenti e tirei a carteira do bolso. – Eu te dou quatrocentos se você me fizer invisível para os outros seguranças.

- Certo. Por mais cem, colega, eu te arrumo um crachá. Sabe que vai ser difícil andar por aí sem ninguém achar estranho?

- Ótimo. – eu assenti outra vez e eu entreguei a ele duzentos e cinqüenta. – A outra metade no final. Quando você me arranja o crachá?

Ele fitou as cédulas com um desejo evidente. – Amanhã.

- Perfeito. Até amanhã.

- Ei, colega?

Eu detestava a maldita palavra, mas me virei com uma expressão neutra. – Sim?

- Nenhuma mulher vale quinhentos paus. – ele comentou, mas enfiou o dinheiro no bolso como se receoso que eu mudasse de idéia.

Eu nem me dei ao trabalho de me questionar como ele havia descoberto. Naquela altura, já deveria ser evidente.

- Ela vale o inestimável.

Mesmo quando me afastei, sabia que ele devia estar com a expressão confusa outra vez, provavelmente tentando decifrar também o que ‘inestimável’. Eu sorri.

POV ISABELLA

Com menos um problema nas costas – pelo menos era assim que via a questão ‘Edward’ -, comecei a me dedicar total e integramente ao meu objetivo e o que tinha me trazido até Nova York. Porém, eu tive ajuda e não apenas das meninas ou de Jake que estavam sempre comigo, mas a própria organização do evento estava dando primeiras instruções para todos os participantes.

Três dias depois do meu encontro com a ilusão, fui para a primeira reunião oficial com a organização do evento. Eu e Jake chegamos lá com antecedência e aguardamos conversando baixinho, cumprimentando os outros participantes e esperando novas instruções. Quando Rômula apareceu, todos nós nos viramos em sua direção.

- Finalmente, muito bem vindos. – falou com a voz firme em um microfone que estava ajustado em seu rosto. – Finalmente poderemos dar continuidade ao nosso evento e dessa vez... Para valer. Gostaria de agradecer cada um de vocês que está aqui. A dedicação é fundamental, mas educação, disciplina e foco podem manter vocês no caminho certo – e passou o olhar pelo grande salão, onde tinha um par de pessoas de diferentes partes do mundo, ouvindo atentamente com o auxílio de fones de ouvido com tradução simultânea. – Vocês terão uma sala individual para dedicar seus esforços treinando. E haverá um salão para que todos vocês se encontrem, por que além de tudo, estamos aqui para conhecer outras pessoas e culturas. Vocês também terão acesso liberado a academia, cozinheiros capacitados para atender aos seus pedidos. Peço apenas que sejam razoáveis e mantenham a cabeça no lugar: eles estão aqui para atendê-los. Não para servi-los. Caso queiram algo em especial, peçam com educação. Somos todos profissionais e devemos tratar a todos de maneira cordial. – falou mais uma vez fixando seu olhar em todos os participantes. Poderia parecer impressão minha, mas teve algumas pessoas que se encolheram diante de suas palavras. Talvez ela não estivesse tão equivocada quanto ao abuso. – Como descrito no regulamento, cada dupla teria a oportunidade de trazer a sua equipe de treinamento de até 4 pessoas para ajudá-los a se preparar para o concurso. Vocês só poderão ter auxilio dos mesmos. Não serão permitidos terceiros na sala de treinamento individuais. É estritamente proibida a realização ensaios fora do complexo de treinamento. A segurança de vocês está toda nesse lugar. Evitem problemas. Evitem advertências. Evitem eliminações.

E diante de um discurso enorme a respeito de regras, passamos mais meia hora ouvindo a sargento-general Rômula falando a respeito do Concurso. Mesmo com todo esse jeito de agir e a não-demonstração de sentimentos, sentia-me bem na presença dessa mulher. Ela era forte e determinada e uma bailarina excepcional.

Quando seu discurso finalmente chegou ao fim, fomos separados em grupos e apresentados para nossas salas individuais de treinamento.

Confesso, estava cética quanto a cada dupla ter sua própria sala de treinamento individual. Que lugar era esse que tinha disponibilizado, no mínimo, 100 salas para que cada país que estivesse competindo tivesse a segurança e suas necessidades atendidas prontamente? Pois é, meu ceticismo foi por água à baixo quando eu fui levada junto com Jake para nossa sala.

A sala era do tamanho do meu apartamento, sem dúvidas. Tinha vidro do teto ao chão em três paredes com barras regulares dispostas em duas delas. Tinha um banheiro, uma mini copa (com pia e mini geladeira) e uma pequena sala para acidentes. O chão era de uma madeira marrom e com aspecto caro e tinha caixas de som em cada extremo da sala, junto com um aparelho de som de aspecto potente. Era incrível. Detalhe: na porá, ao lado de fora, tinha o meu nome e o de Jacob escrito, acima de Cuba.

Depois que fomos escoltados até nossa sala por seguranças que levavam terno negro e aquela equipagem de segurança toda (incluindo rádios e microfones de ouvido), Jake me olhou assombrado, fechando a porta.
- O que é isso? O que é tudo isso? – ele perguntou quando me alcançou e me abraçou e começou a me girar e as minhas risadas ecoaram pela sala. – Penso que não estamos em um Concurso de Dança e sim no treinamento para o FBI. Isso é loucura, mi estrella!

Pousando as mãos ao redor do seu pescoço, digo:

- Isso é apenas o começo do nosso treinamento, Jake.

***

O inverno nova-iorquino se fazia presente de modo característico no começo daquele dezembro.

Várias pessoas já começavam a se aconchegar com suas roupas de frio do fim do dia até a noite enquanto nas ruas. Durante o dia, optando por roupas mais confortáveis, sempre muito elegantes. Eu me atentava à vestimenta de quem conhecia para que o clima não me pegasse desprevenida, já que passaria tanto tempo fora do hotel.

Jake voltou a ser, não apenas meu amigo e primo, mas meu parceiro de dança. Acordávamos juntos e então ligávamos um no quarto do outro apenas para saber se tínhamos tido uma boa noite de sono. Quando eu o encontrava, ele me saudava daquele jeito caloroso e particular.

Alongávamos nossos corpos antes de começarmos a ensaiar. Ele sempre trazia o seu laptop a tira colo, mostrando-me músicas que ele pesquisou e inspiração para as nossas futuras danças. Mostrava-me coreografias que havia pensado e outras que havia sonhado. Muitas vezes, puxava a minha mão enquanto rodopiávamos pela nossa sala particular de treinamento.

Começamos a treinar com tanto vigor que pelo final do dia eu estava totalmente exausta. Com o passar dos dias, fui conseguindo manter uma rotina junto a ele. Acordando às 6hs e me alimentando com refeições ricas em ATP e proteínas.

O que deixava meu coração mais leve era que eu tinha confiança que iria longe, simplesmente pelo fato de ele estar comigo. Era certo, era tão bom e correto. Ambos corrigindo o passo um do outro; afinal, mesmo eu sendo a professora, também cometia uns deslizes de vez em quando. Ríamos diante das freqüentes quedas.

Comemorávamos quando acertávamos depois de muito esforço um passo com maior grau de dificuldade e comíamos sempre de olho um da refeição do outro, comigo constantemente roubando comida de seu prato enquanto ele estava distraído.

Porém, o que me deixa mais extasiada e, conseqüentemente feliz, era a determinação e responsabilidade com que ele estava encarando tudo. Não era apenas eu querendo vencer e passar por todas as etapas dando o melhor de mim. Era Jake tentando fazer com que eu alcançasse isso.

Eu precisava de confiança e foco. E eu encontrava isso nele principalmente nos momentos em que o desespero se abatia sobre mim, quando passava pelos corredores e via os outros competidores com cara de felizes e confiantes. Eu estava treinando com afinco, mas a aflição me pegava em momentos inapropriados.

- Jake, eu preciso mesmo ensaiar alguns passos de forró. – exclamei sentada à cadeira, enquanto passava a mão pela cabeça, exasperada e ofegante. – É o meu ponto fraco e por enquanto tudo está sendo novidade. Eles nos disseram apenas o que vamos dançar primeiramente, mas e se tiver alguma surpresa?

- Bells, acalme-se. Vamos focar primeiramente no que já sabemos, tudo bem? – ele disse com aquela tranqüilidade que sempre me surpreendia e o sorriso que eu conhecia tão bem. – Se o que desejam é que você arrase dançando zulk, então é o que você fará.

- Eu estou com você, não fique falando como se eu estivesse dançando com a minha imaginação. – falei pondo-me de pé e repassando meus passos em concentração.  – Você sabe muito bem, por que eu já repeti milhares de vezes, que eu não estaria aqui se não fosse por você. Então, poupe-me o trabalho de ficar repetindo. – concluí enquanto fechava os olhos e dava três passos cruzados para a esquerda, dando três giros ao final.

Quando abri meus olhos, ele estava na minha frente, acompanhando meu ritmo e tudo que vínhamos treinando desde o anúncio da escolha para abertura do concurso, com as mãos posicionadas nos lugares certos e os passos corretamente seguindo os meus.

Olhando em meus olhos, disse: - Tudo bem, mi bailarina. Conquistaremos o mundo juntos. – e com um floreio elegante das mãos, fez meu corpo tombar, posicionando suas mãos em minhas costas, finalizando nossa coreografia.

***

Quando voltei para o hotel naquele dia, fui educadamente chamada até o balcão. Havia uma encomenda para mim. Uma encomenda que fez o meu coração disparar. Agradeci, tomei o elevador e fui para o quarto designado a mim.

Mesmo sabendo que era de Edward e ainda com a roupa do treino, sentei-me no elegante sofá. Era uma caixinha toda embrulhada em um papel pardo. Cuidadosamente fui abrindo suas dobrinhas. Quando o embrulho estava todo desfeito, notei que o papel por dentro era todo desenhado com arabescos e floreios em tons de rosa, todos dispostos de maneira delicada e singela, demonstrando ainda mais o cuidado com que foi feito.

Intercalados havia mimosos dizeres, mas que eu não tinha a mínima noção de seus significados. Abrindo a caixa, vi uma caneca de tamanho grande, com os mesmos dizeres. Curiosa e encantada, passei a ponta dos dedos sobre os mesmos. Estavam escritos em relevo, de tinta brilhante verde. Era fácil perceber que representava um texto, já que tinham sido desenhados em linhas verticais e com uma seqüência lógica, mesmo para mim que não as entendia. Quando me dei por satisfeita observando, peguei o papel que estava no fundo da caixinha.

Para que no inverno de New York você possa encontrar os cafés que sirvam os melhores chocolates quentes. Ou um ótimo serviço de hotel que lhe ofereça uma xícara de leite quente antes de dormir acompanhada dos waffles que tanto gosta – aqui você encontra facilmente, se desejar.


Apenas um presente para aquecê-la. E não esqueça que pode me chamar, caso necessite de outro tipo de calor.

Edward.

Coloquei a mão sobre o peito. Foi ingenuidade minha achar que depois de alguns dias sem contato ele teria esquecido que eu estava lá. Parte minha entrou em pânico e outra parte... Um suspiro escapou de meus lábios e comecei a ler a mensagem outra vez.


POV EDWARD

Eu estava nas nuvens.

Eu não me sentia bem daquele jeito desde que voltara de Cuba. A verdade é que a felicidade não se comparava, mas eu estava aceitando o que me era oferecido.

Ao longe, Justin, o segurança o qual tinha subornado, meneou a cabeça lentamente em minha direção em aviso. Tínhamos criado uma rotina desde que começara a espiar os ensaios de Bella. Eu assenti para ele indicando que entendia: estava quase na hora dos ensaios acabarem e as pessoas começavam a sair. Eu tinha que me mandar dali.

Eu tirei mais um minuto e observei Bella pela janela outra vez. Na minha mente, Jacob era um boneco dançante sem rosto e eu apenas me concentrava nela. Eu não gostava de dar razão às fantasias de Esme, mas a verdade era que foi obra do destino a sala dela ser uma das laterais. Se tivesse sido diferente, eu não sabia como meu plano teria funcionado.

Eu reconhecia pela música que eles estavam encerrando mais uma coreografia. Era hora de ir. A pior hora de todas. Naquele momento, Bells olhou distraidamente para a janela e imediatamente me afastei do vidro. Eu sabia que ela não podia me ver, mas era uma reação automática.

Justin havia descoberto que os vidros de todas as janelas eram escuros. Exatamente para evitar bodes expiatórios. Obviamente para mim aquilo apresentava um problema, então rapidamente tive que bolar uma solução. Retirava a película que escurecia o vidro todas as vezes que ia observá-la e depois Justin o reajustava.

Eu apenas esperava que ninguém notasse como aquela específica janela era diferente das outras. O fato era que eu estava arriscando muito ali e não importava com quanto cuidado se recolocasse a película, nunca ficaria da mesma forma. Eu havia inclusive pesquisado sobre a técnica e o material com que ela era fixada para repassar a Justin.

Claramente ele me fez morrer em mais duzentos dólares pelo trabalho, e mais cem para sempre me alertar se alguém fosse passar por ali. O que acontecia com freqüência. Eu não me importava com o dinheiro. Sem a ajuda dele nada daquilo teria sido possível e eu sabia que ele não estava nenhum pouco confortável com a situação.

A verdade era que ele tinha começado a me encarar de modo estranho desde o dia em que voltara para pegar o crachá. E quando apresentei minha idéia sobre o vidro, tudo piorou. Ele devia estar achando que eu era um stalker e considerando firmemente contatar a polícia.

De certa forma, ele estava certo. E eu me pegava constantemente me questionando o que faria se ele seguisse adiante com o pensamento. Eu não chegara à nenhuma conclusão e a verdade era que Bella valia à pena. Eu estava seguro pelo momento e era melhor do que nada.

Além do mais, eu sempre poderia oferecer mais dinheiro. E as verdinhas tinham o curioso poder de fazer as pessoas concordarem com mais facilidade.

Após uma última olhada, eu me afastei da janela e caminhei para a saída. Justin balançou a cabeça quando eu passei; seu olhar gritando ‘Stalker!’ em acusação. Eu segui para meu carro, mas esperei lá dentro até que visse Bella saindo.

Talvez eu precisasse de tratamento, mas o ponto era que eu tinha que vê-la. Era mais fácil me conformar de que aquilo era impossível quando ela estivera em outro continente, mas estávamos na mesma cidade agora. Não tinha como eu simplesmente esperar até que ela desse um sinal ou até uma das eliminatórias do Concurso para vê-la.

Ela estava sorridente e tinha um braço no de Jacob. Eu apenas senti que minhas mãos apertavam o volante quando as mesmas gritaram em protesto pela falta de circulação na região. Eles estavam juntos? Aquela resposta eu não havia conseguido até aquele momento. Eles pareciam à vontade um com o outro, mas eu nunca tinha os visto juntos antes de tudo acontecer.

Não havia como ter certeza se a relação dos dois sempre fora daquela maneira ou se havia algo especial no sorriso dela e na forma como olhava para ele. Eu me pegava fantasiando sobre diferentes mortes de Jacob várias vezes pelo dia. Sabia que aquilo não era saudável e que talvez estivesse me tornando um psicopata, mas não havia remédio.

E se por acaso houvesse, eu iria perfeitamente ignorá-lo. Gostava bastante das imagens que criava e não queria me abster delas.

Eles pararam para esperar por um táxi e apenas conseguiram um após dez minutos. Era difícil conseguir um àquela hora. Quando o carro parou, Jacob abriu a porta para que ela entrasse primeiro e recebeu mais um belo sorriso de Bella em agradecimento.

De repente eu me recordei que Bells não tinha o costume de sorrir para mim com freqüência. Não daquele jeito. Ela rolava os olhos, segurava um sorriso divertido quando eu dizia algo engraçado, e gargalhava descaradamente quando achava graça de mim. Mas aquele sorriso doce era raro.

E ela sorria assim para Jacob o tempo todo. Eu sabia, claro que sabia, por que estava observando. Depois que o táxi tinha sumido de vista, eu encostei a cabeça contra o assento do banco e fechei os olhos. O que eu estava esperando? O que eu achava que ia acontecer? Bem, aquela resposta era simples.

No final das contas, eu não tinha tanta certeza se poderia me comportar como amigo dela. Era difícil. E era pior por que eu perdia o controle quando via os dois juntos daquele jeito, tão... Em sintonia. Assim como na dança. O que Alice havia dito a ele uma vez? “Eles formam um casal perfeito em uma pista de dança. E eles dois dançando juntos são como o quadro mais bonito que pode se apreciar.

Que sorte a minha que aquilo era verdade.

O meu celular começou a tocar e eu percebi que tinha que sair dali. Iniciei o carro e atendi apertando um botão no painel. O celular estava conectado ao carro. Nada de atender o aparelho enquanto dirigia; NYC já tinha seu grande índice de acidentes sem minha ajuda.

- Diga, Emmet.

- E aí. – a voz dele soou alta demais e eu rapidamente ajustei o volume. – Já está em casa?

- Há um propósito nesta ligação?

Meu bom humor havia sido perdido quando tinha visto aquele sorriso de Bella para ele. Pelo visto eu estava enganado quanto à sempre ficar feliz ao vê-la sorrir.

- Por acaso eu pensei que você estava melhor nesta última semana. – ele respondeu e sua voz estava estranhamente séria. – Parece que estava errado.

Por que eu não queria enfrentar uma Inquisição, dei uma desculpa. – Eu estou dirigindo.

- Entendi. – ele não parecia ter acreditado nenhum pouco. – Vamos sair hoje?

- Eu não estou muito a fim, Emm. E você não vai sair com Rose?

- Sim, eu vou encontrá-la. Mais tarde. Qual é, Edward. Hoje é sexta-feira. Vamos tomar alguma coisa. Parece que uma cerveja ia te fazer bem.

- Um uísque faria. – murmurei secamente.

Talvez uma garrafa de vodka inteira fosse uma pedida melhor.

- Então. Encontro com você no Caramarjo em meia hora, valeu?

- Está bem.

- Ótimo. Até daqui a pouco.

Eu tentei ao máximo não me importar com o fato de que Emmet ainda tentava casualmente encontrar maneiras de não me deixar sozinho. Eu imaginava que amigos faziam aquilo, mas lidar com a pena era um pé no saco.

Enquanto parava em um congestionamento, chequei o relógio. Provavelmente eu iria chegar atrasado. O trânsito não me deixaria chegar tão cedo e eu ainda precisava deixar o carro em casa. Nada de beber e dirigir também. E Deus sabia que eu ia beber aquela noite. Eu estava planejando fazer aquilo no sossego de meu apartamento, mas podia facilmente ajustar meus planos. Contanto que houvesse álcool.

Consegui chegar ao meu apartamento em quinze. Deixei o carro na garagem e subi para tomar um banho. Quando estava saindo do banheiro, meu telefone tocou. Eu achei que devia ser Emm já imaginando que eu não iria mais e corri até lá. Não era ele. Era a loja onde eu havia comprado o presente de Bella para me alertar que a encomenda havia sido entregue. Com tanta coisa na cabeça, havia esquecido daquilo. Eu agradeci pela informação e desliguei. Eu não sabia como ela iria reagir.

Tinha feito aquilo em um impulso e naquele momento pensei se ela ia achar que eu estava passando dos limites. Principalmente com o que tinha escrito no cartão. Será que ela ia odiar? Será que eu tinha estragado tudo mais uma vez? Eu passei uma mão pelo cabelo em frustração.

Parecia que eu tinha outro motivo para beber.


***

Quando eu cheguei ao bar, senti minha resolução diminuir. Fazia diferença sim estar em casa ou sair. O lugar estava abarrotado e barulhento. Por TVs espalhadas pelo local, estava passando um jogo de beisebol e a maioria estava atenta. Homens xingando sem parar e derramando cerveja por cima das mesas ao fazerem movimentos bruscos devido ao jogo.

Bem, eu já estava me arrependendo de ter ido. Mas o fato era que eu tinha pegado trânsito para ir para casa e ainda mais no caminho para lá no táxi. Não havia a menor possibilidade de eu ter passado por tudo aquilo e ir embora. Primeiro minha bebida.

Encontrei Emm sentado no bar e ele também assistia ao jogo, com menos entusiasmo.

Ele ergueu a taça de cerveja que bebia em cumprimento quando me sentei ao seu lado. – Já não era sem tempo. Está meia hora atrasado.

- Por acaso eu reparei. O taxista não sabia voar por cima dos carros, infelizmente.

- Você parece bem. – ele murmurou me observando.

Dei uma risada sem humor. – Não, não pareço. E isso não importa. Não preciso ficar bonito para você.

Eu sinalizei o barman com a mão e pedi um uísque. Vi pela minha visão periférica Emm balançando a cabeça e suspirando, como se desistisse de mim.

- Você está mesmo a decidido a se afogar em auto-piedade e sofrimento, não é?

- Eu disse que vinha, Emmet. Não que seria uma boa companhia. E foi você mesmo quem insistiu. – eu aceitei o uísque de bom grado quando me foi servido e virei a metade. Sinalizei ao barman outra vez. – Pode continuar enchendo o copo. 

- Sim, eu insisti. – ele assentiu. – Deve ser estranho eu querer tirar o meu melhor amigo de sua fossa. Já faz meses, Edward. Você tem que sair dessa em algum momento.

Eu virei o uísque outra vez e ignorei minha garganta pegando fogo. – Emm, honestamente? Não perca seu fôlego. Sua preocupação é apreciada, mas não vai fazer a menor diferença.

- Eu só quero ajudar.

- Eu sei. Eu sei, Emm. Você é um bom amigo. – eu balancei a mão para o barman novamente por que ele não tinha enchido meu copo.

Qual a parte do refil a todo o momento ele não tinha entendido? Eu havia sido claro. E eu estava pagando, afinal. Ignorei o fato de que ele não estava servindo só a mim e o bar estava cheio. Ele poderia simplesmente deixar a garrafa comigo.

Ele suspirou alto. – Acho que é melhor eu ligar para Rose. Pelo visto isso aqui vai demorar mais do que eu previa.

Eu arqueei a sobrancelha. – Eu posso muito bem ir para casa. Sozinho.

Ele observou enquanto eu virava mais um copo e retirou o celular do bolso. – Claro, claro que pode.

***

Eu estava vagamente consciente de que Emmet estava praticamente me carregando pelo prédio. O meu porteiro murmurou alguma coisa quando entramos, mas eu estava zonzo demais para distinguir o que era. Coloquei uma mão na cabeça quando vi quatro elevadores diferentes em minha frente. Não tinha todos aqueles elevadores no meu prédio.

Emm estava bufando constantemente e assim que chegamos à minha porta, ele começou a tatear os bolsos da minha calça sem cerimônia. Eu empurrei as mãos dele.

- Ei, eu não estou tão bêbado assim!

- Estou procurando suas chaves, idiota. Pare quieto! – ele enfiou uma mão em um dos meus bolsos e eu praguejei.

- Quando eu estiver sóbrio, eu vou...

- Claro, claro. Vai quebrar minha cara por ter abusado de você enquanto incapaz. – ele revirou os olhos e eu cerrei os meus.

Enquanto ele destrancava a porta, eu me escorei na parede. Eu nunca admitiria em voz alta, mas eu não achava que conseguiria ficar em pé sozinho.

- Vamos. Para dentro. – ele colocou um braço em volta de mim e me rebocou para dentro. – Ajuda, Edward. Eu não sou o super-homem.

- Não sinto minhas pernas...

- Corta o drama e fica firme aí. Não vou carregar todo o peso sozinho não.

Com muitos tropeços e resmungos, consegui chegar ao sofá. Ele colocou minhas pernas para a cima e eu senti meus pés esbarrando na base do telefone na mesinha ao lado. A última coisa que vi foi uma luzinha vermelha piscando na mesma.

***

Na manhã seguinte, eu acordei com alguém tentando abrir minha cabeça com uma serra elétrica. A claridade transpassou os vidros de minha janela e acertou em cheio o meu rosto. Grunhi várias vezes, jurei a mim mesmo que nunca mais ia beber, e fiz o melhor que podia para me levantar.

Estava engolindo minha terceira aspirina quando Emm apareceu na cozinha, secando o pouco cabelo que tinha com uma toalha, usando as roupas que estava ontem.

- Você dormiu aqui?

- Eu também estava cansado. Passa uns desses para cá. – ele jogou a toalha sobre os ombros e pegou a caixa de comprimidos das minhas mãos. – Preciso de café.

Dei de ombros e fechei os olhos; minha cabeça já não devia estar melhorando? – Não tenho nada aqui. Quase não fico em casa.

Emm rosnou seu descontentamento e engoliu uma aspirina sem água. – Que tipo de amigo é você? Eu te acompanho na sua pity party, ganho uma ressaca e você não tem um café para me agradecer? Tsc. Eu vou sair para comprar. Não funciono sem café.

- Traga ovos com bacon e panquecas! – gritei enquanto ele saía. – E dois cafés para mim!

- É o cúmulo do abuso. – ele berrou de volta antes de bater a porta.

Apesar de ainda sentir que tinha alguém querendo perfurar o meu crânio, eu sorri. Arrastei-me até o banheiro do meu quarto e enchendo-me de coragem, entrei debaixo de uma ducha fria. Estufei o peito em orgulho de meu feito, mas meu banho não durou nem dez minutos. Ninguém precisava saber mesmo.

Achei um iogurte qualquer na minha geladeira e mandei para dentro para tapear a fome. Quando saí da cozinha, deparei-me com a luz vermelha ainda piscando na base do telefone. Revirei os olhos por que sabia que era Esme e a minha vontade era de ignorar. Mas sabia que ela só insistiria mais.
Suspirando, apertei o botão no telefone e sentei no sofá.

 “Você tem três novas mensagens.” A voz serena da secretária eletrônica anunciou.

Encostei a cabeça contra o sofá e fechei os olhos. Eu precisava levar um papo sério com Esme. Três mensagens? Ela tinha que encontrar seu semancol.

Acione o botão para ouvi-las.

Quis rolar meus olhos. Se eu havia apertado o botão da primeira vez era por que queria ouvi-las. Ou será que ela achava que era só para ouvir sua doce voz? Controle-se, Edward, ela não existe de verdade. Apertei o botão e decidi que ainda devia estar bêbado. Até uma mulher inexistente estava me irritando.

Primeira mensagem às 18h45min.” A secretária eletrônica alertou e houve um pequeno bip, em seguida a voz de Esme. Oh, como estou surpreso.

Olá, meu filho, é a mamãe!” Esme soava animada como de costume. Jura? E eu aqui jurando que era Julia Roberts buscando repetir a noite. “Estou ligando para desejar boa noite e para lembrá-lo de jantar, meu amor. Não fique trabalhando até tarde. Você não leva trabalho para casa, não é? Bem, é um péssimo hábito de qualquer modo. Você gostaria de vir almoçar aqui no domingo, querido? Sua avó Vanessa quer muito te ver de novo. Faz anos, não é? Ah, e eu contei ao seu pai sobre sua estrela. Ele concordou comigo que é destino! Tenho certeza de que está fazendo planos quanto a ela e no domingo quero saber todos!” Eu não concordei em ir, Esme. “Bom, era isso. Já sinto saudades, filho. Já faz uma semana que não te vejo. Venha no domingo, ok? Seu pai também sente sua falta, ele está prestando atenção enquanto eu falo por que sabe que é você. Ups. Ele fez cara feia. Acho que não queria que soubesse.” Ela gargalhou em deleite e podia-se ouvir a voz de Carlisle resmungando ao longe. “Bons sonhos, filho. E descanse, tudo bem? Amanhã é sábado. Eu amo vo-...” Bip anunciando o final da mensagem.

Como sempre, ela extrapolava os limites do recado eletrônico. Balancei a cabeça para mim mesmo e repeti mentalmente que não gostava da atenção. Quando meus lábios se curvaram involuntariamente, ignorei aquilo.

Segunda mensagem às 19h00min.” Novamente o bip. Eu comecei a murmurar em imitação o que ela sempre dizia ao começar a mensagem ‘Olá, meu filho, é a mamãe!’ esperando ouvir a voz de Esme, mas aquilo não aconteceu. Encarei o telefone em desconfiança e após alguns segundos: “Oi, Edward. Hum... É a Be... Isabella.

Eu arranquei o telefone da base antes que meu cérebro pudesse registrar que a ligação tinha sido feita na noite anterior e que ela não estava mais na linha. Senti o coração martelando contra a garganta enquanto apertava o telefone contra as mãos. Era ela. Era ela. Agora vinha a parte em que ela me dizia que tinha desistido do acordo? Que me mandava sumir de vez? Por favor, Deus, não.

Ah... Hum... Eu recebi seu presente.” A mensagem continuou e eu prendi a respiração como um adolescente esperando a garota que gostava responder se queria um segundo encontro. “Bem, provavelmente você não está em casa. Eu só queria...” Ela não completou por que no fundo seu nome foi chamado. Ela começou a falar depressa. “Eu tenho que ir agora...

- Não, não, não! – eu sacudi a base como se ela pudesse me ouvir.

... Você pode me ligar de volta? Daqui a pouco deixo outra mensagem com o número do hotel.” Seu nome sendo chamado outra vez. E eu reconheci a voz: Jacob. “Hum, tchau.

- Não, Bella! – eu berrei com o telefone novamente e em resposta recebi o bip sinalizando o fim do recado. Cerrei os dentes. – Filho da puta desgraçado.

- Eita. – Emmet escolheu aquele momento para voltar e me encarou alarmado. – À caminho de matar alguém?

Bem que eu gostaria. Eu o ignorei enquanto ouvia a outra mensagem e anotei mentalmente o número do quarto dela e o do telefone. Emmet espichou o olho grosseiramente e arqueou a sobrancelha. Ele tinha reconhecido a voz dela.

O cheiro de bacon preencheu o ar até meu nariz, mas meu estômago era a última coisa em que pensava.  Eu me levantei e apontei um dedo para ele. – Fica longe do meu quarto.

Enquanto ia pelo corredor, discava. Atende, atende, atende. Depois do segundo toque ouvi a ligação ser aceita e eu prendi a respiração novamente, mas era a recepcionista do hotel. Pedi para ser direcionado ao quarto 505.

- Um momento, por favor.

Eu quis mandá-la se ferrar com o seu momento, mas a mulher não tinha culpa de meus problemas e nem de minha impaciência. Bati o pé contra o piso enquanto esperava.

 Após sete meses, finalmente ouvi a voz dela no telefone. – Olá.

O som bloqueou todas as minhas terminações nervosas e meus dedos congelaram ao redor do telefone. Que ela não tenha se ofendido. Que ela não me expulse de sua vida novamente. Por favor, Deus.

- Bella, sou eu.

Houve o barulho de alguma coisa caindo e então ela logo praguejou. – Ah... Oi. Uh, obrigada por ligar. Eu não podia falar ontem.

Por que Jacob tinha aparecido.

Meus dedos apertaram o telefone por um motivo diferente e eu trinquei o maxilar. – Eu reparei. – quando minha voz saiu seca, eu clareei a garganta. – Desculpa não ter ligado antes. Eu só vi a mensagem agora. Como você está?

- Estou bem, obrigada. – houve uma pequena pausa e ela continuou. – Então... Eu liguei por causa do presente. Dizer que eu fiquei surpresa é pouco. Por que você fez isso? Era desnecessário.

- Eu não sei. Eu olhei a caneca e pensei em você. – falei sinceramente. A verdade era que eu sempre pensava nela, mas omiti a informação. – Algo para compensar o frio. Você não está acostumada. Está sendo difícil?

Ela deu uma risada. – Você não faz idéia. Cada manhã eu tenho que criar uma nova razão importante em minha cabeça para poder levantar da cama.

- Eu sinto muito. Deve estar sendo um desafio.

- Até agora tenho conseguido superá-lo, então está tudo bem. Sou dura na queda.

- Eu me lembro disso.

Houve um momento de silêncio e eu quis retirar a frase. Provavelmente ela tinha ficado desconfortável. Mudança de assunto. Agora. – Como estão indo os ensaios?

Também omiti a informação de que sabia perfeitamente como eles estavam indo.

Sua voz denunciava seu alívio. – Estão indo muito bem. Jake e eu temos praticado bastante e pelo fim do dia eu quase não sinto meus pés, mas é por uma boa causa. Ah... A primeira eliminatória é em uma semana. Você... Vai?

- Claro que sim. – respondi imediatamente e então completei. – Ainda está tudo bem se eu for, não é?

- Se você quiser.  – ela disse com a voz baixa.

Outro minuto desconfortável. Parecia impossível evitá-los, mas eu não queria que ela desligasse. Eu ouvira sua voz nas últimas semanas, sua risada... Mas nada daquilo estivera direcionado para mim.

- Você está nervosa?

- Mais do que poderia explicar. Jake vive me dizendo que... – ela se refreou há tempo e pela primeira vez eu não quis que ela continuasse falando.

Controlando minha voz, comentei. – Eu não vejo razão para isso. Você vai ganhar, Bells. Até as estrelas sabem disso.

Eu pude ouvir seu arfar surpreso. Então percebi o que tinha dito. Você não dá uma dentro, Edward. No mínimo ela ia achar que eu tinha feito de propósito para lembrá-la. Ou não, mas havia se chateado ainda assim.

- Olha... Eu tenho que ir. – ela murmurou. – Obrigada pela caneca.

Eu mal contive a vontade de xingar. – Você gostou?

- Sim, eu gostei. – sua voz se suavizou. – Vou usá-la.

- Que bom. – eu sorri e já que ela estava tão compreensiva... – Posso ligar para você mais tarde?

Ela hesitou. – Eu... Eu não vou estar aqui mais tarde.

- Então posso ligar amanhã? – insisti.

Ela hesitou novamente e para minha total surpresa, seu tom era brincalhão e familiar. – Ansioso por algo, Edward?

- Eu... – eu não sabia ao certo como devia responder àquilo, mas a verdade geralmente era melhor. – Sim.

Ela gargalhou. – Tente sua sorte. Até.

- Tenha um bom dia, Bells.

Esperei até que ela houvesse encerrado a ligação para tirar o celular do ouvido. Eu estava satisfeito. Ela não tinha dito não.


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