Olááááááááá!! **______________________________________**

E aí, como estamos hoje?? Estou extremamente feliz, já que é a última semana de aula e então poderei junto com a Gabi nos dedicar totalmente com os capítulos finais da história. Já está dando aquele aperto no coração, mas creio que a sensação de mais um trabalho cumprido é muito mais gratificador.

Depois do capítulo um tanto dramático e triste e lindo, na minha opinião descubram o que irá acontecer, agora que a Bella está prestes a viajar...

Beijo,


 Capítulo 20

POV ISABELLA

Estávamos todos no aeroporto, fazendo check in e ansiosos para a partida. Todos, eu cito nomes: eu, Jake, Alice e Rose. As duas últimas não escondiam a ansiedade, felicidade e excitação para o embarque e para chegarem logo a NY. Jake demonstrava tranqüilidade e estava sereno, me olhando atento. Eu pelo contrário, estava um turbilhão de emoções que se contrastavam drasticamente com os sentimentos ali presentes.  Desde o momento em que eu tive que preparar as minhas malas que esses sentimentos me apavoraram. Eu separei 5 malas. Já haviam me avisado que lá a temperatura estaria muito abaixo do que estávamos acostumados em Cuba. Então primeiramente, separei tudo o que eu precisava para o que me esperava: minhas sapatilhas e sapatos, meias, remédios para eventuais dores e torções, roupas leves e confortáveis para os ensaios, ligas, presilhas e grampos para prender o cabelo.

Em outra, separei todos os meus pertences pessoais e que eu não iria sem: fotos dos meus pais, cartas, aquele vídeo que um dia a ilusão me viu assistindo no ateliê em que o meu pai me ensinava a dançar forró e a caixa com todas as cartas enviadas. Nas outras separei minhas roupas pessoais, levando uma coleção diversa de vestidos, roupas para noite, blusas, saias, calças, botas, sapatos. Afinal, não era por que eu estava participando de um concurso de dança que eu não teria a oportunidade de visitar a cidade. E por fim, arrumei a minha escassa coleção de roupas de frio que consistia em apenas uma blusa de frio, duas de lã, um sobretudo e uma calça de moletom. E para falar a verdade, eu não sabia o motivo ainda de ter toda essa coleção de roupas de frio enquanto estivesse morando temporariamente por quatro meses em Nova York.

Mas naquela noite, enquanto me revirava na cama depois de beber sozinha duas taças de vinho, os pesadelos retornaram. Eu acordei com um grito e percebi que não tinha conseguido dormir nem três horas direto. O que me fez ir para o aeroporto com os olhos inchados, um pouco vermelhos e o ar cansado. Eu sentia que era esse o motivo para tamanha atenção de Jake em mim. Mas, não querendo entrar na questão “por que você não me chamou?”, evitei o seu olhar e escapuli de suas perguntas. Não que eu conseguisse ficar melhor depois dos pesadelos.

Ninguém conseguiria quando via seus pais serem mortos e pedirem a sua ajuda e quando você se aproximasse para segurar-lhes as mãos, elas caíssem na sua frente. Acontece que eu percebi – talvez tardiamente – que eu não deveria ter colocado a minha vida e algo que eu necessitava tanto nas mãos de alguém. Por que uma coisa era certa: eu não teria todo mundo para mim para sempre. Eu demorava a me recuperar – agora mesmo eu não estava totalmente recuperada -, mas estava conseguindo aos poucos fazer isso por mim mesma.

Quando o nosso vôo foi finalmente anunciado, nos dirigimos para o avião em busca de nossas poltronas. Rose e Alice ficariam lado a lado e eu e Jake ficaríamos também.  Quando estávamos confortavelmente em nossos lugares, Jake apertou as minhas mãos geladas.

 
- Sinto que aconteceu algo, mi bailarina. – ele falou, procurando em meus olhos motivos para esconder algo tão sério dele.

Com um sorriso não tão alegre quanto eu queria dar, respondi:

- Não Jake, está tudo bem.

 - Odeio quando mente para mim, mas você já sabe disso, não? – ele insistiu.

- Sim, eu sei. – respondi cabisbaixa. – Mas, por favor, não me force a nada. Eu estou tão...

- Psiu... – ele falou me puxando para o seu peito. – Não era para você, mais do que todos nós aqui, estar extremamente feliz?

- Eu estou com medo Jake. – confessei. – Com muito, muito medo.  – Confessei-lhe. – Algo aperta o meu peito, eu estou sofrendo. Sei que não deveria estar assim, mas não consigo mandar todos esses sentimentos embora. Não sei se deveria mesmo estar participando de tudo isso. Estou preocupada, angustiada, temerosa...

- Mas vai dar tudo certo! – ele falou convicto, assoprando dentro do meu ouvido, como quando ele fazia quando éramos mais novos e eu estava exatamente desse jeito.

Fazia tanto tempo que ele não fazia isso, e era tão natural, que um singelo sorriso brotou em meus lábios.

- Como você sabe Jake? – perguntei, para que ele me desse a resposta que eu já sabia.

- Os gnomos nunca mentem, mejilla. Eles apenas levavam os nossos doces. – ele falou com um sorriso, em uma alusão a lembranças de nossa infância.

Finalmente, quando o avião levantou vôo, meu coração começava a se tranqüilizar.


***


Demoramos cerca de cinco horas para desembarcar no Aeroporto de Nova York, pois ainda fizemos escala em alguns lugares.

A cidade era... Incrível! E nos ainda estávamos no aeroporto! Tudo era brilhoso! As luzes estavam em todos os lugares e as pessoas – bem agasalhadas – passavam de um lado para o outro, outras esperavam por parentes, amigos ou pessoas conhecidas, com grandes e (a meu ver) bem quentinhas roupas de frio. Tiritando de frio, chamamos rapidamente um táxi que nos levaria ao hotel que ficaríamos hospedados durante o período do concurso e demos o endereço que eu tinha cuidadosamente anotado ainda em Cuba. Alice e Rose não conseguiam esconder a felicidade, excitadas apontavam para tudo. Meus olhos brilhavam enquanto acompanhava a as luzes dos vários prédios, lojas, barracas de fast food, boates e vários outros empreendimentos a pleno vapor às três horas da manhã.

Realmente, era cidade que não parava nunca. As pessoas agiam como se fosse três horas da tarde! Nem mesmo o frio os impediam. Eu vi pessoas transitarem com carros e motos luxuosos, edifícios esplendorosos, pontos turísticos cheios, música dos mais variados gêneros, juntamente com pessoas dos mais variados estilos, indo de mulheres se equilibrando em saltos 20 cm até homens muito bem vestidos com ternos que de longe dava para ver que eram caros ou até jovens que estavam com piercings e dançavam na calçada. Ali, tinha uma quantidade impressionante de pessoas: crianças que corriam, jovens que se juntavam em grupos, adultos que se abraçavam ou apenas tentavam chegar a casa. Meu pescoço já estava doendo, por que a todo o momento alguém me chamava para me mostrar algo em que se impressionara. Jake que estava sentado no banco do carona na frente, também mostrava – se interessando a todos os detalhes que seus olhos poderiam capturar.

Quando chegamos ao hotel, fomos à recepção para informamos nossos nomes. Jacob e eu, como participaríamos do concurso, ficaríamos hospedados por conta da organização. Já Alice e Rose resolveram se hospedar no mesmo para que ficássemos próximas uma das outras. O lugar era luxuoso, mas não aquele luxuoso que fosse de uma maneira para se exibir. Era um luxuoso organizado, onde os funcionários estavam muito bem vestidos e identificados, falando educadamente com seus futuros hóspedes. Quando terminaram com a nossa identificação, fomos acompanhados junto com nossa bagagem aos respectivos andares. Eu e Jake, obviamente, ficamos no mesmo, enquanto Alice e Rose ficaram um andar acima.

Meu quarto era esplêndido. Tinha uma grande cama com dossel e almofadas e um edredom que tinha o aspecto muito fofo. Eram em cores de creme e branco. Tinha uma bela penteadeira com um espelho redondo ao lado esquerdo da cama, uma porta que dava para um magnífico banheiro grande e espaçoso e ainda tinha uma pequena cozinha, com um frigobar, fogão e um armário onde eu poderia guardar alguns mantimentos. Era perfeito. Agradeci gentilmente ao funcionário do hotel e despedi-me dele. Eu queria muito começar a arrumar minhas coisas naqueles armários, onde eu passaria os próximos quatro meses da minha vida, mas meu único desejo era cair naquela cama e sentir se o colchão era tão fofo quanto a minha imaginação me fazia imaginar. Chutando rapidamente os sapatos dos pés, corri em direção à cama, dei um impulso e subi com os pés afundando.

Comecei a pular ali.

E a risada me acompanhou por que mesmo sozinha, era daquilo que eu precisava para tirar a angústia do meu peito. E aos poucos, ela foi se esvaindo, enquanto eu tentava pular cada vez mais alto e ria cada vez mais alto também. E eu pensei nos meus pais. E no meu objetivo, de ter ‘abandonado’ meu ateliê e estar aqui, a procura de ganhar um concurso e em busca do reconhecimento pelo trabalho que eu venho dedicando a minha vida. E eu pensei nas minhas amigas, que me acompanharam apenas com o intuito de me darem um apoio moral que eu sabia que precisaria. E pensei em Jacob. Meu primo, meu amigo, meu eterno companheiro de todas as horas. Eu estava cercada de pessoas que me amavam de todas as maneiras possíveis. E elas não cobravam nada por isso. Apenas amavam. Em troca, eu também as amava de uma maneira simples, singela, sincera. Por que eu daria minha vida por qualquer um deles.

Quando estava sem fôlego, caí de costas, com os braços abertos, o cabelo espalhado pelos meus ombros e pelo travesseiro. E eu pensei na ilusão. Em meio a tantas pessoas que passariam pela sua vida, sempre teriam varias que te fariam sofrer. Teriam que te fariam chorar. Teriam as que te fariam magoada. Teriam um nada. E teria as pessoas que fariam você sentir tudo isso... Num mesmo momento. Uma lágrima escorreu pelo meu rosto, por que esse era o momento em que eu estava mais perto dele – mesmo estando tão distante -, depois de tudo que acontecera. E eu nem mesmo sabia se ele tinha consciência disso. No entanto, ele estava impregnado na minha mente e no meu coração. Por que simplesmente era impossível esquecer facilmente as pessoas que tinha o poder de te fazer sofrer, chorar, de te magoar e te fazer se sentir um nada. E principalmente: o pior era saber que essa pessoa sempre teria um poder desconhecido sobre você. E que mesmo assim, continua a ter um espaço na sua mente e no seu coração.


POV EDWARD

Se por um lado eu passara os últimos meses evitando ter qualquer tipo de contato físico e pessoal com qualquer indivíduo, eu com certeza estava compensando demasiadamente naquele momento.

Desde o dia em que recebi a notícia de que Bella estava vindo para NYC, a única coisa que ocupava minha mente era se Jasper ou Emmet tinham ouvido alguma novidade sobre quando a viagem aconteceria exatamente. Eles estavam ficando cansados da minha cara e de repetir incansáveis vezes tudo o que eles sabiam até o instante.

Eu não podia e nem queria evitar meu entusiasmo. Havia feito uma pesquisa completa sobre o Concurso, procurando ficar a par do maior número de informações possível. Era tudo ainda um tanto surreal e com certeza imprevisível. Eu não fazia a menor idéia do que diria ou faria quando encontrasse minha estrela outra vez. A única certeza que eu tinha é que eu iria procurá-la.

Como um assassino bem preparado, comecei a calcular previamente meus movimentos de acordo às informações que Emm e Jass conseguiram das meninas. Felizmente, o interesse deles não pareceu estranho a elas, já que fazia algum tempo que não se viam.

Estava tudo correndo maravilhosamente bem, até o dia em que Jass e Emm apareceram no meu escritório novamente. Juntos. Eu acreditei que era mais uma ótima notícia como “Bella já está aqui”. Eu estava esperando que fosse.

Ao menos, até notar a expressão de Jass. Todo meu ânimo foi embora com a rapidez com a qual chegou. Eu me preparei para o que quer que fosse, rezando que fosse qualquer coisa que não estivesse relacionado à minha estrela.

- Descobri outra coisa. – ele simplesmente jogou a bomba logo de uma vez.

Eu respirei fundo, não querendo perguntar. Eles esperaram por isso. Eu passei as mãos no rosto, várias vezes, buscando algum controle. Estava bom demais para ser verdade.

- Antes de você se desesperar, escuta... – Emmet aconselhou muito à vontade enquanto servia-se do meu café recém-passado. – Eu disse ao Jasper que de repente isso nem é um problema.

- O fato de parecer um problema já é um problema. – afirmei.

Direto novamente, Jasper me surpreendeu. – Bella não está vindo sozinha.

Eu o encarei, absolutamente confuso. Não demorou tanto até me ocorrer do que ele estava falando. Na verdade, eu já sabia disso. Mas não havia nem sequer prestado atenção. Tudo o que tinha me importado era o nome dela.

- Eu acho que você não percebeu isso quando leu, e eu realmente achei que você devia se atentar a isso antes de prosseguir com seus “planos” para encontrar com ela.

Jasper não se daria ao trabalho de vir até aqui para somente me lembrar de algo que eu já sabia. Ele queria dizer mais com aquilo. E eu sabia exatamente o que era. Infelizmente.

Verbalizar, porém, era outra coisa. – Eles estão... Juntos?

Jass olhou para Emmet brevemente, que balançou as mãos em um sinal casual. Como se não fosse nada demais eu saber. Pois bem, não só era demais. Era tudo.

- Eu não sei se oficialmente. Quer dizer... – ele parou de falar, provavelmente ao escutar meu grunhido. E depois prosseguiu. – Alice não confirmou nada disso. Mas parece que eles estão próximos. Muito próximos. Parece que eles tinham brigado ou algo assim. De um jeito ou de outro, seja lá o que tenha sido, eles já estão bem agora.

Eu espremi os olhos com os dedos em nervosismo. É claro que eles já estariam bem. Não sei por que pensei que seria o contrário. Comigo longe, quem os impediria de se reaproximarem? E com certeza as meninas o aprovavam.

Claro. Ele não fizera uma aposta estúpida para conquistar a amiga delas.

Eu quem fizera isso. E isso não era uma merda? De verdade, talvez Jacob fosse melhor para ela do que eu, afinal de contas. Ele cometera um erro com Bella por ciúmes, por que não podia aceitar que outro estivesse com ela ao invés dele. Eu cometi um erro por que sou um idiota que merece cada gota de seu sofrimento. 

Estava tudo tão péssimo, agora eu também me transformaria em um melodramático pessimista. Perfeito. Onde fora parar todo o meu narcisismo? Aquela época agora é tão distante que parece que nunca existiu.

- Edward, não desanima. Você já lidou com a concorrência antes e se deu bem, não? – Emm sorriu por que ultimamente tudo para ele era uma maravilha.

- Antes Bella não sabia da aposta. Antes eu tinha alguns atributos em meu favor. Agora? Eu não tenho nada. – apertei mais os olhos, para ver se assim, eu deixava de enxergar a realidade.

- Claro que você tem. – corrigiu Jass. De repente me perguntei por que eu me sentia em uma sessão de terapia. – Ela ama você.

Eu tive de parar com meu momentâneo tique-nervoso para olhar pra ele. Em outra época, eu teria tido duas reações àquela frase: ou riria presunçosamente confirmando que alguma mulher nutria mesmo sentimentos por mim, ou ficaria assustado por ter que começar a me preocupar com uma louca obcecada na minha cola.

Naquele momento, eu não senti nenhum dos dois. Eu queria que fosse verdade, por um lado. Mas por mais que tivesse passado os últimos dias animado com a possibilidade de encontrar Bella e procurando resgatar alguma esperança de algum futuro para nós, sabia que de alguma forma aquilo não iria acontecer. Minha estrela não era o tipo de pessoa que cometeria o mesmo erro de novo.

Eu sabia que ela me via exatamente assim: como um erro. E por mais duro que fosse admitir pra mim mesmo, era basicamente isso que eu tinha sido pra ela. Um grande erro.

- Eu não sei se vocês lembram, mas já faz mais de cinco meses. Cinco. Tudo muda em cinco meses. – declarei.

Que merda, eu estava começando a sentir a conhecida dor no peito. Algumas vezes era tão forte que eu realmente pensava estar com problemas cardíacos. Talvez eu já tivesse mencionado isso. Deus, eu estava ficando repetitivo até em meus próprios pensamentos.

- É, mas se não mudou para você... Talvez não tenha mudado para ela. – Emm ainda tinha o sorriso no rosto e o olhar sugestivo evidente.

Eu sentia tanta inveja deles dois que às vezes questionava como eles não percebiam. Eu podia simplesmente não ter bancado o idiota naquela noite. Eu teria conhecido Bella de qualquer jeito. Nós poderíamos ter ficado juntos naquela noite. Poderia ter acontecido tudo diferente.

Eu ainda poderia estar com ela agora... Eu poderia estar em Cuba com ela como havia planejado. Eu poderia estar vivendo com ela. Eu poderia estar me casando com ela.

Chega de pensar, Edward. Chega.

- Eu gostaria que vocês fossem embora. Os dois. Agora. – e voltei a apertar os olhos.

Percebi que houve um momento longo demais de hesitação, mas eventualmente escutei a porta se fechando. Depois de me assegurar umas três vezes que estava sozinho, eu desisti de continuar tentando e fiz uma coisa que há muito tempo não me permitia.

Chorei como uma maldita criança.


.-.-.-.-.-.-.

No corredor, Jasper se apressou para caminhar ao lado de Emmet até a sala dele. Quando entraram, pôs-se a questionar:

- Eu disse a você que era melhor contarmos para ele que ela já chegou. Qual o propósito de esconder afinal? Pelo menos depois da notícia ruim, ele receberia uma boa.

Emmet balançou a cabeça. – É melhor fazermos como o combinado. Não adianta nada contar agora. Ele ia espremer a gente até saber onde ela está hospedada, ia atrás dela e estragar tudo.

- Ele vai ficar irritadíssimo quando souber que escondemos isso dele. – disse Jasper.

- Ele está sempre irritado. E não vai ser por tanto tempo assim. Primeiro a Bella tem que chegar aqui, de verdade. E depois, nós conversamos com as meninas. Vai ser bem mais fácil com a ajuda delas.

- Eu não gosto do trabalho de cupido. – resmungou o químico.

- Não tem nada a ver com cupido. Não vamos bolar encontro nenhum entre os dois. Só temos que sugerir às meninas que deixem Bella preparada para um possível encontro com ele. Por que eu te digo, caro amigo, quando o Edward souber onde ela está, não tem camisa de força que o segure.



POV ISABELLA

Enquanto os treinos não começavam, e tínhamos uma semana de folga, nós aproveitamos para explorar a cidade. Visitamos museus, shopping, lojas, parques infantis, restaurantes, cinemas, teatros de rua, apresentações, exposições, livrarias... Enfim. Tudo que estava ao nosso alcance. Isso só no primeiro dia! Senti um pouco a falta de tempero na comida, acostumada com ela sempre tão apimentada, mas de resto, nos acostumamos bem. O dia era pequeno para nossas estripulias. Parecíamos crianças soltas na Disney. Na verdade, Alice cogitou a idéia de irmos a Disney. Mas desistiu rapidamente da idéia depois do breve olhar de Rose. Depois que conseguimos completar nosso city tour, voltávamos ao hotel e descansávamos.

Eu lia algum livro – meus romances vieram na bolsa, claro -, calçava minhas sapatilhas e treinava alguns passos dentro do quarto com a música baixa. Às vezes descia rapidamente e caminhava pela rua apinhada de pessoas para comprar um café ou chocolates em uma linda loja que eu descobri que comeria a melhor trufa da minha vida. E em um desses passeios, passei de frente com uma loja de brinquedos e com a curiosidade aguçada, entrei. A quantidade de brinquedo ali era inacreditável. Tinha – se prateleiras até o teto alto, cheias de carrinhos de madeira, damas e xadrez, brinquedos de montar.

Pela loja estavam espalhadas pequenas estantes onde tinha bonecas que fariam qualquer criança enlouquecer, ursos de pelúcia fofos, caixinhas de musicas, triciclos e carrinhos. Era uma loja com brinquedos eletrônicos, mas que também brincava com a imaginação quando misturava brinquedos antigos. Em uma dessas visitas, me encantei por uma boneca que parecia realmente de verdade. Seus cabelos eram encaracolados e ruivos. Na pele de porcelana do rosto, tinham várias sardas. A roupa era um roxo claro, cheio de laços, e suas mãozinhas tinham as dobrinhas como se fossem de um bebê real. Comprei-a e voltei para o apartamento.

Desde o dia que cheguei, nenhum dos pesadelos me assombraram. Bem, não foram realmente pesadelos. Na segunda noite, eu sonhei com eles. E foi um sonho tranqüilo, daqueles que eu não tinha há muito tempo. Eles me abraçavam e então tanto minha mãe quanto meu pai olhavam para mim com aqueles olhos orgulhosos e intensos de tanto amor.

- Estamos orgulhosos de você! – meu pai falou naquela voz tão saudosa e alegre, mas distante.

- Te amamos tanto... – minha mãe falou, aqueles grandes olhos brilhantes. – Sentimos tanto a sua falta. Sentimos muito por você ter ficado sozinha. – e sua expressão ficava triste. – Mas estamos sempre, sempre com você. – eu tentava chegar até eles, mas acordei chorando no meio da noite.

Mas dessa vez, no lugar de gritos de desespero, tinha um sorriso nos meus lábios. Eu sempre soube que eles estavam comigo. Rapidamente corri até a minha mala, peguei meu álbum de fotos deles e dormi abraçada, sussurrando baixinho, quase como uma oração:

- Mamãe... Papai...


***

Três dias depois, eu e Jake fomos elegantemente convidados a comparecer a cerimônia que apresentaria todos os pares que participariam oficialmente do concurso, com direito a um acompanhante e uma elegante festa. Obviamente que depois de muito atentar, insinuar, brincar, extrapolar, encrencar, dar voz a razão, provocar, quase levado ao choro (a base de muitos risos) e com olhares meus de ‘pega leve com ela’, Jacob decidiu que levaria Alice como sua acompanhante enquanto Rose viria comigo, assim todos iríamos juntos. Depois de toda essa discussão, saímos pelas lojas mais caras de NY em busca do vestido perfeito para o evento perfeito.

Entramos em uma, duas, três, quatro lojas e todas tinham vestido lindos e perfeitos, com caimento admirável, com cores extravagantes e suaves, tomara que caia ou de alça, curto ou longo, com varias camadas de anáguas que quase me fizeram sonhar que eu era uma princesa da própria Disney. Claro que se quiséssemos, poderíamos ter comprado tudo na primeira que entramos, mas o desejo de saber o que nos aguardava na outra nos fez ficar o dia todo pulando de loja em loja, parando apenas para almoçar. Vestido, sapatos e acessórios comprados, era hora de voltar.

Para minha total e mais perplexa surpresa, quando adentramos o hall do hotel, tinha duas pessoas sentadas nos elegantes sofás. Obviamente que eu retesei na hora, mas ao contrário de mim, Alice e Rose correram (a primeira soltando um gritinho estridente) para os dois. Jasper e Emmet estavam muito elegantes, tive que admitir. Foi um pouco estranho vê-los vestidos com roupas tão pesadas devido ao frio. Jasper inclusive estava de cachecol que lhe dava um aspecto estranho por que seus cabelos antes encaracolados estavam arrepiados.

E a sua expressão de louco contribuía, é claro. Rapidamente eles se cumprimentaram com longos abraços, palavras sussurradas no ouvido, cheiros no pescoço e é claro, um doce e caliente e invejoso beijo. O olhar de Alice era tão cheio de sentimentos e o de Emmet para Rose gritava: Te quero! Te quero em outro lugar. Foi um momento um pouco constrangedor para mim e Jake. Mas pior ainda, para mim. Uma parte de mim, mesmo que mínima, ao ver os dois melhores amigos da ilusão, fez com que a minha mente lembrasse momentos em Havana onde estivemos juntos. Quase sufocando um soluço, abracei meu próprio corpo. Instantes depois, Jacob passou seu braço pelos meus ombros me puxando para mais perto dele. Agradeci-lhe, apenas com um olhar.

- Bella! – Emmet largou Rose por um instante, segurando sua mão e com o lado do corpo apertando-a. – Como você está?

Com um pigarreio respondi: - Estou bem, obrigada.

Silêncio. Eu não tinha mais o que falar, nem o que perguntar, por que tudo talvez estivesse envolvendo a ilusão, pelo menos nos meus pensamentos. Jacob ainda estava me abraçando com o seu ar sereno e eu me lembrei que eles não se conheciam. Com outro pigarreio, falei:

- Este é o meu primo Jacob. Jacob, estes são Emmet e o Jasper, agarrado na Alice.

Jake cumprimentou os dois educadamente. Silêncio de novo. E dessa vez, muito constrangedor. Sem querer participar desse momento íntimo dos quatro no qual e o Jake estávamos completamente excluídos e sabendo que Alice e Rose mais tarde me agradeceriam por ter deixados a sós já que era a primeira vez que se viam desde nossa chegada, me despedi.

- Foi bom rever vocês... Eu acho. Mas eu vou subir. Tenho que... descansar. Até logo. – e fui em direção ao elevador com Jake perto de mim.

Jake puxou assunto e eu respondi vagamente, sem nem mesmo me importar com o que ele estava perguntando. Quando chegamos à porta do meu quarto, ele parou na minha frente, segurou minhas mãos e apenas com o olhar, me fez fixá-lo.

- Está tudo bem? – ele perguntou, daquele jeito carinhoso a la Jake.

- Sim. – respondi com um sorriso. – Está tudo bem.

- Nervosa? Ansiosa? Com medo? – ele perguntou com o meu sorriso preferido.

- Um pouco de cada. Dentro do quarto mesmo eu estou me alongando e mantendo meus pés em movimento. A verdade é que eu não consigo ficar tanto tempo sem me mexer de alguma forma.

- Eu não estava falando completamente em relação ao concurso, mas... Quando você fizer isso, me chame. Lembre-se que eu estou a mais tempo parado que você e com certeza darei algum trabalho.

- Eu sei que não dará Jake. Você é ótimo. Só vamos começar a ensaiar um pouco se você quiser. Eu posso ir ao seu quarto ou você venha até aqui.

- Claro, mi bailarina. Quando quiser. – ele falou me puxando para um abraço e me dando um beijo na testa. Era tão reconfortante está ali, em seus braços, sentindo o seu abraço. Quando me afastei, ele me olhou profundamente e falou sério: - Você me prometeria uma coisa?

- Hãm... Depende do que.  – respondi com um sorriso, tentando disfarçar meu mal estar.

Não é que eu não quisesse prometer. Em outras épocas eu nem teria hesitado. Mas eu tinha que pensar em mim, nas minhas promessas, no que eu poderia ou não cumprir, pensar em mim mesma e em tudo que eu já sofri. Jake seria sempre o meu Jake, mas o meu sofrimento seria sempre lembrado por mim.

- Prometa-me... Que vai tentar não sofrer por ninguém. Nem ficar com essa cara de choro. Ou com essa expressão de tristeza como se você tivesse perdendo algo muito valioso. Você não está. – ele falou muito convicto que por um momento eu acreditei. – Talvez não seja muito ou não o suficiente, mas eu não preciso dizer que eu estou aqui para você, não é mesmo? – completou passando a mão pelo meu rosto. – Eu sempre vou estar Bella. E nunca, nunca mesmo eu vou te magoar. De novo. Eu acho. – ele falou com um sorriso, fazendo uma alusão clara ao nosso breve afastamento.

- Jake... Eu não sei realmente se eu posso... Prometer-te isso. Não é tão fácil para mim. – e era muito complicado falar, mesmo sem citar nomes, da ilusão. Principalmente com o Jacob. – Mas eu prometo pra ti que me esforçarei, ok?

Ele me olhou intensamente, provavelmente procurando em meu olhar ou não minha expressão algo que dissesse o contrário das minhas palavras, mas eu realmente estava falando a verdade. Eu iria tentar. Quando finalmente se deu por vencido, falou:

- Tudo bem. Não esqueça que eu te amo. – e antes de sair, roçou levemente os lábios nos meus como se fosse tão normal como respirar.


***

Acordei com a campainha do quarto sendo apertada seguidamente. Sonolenta, me guiei até a porta, batendo nos moveis e paredes. Escancarei a porta.

- Bom dia! – Alice e Rose gritaram e me empurraram, me fazendo tropeçar nos próprios pés. Resmunguei um bom dia baixo e cai no sofá, me encolhendo por causa do frio.

- O que fazem aqui uma hora dessas? – perguntei.

- Viemos acordá-la para se preparar para o festerê.

- E precisam fazer isso de madrugada? Que horas são? – perguntei realmente chateada. Estava muito frio! E a cama me chamava, quentinha!

- Nada de preguiça, levanta logo. – Alice se jogou em cima de mim e depois caiu rolando por cima das minhas pernas.

- Como foi ontem com o Jasper? – perguntei, levemente curiosa.

- Aaaah, foi maravilhoso! – ela respondeu dando um sorriso e uma grande ênfase na frase. – Estava com tanta saudade dele!

- Ele subiu? – perguntei bocejando.

- Não... Ainda.  – ela respondeu com um sorriso malicioso. – Terei outras oportunidades.

- Ele e o Emmet não se demoraram muito. – Rose completou vindo da mini cozinha com copos de chocolates fumegante com coco que eu não vi que ela carregava. Provavelmente por que eu estava com os olhos fechados. – Mas só de poder beijá-lo. – e levou a caneca de chocolate a boca depois de me entregar a minha. – Sem palavras. – eu não soube dizer se ela falava do chocolate ou dos beijos de Emmet.

- Que ótimo que vocês aproveitaram. – falei verdadeiramente.

Elas se olharam e eu me afundei, pensando que lá vinha noticias ruins.

- Não quero saber. – respondi logo. – Não quero mesmo, por favor.

- Falaram do Edward. – Alice falou prontamente. Ouvir o nome sendo dito em voz alta era ainda pior do que só pensá-lo.

- Não, não, não, não, não, não! – supliquei balançando a cabeça. – Eu não quero saber, por favor.

- E os garotos perguntaram muito de você, o que me fez perguntar se eles queriam informações para passar para ele.

- Por favor. – pedi com lágrimas nos olhos. – Eu não quero saber. Eu não preciso saber.

- E o Jasper deixou escapar que ele está mal. Que ele está muito mal.

Levantei, deixando a caneca de chocolate cair no chão. Fui para o quarto e me tranquei no banheiro. Ali arranquei a roupa do corpo, e entrei na água que estava muito quente que fez meu corpo arder. Deixei as lágrimas escorrerem de raiva, frustração. Eu não quero saber! Será que é tão difícil compreender isso? Eu não quero saber se ele está mal ou não, o que ele faz ou deixa de fazer, se ele está ou não passando por momentos de dificuldades, sem dormir ou comer. Eu passei por tudo isso e ainda estou aqui, não é mesmo?! Quem foi apostada fui eu, não ele! Por que Alice e Rose insistem nesse assunto, insistem em me magoar, em ajudar a fazer a dor voltar, retornando com as lembranças?

Uma hora depois, quando a minha pele já estava enrugada, saí do banheiro, coloquei o roupão e vesti roupas aconchegantes e pesadas. Não me olhei no espelho por que eu já imaginava como meu rosto estaria inchado. Penteei os cabelos. Elas ainda estavam lá quando eu voltei à sala.

- Tudo bem. – falei alto e firme. – Vamos deixar uma coisa bem clara aqui, ok? Eu não quero saber de nada, absolutamente nada do que está acontecendo ou deixando de acontecer. Eu não vim aqui atrás de ninguém e pouco me importa o sofrimento dos outros quando os mesmos não se importam comigo. Se vocês querem falar de alguém em especial, por favor, falem longe de mim. – falei furiosa e com mais lagrimas nos olhos. – Eu estou aqui para participar de um concurso de dança, não de férias, por mais que possa parecer para vocês. Eu não preciso de informações extras, invalidas e insuficientes entupindo a minha mente, quando o meu objetivo não é esse. Se quiserem continuar a conversar comigo, evitem esse assunto. Não me importa saber quem está sofrendo, chorando, deixando de comer ou trabalhar. Ou teremos sérios, sérios problemas.

- Mas é exatamente isso que está acontecendo! – Alice exclamou.

- Fora Alice! – falei, apontando para porta. – Agora. Saia.

- Mas...

- Eu não quero ser grossa, ingrata ou qualquer coisa desse tipo, mas se vai continuar tentando me ofender, eu serei obrigada a me defender.

- Por que você não encara isso de frente? – Rose perguntou, com um que sarcástico.

- O que eu não encaro de frente? – perguntei no mesmo tom.

- Toda essa situação! Fica tentando fugir, se esconder. Você acha o que? Que não irá encontrá-lo aqui?! Que por que você está aqui, ele sumirá?

- Não foi minha decisão que esse maldito campeonato de dança acontecesse aqui, em primeiro lugar. E é muito fácil pra vocês me julgarem de todas as formas possíveis quando não foram vocês que sofreram, se machucaram e ainda quando saem de passeio por NY, encontram seus namorados ou o que quer que eles sejam. É muito fácil me julgar como fácil, amedrontada, que se esconde de tudo e não encara nada de frente. Eu já encarei muita coisa de frente e estou cansada de todo o sofrimento. Se é tão fácil pra vocês, vão em frente. Só que eu tenho o direito de saber o que fazer da minha vida, como controlar as minhas emoções, as pessoas que eu quero ou não manter perto de mim. E sinceramente? Vocês estão atravessando essa linha tênue de separação.

- E eu posso falar sinceramente por que você não quer ao menos que citemos o nome EDWARD perto de você? – Rose falou quase descontrolada com toda a minha enxurrada de palavras. Nunca, em nenhum momento eu tinha falado assim com elas. Nunca. E jamais pensei que fosse falar. – Por que você quer tanto ficar ao lado dele, estar com ele, que tem medo de confessar que mesmo ele tendo te feito sofrer, é ele quem você quer. Acha que não sabemos? Isso está estampado na sua cara, mas obviamente que só você quer ficar tentando esconder isso de si mesma. Se essa é a sua maneira de se proteger, me desculpa, mas você está fazendo errado.

- Quem é você pra falar o que eu faço ou não de errado Rose? A garota que abandonou a faculdade de Administração? Ou a que falou para si mesma que se mudaria para o Canadá para tentar uma carreira advocacia? Ou será a Rose que sempre sonhou em se casar e ser mãe, mas não confessa NUNCA isso pra ninguém? Ou será a Rose que falou que se tudo desse errado, com certeza abriria uma loja de doces onde a especialização seria em cupcakes? Você é tão inconstante quanto eu. Se brincar, você sofre mais do que eu pelas coisas que você não faz. Mas você encara isso de frente?

- Meninas, por favor, chega. Não precisamos nos exaltar. – Alice suplicou.

- O problema é que você o ama. Ama tão profundamente que não tem certeza de qual será o seu próximo passo. Eu posso ser inconstante, não ter certeza do que eu quero fazer ou estar sem estudar. Posso querer ter meus filhos e casar, e quem saber ir nadar com os golfinhos no Canadá? Mas nunca fingiria pra mim mesma o que eu sinto. Nem tentaria esconder esse sentimento. Você não está enganando ninguém com esse joguinho de ‘eu já superei’ quando os seus olhos dizem o contrário. Você é um livro aberto, qualquer um pode ler. Inclusive o Edward, se chegar a encontrar com você.

- Se isso acontecer, pode deixar que eu saberei controlar a situação. Enquanto isso, se insistirem nessa situação, não precisam mais me procurar de nenhuma forma, entendeu?

- Não, não, não! Rose, por favor, pare! – Alice implorou, segurando no seu braço, como se para fazer com que ela acordasse. – Não podemos fazer isso. Ela é a Bella. É a nossa amiga. A nossa amiga de sempre, lembra? A que colocava sapos na sua cama, a que trançava o seu cabelo e andava de bicicleta.

- Eu apenas não reconheço mais essa Isabella. A minha amiga Bella nunca teria falado nada disso pra mim. E não estaria se escondendo, ainda mais por causa de um homem. – ela disse maldosamente e saiu do quarto.

Quando a porta bateu, foi como se um click na minha cabeça me fizesse acordar do transe. Meu corpo estava tremendo completamente.

- Não precisava disso. – Sussurrei. – Não precisava.

- Bella, estamos todas alteradas. Não foi minha intenção e tenho certeza que não foi a de Rose também. Vou atrás dela, ver como ela está. Desculpe-me. – e saiu também, me deixando sozinha.

Cai no sofá, pensando que por causa da ilusão eu já tinha brigado com as pessoas que eu mais amava na minha vida. Só por causa dele. E percebi que quem tinha atravessando a tênue linha da separação tinha sido eu, com as minhas palavras frias e malvadas.



POV EDWARD

Fazia alguns dias desde a minha última conversa com Emmet e Jasper. Ou talvez alguns anos, eu não sabia ao certo. Desde então eles não haviam me procurado mais para dar notícias. À princípio eu acreditava que assim seria melhor, porque seria poupado de informações desagradáveis. Mas conforme os dias transcorriam, eu percebi que pior do que notícias ruins, era não ter nenhuma no geral.

No final de mais um dia, não suportando mais toda aquela espera, fui até a sala de Emm. Ele não estava lá. Eu xinguei mentalmente por que ainda faltavam no mínimo vinte minutos para o seu horário de saída. Ele se aproveitava da minha boa vontade, mas poderia fazer isso mais discretamente.

Frustrado, dei meia volta para voltar para minha sala. No hall do lado de fora, Tânia ainda estava em sua mesa. Ao menos alguém ali ainda respeitava o horário de saída.

- Tânia, você viu Emmet passar por aqui?

- Sim, ele saiu há uns dez minutos. Disse que tinha um assunto muito importante para tratar.

Acenei brevemente com a cabeça em agradecimento, sem maiores manifestações.

Ela se levantou, e num instante, estava na minha frente. – Você precisa dele para algum motivo em especial? Eu posso tentar ajudar.

Claro, você é a nova melhor amiga de Isabella Martinéz? Irritação tomando o melhor de mim, quase respondi algo como ‘Vá tomar conta de sua vida’, mas me contive. Ela estava apenas tentando ser gentil.

- Não, obrigado.

- Tem certeza?

De repente eu tomei conhecimento de que ela estava mais perto do que a educação realmente pedia. E suas mãos não deveriam estar na minha gravata.

Tudo bem, hora de repensar o fato de ela apenas estar sendo gentil.

- Tânia, se eu precisar de você, pode ficar tranqüila que eu vou te avisar, tudo bem?

Eu estava sendo grosso, e eu sabia disso. Mas eu não estava com cabeça para lidar com as insinuações dela naquele dia.

Ela hesitou, ainda com as mãos na minha maldita gravata. – Você está com algum problema, Edward?

Agora ela queria se mostrar preocupada. Se ela tivesse tentado isso antes, talvez eu tivesse sido um pouco mais atencioso com as palavras.

- Está tudo bem. – e eu mesmo tirei as mãos dela de cima de mim em vista que ela não pretendia fazer isso tão cedo.

***

Eu não fiquei até mais tarde no escritório como todos os dias. E isso por que eu precisava pegar a livraria aberta à tempo de tomar um café. Eu poderia tomar café em qualquer lugar e sabia disso, mas eu precisava daquele.

Eu não respeitei sinais de trânsito e com certeza recebi algumas multas, mas eu não me importei. O resultado foi bom porque consegui chegar meia hora antes do fim de expediente. Algumas das funcionárias sorriram para mim, ao me reconhecer. A maioria delas com segundas intenções.

Eu as ignorei, assim como eu fazia com tudo agora. Subi as escadas com pressa e quando estava chegando na pequena antiga do segundo andar, o mesmo senhor que vendia flores e que sempre estava na livraria naquele horário me abordou. Mais uma vez.

Ele sorriu sabendo que eu sabia que ele ia falar comigo. Ele sempre tentava me fazer comprar. E eu sempre negava, é claro. Ele deveria me odiar porque todas as vezes eu estava com pressa para tomar café e não queria nada se metendo no meu caminho. Mas se isto era verdade, não parecia.

Hoje não foi diferente. Sua voz era simpática e acolhedora quando falou comigo. Como se fosse a primeira vez, como se ele não soubesse que eu ia encará-lo irritadamente por ele estar me atrasando. E definitivamente, como se eu fosse a pessoa perfeita para comprar as malditas flores.

- Boa noite, Edward.

Ele deve ter saído perguntando meu nome simplesmente para tentar me convencer melhor. Algo como para adquirir intimidade.

Ele sorriu mais uma vez, me mostrando a grande cesta que trazia nas mãos. – Flores para uma bela dama?

“Flores para uma bela dama?”; “Belo dia para se presentear alguém, não acha?”; “Que tal um belo buquê para fazer alguém sorrir?”. Eu conhecia bem aquelas frases. E apesar de meu mau-humor, irritação e que tudo parecia estar dando errado, eu não quis ser grosseiro com ele.

Ele não estava me incomodando em nada. Ele não estava tentando me fazer contrair empréstimos ou cartões que devorariam meu dinheiro pouco a pouco ao longo dos meses. Ele estava trabalhando, de maneira honesta. Ele só queria vender umas malditas flores, pelo amor de Deus. Por que eu tratava o pobre homem mal?

- Eu não tenho uma bela dama para presentear. Eu acho que já lhe disse isso.

Ele sorriu para minha resposta inovadora. Eu sempre dizia simplesmente que não queria e deixava-o para trás com as frases não-terminadas que ele diria para me convencer. Eu não fiz isso daquela vez. Eu fiquei e esperei porque não queria ser rude outra vez, embora estivesse morrendo por um café. Mas eu sabia que nada do que ele dissesse poderia me convencer.

- Paciência, meu rapaz. Se você comprar, talvez ela sinta que você está esperando por ela e apareça. Quem sabe? – ele arqueou as sobrancelhas repetidas vezes em um gesto humorado.

Surpreendendo a mim mesmo, eu comecei a rir. Ele tinha mesmo lábia de vendedor, quem diria.

- Eu não acredito nisso, desculpe.

- Esse é o problema de vocês, jovens. Se vocês acreditassem mais, as coisas realmente aconteceriam. Até o destino precisa de um massageador de ego de vez em quando, sabe? – ele balançou a cabeça como se soubesse exatamente do que estava falando e se afastou.

Eu não ficar parado ali tentando adivinhar do que ele estava falando ou por que ele estava falando aquilo pra mim. Ele sabia que eu não compraria flores. Segui para a cantina e me sentei. A mulher que também já me conhecia sorriu e fez um sinal com a mão para mim enquanto atendia outra pessoa.

Ela parecia contente em me ver. – Edward! Você nunca mais apareceu... Pensei que tinha nos abandonado.

- Nunca. Você acha que eu largo este café daqui? Estava trabalhando demais, só isso.

- Huum, trabalho vicia. É melhor ter cuidado. – ela sorriu um sorriso cheio de dentes e se apressou em pegar uma xícara grande. – Café preto, descafeínado, com pouco açúcar?

- Muito açúcar. – corrigi.

Ela me olhou, curiosa. – Estamos diferentes hoje, hein? Tudo bem, muito açúcar..

- Talvez seja para adoçar minha vida amarga... – ri sem humor da minha piada mais sem humor ainda.

Ela não deu sinais de ter ouvido, ainda assim. O que era bom. Ela já havia tentado bisbilhotar o porquê de eu tomar café sem cafeína, já que ela achava horrível. Eu simplesmente já tinha problemas para dormir, naturalmente. Adicione cafeína, e depois de algumas semanas, eu não conseguiria levantar para trabalhar. Como viveria assim?

Ao longe, escutei a voz do senhor tentando vender flores para outra pessoa. – Quer fazer alguém feliz hoje? Aproveite! O dia ainda não acabou...

Eu balancei a cabeça, bebericando do café assim que foi posto na minha frente. Pelo que parecia, ele tinha conseguido convencer a pessoa com aquilo. Seria bem ridículo se eu tentasse colocar pétalas de rosa dentro de uma próxima carta para minha estrela. Não havia sentido em matar pobres flores se não faria nenhuma diferença.

Eu já estava terminando aquela xícara e pronto para pedir outra quando escutei a “transação” sendo concluída.

O senhor agradecia. – Muito obrigado, meu jovem.

O homem respondia. – Talvez isso alegre a noite dela...

Tendo quase engolido o café, eu quase engasguei. Não era, não era, não era... Eu virei o rosto só para ter certeza. Só para ter certeza de que eu estava confundindo. Mas não estava. E ele ergueu os olhos justamente na mesma hora. E na mesma hora me reconheceu. Não é como se fosse possível não reconhecer.

Jacob estava parado há metros de mim com as flores que eram para ser minhas nas mãos. Minhas flores. Eu senti raiva exalando de cada poro de meu corpo e eu já nem sabia mais qual era o motivo: Emmet e Jasper terem mentido pra mim, Jacob estar parado na minha frente, Jacob ter roubado as minhas flores... Bella estar em NY enquanto eu estava perdendo tempo tomando café...

O mundo parecia ter sumido por um momento e eu senti a raiva embaçando minha visão. Mas ele não se demorou. Assim como olhou para mim, desviou o olhar e desceu as escadas. Levando as minhas flores. Eu levantei de súbito e observei-o deixar a livraria com as flores na mão. Eu sabia para quem eram aquelas flores. Ele não tinha o direito de roubar as minhas flores.

- Eu disse para você comprar... Você não quis, chegou outro e levou primeiro. – o senhor, de repente na minha frente, estava dizendo.

Eu cerrei os punhos. – Eu quero as flores agora.

- Mas agora acabou. Ele levou todas. – o senhor deu de ombros.

Eu cerrei mais os punhos. – Como assim todas?

- Todas. Parece que ele queria impressionar alguém. – o senhor sorriu. Eu estava repensando sobre ser gentil com ele. Isso que dava querer ser gentil demais com as pessoas. – Mas se você quiser amanhã...

- Não, eu quero hoje. Agora. Aquelas. Elas são minhas. Ele não pode levar todas as minhas flores!

O senhor arqueou a sobrancelha e eu tinha certeza que ele estava se questionando por que eu estava discutindo sobre flores. Que ele se ferrasse, por que eu não ia explicar. Merda de vida... Por que eu não comprei as flores primeiro?

- Calma, rapaz. Eu vou trazer mais amanhã.

- Não é a mesma coisa. Simplesmente não é a mesma coisa. – balancei a cabeça, inconformado.

Eu queria aquelas. Eu teria aquelas. Não importava se ele tinha as conseguido. Elas eram para serem minhas e elas seriam. Ele não pode simplesmente chegar e ir levando. Não importa como, eu a teria de volta.

***

Eu estava tomando um grande ódio por porteiros. Em geral.

Eu estava esperando há mais ou menos cinco minutos Emmet chegar a seu apartamento. Para mim parecia uma eternidade. Eu tinha ligado para ele exigindo que ele voltasse porque eu queria falar com ele. Pouco importava se ele estava com uma loira ou não.

O maldito do porteiro não me deixou subir. Claro que não adiantaria de muita coisa porque eu ainda teria que esperar Emm chegar, mas eu sabia o esconderijo de sua chave reserva e eu poderia esperar mais confortavelmente.

Quando finalmente o dito cujo apareceu, ele não estava com nenhuma pressa. Andava casualmente e assoviava como se achasse que a vida era a mais perfeita obra de arte. Ele sorriu e acenou quando me viu, ignorando os meus rosnados em sua direção.

- Como você pôde não me contar que Bella já está em NY? Onde ela está? Em que hotel? Quando começa as apresentações? Ela sabe que eu sei que ela está aqui?

- Edward, amigo, você realmente precisa se acalmar ou vai acabar sofrendo um AVC muito cedo na vida. – respondeu brevemente e cumprimentou o porteiro. Foi seguindo para o elevador e eu fui atrás. – Agora, se permite dizer... Sossega esse seu facho ou eu não vou te contar nada.

Eu ignorei aquilo e revirei os olhos enquanto entrávamos no elevador. – Você a viu? Ela está bem?

- Sim, eu a vi. – ele pausou desnecessariamente e eu quis comer o meu próprio fígado de tanta ansiedade. – Ela está bem, mas ficou desconfortável quando nos viu. Claro porque se lembrou de você.

Eu não precisava daquilo. Realmente não precisava. Eu sabia muito bem o que Bella ainda sentia em relação a mim naquele momento.

Eu fiquei em silêncio, sentindo a frieza do sentimento me congelar e quando percebi já havíamos chegado ao andar de Emm. Ele pareceu não notar – ou não ligar – meu breve descontentamento enquanto destrancava a porta.

Eu tentei me administrar para que a raiva prevalecesse outra vez, porque eu sabia lidar melhor com ela. Não foi preciso tanto esforço.

- Por acaso você saiu mais cedo para se encontrar com Rosalie? Eu não vou permitir esse tipo de comportamento. Você está sendo... – um filho da puta sortudo e eu queria estar fazendo a mesma coisa com minha estrela. – irresponsável. Eu sei que vocês não se vêem há muito tempo, mas você tem trabalho para fazer e o mínimo exigido é que ele seja feito.

Emm tinha ido pegar uma cerveja na geladeira enquanto eu falava, claramente não prestando atenção, e me ofereceu uma. Aceitei apenas para ocupar as mãos com algo que não fosse alguma parte do corpo dele que com uma leve pressão levaria o resto a nocaute.

- Já acabou? – questionou entediado. Eu apenas o encarei. – Ótimo, agora se você me deixar falar, vai saber que o que fui fazer beneficia tanto a você quanto a mim. Mais a você na verdade.

Ele engoliu um pouco da cerveja distraidamente, enquanto eu tentei entender o que ele estava dizendo.

- Como?

Ele sorriu como se possuísse o mundo e retirou três ingressos do bolso, balançando-os na minha frente. – Festa do...

- Eu não vou à festa nenhuma. Eu não acredito que você ainda vem com isso numa hora dessas. Onde Bella está? 

- Posso falar? Obrigado. – ele bebeu mais da cerveja e eu bufei enquanto esperava. – A festa é para apresentar os pares que vão concorrer no Mundial.

Agora, aquilo obteve a minha atenção. – Bella vai estar lá?

É, eu parecia uma criança que tinha ‘Bella’ no botão repeat. Eu estava satisfeito assim, muito obrigado.

Ele sorriu novamente. – Edward, Edward... Para que você acha que eu gastei um dinheirão, que você vai me reembolsar, com estes ingressos? A festa é privada, mas digamos que eu conheço alguém que conhece alguém... – ele deu uma risadinha para sua suposta inteligência. – É claro que Bella vai estar lá. Este é o único motivo que eu comprei um para você. Sem ofensas, mas você não é uma companhia para se ter em uma festa no momento.

- Ela sabe... Que eu vou?

- Edward, acorda o seu cérebro. Eu acabei de ir buscar estes ingressos. Você acha que eles apareceram por mágica? Tudo é questão de Quem Indique, colega, nem sempre é sobre o dinheiro. Ela não sabe e não vai saber, claro. Você acha mesmo que se ela souber, ela vai?

- Você sabe exatamente como me fazer sentir melhor. – eu comentei amargamente.

- Só uma pessoa pode te fazer sentir melhor, eu sei disso depois de muito tentar e ela – ele indicou os ingressos. – vai estar nesta festa. É por isso que vamos arrumar você. Tudo o que tem direito. Cabelo, unha e maquiagem se for preciso.

Eu o encarei novamente. – Emm, não começa com suas esquisitices.

- Eu estou falando muito sério. A festa é daqui a dois dias e você precisa estar bem. Eu te garanto... Se a Bella já olhou para mim e pro Jass do jeito que olhou sendo nós apenas seus amigos, vamos precisar te cobrir de diamantes para chamar atenção dela. Ou – ele não podia evitar a piada. – talvez uma melancia na cabeça sirva.

Eu balancei a cabeça e dei um tapa tão forte na sua nuca que estalou até na minha.

***

Eu não precisei arranjar mais trabalho para enganar a ansiedade porque minha própria mente fez seu serviço, não me deixando pensar em nada mais além da festa e do fato que eu encontraria minha estrela. Logo, havia chegado o dia.

Foi irritante ter que me manter no escuro sobre onde Bella estava hospedada. Emmet se recusou a me dizer e eu sabia que ele estava certo. Eu iria atrás dela, aumentando as chances de eliminar as minhas chances de vez. Era melhor prevenir porque eu me conhecia bem demais para arriscar.

Era sexta-feira e foi um verdadeiro inferno conseguir chegar ao meu apartamento quando parecia que todos os nova-iorquinos tinham resolvido sair de carro naquele exato momento. Eu estava acostumado com aquilo. NYC era um lugar onde o horário pouco importava para comemorações. Eram os meus nervos que alteravam tudo.

Foi a primeira vez no que pareceu ser em toda a minha vida, que eu realmente parei para me observar no espelho. E eu só o fiz porque uma estranha ansiedade sobre qual roupa usar me atingiu. Não era como se fosse fazer grande diferença a maldita roupa, mas eu não pude me conter.

Além do mais, eu realmente não estava em minha melhor forma e ao que parecia, todos notavam isso. Quando eu vi meu reflexo, percebi o porquê. Cara... Eu estava um trapo. E bem no sentido da palavra. Olheiras de não-sei-quantos-séculos, o rosto tão pálido que eu me perguntava como ninguém havia me internado e eu estava magro. Ou melhor, eu estava um pau de virar tripa. 

Talvez a roupa não fosse chamar mesmo tanta atenção.

Eu saí dali porque não tinha nada que eu pudesse fazer sobre aquilo agora. Eu só parecia um pouco doente, nada de tão assustador assim. Eu esperava. Eu fui encontrar com Emm em seu apartamento uma vez que ele se recusara a me dizer onde era, pois achava que ‘eu faria uma visitinha antes da hora’.

Eu sabia, porém, que a festa aconteceria no mesmo local onde o Concurso aconteceria. E que por sinal, era o mesmo local onde minha estrela iria ensaiar. Ou seja, não era como se isso fosse mesmo me impedir de fazer ‘visitinhas’ porque eu descobriria o lugar ainda naquele dia.

Eu percebi ao chegar que Emm estava arrumado demais. Acrescente mais um ‘demais’ nisso. Jass, que já estava lá, acenou com a cabeça pra mim e continuou se sacudindo estranhamente como reparei que já fazia antes. Ele também parecia estar ansioso, mas todo aquele tremelique me deixava ainda mais nervoso. 

- Para que toda a produção? – perguntei receoso de que tivesse que voltar e mudar de roupa.

Pela quarta vez.

- Ora, eu preciso estar bem para minha gata. – deu de ombros. – Você até que não está mal. Claro, tirando as olheiras, a expressão de quem não come há semanas e o novo shape de ‘garoto que acabou de entrar na adolescência’. É, com certeza o shape é o pior.

- Eu sei que estou magro, está bem? Não precisa lembrar.

- Tudo bem, tudo bem, eu só queria ajudar. – fingiu-se de ofendido. – Acho que nós já podemos ir. Edward, você veio com seu carro? Porque nós vamos buscar as meninas e, bom, acho que ainda não é a hora da Bella...

- Eu vim com meu carro. – cortei antes que ele repetisse o que eu já sabia. – O que vocês disseram para elas? Elas sabem que eu vou?

- Emmet disse, como da outra vez, que ele tem contatos. – Jasper respondeu, fazendo uma expressão. – Rose não se importou muito. Alice me encheu de perguntas, e claro, perguntou se você iria também.

- Você mentiu, não é? – encarei-o desesperado.

Ele suspirou. – Eu tentei mentir, mas... – eu comecei a bufar achando que estava tudo perdido e baguncei o cabelo que com esforço havia conseguido arrumar. – Olha, ninguém consegue mentir para ela.

- Você não consegue mentir para ela. – corrigi.

- Eu não disse que você ia, apenas não neguei. Eu sei que ela sabe de um jeito ou outro, mas se você quer minha opinião, eu não acho que ela dirá algo. Parece que o clima entre elas três está meio pesado. Ou melhor, parece que o clima entre Bella e as duas está meio pesado. Elas tiveram uma briga, algo assim. Alice não quis entrar em detalhes e eu não quis perguntar por que ela ainda parecia chateada.

Eu queria saber mais, claro. - Mas você não sabe o motivo?

- Parece que sua estrela anda um pouco estressada demais ultimamente. – Emm comentou. - Segundo Rosalie, ao menos. E ela ficou tagarelando sobre como ela detestava aquela situação e sobre o que Bella estava fazendo com sua vida, e sobre como ela jogou na sua cara várias coisas... Eu não entendi bem porque ela estava meio que rosnando enquanto falava, então...

- Por que ela está estressada?

- Edward, não sabemos. – Jasper murmurou impaciente. - Pergunte a ela quando a vir hoje, está bem? Agora nós temos que ir. Rapidinho. Alice não gosta de atrasos.

Ele era um pau-mandado, pensei. E claro que eu entendia muito bem como era aquilo.

***

Eu segui rápido para o local e chegando antes deles, como previa, considerei se deveria estacionar o carro lá dentro. Bella nunca havia visto meu carro e era bem improvável que reconhecesse. As meninas também. Achei que não faria dano nenhum, e deixei-o lá dentro.

Eu entrei logo, não querendo ser visto quando eles chegassem. Eu não sabia ao certo se queria ser visto no geral ou se queria que Bella me visse. Era melhor se eu ficasse apenas observando-a de longe, não era? Assim não correria o risco de ela me mandar embora ou pior, ir embora ela mesma.

Mas se eu o fizesse, por outro lado, não estaria tentando mudar a situação e tudo continuaria na mesma. Eu já havia me decidido que faria alguma coisa. Por mais que ela tenha dito que não queria mais me ver ou falar comigo ou saber se eu morri. Eu a amava, eu a queria, e que se ferrasse o resto.

Havia poucas pessoas lá dentro devido ao horário, e como as mesas estavam dispostas pela metade do salão, notei que os pares iriam dançar em algum momento da noite. Eu sentia falta de ver minha estrela dançar... Mas definitivamente não queria Jacob com ela. Eu nunca tinha visto, a não ser por fotos, mas tinha certeza de que não ia gostar.

Aquele era o meu lugar.

Eu esperei pacientemente ao lado do bar, em que eu podia ter uma boa vista do local. Várias pessoas me lançaram sorrisinhos – homens e mulheres – e eu tive a impressão de que eles achavam que eu era um dos concorrentes. Talvez porque, não tão paciente assim, eu estava me balançando como Jasper mais cedo enquanto olhava para a porta, claramente esperando alguém chegar.

Eu pedi uma bebida, ou algumas, enquanto esperava. Eu nem ao menos senti o gosto do que estava bebendo. Novamente, queria apenas fazer algo com as mãos, que me pareciam inúteis no momento. Gradualmente o local foi enchendo, as mesas foram sendo ocupadas e a música ambiente foi substituída por uma mais ritmada.

Quando eu já estava quase desistindo, achando que tinha acontecido um acidente e eles não viriam mais, Emm e Rose aparecerão primeiro. Ele, num instante olhou em minha direção como se soubesse exatamente que eu estaria ali. Ele sorriu e fez um rápido gesto com a mão em sinal de ‘ok’, atraindo a atenção da loira.

Ela olhou para mim também e eu me preparei para correr por que definitivamente agora daria tudo errado. Mas ela não deu sinais de que faria um escândalo, apenas balançou a cabeça com um mínimo sorriso como se já soubesse que aquilo aconteceria. Eu relaxei um pouco quando eles continuaram andando, mas me escondi mais só por precaução.

Jacob apareceu depois com... Alice? Eu não entendi nada, mas não pensei muito sobre aquilo. Ela começou a varrer o salão com os olhos como se procurasse alguém e finalmente seus olhos recaíram sobre onde eu estava. Eu sabia que ela não podia me ver por que estava escuro demais, eu tinha me assegurado disso, então sem mais, continuou seu caminho.

Então, ela apareceu. Provavelmente Jasper estava com ela, mas eu não prestei atenção. Embora eu estivesse preparado para aquilo, soubesse que iria vê-la, ainda sim foi uma surpresa porque eu esperava nunca mais vê-la. Embora desejasse o contrário. Bella estava linda, como sempre foi e como sempre seria. O pensamento de que ela usava um vestido, roxo e com um decote generoso, trouxe um sorriso nostálgico aos meus lábios.

Eu fiquei observando-a se juntar aos outros com os olhos vidrados de um viciado, o que em termos literais era o que eu era. Eu sabia que não era a hora de aparecer ainda e percebi que Rose não fez alguma inclinação para contar alguma coisa tinha visto. Bella e Jacob não se demoraram na mesa e logo foram falar com uma mulher de porte firme e expressão dura. Ela levou-os para outro lugar.

Emmet não demorou a vir me procurar, e eu ainda estava em estado de completo transe pensando em como eu consegui sobreviver todos aqueles meses sem olhar para Bella. E sobre como eu me controlaria quando a vontade de tocá-la se tornou insuportável. Eu precisava daquela mulher. Eu precisava.

- Tudo certo aí? – ele perguntou cautelosamente.

- Rose não disse nada para Bella, disse?

- Elas nem ao menos se falaram, Edward. Alice e Bella parecem melhor, mas Rose é um tanto mais orgulhosa. De qualquer forma, ela não dirá nada. Minha gata só quis saber o que é que você está planejando fazer.

- Você disse a verdade?

- Sim, eu disse que você estava surtando igual uma mulher desde que soube da festa e que não planejou nada. – respondeu casualmente enquanto pedia dois drinques.

Grunhi. – Ótimo.

Ele sorriu, dando-me um tapa no ombro. – Relaxa que vai dar tudo certo. Agora, por que você não vai dar um jeito no seu cabelo? Ele está mais bagunçado do que o normal, sabe.

- Provavelmente fui eu. E provavelmente eu vou fazer de novo.

O único motivo que me fez seguir o seu conselho foi por que eu precisava me mover, temia que meu corpo estivesse paralisado. Eu demorei demais no banheiro tentando dar um jeito em todo o meu rosto. As olheiras pareciam ainda mais acentuadas agora. Eu estava parecendo um morto-vivo, algo assim. Péssimo.

Foi inevitável olhar para a mesa em que eles estavam sentados quando eu saí e eu tive o desprazer de ver que os dois tinham voltado, e que Jacob estava falando alguma coisa no ouvido da minha estrela. Ela riu e se levantou, indo em direção ao bar. Eu grunhi. Por ter que esperar para voltar até lá, por que eu estava com uma sensação de De Já Vu, por que assim como na outra festa Jacob tinha que colocar as mãos no que era meu... A única coisa que eu poderia fazer era desejar que, de novo, eu conseguisse a última dança da noite com ela.

Claro que eu não me iludi sobre isso.

Eu não ia me mover, eu ia esperar até que ela voltasse para não haver risco de me ver antes da hora, mas tive que sair dali quando Jacob fez menção de ir ao banheiro. Era impressionante como ele sabia atrapalhar em tudo. Eu consegui sair dali antes que ele me visse, porque aquilo sim garantiria notícias para Bella. Eu fui andando com todo o cuidado do mundo. Para ter certeza de que ela não estava à vista.

Eu olhei para mesa para saber se ela tinha voltado e vi que Alice estava olhando para mim. Finalmente ela parecia ter encontrado quem queria. Ela acenou com a mão em provocação, provavelmente percebendo que eu fiquei nervoso com aquilo. Deu um sorriso inocente. E distraído como eu havia me prometido não ficar, senti quando um corpo trombou-se com o meu e haha, bebida em minha camisa.

- Ah meu Deus, desculpa, eu não tinha...

Mer-da.

Para que cuidados, para que cautela, para que arranjos se tudo simplesmente ia acontecer dessa forma? Tudo parecia estar contra mim, era verdade. Imediatamente eu soube que um começo de noite daqueles só resultaria em um final de noite ainda pior.

- Ah meu Deus.

Era bem improvável mesmo que ela não me reconhecesse, estava claro demais para o meu gosto. Eu queria fazer certo por ela, dessa vez eu queria ser certo para ela. Mas parecia que não era assim que as coisas eram para ser. Eu olhei para ela porque era a única coisa que eu podia fazer. E não importava luz ou escuridão, mesmo que eu não pudesse ver mais nada, eu reconheceria aqueles olhos.

Bella.


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