Olllláááá! 

Demorei, ms apareci!! :) E aí, como estamos? Livros lidos, lendo, vão ler? Já fazendo planos para o final de ano e as festas? Estão de férias? Estou quase chorando de alegria! hahahaha

Então, mais um capítulo de Sin Resistir la Tentación... eu adooooooro esse capítulo *lagriminhas nos olhos* Sei lá, acho que ele é o especial e o passo dado para o que acontecerá daqui pra frente. Eu espero que vocês gostem muito, muito, muito e aproveitem as 27 páginas desse capítulo novo.

Beijos,

Capítulo 21

POV ISABELLA

Não! Por favor, que não seja verdade!

Foi o meu primeiro pensamento e meu desejo interno quando eu senti um corpo esbarrar novamente em mim, como há tantos meses atrás, quando tudo começou. Existia apenas uma grande diferença: naquele momento eu ainda não estava apaixonada por ele e sofrendo como eu estou agora. Nossos olhares se cruzaram e eu pude sentir aquele calor – quase como se ele estivesse me abraçando novamente – me envolver, seu olhar se intensificar. Mas também percebi o quão mal ele estava: os olhos abatidos e com intensas manchas escuras abaixo deles, como se fizesse mais de meses que não conseguia ter uma boa noite de sono, os cabelos longos e claramente necessitados de um bom corte, com algumas mechas caindo sobre os olhos, o corpo tão tenso até quando nossos olhares se cruzaram. Pelo contrário, seu maxilar pareceu endurecer ainda mais. Quando o meu transe teve seu fim, eu olhei para o estrago que poderia ter causado em mim.

- Bella... – ele sussurrou e por um instante, eu quase fechei os olhos.

E como flashes, uma sequência de diversos momentos em que ele sussurrara o meu nome daquela maneira passou pela minha cabeça: quando me abraçava ou estávamos na aula de dança, enquanto corria atrás de mim pela areia da praia, quando acordava pela manhã na minha cama com um sorriso ou quando falava bem baixinho no meu ouvido enquanto fazíamos amor... Espera um instante! Nós nunca fizemos amor! Era sexo, apenas isso! Quando se faz realmente amor com uma pessoa, você está conectada a ela, a ama de uma forma ou de outra, cuida... não destrói o que se foi construído, não magoa e principalmente: não faz chorar. Abri os olhos e quando percebi que a mão dele viria em minha direção, peguei um punhado de guardanapos rapidamente na mesa ao lado e me afastei, em direção à mesa onde estávamos.

Por fora, eu tentava manter a minha imagem, a minha postura. Mas o que eu queria mesmo era poder chorar, ou então xingá-lo como eu fiz antes que ele partisse de Havana, falar o quanto ele não valia nada, o quanto eu estava sofrendo por tudo que aconteceu, pra falar que ele é um canalha sem vergonha que não merece o respeito nem o amor de ninguém... Mas principalmente pra falar que eu sentia a falta dele. A falta do abraço, do beijo, da maneira como ele fungava meu cabelo, ou como passava a mão pelo meu corpo, como se tudo pertencesse a ele. Das nossas conversas e provocações, de seu cheiro e da sua risada, das suas histórias e por compartilhar momentos únicos comigo. Por cuidar de mim quando eu estava fragilizada pelos pesadelos e por se importar o bastante para ir comprar waffles apenas para ouvir a minha exclamação prazerosa enquanto tomava café da manhã.

- Alice, poderia vir um instante comigo? – pedi agressivamente, enquanto passava os guardanapos pelos braços, na esperança que amenizasse a situação.

Felizmente, dessa vez eu tinha sido mais rápida e a bebida não tinha caído no meu vestido. Ela me olhou levemente curiosa, e se levantou do lado do estranho ficante/namorado e me acompanhou até o banheiro, desviando das pessoas pelo caminho.



- Alice, eu deixei passar o fato de Emmet e Jasper aparecerem inesperadamente nesta festa privada, mas isso já é demais. – ataquei assim que entramos. – O que ele faz aqui?!

- Um momento. – ela pediu levantando um dedo. – De quem estamos falando?

Nervosamente, peguei-a pelo braço e arrastei até um canto onde havia menos pessoas que poderiam ouvir nossa conversa ou nos encarar.

- Você sabe de quem eu estou falando. – sibilei no ouvido dela.

- Não, eu não sei. E se você não consegue ser mais clara, vou continuar sem saber. – ela começou a passar levemente os dedos pelo cabelo, observando-se no espelho.

Vendo que ela falava a verdade, abaixei o tom de voz, enquanto encarava o seu reflexo no espelho:

- A ilusão. Ele está aqui, Alice. – meus olhos marejaram. – Você sabia? Por favor, se você sabia por que não me falou?

- Ah. – ela murmurou. – É... Eu o vi por acaso, pouco tempo antes de você me arrastar para cá, na verdade.

Respirando fundo para controlar minhas emoções e sem saber o que fazer, apoiei as duas mãos na bancada. Por favor, aqui não. Não me deixe perder a cabeça agora.

- Você está bem? – ela perguntou, aproximando-se.

- O que você acha? – respondi, com um sorriso forçado e nervoso. – Eu não estou bem Alice e não tem como ficar sabendo que ele está aí fora, de alguma maneira me observando. E dói Alice, dói ele estar tão perto. E hoje eu não quero sofrer. Hoje era para ser uma noite especial, mas ele destruiu tudo! Assim como ele me destruiu quando mentiu, quando me apostou com os babacas dos amigos deles. – funguei. E percebi o que eu tinha falado. – Desculpa pelo “babaca”. Eu sei que você está com um deles.

- Eu também acho que ele foi um babaca, eu já falei isso pra ele. E o melhor: já listei vários motivos no qual o Edward vai se arrepender amargamente de ter feito isso com você. A minha esperança é que o meu namorado babaca fale isso pra ele. – e me deu um sorriso amistoso. – Hey, olha pra mim. – ela pediu. – Não deixa que ele estrague essa noite tão especial. Você está aqui por você mesma Bella, pelo seu talento e sua capacidade. Não se deixe abalar emocionalmente quando o concurso ainda está para começar. Você tem que se focar, lembrar o motivo de você está aqui e os vários outros pela qual quer permanecer. Eu sei que você está sofrendo, é visível, mas você tem que manter o foco. – ela limpou delicadamente o meu rosto com um lenço, por onde as lágrimas escorreram.

- Mas... e a Rose? Eu sei que estava errada Ali, mas eu sinto tanto a falta dela. Tanto. Eu nunca deveria ter falado nada daquilo pra ela. – e abracei Alice. Por que mesmo pequenina e maluca das idéias, ela era um dos meus portos seguros. Se eu não pudesse confiar nela ou na Rose, onde eu acabaria? – E eu me sinto mal, eu não estou tranqüila, ela está chateada comigo e por motivos óbvios e o pior, com razão. Mas eu simplesmente não posso ficar sem uma de vocês duas Ali. Eu preciso tanto dela aqui...

- Vamos por partes, ok? Rose está profundamente magoada, claro. Mas você sabe que isso não vai durar para sempre, ela vai voltar a falar com você. Felizmente, eu também sei que ela sente a sua falta. – e sorriu pra mim. Aquele sorriso tão Alice de ser. – Mas também não custa nada que você mostre que estava errada e peça desculpas. É o momento Bella, não deixa as paredes mais fortes que tem perto de você ruir, ou você irá com elas. Você sabe que o quanto é importante pra nós e sei também o quanto somos importantes pra você, mas não deixe que a Rose pense que isso já não é mais o que acontece. Se ela começar realmente a acreditar, você sabe que não terá mais volta. – e me deu um beijo. – Agora, acho que está na hora de voltarmos. Já deu tempo de sentirem a nossa falta. E eu tenho certeza que muitas pessoas devem estar se perguntando onde você está.

Rapidamente ela tirou da pequena bolsa que levava consigo um estojo de maquiagem e retocou o meu rosto. Quando terminamos, saímos as duas em direção a mesa onde todos nos aguardavam. Olhei para Jake que estava visivelmente desconfortável com a situação e me procurava com os olhos por todo o salão. Quando estes finalmente encontraram os meus, eram preocupados. Mas enquanto eu caminhava em sua direção, lhe mandei o meu melhor sorriso, para que ele percebesse que eu ainda estava ali, estava com ele.

- Você está bem? – ele perguntou assim que eu me sentei ao seu lado.

- Sim, eu estou bem. – respondi, sob o olhar questionador dele. - Jake! Eu estou bem! – e comecei a rir. – Sabe o que eu sinto neste exato momento? Que vamos ganhar esse concurso! – e me abracei a ele.

Ele retribuiu o abraço na mesma proporção de entusiasmo e eu suspirei em alivio por dentro. Consegui pelo menos disfarçar pra ele. Agora então fica mais fácil. E ele sussurrou no meu ouvido: ‘Vamos manter esse entusiasmo até o final, que você verá: te ajudarei a chegar até ao fim do mundo!’

Disso eu não tinha a menor dúvida.


POV EDWARD

Logo após meu encontro não tão indesejado com minha estrela, eu passei os próximos vinte minutos dizendo para mim mesmo que aquela reação era perfeitamente normal. Ou no caso, a falta de reação. Eu tentei me convencer que o motivo de ela ter permanecido indiferente foi devido ao susto, e não por que ela havia seguido em frente de tal forma que nem a raiva que ela claramente sentia por mim quando deixei Havana existia mais.

Eu voltei para onde estava anteriormente, desde que cheguei, e continuei a repetir mentalmente, buscando algum alívio. Não consegui nenhum e não me surpreendi por aquilo. O cheiro do álcool em minha camisa era evidente, mas eu não havia me dado ao luxo de tentar amenizar a situação. De um jeito torto, o fato de que fora Bella a responsável por aquilo me transmitia a ilusão de que eu estava mais próximo a ela.

Sinceramente, depois do encontro eu não sabia ao certo o que deveria fazer em seguida. E não é como se eu pudesse ir tentar falar com ela porque Jacob-cão-de-guarda não saía de perto dela um minuto. Eu não conseguia vê-la ou avaliar sua expressão de onde estava, e passei um bom tempo desejando que Emm ou Jasper aparecessem para me dar uma dica sobre como ela parecia estar.

E com sorte, a resposta me traria algum alívio.

Mas aquilo não aconteceu. E logo a mulher que anteriormente havia contatado minha estrela e seu cão de guarda, estava anunciando em um microfone que os casais iriam se apresentar a todos, fazendo o que sabiam de melhor: dançando. Houve um murmúrio de concordância das pessoas ao redor. A mulher sorriu como se o entusiasmo tivesse tudo a ver como a maravilhosa forma como ela pronunciava as palavras e não com a dança, em seguida chamou o primeiro casal.

Eles adentraram o grande salão como se já estivessem indo receber seus troféus de campeões, mas fizeram o possível para engolir toda sua arrogância ao cumprimentar a platéia. Eles eram bons, muito bons, na verdade, mas eu acreditava que a minha estrela podia ser melhor. Só esperava que Jacob fizesse a parte dele, embora mesmo sem querer, eu tinha que admitir que confiava na experiência de Bella para escolher um parceiro à sua altura.

Os próximos três casais foram basicamente simples, embora também talentosos, mas sem o requinte de exibicionismo utilizado pelo primeiro par. Eu notei, no entanto, que a mulher que acabara de dançar estava demasiadamente nervosa, o que não era bom já que aquilo nem mesmo era uma apresentação válida. Eu me perguntei se por acaso Bella ficaria nervosa também, por eu estar ali. Vi que estava indeciso entre a esperança se aquilo fosse verdade e a culpa de talvez prejudicá-la.

Eu ainda estava em meu conflito interno quando finalmente ela apareceu, de mãos dadas com Jacob. Eu odiava o pensamento, mas eles ficavam bem juntos. E aparentemente os outros também achavam o mesmo porque ouvi murmúrios sobre como eles eram o casal mais carismático que havia aparecido até aquele momento. Novamente, me vi em um conflito: entre ficar contente por que Bells estava ganhando o apoio do público e detestar o fato de que ela realmente parecia bem ao lado dele aos olhos dos demais.

Droga, provavelmente essa divergência de idéias me daria uma terrível dor de cabeça antes do fim da noite.
Diferente dos demais, Bella e Jacob se posicionaram em uma das pontas do salão. E enquanto os demais casais haviam esperado a música começar para se aproximar, a primeira posição deles já era próxima. Demais. Ele estava com um braço ao redor da cintura dela e Bella tinha uma mão em seu ombro enquanto a outra estava repousada sobre seu quadril.

Jacob pareceu dizer algo para ela e Bella sorriu, deixando claro que ela estava sim nervosa, mas determinada. Assim como eu me lembrava dela. Quando a música começou, houve uma mudança no ar visível. Eu entendia o bastante de dança para saber o motivo. Eles iam dançar Tango. O que, na opinião de boa parte dos dançarinos de salão, era uma das modalidades mais difíceis da dança.

Enquanto os outros casais haviam apelado para algo mais light como salsa e merengue, Bella já abria o Concurso com um grande aviso de que ela não tinha medo de arriscar. Eu não estava surpreso, por que desde sempre eu soube que a minha estrela era notável. Ela havia vindo para NYC para impressionar, e não faria nada menos do que isso. 

Asi se Baila el Tango – Verônica Verdier
http://www.youtube.com/watch?v=C3cE6utiZEo

Assim que a música começou, eu não conseguia desviar os olhos dela nem por um instante. Não que isso tivesse sido diferente anteriormente. Mas havia algo diferente agora, e eu sabia que não era o único no salão a estar absorta pela forma como seu corpo se movia, pela expressão em seu rosto que parecia interpretar o que a melodia representava e pelo espetáculo que ela estava apresentando.

É, eu deixei Jacob totalmente fora disso. 

Bella definitivamente sabia o que estava fazendo. Seus movimentos eram precisos e fortes, ritmados e sensuais. Aliás, muita coisa naquela dança estava desnecessariamente sensual pro meu gosto. Ficava claro em como eles se tocavam e na forma como eles se olhavam que eles eram íntimos. Eu perdi um momento cerrando os dentes e os punhos apenas prestando atenção nas mãos de Jacob passando pelo corpo dela.

Pouco importava se fazia parte da dança. Eu comecei a detestar essa escolha tanto como provavelmente os outros competidores estavam ao ver como estava sendo bem aceita. A emoção, sentimento, sensualidade... Eles não pecavam em nada. E a cada vez que eles se aproximavam demais, eu queria que faltasse luz e que instantaneamente a música parasse e encerrasse de vez aquilo.

Demorou demais, uns vinte e cinco anos, foi o que me pareceu. E quando finalmente acabou e eles foram aplaudidos fervorosamente, eu esqueci por que estava com raiva ao ver o sorriso de Bella. Ah Deus, aquele sorriso... Eu não me importava com o motivo, eu só queria ver aquele sorriso em seu rosto por toda a eternidade.

Eles se curvaram em agradecimento e Jacob guiou Bella para fora do salão, por que parecia que ela tinha congelado por um momento junto com o sorriso em seu rosto. A raiva voltou quando de longe, eu observei Jacob a abraçando. Durante os segundos que o abraço durou eu desejei que eu estivesse no lugar dele.

Aquilo vinha acontecendo bastante ultimamente. E eu não via uma maneira de conseguir o que eu queria. No dia seguinte do meu encontro com ele na livraria, eu voltei até lá e comprei todas as malditas flores do senhor. Eu nunca vi uma pessoa sorrir tão abertamente como naquele dia, ainda me perguntava se ele tinha conseguido voltar à expressão normal. Mas o fato foi que eu comprei tudo, e ainda assim, não era a mesma coisa. Não eram as minhas flores. E nunca seriam.


POV ISABELLA

Apenas dois dias depois da festa de apresentação, deparei-me com uma surpresa. Tudo bem, surpresa não era exatamente a palavra. Mas esperando por aquilo ou não, meu coração ainda disparou somente com a imagem.

Mi estrella,

Perdi as contas de quantas cartas te enviei enquanto você estava em Havana e eu aqui, muito longe de você. Não sei se você chegou a lê- las, o que eu espero sinceramente que você tenha feito, mas mesmo que isso não tenha acontecido, eu continuarei mandando e talvez o fato de que agora você irá recebe – las aqui mesmo, enquanto estamos tão perto e ainda assim tão distantes um do outro, inspire você a me responder. 

Depois do nosso encontro por acaso, eu espero que você entenda que ficará praticamente impossível continuar me ignorando. Até quando ficar sentindo toda essa tensão, toda essa energia que corre do meu corpo para o seu e não vamos resolver de uma vez por todas toda essa confusão? Você também sente? Eu sei, eu sei que foi tudo minha culpa. Eu nunca deveria ter feito o que eu fiz e ter perdido você me faz perceber, verdadeiramente, quão idiota uma pessoa possa ser. No quão idiota eu posso ser.

Eu sei que talvez seja errado da minha parte continuar perseguindo você, e buscando seu perdão. Você tem o direito de continuar a viver sua vida sem nenhuma interferência minha, mas eu não consigo fazer isso, Bella. Meu coração continua querendo você, mesmo que isso contrarie todas as regras e todo o bom senso. 

Eu sinto falta de você, a cada segundo de cada minuto. Seu jeito de andar, seus cabelos, seu olhar... Mas seu sorriso, algo de que eu me lembro bem embora não tenha o visto a bom tempo.. Onde está? Cadê, Bella? Por favor, não me diga que fui eu o culpado de tirá-lo de você! É mais do que eu posso... Cacete, estou virando um maricas sentimental e eu percebo que realmente não me importo. É isso que acontece quando quem você ama não está bem. Por favor, Bella,, o que eu tenho que fazer para que você aceite conversar comigo? 

Só me diga e eu o farei. Só por favor, responda. Responda Bella. Por você. Por mim. Por nós dois. Eu não sei se devo ter qualquer esperança de um dia estarmos juntos – mas eu continuarei com ela ainda assim, enquanto eu tiver força para tal. A situação fez com que nos separássemos, mas o destino te trouxe para perto de mim de novo. Pense bem, isso não conta nada para você? Só teremos esta oportunidade. Sei que estou escrevendo como se você fosse culpada por tudo que aconteceu, não entenda mal! Mas é por que você é a única que pode decidir por nós dois nesse momento. Se me permite dizer, você estava espetacular, deslumbrante, maravilhosamente magnífica na noite de abertura do festival. Eu não esperava menos de você, sinceramente. 

Só diga que sim. Por favor. Diga sim, Bella. Sim, minha estrella.

Edward.

P.S: Eu continuo com saudades, Bella, e enquanto estiver longe de mim, a minha alma estará com você.

Essa foi a carta que eu encontrei junto com um buquê de tulipas. E eu não sabia o que fazer. Eu sabia que não conseguiria manter a situação por muito tempo, mas ao mesmo tempo eu tinha assuntos mais importantes para resolver. A ilusão poderia esperar.


***


Eu sabia que a maneira como tinha tratado Rose foi indesculpável. Um momento de fúria que acabou criando um clima de animosidade muito intenso entre nós duas. Em momento algum ela dirigiu a palavra a mim na festa de abertura do concurso e mesmo que a minha cabeça tenha girado para a direção dela quando anunciaram o meu nome e o de Jacob, ela manteve a expressão impenetrável e não fez questão de demonstrar nenhum sentimento.

Alice me contou – em segredo, é claro – que enquanto me apresentava ela segurava sua mão com força, vibrando apenas para si, mas que de vez em quando escapava de seus lábios frases como ‘Isso, Bella!’, ‘Corajosa como sempre, mas devo falar que foi intimidador para os outros candidatos essa coreografia...’ e algo do tipo. Mas ainda assim, foi para Alice e não para mim. Como eu me senti destruída depois de me apresentar e não receber o abraço dela... Meu Deus!, ela, Alice e Jake eram a minha família!

Decidida a remediar tudo que eu tinha feito de errado, comecei a preparar tudo. Elas estavam hospedadas em um hotel próximo ao meu. Procurei pela internet alguma floricultura próxima, pedi que o serviço de quarto trouxesse alguns itens desejados para que eu fizesse um pequeno café da manhã e pus a mão na massa.

Arrumei tudo na sala, como se estivéssemos em um piquenique, com uma toalha no centro da pequena sala de estar que tinha no apartamento. Então peguei uma rosa branca e outra amarela que eu tinha comprado e já espalhado pela sala. Eu ouvia o barulho de movimentos matinais já no quarto dela. De repente, a porta do quarto da Alice se abre e a boca dela também, formando um perfeito O. Apenas coloco o dedo indicador nos lábios, sinalizando para que ela ficasse calada.

Ela assente com um sorriso nos lábios, e eu sinto que ela quer saltitar como costuma fazer, mas não o faz. Voltada para a porta do quarto de Rose, fico nervosa. Quando vejo a maçaneta girar, meu coração para. Por que ficamos tão nervosos quando vamos pedir desculpas a alguém que amamos? Não deveria ser fácil? Ou foi por que sabemos a besteira que fizemos e o medo de rejeição é maior? Eu não fiquei devaneando a respeito disso, por que o rosto dela apareceu na porta e ela estacou na mesma hora. Olhou ao redor, onde o cheiro das rosas impregnava o ambiente. Esperei que seu olhar pousasse em mim novamente. E quando ela me olhou, com a expressão que não demonstrava nenhum sentimento, me adiantei e estendi as duas rosas para ela:

- Das muitas coisas que eu sei sobre você Rose, sei que gosta de rosas, mas nunca vai falar isso para ninguém. Por que você quer que quem te ama, conheça – a de verdade. Mas eu sei também que quando está nervosa, costuma se enfiar dentro do seu quarto e escrever até que a sua mão esteja machucada ou até que a sua raiva tenha passado. E que odeia quando eu a obrigo a fazer anjinhos na areia das praias. ‘Isso não se faz na neve, Miss Martinez?’ -  falo tentando imitar sua voz. Mas a minha própria já está muito embargada. - Sei que ama quando é surpreendida ou que fica envergonhada quando é pega conversando com o seu grilo de pelúcia. Que ama quando apenas sentamos juntinhas para assistir algum filme quando todas estamos estressadas demais, chateadas demais , magoadas demais. Por que o nosso silêncio conforta uma a outra. E que odeia quando a Alice mexe nos seus sapatos sem avisa – la, mas que em vez de meter um na cabeça dela, apenas balança a sua própria e fala que ela não tem jeito. E que gosta quando eu faço aquela torta de morangos com merengue que te faz gemer de prazer enquanto come. E que odeia que eu seja tão insegura em momentos inadequados, que seja bagunceira e não tenha um gosto musical tão apurado quando se diz respeito as musicas da década de 80. Que detesta também que eu esconda meus livros de romance para que você não veja que eu estou lendo. Mas a verdade é que eu amo quando você revira os olhos para eles. Amo quando você dança comigo sem nenhuma vergonha. Que você diga as verdades que eu precise ouvir ou que me convide sem que eu espere apenas para tomar uma bebida. Eu amo tudo em você Rose, e a admiro por ter mais coragem do que eu em muitos aspectos. De ser concentrada. Desculpa-me por ser estúpida. Por só magoar as pessoas que me amam. Por falar coisas que não são verdade ao seu respeito. Por favor, me desculpa. Mas eu preciso de você. Eu sei que o que eu fiz aqui pode não significar nada, mas eu queria que soubesse: quando não está por perto, é como se faltasse um pedaço de mim. É um pedaço importante, que simplesmente não pode faltar. Me desculpa Rose. – e lhe estendo as duas rosas.

Eu não saberia dizer em seguida como tudo aconteceu depois das minhas palavras, mas não importa. Algumas cenas são como sonho pra mim: Rose me abraçando, Alice caindo no chão enquanto chorava compulsivamente, Rose me largando e a puxando (e falando algo do tipo: - Para com essa baboseira de ficar aí chorando! Rimos abraçadas, Alice começou a saltitar jogando uvas roubadas da toalha que estava estendida no chão da sala dentro da boca, nós três comendo, Rose com seu grilo de pelúcia, eu pedindo desculpas seguidamente depois de tomar uma garrafa de vinho, Alice deitada no chão com as pernas erguidas apoiadas no sofá...

- Então, ele pensa que pode aparecer assim do nada, tentar me atrapalhar e depois me mandar rosas com um bilhete pedindo para conversar? Eu não quero conversar, maldito! Eu quero te odiar pelo resto dos meus dias! – berrei, entornando outra garrafa de vinho. – Ele quer me sabotar, Rooooose! Ele apareceu lá por que quer ver a minha des – trui - ção. Quer que eu pense que ele pode mexer desse jeito com os meus sentimentos e que os meus amiguinhos neurônios – apontei as duas mãos pra cabeça – vão ficar enlouquecidos e fazer o meu corpo superaquecer enquanto ele estiver me olhando. Mas, não! Eu não permitirei!

- É Bella, você não permitirá! – berrou Alice, tomando a garrafa das minhas mãos e bebendo também. – Jasper me disse que a chaleira que estava em cima da máquina de lavar destrambelhou e nasceu uma borboleta.

- Caaaaale a boca, Alice! Você não está falando coisa com coisa. O babaca do seu namorado é tão louco quanto você. O tópico da conversa é idiota do Edward. E devolva a minha garrafa! – ordenei, não mais do que bêbada, óbvio.

- Não! Beberei tudo. – e começou a gargalhar loucamente.

- Roooose, peça que ela me devolva. – choraminguei enquanto via Alice beber todo o conteúdo.

Rose, no entanto, apareceu com outra garrafa alcoólica e me presenteou, fazendo com que eu me calasse, satisfeita. O silêncio se instaurou e eu mesma com muito álcool na mente e no corpo sabia perfeitamente que Rose era a única sã, Alice estava mais bêbada do que eu e que, especialmente eu, precisava daquele porre para acalmar meu coração. Eu não gostava de beber assim, mas simplesmente existiam situações que apenas a dormência no corpo, a alegria do momento – ou a tristeza, no meu caso -, a frustração e tantos sentimentos revoltos poderiam sair à tona. E eu falaria abertamente, coisa que não aconteceria caso eu estivesse sóbria.

- Ele me machucou. – sussurrei num choramingo. – Como eu ainda posso estar aqui, depois do tanto que sofri? Como eu consegui, inc, seguir em frente?

- É Bella, como você conseguiu? – Alice repetia tudo que eu falava, só que lágrimas nos olhos. Não era eu quem deveria estar chorando?

- E depois de tanta coisa... eu abri o meu coração para aquele maldito. Eu deixei que ele me beijasse, inc, eu sorri com ele. O desgraçado atacou dos lados quebrando as minhas defesas, me chamando de professora daquele jeito maldito, que fazia as minhas pernas estremecerem. Ele sussurrou palavras bonitas, ele me fez sentir única, ele me fez pensar que talvez gostasse dele... inc, se ele não tivesse me falado da aposta, eu poderia ainda amá-lo... MAS ELE DESTRUIU TUDO! – berrei no fim, gesticulando e tentando tirar os cabelos do rosto, que grudavam – O que eu faço? - E desencostei meu corpo do sofá e cai por cima de Rose, que abriu os braços para me receber. – Eu sou assim tão estúpida? Me diga a verdade. – solucei.

- É!! A Bella é assim tão estúpida? – berrou a Alice, agora com dedos melados de chocolate. Os dedos, o rosto, a boca da garrafa.

- Não Bella, você não é estúpida. O mau caráter todo é o Edward. Sofrer assim vai resolver alguma coisa?

- Não, mas eu não queria me importar tanto, Rose! Eu nem pude falar pra ele o quanto eu o acho desprezível, um inútil! E nem amaldiçoa – lo, dizendo que ele nunca encontrará nenhuma mulher e que irei rezar todos os dias para que ele broche apenas ao pensar em uma.

- Ahá! O Jasper me contou vááááárias histórias que eu tenho certeza que você iria adorar saber, Belitita. – e começou aquela risadinha que ela só dava quando as medições de álcool já estavam acima do normal.

- Alice, chega! – Rose interveio quando eu abri a boca para replicar. – O que você sente realmente Bella?

- Eu não sei. – respondi, um pouco mais lúcida, tentando manter a conversa já que era importante pra mim. – Ele é um filho da mãe desgraçado, eu sei disso. Mas o meu coração está dominando a minha mente. Enquanto eu estava em Havana era mais fácil lidar com tudo isso por que ele estava longe, mas eu simplesmente não posso ignora – lo quando ele está aqui tão perto, indo aonde eu estou. Puta que pariu, eu estou no país dele! – amaldiçoei como se isso resolvesse toda a questão. – Quando o encontrei, por um momento tudo veio como uma avalanche para cima de mim. Eu senti a falta dele mais do que eu gostaria de admitir, isso é intolerável. É como se eu amasse mais sofrer do preservar meu coração. O que me traz devaneios. É impossível que eu uma pessoa sinta o que eu sinto por ele se não tiver alguma interferência, Rose! Eu tenho quase certeza que ele foi a algum ritual de prender a pessoa amada no qual eu a apostei e a fiz infeliz. E meu nome está lá, preso diversas vezes em uma corda entupida de nós.

- Bella, largue de besteira que você sabe que isso não pode ser verdade. Você quer mesmo saber o que eu acho de tudo isso? – ela me perguntou, enquanto Alice prestava atenção na conversa, chupando os dedos. – Que está mais do que na hora de você ter um papo sério com ele. Você está no país dele. OK. Você está perto de onde ele mora. OK. Você está ficando desconcentrada e está sofrendo por isso. OK. Você ainda não o perdoou e tem muita coisa pra falar. OK. Ou seja, você tem todos os motivos para querer esse encontro tanto quanto ele. Claro, eu tenho certeza que ele não quer apenas conversar com você, por que você aceitar esse convite é como aceitar que as emoções aparecerão muito mais forte do que você deseja. Mas se você está se sentindo insegura, mal e acha que ele irá te atrapalhar de alguma forma enquanto você está aqui, então pronto. Aceite esse maldito convite para jantar, vá a algum lugar com muita gente – onde você possa se sentir segura caso ele tente alguma coisa ou aonde todos irão ver caso você meta a mão na cara dele, coisa que ele merece -. Converse, esclareça todos os pontos, tire suas dúvidas, tente entender os motivos para ele ter feito o que fez. O seu coração pode não perdoá-lo a ponto de fazer com que vocês dois fiquem juntos novamente, mas se você perdoar como uma pessoa generosa, que aceita que os outros te fizeram mal, mas que aprendeu com erros, então será válido.

O silencio se instaurou enquanto cada uma estava com seus pensamentos voando por tudo que Rose acabou de falar. Era por essas e outras que eu precisava ter feito tudo o que eu fiz por ela. Faria tudo novamente, sem nem pensar em hesitar. O silêncio estava confortável, cada uma com seus pensamentos.

- Acho que estou vendo uma estrela do mar atrás da minha borboleta. – Disse Alice.

E então o efeito estava quebrado.


POV EDWARD
 
Caro Edward,

Acho que está na hora de resolvermos essa história de uma vez. Apesar de sentir que essa não é a minha melhor opção ou a minha escolha preferida, irei conversar com você, afinal, preciso dizer – lhe tudo que ainda está guardado dentro de mim e que sem dúvidas nenhuma, você precisa ouvir.

Eu não sei onde poderei encontrá-lo, pouco conheço de NY. Então, deixo a seu critério a escolha do lugar. Não tente ser engraçadinho escolhendo algum local inadequado ou não vou aparecer.  Apenas mande o endereço e o horário, e eu estarei lá.

Isabella Martinez

Esta fora a carta que recebi de minha estrela. Curta, grossa e... com o cheiro dela. Eu não conseguia entender como um simples papel poderia absorver o cheiro dela de forma tão intensa, e embora aquilo tenha me causado algum conforto, também me fez sentir uma inveja desmedida pelo simples fato de que eu quem queria mais do que tudo estar impregnado com aquele cheiro.

Por um momento, eu nada mais fiz do que fechar os olhos e respirar fundo. Eu precisava controlar a repentina euforia daquela chance. Nada estava ganho ainda, mas me permiti uma pequena satisfação com aquela oportunidade.

Com uma força renovada, que foi oriunda de uma simples carta, comecei a pensar em algum lugar especial onde poderíamos conversar. Como era de se esperar, os primeiros lugares que me vieram à cabeça foram românticos – e rapidamente descartei a idéia. Aquilo poderia afastar Bella definitivamente, e então nada mais de chance para o pobre e infeliz Edward.

Eu me concentrei nas palavras que minha estrela tinha escrito para seguir fielmente a elas e evitar erros. E quando a minha mente, conturbada pela emoção e pela euforia, estava quase entrando em estado de negligência total e eu quase recorrendo à ajuda de Emmet e o maluco do Jasper, eis que a luz surgiu. E o meu bilhete, que pedi para serem entregues com rosas vermelhas – pedi àquele senhor que vendia rosas na livraria; bobamente, eu acreditava que aquilo me daria sorte – foi escrito assim:

Mi estrella,

Pedirei para que um motorista particular vá buscá- la. Esteja pronta às 19hs. Para que você não se sinta perdida – ou seqüestrada - encontrarei com você no saguão do Concetualès.

Amo você demais. 

Edward.


POV ISABELLA

Concetualès: uma rápida pesquisa na internet me fornece todas as informações que eu preciso para ter a certeza que o nome belo e formal não é de um motel cinco estrelas, que irá servir tartare de boeuf como entrada, eu como prato principal e profiterolles-au-chocolat como sobremesa brindando com um belo Romanée-Conti para o estúpido do Edward.

Não, na verdade era um restaurante que ficava dentro de um condomínio luxuoso, onde, pelo o que eu li, morava pessoas com alto poder aquisitivo. Pelo menos essa parte ele prometeu: era um lugar que todos os dias está cheio de pessoas que querem conhecer o vasto cardápio para experimentar as pequenas porções de comidas que eles ofereciam. OK. Irei me encontrar com ele.

Entro no banheiro e ligo a água na temperatura ‘queima corpo’ e entro embaixo do chuveiro. A água quente vai desfazendo lentamente os nós dos meus músculos, me relaxando aos poucos, enquanto não conseguia atingir o nervosismo que estava dentro do meu peito e angústia que dava um nó no meu coração. Depois de ficar uma meia hora desse jeito, começo a esfregar meu corpo com o sabonete e lavo meus cabelos com o shampoo, passando logo em seguida o condicionador para que eles não embaracem. Eu saio do banheiro e começo a passar meus cremes por toda a minha pele, e quando, de repente eu percebo que o Edward possa pensar que eu estou fazendo isso por ele, largo – os em cima da cama, assustada. ‘Deus, o que está acontecendo comigo? Esse ritual de passar creme no corpo depois do banho eu faço sempre, que loucura é essa?’ me repreendo e então volto a passar o creme.

Arrumei-me devagar, não com a intenção de agradá-lo, apenas para mostrar o quanto eu estou bem e o quanto ele está perdendo. Claro que ele não precisava saber o quanto me afetava. E que essa conversa estava me deixando tão angustiada que as minhas pernas tremiam enquanto eu calçava meu sapato altíssimo. A minha escolha de roupas foi confusa, uma vez que a indecisão bateu na porta do quarto e resolver se instalar. Qual a maneira mais adequada para alguém se vestir quando vai discutir uma quase relação que tinha tudo para dar certo e acabou saindo pelas avessas por causa de uma aposta estúpida? Eu tenho certeza de que nem o melhor especialista em vestuário saberia responder com precisão essa minha dúvida. Por meio das dúvidas, coloquei meu vestido verde rodado que vinha até o joelho, uma maquiagem leve que destacava meus olhos na medida certa, um toque do meu melhor perfume e arrumei o cabelo em um arranjo mal feito no topo da cabeça que acabou sendo bem sucedido e virou algo extremamente belo. Quando meu telefone tocou avisando que já tinha um carro esperando, meu coração palpitou e eu tremi de nervosismo. Checando tudo, entrei no elevador, me olhando pelo espelho e imaginando o que esperar desse maldito jantar. Para minha total surpresa quem me esperava era Emmet, elegantemente vestido, devo acrescentar.

- Boa noite, Bella. Fui incumbido, ou quase ameaçado, a levá-la em segurança até o restaurante. Este envelope é para você – ele disse me estendendo um envelope vermelho. – e pode ficar a vontade, enquanto desfruta de nosso passeio. – acenou para que eu entrasse na porta traseira aberta do carona.

- Não precisa dessa formalidade Emmet. – falei fechando a porta e abrindo a da frente, onde eu poderia ir ao seu lado. – Vamos logo acabar com isso.

Quando ele entrou e se posicionou no assento do motorista, me mandou um sorriso alegre e sincero. Eu abri o envelope que continha um bilhete de Edward:


Minha querida Bella,

Espero que não se importe que Emmet a leve ao nosso local de encontro em segurança. Apesar de ele ser retardado, creio que sente simpatia por você e então a trará com cuidado. Em caso de isso não acontecer, por favor, me avise que eu tomarei as minhas providências.

Com carinho,

Edward.

Terminei a leitura com um resmungo e respirei fundo.

- Ele não confia muito em mim, não é? – Emmet perguntou me olhando com um sorriso travesso enquanto fazia uma curva.

- Não, e não sei como você pode ser amigo de alguém que não confia em você.

- Sabe Bella... – ele começou a conversar comigo, mas se manteve concentrado na direção. – O Edward pode ter todos os defeitos, mas eu sei que ele é confiável. Não sei o que ele escreveu no bilhete para você, mas tenho certeza que foi pensando em tudo para que te deixasse mais confortável e segura possível. Sei também que ele pode agir de maneira imprudente e idiota – e não vou negar que talvez, apenas talvez, ok?, os amigos dele tenha um pouco de culpa situação atual, mas eu nunca o vi assim por ninguém. E se, de alguma forma, ele me deixou a tarefa de fazer com que você chegue em segurança, é por que de alguma forma confia em mim. Confia que eu não o trairei levando você para outro lugar ou falando de todos os problemas e defeitos que ele tem. Que farei o que ele pedir e o ajudarei da melhor forma que puder. Não o julgue indigno de confiança. Eu o conheço por dez anos. Todos nós tropeçamos em um momento da nossa vida, talvez o tropeço dele tenha sido no momento errado.

Fiquei em silêncio. Quanto Edward pagou para que Emmet falasse bem dele pra mim antes de nos encontrarmos?

- O que se passa pela sua cabeça? – ele perguntou com uma risada gostosa.

Eu poderia me dar bem com esse idiota.

- Estou me perguntando o quanto ele te pagou pra falar tudo isso. – respondi com sinceridade. – Eu aprecio a amizade, mas acho que não vai ajudar muito no momento.

- Por quê? Você já tem uma decisão tomada?

- Talvez sim, talvez não.

- Pelo jeito que você falou, eu acho que já a tem, e com muita certeza e não entendo os motivos para você está se submetendo a tudo isso, a esse encontro, quando na verdade já sabe como vai terminar.

- Você também foi pago para dizer isso? – perguntei curiosa e com um leve sorriso nos lábios.

- Ele não me pagou para dizer nada disso, estou falando por mim mesmo. – ele falou parando o carro em frente ao condomínio que eu tinha visto a fachada por fotos. – Eu me sinto um pouco culpado por tudo que aconteceu, quando eu o pressionei a respeito de tudo. Só não vou falar que me sinto totalmente por que a verdade é que o Edward era muito arrogante e presunçoso para não aceitar um desafio. Mas depois dessa, ele aprendeu. Chegamos. – ele disse descendo do carro. – Espero que você tenha um ótimo jantar a aprecie a noite. – e depositou um singelo beijo na minha mão.

- Obrigada Emmet. Por me trazer aqui e pela conversa. Foi agradável e educadíssimo da sua parte. – respondi com sinceridade.

- Você deve apresentar seu nome na entrada, apenas isso. Até mais. – e partiu, me deixando ali.

A indecisão me assombrou e eu quis correr dali antes de enfrentar o que estava por vir. Respirei fundo por três vezes e fui.

- Boa noite senhora, em que posso ajudá-la? – o educado, gentil e bonito recepcionista me saudou.

- Bem, meu nome é... Isabella Martinez e...

Um tanto sem jeito, comecei a falar em espanhol e para minha surpresa, ele respondeu no mesmo idioma.

- Oh, claro. O Sr. Masen já está a esperando. – e ofereceu seu braço que eu segurei com gentileza. E me acompanhou por diversas mesas.

O lugar era bonito, com uma iluminação perfeita e que dava um ar de romantismo. Tudo ali era muito fino, desde as toalhas das mesas aos forros das cadeiras, passando pelos baldes de champanhe expostos e a imensa adega. Ele me direcionou para uma mesa redonda mais reservada. E antes que eu me desse conta, já estava procurando – o. E quando eu o vi, agradeci internamente por esse belo homem está com seu braço em volta do meu.

Ele estava simplesmente divido: terno preto, os cabelos davam a impressão de terem sido penteados, mas no momento estavam revoltos – e não menos bonitos – com algumas mechas caindo na testa. Seu rosto estava mais bem cuidado desde a última vez que o encontrei, inclusive as suas bochechas estavam com um tom de vermelho. Quando o seu olhar cruzou com o meu, foi como se uma energia eletrostática passasse do corpo dele para o meu. Ele se levantou e seus olhos não se desgrudaram do meu rosto. Quando chegamos à mesa, o jovem homem cumprimentou Edward, acenou para mim com a cabeça e se afastou. E então eu não sabia o que fazer.


POV EDWARD

Era complicado descrever a sensação de ver a pessoa que mais importava a você na noite que tinha tudo para ser a decisiva de sua vida. Eu já havia visto Bella na festa, e falado com ela – por dois segundos -, mas a ausência de sua presença na minha vida ainda causava um grande impacto.

Ela caminhou até minha mesa, com o braço enlaçado ao do recepcionista e com uma expressão de quem tentava com esforço se manter firme. Seu olhar encontrou o meu, manteve-se ali e seu queixo se ergueu um tanto, como se para reforçar a idéia de que ela estava calma. Mas ela não estava. Eu a conhecia melhor do que aquilo.

E independente das palavras ditas nas cartas e nos bilhetes trocados, do encontro com ela na festa e de tudo o que acontecera para complicar nosso relacionamento, eu ainda experimentava a mesma reação à sua imagem. Eu olhei para Bella e foi como se eu tivesse finalmente me encontrado de novo.

O recepcionista meneou a cabeça em minha direção brevemente, e logo se afastou como se soubesse que não receberia resposta alguma. Eu a encarei. Ela me encarou. Os segundos passaram e eu pouco me importava. Receberia de bom grado o presente de apenas observá-la durante toda a eternidade.

- Boa noite, Edward. – ela saudou formalmente.

Finalmente quebrou o olhar, visivelmente incomodada. Eu sorri por que eu não podia fazer outra coisa. A esperança devia estar evidentemente estampada na minha testa em neon.

- Olá, min... Bella. – eu me corrigi a tempo.

Eu queria desesperadamente tocar nela. Um aperto de mãos, um beijo na bochecha... Qualquer coisa. Mas eu não pedi e não tentei nada. Ela estava me dando uma chance e eu não iria estragar aquilo sendo precipitado.

Nós nos sentamos. Imediatamente um maitre veio nos entregar cardápios e perguntar se ela gostaria de pedir algo para beber – estando eu já degustando de uma taça de vinho branco. Eu havia pedido previamente que fôssemos atendidos por alguém que soubesse falar espanhol, em vista de deixar minha estrela mais confortável.

Bella negou e logo abriu o cardápio como se precisasse de uma distração. Ou tempo para se recompor. Eu continuei a observando, tentando preencher o vazio de meses sem vê-la em cada mínimo espaço de minha mente.

Eu já conhecia o restaurante, sabia exatamente o que iria pedir e, portanto, deixei o cardápio sobre a mesa intocado. Bella correu os olhos pelas opções um instante, mas deve ter sentido meu olhar por que seus olhos se ergueram em minha direção por cima do cardápio.

Uma pequena fração de segundo.

Depressa ela voltou a olhar para baixo como se nada houvesse acontecido. Eu disfarcei uma risada com um pigarro. Beberiquei do meu vinho calmamente e respirei fundo, tentando me manter paciente. Eu não vou estragar isso de novo. Não estragarei isso novamente.

O maitre retornou pouco tempo depois para anotar nossos pedidos. Eu optei por uma pasta de entrada seguida de peixe, e Bella por uma salada seguida também de peixe, e Chardonnay para acompanhar. Ele se afastou, então.

Ainda que meio incerto, eu comecei. – Então, Bella... Como você está?

- Ótima. – ela respondeu com um suave tom de desafio, como se esperasse que eu contrariasse sua resposta.

- Eu... Eu fico feliz por isso. Você sabe... Que independente de tudo, eu quero ver você bem. – disse.

Ela não respondeu nada.

Claro, era muito improvável que ela fosse facilitar as coisas. Não que ela estivesse errada. Mas como todas as situações ruins, você nunca sabia o quão difícil seria até que ela se apresentasse diante de você.

- Isso é horrível. Eu pensei muito no que ia dizer e o meu cérebro de repente bloqueia tudo. – comentei em frustração.

- Ok. Vamos nos dar um tempo primeiro. Mas eu não vou ficar aqui brincando de ‘como está sua vida’ como se fôssemos amigos de longa data se reencontrando. Você quer se acalmar ou o que for, tudo bem. Mas vamos falar sobre algo decente, pelo menos.

Eu encolhi os ombros, dei um gole no vinho. – Algo decente. Ok. Eu acho que te perguntar sobre o concurso é algo aceitável?

Ela relaxou o corpo. – Sim.

Como se relatando a história a um jornalista, ela começou a falar sobre como tinham a convidado para participar do concurso, sobre as preparações que fez para que pudesse se afastar do ateliê por alguns meses... Tudo aquilo só me fez relembrar de quanto na vida da minha estrela eu tinha perdido e estava perdendo.

Bella estava terminando de falar sobre sua chegada aqui, ainda naquele tom informal de que está dando uma entrevista, quando meu celular tocou. Eu pedi desculpas e abri o aparelho para apenas constatar que era Esme. Eu pensei em ignorar, mas sabia que ela continuaria insistindo.

Atendi. – Eu não posso falar agora. Ligo para você depois, ok?

- Ah, querido, mas eu só precisava dizer... 

- Esme, é sério, eu te ligo depois.

- Ok, ok. Eu estou desligando. Mas você precisa ligar ainda ho...

- Certo, tudo bem. Até. – encerrei a ligação, desliguei o celular só por precaução e percebi Bella me encarando. – Eu sinto muito.

- Esme não é... sua mãe?

E então eu me dei conta de que não tinha como ela saber de nada. – Ah, sim. Eu... Voltei a falar com os meus pais.

- Isso é... – ela pausou, pigarreou e franziu o cenho. – Isso é muito bom. – pausou outra vez. – Eu posso perguntar o que te fez mudar de idéia?

- Você. – eu respondi simplesmente.

Ela arqueou uma sobrancelha. Eu dei outro gole na taça de vinho, acabando com ela. Não importava a situação que me encontrava atualmente com meus pais, ainda sentia uma hesitação ao tocar no assunto. Principalmente estando naquela situação com Bella.

- É verdade. Depois que eu voltei, eu pensei bastante e eu me lembrava de você, e me vinha na cabeça que mesmo com tudo o que aconteceu, eu tinha os meus pais. E mesmo eles não sendo perfeitos, eles não são completamente ruins, não agora ao menos. E eu percebi que eu tinha sorte por tê-los, ainda que com todas as imperfeições. Eu não sei se vou conseguir ter com eles o que tinha com Cida, a relação pais e filhos, mas eu pensei que podia ao menos dar uma chance e ver o que acontecia. Como você pôde ver, Carlisle é mais discreto, mas Esme não me deixa em paz um minuto.

- Ela quer recuperar o tempo perdido. – Bella apontou em um tom solidário.

- É. No começo, era um tanto irritante, mas eu imagino que era por que eu não estava acostumado com a atenção e ela realmente me ligava o dia inteiro. Quando ela começou a perceber que não era para ligar enquanto eu tivesse trabalhando, ela então passou a ligar apenas a noite fazendo perguntas bobas como, por exemplo, se eu tinha almoçado direito e se eu já tinha jantado.

Para a rolada de olhos que eu dei com a frase, a sombra de um sorriso divertido apareceu nos lábios da minha estrela. Mas se era um, foi breve. Então ficamos em silêncio outra vez. Nosso estoque de assuntos ‘aceitáveis’ parecia que havia acabado.

O maitre retornou naquele momento com nossos pedidos, como se soubesse exatamente a hora de intervir. Passaram-se cinco minutos depois que começamos a comer, e eu tive minha taça de vinho novamente preenchida, até que o silêncio realmente passou a ser esmagador.
 
- Bella...

- Não, espera. Eu falarei primeiro.

Eu observei enquanto ela inspirava e soltava o ar vagarosamente e então assenti. – Certo.

- Certo. – ela repetiu e seus olhos se cravaram nos meus. – Primeiramente eu quero te dizer que independente do que você diga, eu já tenho uma decisão tomada. Eu vim aqui por dois motivos. O primeiro é que talvez assim você pare de me perseguir. E o segundo é que, mesmo que eu tenha passado um bom tempo praguejando seu nome aos infernos, eu sei que você não é uma pessoa ruim. Claro, tem uns defeitos irritantes, mas não é ruim. E eu realmente gostaria de entender você. Eu não quero passar minha vida com mágoa de alguém que foi muito importante em um período da minha vida.

Foi, do passado. Foi, do verbo ‘não é mais’. Foi, do verbo ‘Edward, você é um babaca de ter achado que tinha alguma chance’. Foi, do contexto ‘Está tudo acabado’.

Esperança que diminua a um grão mínimo que ninguém percebe, esperança diminuída a cinzas, pó. Nada. Eu lutei com tudo o que tinha para não agarrá-la naquele momento a impedir de ir embora. Porque já sabia que independente de qualquer coisa, ela iria embora ao final da noite.

- Você está querendo dizer que eu poderia mover Céus e Terras em um minuto que não mudaria o fato de que você não voltará para mim. – eu clarifiquei.

Ela piscou, três vezes. – Você quem está colocando nessas palavras dramáticas...

- Não importam as palavras, o resultado é o mesmo.

E sem me importar, segurei a mão dela por cima da mesa e a mantive entre as minhas. Eu não tinha mais nada a perder. Ela encarou nossas mãos juntas e abriu a boca como se fosse dizer algo, mas desistiu no meio do caminho. Tornou a olhar para mim.

Bella, eu te amo. Olha para mim. Você não está vendo que eu amo você? Eu sou um idiota, mas você é minha vida. E por isso eu prometo que enquanto eu respirar vou me retratar com você pelo meu erro. 

Eu quis dizer aquilo, mas eu não abri a boca. Ela iria se distanciar. Então eu procurei dizer com os olhos, com toque de minha mão na sua, com o pensamento, com o ar que eu exalava... Eu tentei, mas ela não fez nenhuma menção de que tinha cedido.

- Confiança é algo muito frágil, Edward. – foi o que ela disse ao invés.

- Eu também sou. Ridículo que só fui notar isso agora.

Eu soltei sua mão, não encontrando seu olhar pela frase. Estava tudo perdido, tudo... E porque amarrá-la ao pé de minha cama para sempre seria ilegal, eu não tinha um leque vasto de opções. Era só a decisão dela que importava, não a minha. Era só a felicidade dela que importava, não a minha.

O amor era como um aspirador gigante. Se houvesse alguma sujeira pelo caminho, ele sugaria completamente até que não tivesse mais nenhum resquício dela. Eu fiz a sujeira no caso, e por destruir algo tão bonito como meu relacionamento com a minha estrela, também me tornei uma.

- Eu vou contar a você o que eu estou sentindo, Bella. O que eu senti desde a primeira vez que vi você. Se é apenas o seu perdão que posso conseguir, então eu o quero.


POV ISABELLA

Oh Deus, que confusão, que difícil, que situação. Eu me pergunto como uma pessoa consegue se envolver em determinadas situações. E eu me pergunto como eu fui acabar ali, naquele restaurante com Edward – o cara que me machucou tão profundamente quanto eu poderia lembrar -, em que cada detalhe gritava dos seus olhos o amor que sentia por mim. Eu percebi, mas fingi não ver.

Eu fui determinada a mostrar a Edward as minhas intenções. Sei que foi um pouco brusco, mas fiquei surpresa com a aceitação tão rápida dele. Ele preferia que eu fosse sua ‘amiga’ e me mantivesse perto do que não fosse nada. E sinceramente, eu ainda não saberia dizer se essa foi a minha melhor opção, por que eu também não sei tenho certeza quanto a minha decisão. Pedir que ele se afastasse e me deixasse em paz talvez fosse melhor.

- Você recebeu as minhas cartas? – ele perguntou depois de um determinado período de longo de silêncio.

- Sim. – respondi secamente.

- Você as leu?

- Isso é importante?

- É para mim. Mas não precisa responder se não desejar, Bella. Para o momento, eu pensei que elas fossem importantes, mas agora eu vejo que talvez tenha sido forçado. Eu... Eu... Agi erroneamente com você, Bella. No princípio, com a minha grosseria e depois com o meu falso comportamento de ‘bom moço’.

- Então, por que agiu dessa forma? – questionei levemente incomodada com o modo como ele me observava e me fazer sentir confusa em relação aos meus sentimentos.

- Você sabe como tudo aconteceu. – ele respondeu com pesar. – Como eu apostei... Como eu apostei com Emmet que conseguiria te conquistar...

- Não podemos negar que você conseguiu, por um determinado período. – comentei, enquanto levava a taça à boca, tomando um sorve da bebida.

-... Só que eu não esperava me apaixonar. Ninguém esperava que isso acontecesse. Eu me perdi pelo caminho enquanto tentava conquistar você, perdi o meu objetivo inicial e só então percebi que eu queria você por mim, e não por orgulho.

- Você quer realmente falar sobre isso, sobre como eu fui um jogo, como você é sem sentimentos e mentiroso e manipulador e traiçoeiro e cafajeste e... – comecei a gaguejar. Abaixei a cabeça, respirando fundo, tentando não trazer meus sentimentos tristes e revoltantes à tona para evitar as lágrimas. – Acho que não conseguiria manter um coleguismo com você se caminharmos por esse lado do assunto. É pedir demais de mim, da minha boa vontade, dos meus sentimentos, de tudo, Edward.

- Mas... – ele implorou, segurando novamente as minhas mãos por cima da mesa. – Eu preciso falar sobre tudo isso com você. É a minha única oportunidade, Bella. Eu não falei sobre isso com ninguém e você é a única que tem o direito de me odiar para sempre. Mas você tem um coração tão enorme e generoso, que mesmo triste e magoada, já falou que não quer guardar ódio de mim. Mas eu preciso esclarecer tudo com você. Eu preciso! Por favor, me deixe falar? Se você não tiver nada a acrescentar, apenas me ouça? Eu preciso desse momento com você.


POV EDWARD

Eu esperei enquanto Bella respirava fundo, como se decidindo se deveria simplesmente se levantar e ir embora ou me ouvir falar de um assunto que muito provavelmente reabriria feridas ainda não totalmente cicatrizadas.

- Ok. – ela finalmente respondeu. – Eu vim aqui para conversar, afinal. É meio inevitável que esse assunto apareça.

E como se estivéssemos em um encontro amigável, ela recomeçou a comer. Eu nem ao menos encarei meu próprio prato, sabendo que nada me desceria pela garganta naquele momento.

- Eu era infeliz, Bella. Você sabe... – eu suspirei quando ela levantou os olhos, e continuei mesmo sem saber por que eu tinha começado por onde comecei. – Se isso soa clichê, paciência, mas é a verdade. Eu era infeliz antes de conhecer você. Eu percebo agora que não há felicidade na comodidade. Eu tinha meu emprego, meu apartamento e meu dinheiro. Mas era só isso. Eu realmente era apenas isso. Eu saía ocasionalmente e dormia com mulheres freqüentemente. Mas você percebe a importância que elas têm quando nem ao menos se lembra dos rostos delas.

Eu dei um gole no vinho, mais como estímulo de coragem do que por sede. Era complicado se abrir daquela maneira, expor a sua vida daquela maneira. Mesmo se fosse para pessoa que você mais amava na vida.

- Você não faz idéia do quão estranho é olhar para trás e ver que sua vida era uma rotina. As pessoas geralmente têm rotinas para ajustar suas vidas, eu tinha uma coisa só. Eu acho que depois da decepção com os meus pais e da morte da minha mãe, de Cida, eu me empenhei em encontrar a felicidade de outra forma. Mas eu percebi, em Havana e com você, que a felicidade perde seu valor se você não tem com quem compartilhar. E realmente não há felicidade se você não tem ninguém, no geral. Eu conheci você e babacamente criei um jogo onde eu era o caçador. Pois bem, veja agora onde isso me trouxe. É só um exemplo de como a vida é irônica. Eu passei a maior parte dela tentando realmente não levar a sério os sentimentos pelos outros, eu tentava pensar no que eu queria e no que eu iria conseguir, e todas as vezes voltava para onde estava anteriormente.

- Você vai acabar bêbado antes de terminar de falar. – Bella comentou duramente quando eu novamente pausei para beber o vinho.

Qualquer um diria que nada do que eu tinha dito tinha a afetado, mas eu sabia diferente. Ela havia desistido de tentar fingir que era um jantar casual e largado seu prato de lado assim como eu. Minha estrela estava realmente prestando atenção no que eu estava dizendo.

- Eu não vou. – disse com uma mera sombra de sorriso e continuei. – No começo de tudo, eu realmente pensei em desistir de tudo, você sabe? Eu estava percebendo com o tempo que você era inteligente demais para me dar bola, então eu pela primeira vez na vida pensei que perderia um desafio. Então Emmet me resgatou da minha “auto-compaixão” com um plano sobre como eu deveria me comportar. Ele enumerou em fases e eu não vou citá-las por que apenas os nomes são idiotas demais para comentários. Mas na verdade, essas fases tinham sentido. E eu acho que vou sempre ser grato a Emmet por isso. Por que, embora eu sinta muito por ter magoado você e por ter diminuído o que nós tínhamos... Eu percebi, Bella, que se eu não tivesse feito o que fiz talvez não teríamos vivido o que vivemos. Nós poderíamos ter nos encontrado outras vezes em Havana, e eu talvez pudesse ter dado em cima de você – por que era o que eu fazia, mas se eu não tivesse me empenhado em me aproximar de você, ainda que por razões erradas, nós não teríamos tido absolutamente nada de importante. É assustador pensar nisso, mas você entende? Eu fui o canalha do século pelo que eu fiz, mas o resultado foi bom. O início foi uma farsa, mas nós temos que considerar que de do erro surgiu algo incrível. Foi o melhor presente da minha vida. Você pode compreender que eu nunca vou poder me arrepender totalmente de ter errado? Eu errei e ganhei você, Bella. Eu nunca, não o velho eu, nunca teria pisado no meu orgulho daquela forma senão por um desafio. Eu não te magoaria outra vez. Se eu pudesse fazer diferente, com certeza eu preferiria ter aberto o jogo com você antes. Mas eu não posso me arrepender completamente do que me trouxe você. Eu cometeria todos os erros do mundo se em todos eles eu ganhasse você. Eu amo você. Seja para o bem ou para o mal, eu faria qualquer coisa por você. Inclusive para ter você.

- Você está mesmo querendo me convencer que o que você fez foi bom? Agora você está forçando a barra. – ela contradisse.

- Eu não estou. – corrigi depressa. – Não foi isso o que eu falei. Foi uma coisa que me veio à cabeça durante estes meses, o que eu mais fiz foi pensar, Bella. E o ponto é esse. Eu fiz uma aposta, e por essa aposta eu mudei meu comportamento, por mudar meu comportamento eu me aproximei de você. A aposta me deu uma chance com você. Mas é claro que eu poderia ter contado tudo depois independente disso, é claro que eu...

- É claro que você poderia. Mas você ainda não tinha dormido comigo, não iria querer perder a chance, não é? – ela interrompeu furiosa.

Eu balancei a cabeça. – Eu não queria perder você. Eu conheci você, passei momentos com você e então a aposta não existia mais. Mas eu não podia contar. Na maior parte do tempo, eu simplesmente me esquecia da existência dela... E quando eu pensava nela, achava que um dia eu me esqueceria de vez e tudo ficaria bem. Mas não foi o que aconteceu. A sua confiança em mim não me deixava esquecer o que tinha feito. E eu não sei se decidi contar ali, naquele momento, por que você me levou até o gazebo... Ou se era por que era nosso último dia juntos... O fato foi que ficou insuportável continuar enganando você. Então... Eu... Falei.

- Você se arrepende de ter me contado? – ela questionou e logo após franziu o cenho para si mesma como se a pergunta houvesse sido uma surpresa para ela também.

- Não. Foi o que eu disse, se eu pudesse fazer de novo, eu iria te contar antes. Mas de uma forma ou de outra eu ia acabar contando. Foi tarde, tarde demais, mas era questão de lealdade. Você dividiu sua vida, seus medos e seus desejos comigo e eu não poderia conviver comigo mesmo se em troca, não te cedesse a minha honestidade. Eu sinto muito – repeti enquanto segurava as mãos dela pela terceira vez. Seus olhos não se desgrudavam dos meus. – e eu posso continuar dizendo isso para sempre se você quiser. Eu não posso mais ter você e essa é a conseqüência do que eu fiz. E ainda assim, Bella, eu faria de novo como eu disse antes. Se eu não tivesse feito a aposta, eu nunca teria me apaixonado por você. Então eu ainda prefiro isso, isso aqui agora, por que ao menos eu tenho a lembrança do que tivemos para manter pelo resto da minha vida. E eu quero te pedir, mesmo que talvez não tenha o direito de pedir nada, que você tente entender e me perdoar, e que... Deixe que eu faça parte da sua vida de alguma forma. Eu não espero que você confie em mim novamente, eu gostaria, mas não espero. Eu só queria que... ao menos, você me deixasse ver você dançar? Eu sei que o Concurso será aberto ao público, mas eu queria ter a sua aprovação. Eu não iria querer te atrapalhar, de nenhuma forma. Eu realmente estou torcendo por você, Bells. Eu só quero um lugar na sua vida. E pela primeira vez na vida não agindo de forma egoísta, não pedirei um específico. Eu quero um lugar no qual você puder me colocar. – e eu tentei acrescentar um sorriso ao pedido.

Mas eu realmente não sei se aquilo fora uma boa idéia. Os olhos de Bella ficaram levemente marejados e ela separou suas mãos das minhas.

- Eu... Eu preciso ir ao banheiro. – ela murmurou enquanto olhava para os lados como se tivesse acabado de ter sido lançada em um mundo estranho por um foguete.

- O que? Mas agora?

- Eu... – Bella mordeu os lábios e evitou me encarar outra vez. – Eu já volto.

Ela se levantou antes que eu pudesse dizer algo mais. Eu permaneci ali sentado sem saber se deveria segui-la ou lhe dar espaço. Eu estava terrivelmente ansioso por uma resposta e ela simplesmente se levantava para ir ao banheiro? Talvez ela estivesse indo embora... O pensamento quase me fez levantar para ir atrás dela. Mas eu não podia fazer aquilo. Por mais que eu quisesse, eu não poderia. Eu a amava. Se ela quisesse ir embora, nada mais me restaria fazer a não ser aceitar que essa era a sua resposta.


POV ISABELLA

Por que tudo isso tinha que acontecer comigo, por quê, por quê? – repeti mentalmente quando escorreguei para dentro do banheiro, tentando impedir com que as lágrimas caíssem antes que eu pudesse me esconder, o que não adiantou de muita coisa.

Por que ele não poderia ir simplesmente embora com todas as suas palavras, com as suas desculpas, com as suas explicações? Ouvi-lo falar da aposta com certa tranqüilidade me deixava furiosa. Mas eu mesmo tempo eu conseguia sentir a angustia dentro dele apenas por causa de tudo que a mesma acarretou. Como eu poderia lidar com Edward quando ele falava que me queria de qualquer forma? Que ele só queria que eu o deixasse estar perto? O problema é: eu conseguiria mantê-lo apenas perto de mim? O pior era saber que qualquer palavra que ele dissesse me convenceria. Tenho que me manter afastada, repeti novamente.

Observando-me no espelho, conseguia ver as marcas por onde as lágrimas escorreram. Eu tinha que confessar que a conversa tinha tomado rumos inesperados. Primeiramente por que eu esperava algo totalmente diferente da recepção que eu recebi. Segundo por que eu não esperava que ao vê-lo novamente cara a cara, trouxesse todas as lembranças, as tristezas, choros e amarguras de volta. Aconteceu, realmente. Elas apareceram como uma avalanche sobre mim, mas eu não o xinguei como era a minha intenção anterior. E terceiro: ele estava sofrendo e era visível. E isso me corroia por dentro. OK, eu sabia que ele não merecia, mas... Que confusão!

Lavei as mãos até a altura dos pulsos e comecei a controlar a minha respiração. Eu poderia lidar com ele até certo ponto. Se ele queria ser meu amigo, qual seria o problema nisso? A minha duvida era que talvez, uma hora ou outra, eu não quisesse ser apenas só amiga e me machucar de novo. A aposta me fez sofrer? Só não mais que a morte de meus pais e a falta que eu sinto deles. Mas quando eu pensava nas cartas que ele tinha enviado durante todo esse tempo, a minha ansiedade para recebê-las, o convite inesperado para esse concurso... tudo se encaixava. Mas eu simplesmente não conseguia mais vê-lo como algo a mais que... um conhecido? Não. Se eu me esforçasse, eu poderia conviver bem. Eu poderia tentar. Eu poderia. Claro, essa minha tentativa poderia me trazer mais sofrimentos, mas o que seriam eles comparados a tudo que eu já senti nestes últimos meses?

Recompondo-me e com a mente mais aberta e com palavras para serem ditas, voltei à mesa, demonstrando firmeza e confiança, enquanto por dentro eu estava destruída.

Sentei-me e seu olhar me acompanhou em ansiedade.

- Desculpe-me. – ele pediu com aquela voz tensa. – Eu não queria...

- Tudo bem. – falei um pouco mais rude do que eu desejava. Pigarreei com a cabeça baixa. – Me deixa falar agora, por favor? – pedi suplicante. – Eu não posso simplesmente ignorar a sua presença, que ainda insisti em ser tão marcante para mim. – Encarei-o. – As minhas palavras seriam poucas para dizer o quanto que eu sofri nesses últimos meses. E eu não quero fazer isso. – falei soluçando. – Eu realmente estava confiando em você, eu realmente queria você ao meu lado. Mas como eu posso continuar a desejar isso, depois de tudo?

- Bella, eu sei... – ele começou.

- Por favor, me deixa falar. – interrompi. Ele se moveu na cadeira e se aproximou mais da mesa, onde as minhas mãos estavam apoiadas. – Tudo o que eu vivi com você em Havana irei levar comigo para sempre. Mas as lembranças que eu tenho depois que você foi embora são mais fortes e mais nítidas. Você me destruiu. – falei olhando-o nos olhos e vendo refletida neles a minha dor. – E apesar de tudo, eu simplesmente não consigo odiá-lo tanto quanto eu gostaria. Na verdade, eu não consigo odiá-lo. Só que eu também não sou hipócrita o bastante, nem tampouco mentirosa, para fingir que está tudo bem e que seremos os melhores amigos. Eu simplesmente não posso. Você consegue me entender? Eu não consigo ser sua amiga, eu não consigo enxergá-lo de outra forma. Apenas como o cara que mentiu pra mim. E por mais que as suas justificativas sejam válidas – preste atenção, elas são pra mim! – eu não consigo fingir que nada aconteceu.

- Deixe-me tentar – ele implorou agarrando minhas mãos. – Só dessa vez, mi estrella. – Ele estava tão desesperado, que me chamou pelo apelido. - Só dessa vez. Deixe-me tentar. Deixe-me reparar, mostrar que eu posso ser confiável, que eu posso ser o que você precisa que eu seja. Apenas seu. Por favor.

- Eu não consigo, Edward. – falei, traindo a mim mesma com lágrimas nos olhos. – Eu queria tanto que nada disso tivesse acontecido. Eu me senti vazia, eu fiquei sem chão, eu me afastei do meu ateliê, da música, da dança, das minhas amigas, da minha família. Eu estava perto da inanição e voltei. Eu me esqueci de como era viver, de como era dar aula, de simplesmente caminhar pela praia. Você contou os seus motivos, porém você não perguntou em nenhum momento como eu me senti. – ele abriu a boca para questionar, mas eu o interrompi primeiro – Não estou cobrando nada, apenas expondo os fatos. Confesso, que depois que você me contou tudo a respeito, a maior raiva foi de mim mesma, por ter me apaixonado por você. – falei olhando-o fixamente.

- Me perdoa. – ele sussurrou.

- É claro que sim, Edward. – falei com um sorriso lacrimejoso. – Eu não estaria aqui, se não pensasse nessa possibilidade. Todos nós erramos, não é mesmo? – outro sorriso. – O meu erro foi confiar em você. – e deixei as lágrimas rolarem.

E de repente, meu corpo estava sacudindo e eu estava fazendo uma cena. Por que eu não consegui me controlar e no outro momento, ele já tinha dado à volta a mesa e estava sentado ao meu lado. Quando ele segurou minhas mãos e depois as posicionou em seus ombros, e eu desabei. E ele me puxou para o seu corpo e no momento de fraqueza, deixei-me levar. Meu rosto foi para seu ombro. O choro começou silencioso, mas depois de um momento, eu soluçava e fungava alto. E eu fiquei assim, enquanto ele me mantinha no seu abraço, me consolando. Só depois que eu me afastei dele, olhei ao redor e agradeci por estarmos em um lugar reservado. Se alguém tinha visto, foram poucos. Com um lenço que estava sobre a mesa, limpei meus olhos, tentando me controlar.

- Desculpa. Eu não...

- Você é a mulher mais linda que eu já conheci, Bells. Por dentro e por fora. Esta é uma das razões de que eu a amo e sempre irei amar.

Isso não estava funcionando. Não estava e eu precisava arrumar um jeito de resolver logo todas as questões.

Silêncio.

- Você me deixará ficar perto de você? Vai me deixar assisti-la dançar? – ele perguntou. Eu sentia que ele queria me tocar, mas não o fez. – Deixe-me mostrar quem eu posso ser.

- Eu não estou mais interessada, Edward. – falei com um sorriso triste. – Porém, é claro que você pode assistir. É publico.

- Eu quero saber se você me deixará assistir.

- Sim.

- Você conversará comigo? Você deixará com que eu me aproxime? – ele questionou enquanto agarrava as minhas mãos. Elas foram bem utilizadas durante essa conversa.

- Edward, eu não acho que seja a melhor ideia... – falei, tentando afastá-lo.

- Eu serei o que você quiser. Se me quiser como amigo, eu serei apenas isso para você. Se me quiser como colega, eu serei apenas seu colega. Só deixe com que eu me apresente realmente para você.

Ele não desistiria e desde que não me atrapalhasse, não haveria motivos para afastá-lo de vez. Ou teria? Como a minha mente não estava mais pensando coerentemente, decidi pelo o meu coração, que me dizia que não custaria nada tentar de novo.

- Sim. – respondi.

Ele sorriu daquele jeito especialmente Edward de sorrir.

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